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Frases de Sumã Pedrosa

37 frases

⁠Hoje preciso do silêncio Verbalizar é o chamado. Porém hoje eu gostaria mesmo era de poder experimentar o silêncio, mas silêncio também no pensar. Os pensamentos podiam desacelerar... entender que a mente também precisa de descanso. Às vezes, é necessário parar, pois a saudade…
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⁠Hoje preciso do silêncio Verbalizar é o chamado. Porém hoje eu gostaria mesmo era de poder experimentar o silêncio, mas silêncio também no pensar. Os pensamentos podiam desacelerar... entender que a mente também precisa de descanso. Às vezes, é necessário parar, pois a saudade também tem o poder de nos deixar exaustos. Parar... Nem fazer perguntas nem tentar respondê-las; nem gritar nem sussurrar; nem isso nem aquilo. Eu queria mesmo era conseguir sentir o nada até que ele me incomodasse. Mas silenciar a mente não faz calar o coração. Querer insano esse que experimento! Não há mesmo como tapar o grito que sai do coração! Como não escutá-lo? Como ignorá-lo sem apresentar distúrbios de alguma ordem? Tendo a compreensão da impossibilidade do silêncio buscado, verbalizo. Não posso silenciar minha mente nem meu coração. Levo-os então a sonhar. Sonho feito de sons... Coloco o repertório que me agrada, a trilha sonora de tempos felizes, vozes que têm me feito falta, risos que alegram, olhares que denunciam o amor, abraço que redime e dilui a solidão. Sou generosa comigo em meu próprio sonho. Como Mário Bennedetti, compreendo que o maior erro que alguém pode cometer é tentar extirpar da cabeça o que inunda o coração. Entendo agora que não é do silêncio que necessito, preciso é da esperança. Acreditar no sonho, continuar a caminhada com sorriso no rosto e fé no coração. Dou-me conta de que é verbalizando que a alma se acalma e retoma o ardor e a alegria. O silêncio se fez sim, externamente, e foi necessário para o colóquio interno, para que o sonho aflorasse e para que mente e coração, em união, voltassem a sonhar, voltassem a crer.

