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Frases de tadeumemoria

822 frases

Porque o meu olhar se derramou Quando a manhã te iluminou feito um cometa em minha rua...
O CÉU DE MACAPÁ Ela era tão bela quanto o mar E tinha os olhos tão azuis
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O CÉU DE MACAPÁ Ela era tão bela quanto o mar E tinha os olhos tão azuis Como o céu de Macapá Solitária como Piripirí, Pobre como o Piauí E tinha o rosto de anjos Como quando os anjos tinham rosto, E falava manso Como quando os anjos falavam com o Senhor E fazia-nos pensar no amor Como quando conseguíamos pensar E era triste como a Aldeota Como uma jangada sem rota Na imensidão do mar, Só tendo o norte como referência, Como quando tínhamos norte... Agora na imensidão do tempo Ela não é mais bela, Não temos mais céu como o de Macapá Não temos mais janela pra Piripiri, Não temos a nobreza do Piauí, Não temos mais rosto... Ela era tão bela...

Passa a manhã passa a tarde passa a noite
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Passa a manhã passa a tarde passa a noite passa a morena passam lembranças passam saudades passa a banda... jumentos cabras cavalos num pasto... cafezal, laranjal e canavial passa o lago, o gado, a pipa a voar passa a ponte, passa o rio, passa o pai e o filho o campo, bola na rede e comemoração casa de taipa, vereda, carroça, mula teimosa casa de varanda, Vila, quitanda Igrejinha azul e amarela mulher batendo roupa na beira da lagoa crianças brincando à toa, varal embandeirado delimitando a pobreza... favela subindo o morro, antenas e ”gatos” acessos indevidos, passa o trem, passamos nós porque o comboio da vida segue seu destino...

INVISÍVEL Essa cidade não sabe que eu sou de outro planeta Que viajei na reluzente calda de um cometa
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INVISÍVEL Essa cidade não sabe que eu sou de outro planeta Que viajei na reluzente calda de um cometa Sob uma chuva perene de meteoros incandescentes Essa gente não sabe do que tenho E não tenho e do que sou capaz... Quando a solidão do inabitável Castigava a terra com restos de estrelas. A luz se impunha as trevas, Então o Filho pregou o amor E a justiça sobre as montanhas, Esse soneto divino que é o existir Não permitira ainda o orvalhar romântico Sobre os jardins de Amsterdam, Antes Moisés conduzira o êxodo Sob o causticante sol do deserto Eu estava longe de tudo e perto do nada, E quanto mais perto de tudo, Mais você se torna invisível, As pessoas só veem o que lhes interessam... Essa cidade não ouve nem lê O que eu escrevo ou declamo Não sabe dessa ternura mórbida Que sacrifica os santos... Eu tenho moléculas de hidrogênio e oxigênio, Eu tenho a luz dos astros E a melancolia impressa no olhar Eu tenho a devoção dos mártires... Essa cidade nada sabe de mim Enquanto a lua dança num eclipse E o arco Iris listra o firmamento O apocalipse se revela... Silenciosamente eu canto, Eu toco um violino e a harpa... Uma harpa angelical me acompanha...

A SERPENTE O diamante duro e resistente adornado ao ouro branco no seu dedo,
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A SERPENTE O diamante duro e resistente adornado ao ouro branco no seu dedo, os seus cabelos brilhantes de bronze tinha o olhar da multidão e as luzes da tarde, sua pele de tecido macio, seda persa, perversa, me induz ao pecado, ao inferno que arde em meu peito, eu sem jeito, demônio tímido atraído pela santa serpente, não ouso olhar nas esmeraldas dos seus olhos, não ouso sonhar com seus dentes mordendo meus medos, não ouso os demônios urbanos, nem os anjos da periferia, não ouso espíritos campestres... a serpente desliza entre as vitrines, hipnotizada pelo neon, Outdoors e grifes; sonha virar diva e viver mil historias de amor, mas na madrugada a paixão domina o encanto e a serpente rasteja na relva de uma floresta... e a mulher se perde nas abstrações que edificam a vida, esbarra em paredes e em escadarias, se perde nos números, nos passos, nos rostos da multidão; então percebe que existir é exatamente essa indefinição, essa magia, esse prazer de estar sempre procurando... procurando... até o momento que a porta se abre e você dá de cara com a naja...

AZUL TURQUESA Quando era sábado eu era magro E só tinha a ilusão incandescente de um adolescente
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AZUL TURQUESA Quando era sábado eu era magro E só tinha a ilusão incandescente de um adolescente O céu era azul turquesa Como as minhas poesias, Julieta jamais morreria se eu tivesse um romance, Mas antes, muito antes Quando eu ainda não ousara sonhar Eu só tinha as pipas e piões E muitas indecisões Eu já idealizara o olhar dos olhos dela... Enquanto contemplava Pássaros, borboletas e libélulas Eu já era poeta e não sabia E o olor de viver, o ardor de sobreviver A dor de subviver era poesia Eu só precisava daquele beijo Pra perceber a abóboda azul turquesa, Pra saber que nos sábados somos magros; Nos domingos somos lindos E nas segundas... nas segundas-feiras Percebemos de quem sentimos falta...

