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Frases de tadeumemoria

822 frases

BALDARACCI Laila, Lá fora tem um mar,
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BALDARACCI Laila, Lá fora tem um mar, Tem um mar de estrelas, Têm estrelas do mar Têm arraias, pipas, peixes papagaios Tem um polvo gigante, Um povo importante, Tem um povoado onde urubu voa rasante Farejando o lixo Mas, o que importa? Dorme teu sono de felino Sonhando com os camundongos, Mas saiba que o deus dos gatos é um rato O deus dos gatos é um camundongo... O deus dos tigres é um antílope... O deus dos leões é um gnu O Deus dos homens Não é mulher nem homem...

povoa, povoa o meu olhar a índia na lagoa o menino na canoa
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povoa, povoa o meu olhar a índia na lagoa o menino na canoa um barco nos conduz a luz vermelha cor de telha nos cabelos , laranja nas unhas, quantas testemunhas, parece uma coisa à toa mas há paz, há paz... a paz na turbulência comportada do meu peito, é um semi-leito, é uma canoa, eu não sei...não sei o que é isso amo Messejana com suas mangueiras e viadutos, José de Alencar e todos os seus índios amo Messejana....

ESTRUME Barulhenta a manada rasga a tarde Torna opaco o horizonte de poeira
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ESTRUME Barulhenta a manada rasga a tarde Torna opaco o horizonte de poeira Arranha a vegetação, A solidão perde parte do verde Se perde no cinza de colinas distantes O rio se torna uma flora de chifres Uma armadilha pra paraquedistas Quem seria o artista de tão bela aquarela Aboia o vaqueiro com seu chapéu de coruro Uma canção cansada de solidão O gado não sabe o valor do silencio Teme piranhas na correnteza A beleza da vida descortina horizontes Mãe Benta é a rainha da filosofia Dentro do seu analfabetismo, Pele parda um metro e sessenta: "A vida é a vida... o resto é estrume E o estrume faz florescer o campo..."

O QUE É O AMOR nada do que disseram antes nada do que dirão depois
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O QUE É O AMOR nada do que disseram antes nada do que dirão depois nada do que calaram sempre, nada do que bradaram os profetas nada do que foi promessa nada do que negaram sempre, nada do que cantaram os poetas, nada do que calaram os céticos ouça com o olhar apure o paladar tenha sessenta sentidos veja com a audição nada do que disseram antes, nada do que dirão depois escute a videira, o farfalhar sob os seus pés e colha o arroz...

Depois do fim do mundo, quando ocorrerá o juízo final Os santos habitarão Angra E nunca mais agruras, saudades nunca mais;
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Depois do fim do mundo, quando ocorrerá o juízo final Os santos habitarão Angra E nunca mais agruras, saudades nunca mais; Era o que propunha tanto deslumbramento Naquele final de tarde, Os seios peras de Janice pareciam sustentar o ocaso Já era tarde demais E dentro dos seus pesadelos Pesava o pesar de pesar a dor Ele comeu a namorada A mãe da namorada, a irmã mais nova, A vó andava muito carinhosa E o seu sogro lhe olhava estranho... Ele comeu a namorada, A mãe da namorada, A irmã mais nova E a tia lhe dava selinhos... Já era tarde demais E sua cabeça fervilhava E no final de tarde Quando a tarde doura as nuvens E pinta róseo o horizonte Seus desejos de poeta suplanta a filosofia... Hoje a tia... a tia tinha um ângulo bonito; Um passado que adivinhava Um busto encantador, Uma beleza singular Que ainda não perecera no tempo, Seria um bom momento, um condimento... O que mais se faria em Angra, Vista paradisíaca, comida afrodisíaca... Estavam todos tão felizes... Ele comeu a namorada , A mãe da namorada, a cunhada caçula, a tia... A avó era muito simpática, o sogro meio um ogro Se bem que olhando direito...