⁠Nunca mais fico de bem. Vez ou outra, na minha infância, eu escutava alguém dizer: "vou ficar de mal! Nunca mais fico de bem". Achava isso bem estranho; ficava pensando o que seria esse 'de mal'. Fato é que não entendia aquela fala. Até porque, como geralmente vinha da boca de…
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⁠Nunca mais fico de bem. Vez ou outra, na minha infância, eu escutava alguém dizer: "vou ficar de mal! Nunca mais fico de bem". Achava isso bem estranho; ficava pensando o que seria esse 'de mal'. Fato é que não entendia aquela fala. Até porque, como geralmente vinha da boca de uma criança, depois de poucos minutos, uma chamava a outra para "voltar a ficar de bem". Lembro que nunca fiquei de mal. Por volta dos 8 anos, tive uma discussão com umas amigas e fui embora pra casa. Não tinham se passado nem 15 minutos quando elas foram me chamar para jogar queimada. Não havia em mim um só resquício de irritação. Nem nelas. Mas, lá com uns 13 anos, voltando de ônibus da escola, uma de minhas amigas que cresceu e estudou comigo entre os 7 e 9 anos, começou a me instigar, falando que a escola dela era milhões de vezes melhor que a minha. Tivemos uma discussãozinha de adolescente, em que eu fiquei curtindo com ela, levando-a na brincadeira, e, no final, ela ficou bem brava. Foi uma tolice, porque foi a primeira vez que alguém ficou de mal de mim. E o afastamento que veio em seguida foi bem doloroso. Nunca deixei de gostar dela, mas não a procurei para pedir que voltássemos a ficar de bem, nem ela a mim. Só fomos voltar a trocar algumas palavras quando já éramos adultas, casadas, com filhos. Não é lamentável? Depois disso, aprendi o que era ficar de mal; é deixar o mal crescer dentro da gente; é perder aquela virtude infantil de sentir o valor do outro. É óbvio que o outro não deixou de ser querido; é óbvio que gostaríamos de reatar os laços; mas deixamos o rancor ir crescendo, permitimos que ele vá dando um sabor amargo nas lembranças antes tão doces ou tão bem temperadas. Tantas aventuras, gargalhadas, travessuras que nem nos permitimos mais ventilar na memória... Agora estamos de mal. Antes fossem só as crianças que ficassem de mal; elas sim, sabem fazer isso do jeito certo! Jovens e adultos perdem a linha, esquecem como se faz. Para a criança, o outro é o que importa, porque nem mesmo consegue distinguir de fato onde é que termina o eu para começar o outro. Esse é o tempo em que se é um com o outro. Não é adorável? Então começamos a crescer, nos individualizamos. Sabemo-nos separados e assim nos fazemos. Cada um para o seu lado e se há motivos para discussões, e sempre há, agora pode haver também a separação sem volta. De uma grande e linda amizade pode ficar apenas uma dor no peito de quem não teve o amor pueril que chama a crescerem juntos. Isso acontece porque, em algum ponto, entendemos que o outro se apequena. Não somos mais um com ele, agora somos mais. Quando o olhamos, ou dele lembramos, maior que ele está aquilo que nos irritou, chateou ou indignou; e isso toma uma proporção maior do que o valor do outro. É importante perceber o quanto isso é sério e é fácil entender se exemplificarmos usando uma cédula de valor. No Brasil, a cédula de maior valor é a de 100 reais. Pois bem, se acharmos uma cédula suja de barro, ou com um pequeno rasgo, ou toda amassada, embolada, ainda assim nos alegraremos pela sorte de tê-la achado. Independentemente do seu estado, ela não perde o seu valor. Com as pessoas deveria acontecer exatamente assim: a pessoa tem o seu valor e não o perde por ter-nos feito algo que nos entristeceu. Jogá-la fora, 'matá-la' em nossa vida, querer nunca tê-la conhecido é, para mim, um dos maiores males que pode existir entre as pessoas. É mesmo algo comparável à morte; tão ou mais doloroso que ela. Quando vejo amigos se afastando com o tom de até nunca mais, ou um tempo próximo ao nunca, dói em mim. Quanta estupidez! Quanta vida jogada fora! Lembro da parábola do filho pródigo. Sim, porque aquele filho ficou de mal do pai. O pai não; este nunca guardou rancor pelas intempéries do filho. Com certeza, ficou muito triste, muito chateado; mas rancoroso, jamais. E, desde então, sua vida foi esperar o seu retorno, esperar para poder o abraçar novamente. Claro que seguiu a vida fazendo o que devia fazer e amando todos os seus. Mas vivia à espera do filho que nunca deixara de amar. Penso que eu 'puxei' isso do Pai. Não sei ficar de mal. Nunca soube e espero jamais aprender. Fico sim irada vez ou outra, e me derramo feito lava de vulcão. Mas passada a erupção, mal lembro do que a causou. Tantas feitas, uma questão qualquer que poderia ser resolvida de uma maneira mais amena. Tantas vezes tenho de pedir perdão... Mas ficar de mal, isso não é pra mim. Continuo achando estranho como da primeira vez que alguém falou isso perto de mim. Só que naquela época não doía, até porque nem era sério. Hoje, no mundo adulto, o 'ficar de mal' é uma terrível doença; é um grande mal. É a própria doença do mundo!

⁠Tanto a realizar e eu aqui... Pode ser que seja o ar! Sim, deve ser esta atmosfera a me deixar assim lânguida...
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⁠Tanto a realizar e eu aqui... Pode ser que seja o ar! Sim, deve ser esta atmosfera a me deixar assim lânguida... Vontade de nada fazer, desmotivada de toda a ação. Tanto a se realizar e eu aqui; Refém de uma falta a me devorar o interior... Nem riso nem choro, só a sonolenta apatia. Foi a brisa que trouxe o cansaço, carência ou ansiedade? Veio no vento esta angústia recheada de ausência, privação, saudade? Não importa: terá de se retirar! Não tenho tempo pra isso. Aprendi a fórmula do antídoto: Não é admissível esperar por novos ares! É com o querer que se modifica o clima. São meus pulmões a devolver ao ambiente o ar que o aromatiza.