Democracia não deu certo Vivemos muito perto da loucura E aquela ternura que imaginávamos
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Democracia não deu certo Vivemos muito perto da loucura E aquela ternura que imaginávamos Era só uma utopia... Esquece London London Esquece Baby Nevermore Alegria Alegria Precisamos de uma Dita mais Dura De uma Cracia mais Demo Meu irmão Caetano onde andam Dadda, Pinochet, Salazar e Fidel Agora precisamos dessa gente Pro trabalho indecente De mandar alguém pro inferno ou pro céu...

JIA A princesa beijou o sapo e virou uma jia E tudo que o sapo coaxava
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JIA A princesa beijou o sapo e virou uma jia E tudo que o sapo coaxava Aos seus ouvidos era poesia, E todo pulo, todo arroto era estripulia... A língua esticava, o mosquito pegava, As estrelas luziam... Se todas as constelações habitassem a lagoa E todos os beijos habitassem as canções Onde estaria a sapa? Valas são partituras nas periferias Onde cantam as jias e ecoam as pererecas A princesa conheceu esse mundo E saiu beijando tudo o que era vagabundo E o coaxar dos batráquios ecoava em todo canto E o encanto da princesa se perdia Que príncipe beijaria uma jia? Então só lhe restava o pântano, O espanto das sombras, as sobras na lama... O drama de se aceitar como jia, E ter a certeza que o conto de fada mentia...

DESCARGA Sentado no vaso sanitário Ninguém quer ser otário
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DESCARGA Sentado no vaso sanitário Ninguém quer ser otário Todos têm suas filosofias Mas caga toda a tua sujeira Esquece todas as besteiras E dá descarga nessa porcaria O passado tem mão suave Um sorriso tão doce E, todos percebemos a ternura Mas, naqueles momentos Os avisos, os conselhos Pareciam empecilhos Não sabíamos ver como filhos Atrás daquilo o verdadeiro sentimento Agora filosofa essa merda Chora tuas perdas derrama na urina Tudo que for rancor mas te limpa Banha-te e perfuma-te E ouve o que diz o amor

ABACAXIS A maior mentira Colhe pitangas na jaqueira
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ABACAXIS A maior mentira Colhe pitangas na jaqueira A maior besteira É pensar em dar rasteiras em sacis Querer mulher bonita É como desejar abacaxis Tem sempre algum problema Preocupações infinitas... Por mais que se tenha carinho, Como diria seu Chico: “Mulher bonita é como melancia Nunca se come sozinho...”

FRONTEIRAS Então eu olho no espelho do ontem e do hoje Sem ter certeza de qual dos dois sou eu
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FRONTEIRAS Então eu olho no espelho do ontem e do hoje Sem ter certeza de qual dos dois sou eu A minha identidade usa fraldas ou próteses Há um reflexo, um vulto, outras possibilidades Um rio, uma terceira margem A gente vai se multiplicando Com o tempo sentimento e idade E essa multidão passeia nas praças Povoa as esquinas enche o coração O coração da multidão É movido pelos mesmos prazeres carências e fantasias Com as mesmas incertezas Rios margens e fronteiras Elas conversam nas praças Se pintam nos shoppings, Se deliciam nas sorveterias Imaginando o que suas almas escondem, E o meu desejo diz que elas Estão todas prenhes desse prazer Mas tudo se dissolve num jogo de espelho, Em margem de rios e fronteiras do tempo Ontem, hoje, amanhã, todas prenhes deste meu desejo... Prazeres órfãos porque o tempo dilui Com a constante inconstância do que se abstrai na emoção...

ILUSÂO O que além do azul se perde no verde Entre o mar e as estrelas,
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ILUSÂO O que além do azul se perde no verde Entre o mar e as estrelas, Entre as vagas e as marolas? A ilusão é como bolas de sabão Perdidas na abóboda, Um arquipélago de ilhas misteriosas Consome o Japão, Um Samurai com sua adaga a punir a traição; Se eu não sonhasse nunca mais ruiria o templo, O que temos de espírito. Se eu contemplo esse palácio A tua vaidade profana os ritos, O horizonte se abre uma imensidão, Mas o que é o horizonte A não ser algo relativo a sua posição E além do verde e do azul, Da negritude, do que eu tenho de mestiço; Caravelas e navio negreiros contribuíram com isso, Do índio com o negro nasce o mameluco, O que é mais romântico que nascer em Pernambuco E pensar que é francês Ouvir Asa Branca e cantar Ne me quitte pás, Ilusão me espera com seus arreios Cravejado de brilhantes e suas ferraduras de ouro Para um passeio por entre e além do azul e do verde...

