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Frase de tadeumemoria

ESTRADAS EMPOEIRADAS Dos pardais cigarras e morcegos são os finais de tardes O sol de verão bronzeia a solidão De silhuetas anônimas nas colinas E entre os nascentes e os ocasos adolescem as meninas. Eu sei que o amor é pertinente a todos os sonhares, Quem não se amou um dia se amará E o que é solidão além do chalé branco sobre a duna, Além da vela encardida que se aventura na imensidão domar O que me faz pensar que a solidão até faz bem É perceber que as coisas mais profundas Afloram nos momentos solitários... Penso que algum dia todos tiveram Suas estradas empoeiradas com zumbis e ETs; Suas fobias e inseguranças, Mas um herói, uma oração, um talismã, Qualquer crendice que nos protegesse Todos tivemos; eu tinha uma sobrinha, Meio tia por ser mais velha Acho que ela foi o meu maior carinho de infância Juntávamos latas ou apenas perambulávamos Porque não é fácil ser anjo sem ruas de brilhantes, Pétalas de estrelas E ter apenas barracões com tetos de zinco para nos abrigar, Mas eu tinha seu poder Que suponho vinha da sua franja caindo nos seus olhos; Não tinha ainda a idade do tempo, Nem tempo de idade, nenhuma outra noção Eu só tinha a sua presença e a sua mão; Talvez eu tivesse algum poder, Talvez o poder de não poder nada, Talvez o catarro escorrendo do meu nariz lhe protegesse do mundo, As minhas unhas sujas, os meus dentes proeminentes Eu era um anjo, ainda não me encantava com dunas E brancas casas de praia avarandadas, Ainda não me encantava pelo que ostenta ou pelo que seduz; Um saco, algumas latas, chicletes e amendoins, sua franja e seu sorriso, sua mão; que viesse os zumbis e ETs...

tadeumemoria

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ainda não inventaram as palavras que definam a essência de ser mãe
Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma,
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Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma, Depois vem outro dia com outras necessidades Uma sensibilidade maior vai te fazer perceber O que verdadeiramente é belo O que verdadeiramente soa bem aos ouvidos; Nesse tempo o grasnar das gralhas vai ferir teus tímpanos E a primavera de cigarras e pardais vai estar bem distante...

REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas
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REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas Eu teria uma vida mais longa... Há cinco segundos atras Eu era mais jovem quinze segundos Somando-se dez segundos Que eu levei pra escrever esta frase Há dez minutos eu tento falar Que o tempo passa E implacavelmente deixa suas marcas... Há quanto tempo tento falar desse enigma Outros olhares, outras palavras, outros rios E o rio passa em mim há quantos séculos Outras palavras não explicaram Ou não foram compreendidas E o tempo tingiu nossas cãs Um dia nos erguemos sobre nossos membros inferiores E pensávamos que sabíamos de tudo Mas o tempo muda as paisagens Verga nossas espinhas e embaça os horizontes Mas nós poetas escrevemos E libertamos pássaros em revoadas E nesse bater de asas divino De editar sentimentos, alguma coisa muda E navegamos incólumes às vicissitudes naturais O individuo perece mas o poeta é imortal

JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava
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JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava A galinha porque cacarejava, Matou o avô de quem não gostava muito A avó porque reclamou do suco O tio porque era um vadio A tia porque criava cutias Josefa matou o vizinho porque não dava bom dia Matou seu Mané no boteco Porque botava boneco quando bebia Josefa matou o carteiro porque não dava notícias Josefa matou a enteada Porque falava no ex-marido O finado morreu de um pirão que comeu Seu segundo marido comeu baião e nunca mais acordou Seu último companheiro morreu de martelada Desconfiado não queria comer nada... Hoje Josefa paraplégica na cadeira de roda sob a sombra do oitizeiro Rever todos os que partiram Sabe que morreu faz tempo Mas o tempo não quer saber de Josefa...