Discurso da felicidade ⁠Meu peito está aqui a arder! A felicidade veio me visitar.
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Discurso da felicidade ⁠Meu peito está aqui a arder! A felicidade veio me visitar. Quero aproveitá-la em cada segundo, Sei que suas visitas são plenas, todavia, rápidas. Veio a mim hoje, que grata surpresa. É tão bem-vinda! Poderia aqui se instalar! Foi o que sugeri a ela. Mas ela bem se explicou... Se me demoro, Corro o risco de você não me perceber, Não me dar atenção, Não agradecer a minha presença. Bom mesmo é chegar e você fazer festa Como, aliás, está fazendo agora. Sou Felicidade E também me alegro, também fico feliz. O que me alegra é o seu regozijo quando me avista ainda ao longe E durante todo o tempo em que permaneço junto a você. De que valeria eu, Felicidade, Se me entristecesse? Rejubile-se sim com minha presença! Desfrute de todas as venturas que lhe oferto. Demonstre gratidão enquanto me experimenta E esperança quando eu não estiver tão perto. De quando em quando, sempre voltarei Logo estarei aqui novamente. Mas atente-se: você tem amor, você tem amigos, ama e é amada. Então, nos intervalos que lhe concedo, entenda-se feliz.

A saudade e eu ⁠Não sei mais quem hospeda quem. Quem foi ao encontro da outra
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A saudade e eu ⁠Não sei mais quem hospeda quem. Quem foi ao encontro da outra E achou por bem ali morar. Quem terá invadido? Quem foi a vítima resignada Que se deixou invadir? Não sei. Há tanto tempo estamos juntas, Entrelaçadas, emaranhadas, entrançadas, Que a razão se perdeu. Tantas vezes quis expulsá-la E ela não foi. Não queria me deixar só. Talvez seja eu a invasora de sua morada. Talvez tenha sido eu a invadir Seu terreno e tomá-lo por meu. Se ela já me mandou partir alguma vez, Se já me quis ver pelas costas, Não tenho essa recordação. Deve ser mesmo ela a hospedeira. Paciente que é, Deixa-me ir ficando... Suporta meus deboches, Aguenta minhas grosserias, Sem me mandar embora. Mas que ironia! Como voltar? Como ir embora? Tanto tempo juntas! Se me for, sentirei saudades... E cá já estarei de volta.

⁠Sons da madrugada (1) Galo canta desesperado, Cachorro late incomodado,
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⁠Sons da madrugada (1) Galo canta desesperado, Cachorro late incomodado, Ambulância ecoa nervosa, Criança chora clamando urgência. A cama range de um lado, O filho ressona aninhado, Marido ronca como que em prosa, O relógio acompanha a cadência. Um gato grita miados roucos, Um carro buzina e canta pneus, Jovens bêbados bradam como que loucos, Proclamam queixumes de amores seus. Lá fora, noite acesa! Os ruídos denunciam a atividade delirante. Cá dentro, a casa dorme! Noite escura, tinidos de sono reconfortante. Só a caneta escreve Movimentos que escuto de leve. Nítidos somente a mim, e a mais ninguém, Distingo outros sons também. Som da saudade gritando no peito, Som das palavras fervilhando a mente, Som do cansaço suplicando leito, Som da existência implorando argumento. Tantos sons no silêncio pouco tranquilo da noite insone. Três e treze, marcam os ponteiros. Há algo que esta questão solucione? Meu sono aniquilado por bulícios certeiros? A chuva começa. É mais um som! Chuva mansa, sem relâmpago ou trovão. Mas seu som se sobrepõe, é o seu dom. Está em seu âmago cumprir sua missão. Como mãe amorosa Ciente da fadiga enorme Acalenta-me, religiosa Instruindo suave: dorme! É o que permanece. Só a chuva mansa. Nina-me e me adormece A chuva... amansa.