ESTRADAS EMPOEIRADAS Dos pardais cigarras e morcegos são os finais de tardes O sol de verão bronzeia a solidão
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ESTRADAS EMPOEIRADAS Dos pardais cigarras e morcegos são os finais de tardes O sol de verão bronzeia a solidão De silhuetas anônimas nas colinas E entre os nascentes e os ocasos adolescem as meninas. Eu sei que o amor é pertinente a todos os sonhares, Quem não se amou um dia se amará E o que é solidão além do chalé branco sobre a duna, Além da vela encardida que se aventura na imensidão domar O que me faz pensar que a solidão até faz bem É perceber que as coisas mais profundas Afloram nos momentos solitários... Penso que algum dia todos tiveram Suas estradas empoeiradas com zumbis e ETs; Suas fobias e inseguranças, Mas um herói, uma oração, um talismã, Qualquer crendice que nos protegesse Todos tivemos; eu tinha uma sobrinha, Meio tia por ser mais velha Acho que ela foi o meu maior carinho de infância Juntávamos latas ou apenas perambulávamos Porque não é fácil ser anjo sem ruas de brilhantes, Pétalas de estrelas E ter apenas barracões com tetos de zinco para nos abrigar, Mas eu tinha seu poder Que suponho vinha da sua franja caindo nos seus olhos; Não tinha ainda a idade do tempo, Nem tempo de idade, nenhuma outra noção Eu só tinha a sua presença e a sua mão; Talvez eu tivesse algum poder, Talvez o poder de não poder nada, Talvez o catarro escorrendo do meu nariz lhe protegesse do mundo, As minhas unhas sujas, os meus dentes proeminentes Eu era um anjo, ainda não me encantava com dunas E brancas casas de praia avarandadas, Ainda não me encantava pelo que ostenta ou pelo que seduz; Um saco, algumas latas, chicletes e amendoins, sua franja e seu sorriso, sua mão; que viesse os zumbis e ETs...

SONETO TRISTE Criei um soneto tão triste Que meu soneto chorava
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SONETO TRISTE Criei um soneto tão triste Que meu soneto chorava Saiu triste porta afora Entristecendo a aurora Calou mamíferos e aves Calou os bichos das águas Silenciou toda tarde Choramingando suas mágoas Nem a noite estrelada Do meu poema tristonho Que triste e desconsolado Sonhava com a namorada Que um dia saiu sem rumo Levando todos os sonhos

NEGRITUDE O olhar do negro Tem o tamanho de todas as estrelas,
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NEGRITUDE O olhar do negro Tem o tamanho de todas as estrelas, As lembranças de arrastar correntes, Tem a tortura de todos os troncos, O olhar do negro Veleja navio negreiros Na saudade das savanas de sua liberdade, O olhar do negro Se perde nos canaviais, nos engenhos, O olhar do negro Tem a solidão ímpar de todas as noites, Tem a angústia de todos os órfãos, A dor de todas as humilhações, A revolta de todos os mares, O olhar do negro Tem todas as angústias da colônia, Tem traumas silenciosos, De mães e irmãs abusadas, O olhar do negro Tem a ansiedade dos quilombos, Tem a valentia do zumbi... E uma saudade que urra, que brame, que zurra Que agita manadas, alcateias, bandos e tribos Da negritude que ainda corre em seu sangue...

ETERNIDADE Era uma casa grande de frente ampla pra um imenso campo de pasto, que se perdia ao longe com elevações de algumas colinas onde invariavelmente o sol repousava nos finais das tardes. Um rio riscava a paisagem com algumas curvas sinuosas donde surgiam carroças e mulhere…
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ETERNIDADE Era uma casa grande de frente ampla pra um imenso campo de pasto, que se perdia ao longe com elevações de algumas colinas onde invariavelmente o sol repousava nos finais das tardes. Um rio riscava a paisagem com algumas curvas sinuosas donde surgiam carroças e mulheres com bacias nas cabeças seguidas por crianças que vadiavam entre flores, libélulas, borboletas e alguns passarinhos que festejavam a aurora ou alardeavam nos finais de tardes, anunciando as noites. Neste cenário vivemos os mais belos anos de nossas vidas de uma paixão, que certamente inspiraria poetas, romancistas, cantores e qualquer ser vivente com um pouco de sensibilidade. Protagonista desta história, posso afirmar, que a felicidade faz galopar o tempo num tropel frenético e irrefreável. Foi lindo, foi infindo, foi infinito; mas até o infinito é arrastado pelo galopar enlouquecido do tempo; e um dia eu me vi sozinho, tonto com o serpentear do rio, as vertiginosas colinas e um vulto que dava sentido àquele cenário. ah, tantas coisas mudaram naquele cenário; os horizontes foram se limitando dando lugar a torres, antenas e telhados: mas o que eu via era o passado, longe de asfaltos e pontes, perto de auroras incríveis e ocasos paradisíacos. Um dia reuniram-se irmãos, filhos e netos e choraram pelos que eu jamais choraria. O tempo galopara a minha existência; mas agora, este plasma infinito dessa ternura louca, fiel e inabalável insiste: é uma casa grande, de frente ampla pra um imenso campo de pasto que se perde ao longe nas elevações de algumas colinas, onde invariavelmente o sol repousa nos finais de tardes... com sua roupa branca como a candura de um anjo, ela caminha em minha direção sem nenhuma pressa, sabe que temos toda a eternidade...