TALVEZ eu nem te amo tanto assim eu nem te amo tanto
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TALVEZ eu nem te amo tanto assim eu nem te amo tanto eu nem te amo talvez só um pouquinho ao amanhecer quando um restia de sonho me induz e depois só um pouquinho porque ninguém é de ferro, também preciso de carinho preciso precisar o que preciso talvez nem seja amor mas se não for o que será ao entardecer ao te querer por perto o que será esse deserto a te esconder de mim o que será esse fim do mundo ao não ter fim este querer talvez eu ame mais a mim que a você talvez eu queira mais não ser amor este te amar enfim eu nem te amo eu nem te amo tanto eu nem te amo tanto assim

Sad, sad, sad, sad, sad, sad, quase um anjo, Chapa, chapada diamantina Diamante rima com eternamente,
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Sad, sad, sad, sad, sad, sad, quase um anjo, Chapa, chapada diamantina Diamante rima com eternamente, Meu olhar ausente, uma caverna A guardar o sol e a dor eterna Das luzes que na tarde Arde a cair nos canyons; Quase anjo, sad, sad, sad. sad, sad Quem há de mudar o imutável A não ser o tempo O tempo de recolher as pedras, De reconhecer as perdas O tempo de colher as pedras preciosas O tempo de descer a mina De guardar o horizonte Na silhueta feminina A caçar mamutes como borboletas Com a leveza e o romantismo de libélulas A se espelhar no lago Triste triste triste quase existe A impossibilidade de poder Buscar no tempo o olhar de ternura No momento que por um instante de loucura Aquele olhar me fez acreditar em anjos.

as coisas que se faziam sempre rotineiras as dores que me deixavam olheiras a insonia a reanimar fantasmas...
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as coisas que se faziam sempre rotineiras as dores que me deixavam olheiras a insonia a reanimar fantasmas... a ideologia dessa gente se desfaz numa curva de esquina a rima fica amarga, amarga a margarina nos sobram gatos e problemas com asma tenho uma saudade tão grande da minha infância, saudade de retratos em família as primas as tias a filha da vizinha... revoluções, sonhos de democracia sonhos que eram só utopias essa liberdade é azeda, ácida e se dá fácil como uma messalina propina por cargos, propina pelo silencio, propina pela calma empenha-se um país, vende-se sua diretriz prostitui-se uma nação, vende-se almas..

• Eles chegaram verdes, numa luz esverdeada, esverdeando a caatinga; reverenciaram o rio numa espécie de dança; a noite ficou tão fria ou uma febre aqueceu meu corpo de sustos e ansiedade. Choviam pedaços de luzes de todas as tonalidades e só caiam no leito do rio, a noite estava…
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• Eles chegaram verdes, numa luz esverdeada, esverdeando a caatinga; reverenciaram o rio numa espécie de dança; a noite ficou tão fria ou uma febre aqueceu meu corpo de sustos e ansiedade. Choviam pedaços de luzes de todas as tonalidades e só caiam no leito do rio, a noite estava fantasmagórica alem da assustadora presença de Jupira num longo branco sob o cajueiro centenário: "as mentirinhas morrem afogadas no estio, as verdades florescem as margens do rio..." era uma espécie de ciranda que parecia envolver os invasores; atrás de uma pedra eu observava todo sibilar da nave que derramava luzes a um raio de trinta metros. Nuvens cobriram a lua e as estrelas e começou uma neblina; arrastei-me entre as vegetações até uma cabana próxima onde eu estava enquanto a chuva se tornava mais densa; percebi na cabana Jupira sob a chuva entre os extraterrestres, percebi que ela passava por uma verdadeira metamorfose e também ia ficando esverdeada, os traços do seu rosto, sua pele... jupira dançava com os verdes enquanto uma mangueira com um ruído diferente provavelmente abastecia a nave com a água do rio. Comunicavam-se de uma forma que eu não entendia. mas dava pra perceber: Jupira era um deles, eu só a reconhecia porque ainda estava sob o longo branco . cessou o ritual de dança, cessou também a chuva e o vento; os verdes adentraram a nave enquanto jupira se afastava ouvi então um zumbido ensurdecedor que me obrigou a tapar os ouvidos com os indicadores, por alguns instantes me afastei da porta e quando voltei percebi apenas jupira com o seu longo branco, sob o cajueiro com a sua ciranda esquisita: • • "as mentirinhas morrem afogadas no estio • as verdades florescem às margens do rio..."

SAGA Meu bem, me diz que a vida é bela E o amor é como o diamante
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SAGA Meu bem, me diz que a vida é bela E o amor é como o diamante Que reluz no teu dedo E amar não tem segredo É só se dar e acreditar no amanhã... Me diz amor que seremos felizes E não haverá dor nem deslizes Na nossa história, Nossas memorias Serão lembranças inesquecíveis ... Me diz amor que a vida é linda E mesmo que não dure é infinda a sua saga A vida é tão bonita Que brinca de luzir no teu olhar A luz da lua Me diz amor que a rua é minha e tua A noite é eterna e o amor é infinito...