⁠Vida é caminhar Obrigo-me a caminhar logo na primeira hora da manhã. Mas, hoje, não quis caminhar no mesmo chão de antes. Mudei a direção. Ao mudar a direção, vi que os ares também mudaram. Tão bom mudar ares! Muda-se o chão, muda-se a paisagem. No caminho costumeiramente perco…
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⁠Vida é caminhar Obrigo-me a caminhar logo na primeira hora da manhã. Mas, hoje, não quis caminhar no mesmo chão de antes. Mudei a direção. Ao mudar a direção, vi que os ares também mudaram. Tão bom mudar ares! Muda-se o chão, muda-se a paisagem. No caminho costumeiramente percorrido, a visão é de concreto. Sons de escapamento e buzina. O cheiro é ocre. Rostos sisudos e apressados marcham em passos largos. Mas a pista é ótima. Perfeita. Plana, larga, asfaltada, com aclives e declives muito sutis, quase imperceptíveis. Hoje não. A distância da nova pista de caminhada é a mesma, mas o rumo tomado é outro. E essa pequena variação regou a semente da percepção. Hoje o dia tem todas as cores da caixa. O cheiro é um misto de verde suave e cor de rosa. E o que é incrível: há pouquíssimas pessoas; são os pássaros que criam o rumor da vereda. Os mais variados tipos de pássaros, os mais variados tipos de canto. São dois quilômetros de pensamentos leves, de atenção ao movimento do ar entrando pelas narinas, plenificando os pulmões, retirando de dentro o que não deve permanecer ali. Não há asfalto, a calçada é estreita, acentuados aclives e declives. O corpo sente bem o quanto é fácil percorrer as descidas e como são penosas as subidas, quanto esforço físico é despendido. Deve ter sido um anjo a sussurrar-me enquanto eu dormia, orientando-me a alterar a rotina; solicitando-me que mudasse, a começar do lugar onde caminho diariamente. Decidir-me por realizar a mudança segredada ao meu ouvido sonolento, representou a tomada de posse do favor do conselho. O presente recebido foi lembrar que 'vida é caminhar'. E a caminhada verdadeira não é feita apenas de caminhos planos. A subida é difícil e exige esforço, a descida é rápida e fácil. Há que se prestar atenção ao ar respirado, àquilo que nos faz bem, ao que não está sendo salutar; há que se enxergar o belo. Ele, o belo, está aí ininterruptamente para colorir nossos dias; mas a atenção é exigida, pois, apesar de evidente, ele facilmente é ocultado pelo véu da rotina, impregnada de mecanicidades e apegos, que turva a nossa visão.

⁠Sons da madrugada (2) A chuva mansa, na madrugada, quer me ajudar. Como acalanto de colo de mãe,
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⁠Sons da madrugada (2) A chuva mansa, na madrugada, quer me ajudar. Como acalanto de colo de mãe, Ela canta: dorme! Em seus braços, sou criança. Todavia, ambulâncias, na rua, se afligem. Agora são muitas, tão próximas... Arrancam-me do repouso sagrado Levam-me aos sons do sofrimento alheio. Liberto-me dos sons internos, Consigo ouvir além. Contemplo gritos que não vêm de mim, Mas são meus. Sou um com aqueles que clamam. Será que durmo? Ou só agora desperto? Os sons são tão perturbadores... Como não os ouvia antes? Som do sofrimento gerado pelo desprezo, Som de exaustão causada pela humilhação, Som atormentado por sentir o menosprezo, Som do abatimento e da submissão. Tantos sons na agonia terrível da noite insone. Quatro e vinte, marcam os ponteiros Há algo que esta questão solucione? Lamentos ecoando no escuro traiçoeiro? A chuva, dentro de mim, escorre pelos olhos Lá fora, agora, a chuva chama. Como instrução ministrada por mãe, Embora mansa, clama: Levanta! É o que permanece! Só a chuva mansa. Desperta-me e chama-me à ação. A chuva... Avante!

⁠Assim mesmo, sem se despedir, foi que ela partiu. Não quis dar o definitivo adeus Não lançou olhares de lamento
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⁠Assim mesmo, sem se despedir, foi que ela partiu. Não quis dar o definitivo adeus Não lançou olhares de lamento Porque era chegada a sua hora. Somente se foi. Não precisava dizer aos que amava Que assim os queria. Seu olhar meigo e penetrante Sempre essa mensagem transmitia. Desnecessário pedir que dela se lembrem Não há quem a tenha visto sorrir Que possa esquecer-se de tanto brilho. E foi assim, com a suavidade própria de uma diva Que recebeu seu chamado para ir fazer poesia no céu Deleitar-se com os harmônicos musicais dos anjos. Agora é mais um com eles!