MULHER Eu te quero tanto agora Como a aurora de ontem e anteontem,
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MULHER Eu te quero tanto agora Como a aurora de ontem e anteontem, Como a chuva de todos os invernos Que alimenta o nordeste Eu te quero como a tarde Que arde de desejo Sob o sol da primavera Que as papoulas enrubesce Eu te quero como as noites Que alimentam os amante Como as mães que seus filhos amamentam Que amam seus maridos E satisfazem seus homens E se consomem nos partos E morrem com seus abortos Eu te quero como a vida Que sai de suas entranhas E sustenta a existencia da humanidade Nesse ciclo que se renova No teu beijo e abraço Nessa essência de se dar e se fazer MULHER

FANTASMAS meu pai chegava do trabalho sempre com algum alimento nas mãos
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FANTASMAS meu pai chegava do trabalho sempre com algum alimento nas mãos minha mãe alegre fazia uma oração havia muita harmonia e poucos deslizes era uma época que eu não sabia que éramos felizes agora desbota o passado em fotos amareladas meus fantasmas vão perdendo seus sorrisos suas faces mas um ou outro olhar vai além de fotografias se aconchega às reminiscencias do dia à dia um dia meu pai chegou com um cara muito alto, era um amigo do trabalho, aquele cara seria o marido da minha irmã e foram felizes para sempre, sempre que foi possível minhas últimas lembranças de meu pai mostram ele num canto com dificuldades pra respirar e muito pigarro foram sequelas deixadas pelo cigarro então numa tarde, na editora, enquanto eu empacotava a vida um telefonema de minha mãe avisara que meu pai tinha partido... jamais consegui empacotar aquele momento...

ESCOMBROS De qualquer murmuro eu faço um poema,
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ESCOMBROS De qualquer murmuro eu faço um poema, De qualquer silêncio Eu faço um sussurro, Nenhuma dúvida Me deixa em cima do muro E se tudo for quebrado Nem tudo será escombros, Carregarei sobre os ombros O que restar do meu mundo; Agora me escuta silenciar, Me ver sumir, Aquece o que eu tiver de sol Porque nada é mais solitário do que ser sol E a solidão é fria. De qualquer mentira eu faço um poema E a mentira sempre me deseja felicidade Antes de me dar seu beijo de boa noite...

TRAVESSIA A primeira vez que atravessei a rua A rua era um rio, o rio solimões...
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TRAVESSIA A primeira vez que atravessei a rua A rua era um rio, o rio solimões... E do outro lado do rio Eu era outra pessoa A pessoa que atravessara o rio... E do outro lado do rio Tinha outros caminhos Com todos as seus destinos e travessias E todos os destinos e travessias São cheios de histórias e aventuras Assim eu aprendi a atravessar Meus medos e inseguranças Que desaguam como uma correnteza Na imensidão do mar A vida é essa imensidão

ANGÚSTIA ETÍOPE A minha mãe rezava pra todos os santos E para alguns deles cantava
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ANGÚSTIA ETÍOPE A minha mãe rezava pra todos os santos E para alguns deles cantava Meu irmão era umbandista e queria fazer a cabeça, Jogar búzios e trazer a pessoa amada... A minha vó, como eu, era louca de perder a cabeça E guardava as estrelas que podia Num saco de papel crepom Um dia saiu de casa E tomou banho de mar na praia do Leblon, Depois foi vista na mata do governo, Desde então nunca mais apareceu Agora a vejo de vez em quando pelas praças Como vejo todos os que já morreram, Carrega um saco cheio de luzes cambiantes... Nossos destinos se perdem quando perdemos o tino Acho que minha avó foi vítima da paixão, Já que perdera o marido que um dia partiu Meu irmão foi vitimado pelo coração Morreu solitário, mas não sozinho Minha mãe sempre cantou com muita afinação As canções de amor e devoção que com ela aprendi Herdei seus cabelos em desalinho O olhar perdido no vazio E a angústia etíope de nossos antepassados...

O OLHAR DE CATARINA A beleza das coisas Tem uma face obscura oculta,
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O OLHAR DE CATARINA A beleza das coisas Tem uma face obscura oculta, O seu sorriso contente, Tem uma tristeza secreta A terceira margem do rio, Na sua essência Está submersa Boas ações muitas vezes Têm uma finalidade perversa Assim me perco em divagações Passo a noite a contemplar estrelas E não entendo o olhar de catarina Não entendo o seu universo E por mais que eu filosofe e faça versos, Não encontro uma rima Passo a noite a contemplar estrelas E não entendo o olhar de catarina...