⁠Humilde aprendiz A poesia me salvará, Adélia diz. Salvará aquele desconhecido poeta
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⁠Humilde aprendiz A poesia me salvará, Adélia diz. Salvará aquele desconhecido poeta e a mim, humilde aprendiz. Só Jesus salva, constrange-se ela. Mas de muitas formas ele fala! É Palavra poética. Harmonia, alegria, remanso, descanso, salvação. Pronto, já me acalmei! Regulados estão coração e respiração. A quem pergunte: Onde poesia nessas linhas há? Respondo: Na inspiração. Inspiração do ar, Que antes da garganta não passava; Inspiração do pensamento, Que refúgio soube buscar. Sim, a poesia me salvará!

Estranha pretensão ⁠Quem me dera saber cultivar um verso, Plantar a palavra e vê-la nascer...
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Estranha pretensão ⁠Quem me dera saber cultivar um verso, Plantar a palavra e vê-la nascer... Quem me dera ganhar dela seu significado Entendendo-a num contexto totalmente particular... Quem me dera ter o dom da espera! Rabisco o que é próprio do efêmero Traço o que a alma sente e eterniza em um segundo É como se pudesse prender, por um instante, o momento que passa. Assim presa, posso observar, com outros olhos, uma realidade antes já vista; Eram outros os olhos, ainda que meus. Não é estranha essa pretensão de prender o tempo, o espaço, o contexto? Enquanto cá estou a mudar os meus pontos para ter melhor vista, Já está ele lá ao longe, sem se preocupar com a minha crença em tê-lo aqui grafado. Nem de mim se apercebeu! Aqui já esteve, cumpriu o seu fim e se foi. Cá fiquei, eu sim, preso em minhas reflexões! Quem sabe se um dos seus objetivos não era mesmo em pensamentos me aprisionar! Intrigante esse estar preso em meio a meditações São elas que me libertam É mesmo embalado em ensaios e devaneios Que vou me tornando livre Que vou me desvencilhando de prisões até então desconhecidas. Ah... Quem me dera saber cultivar um verso! Quem me dera ter o dom da espera!

⁠Felicidade é só uma escolha Aquilo que dizemos e o modo como dizemos, cada palavra e cada gesto ou comunica, ou desintegra. E é bem necessário pararmos para analisar como estamos ecoando no cosmos. Se nossas palavras e gestos são de generosidade, misericórdia, alegria e ânimo,…
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⁠Felicidade é só uma escolha Aquilo que dizemos e o modo como dizemos, cada palavra e cada gesto ou comunica, ou desintegra. E é bem necessário pararmos para analisar como estamos ecoando no cosmos. Se nossas palavras e gestos são de generosidade, misericórdia, alegria e ânimo, isso ressoará e se expandirá como aquelas ondas circulares que vemos quando jogamos uma pedra na água. Estaremos nos comunicando, e podemos aqui definir a comunicação como amor. O amor é pura comunicação! Mas se nossas palavras e gestos forem negativos, pesados, cheios de rancor, a onda também acontece e infelizmente também se expande. Porém, isso não pode ser chamado de comunicação, pois é o seu avesso. Gera divisão, destruição, choro e sofrimento que se repete e se prolonga em cada nova onda. É a "palavração" e gesticulação do mau. Também reverbera pelos ares e causa um dano pavoroso. Mas jamais pode ser chamado de comunicação; é o que há de mais distante dela; é a sua negação. Ser feliz é o anseio mais profundo de todo homem e de toda mulher em qualquer idade de sua existência. Só que essa felicidade não é uma realidade a ser procurada, encontrada; é uma realidade que se constrói. Cada pessoa irá contribuir a favor dessa construção ou contra. É sempre uma escolha e escolha feita todos os dias, frente a cada um que encontramos em casa, no trabalho, nas ruas, e em todo e qualquer lugar em que estejamos. Todos queremos um lar aconchegante, um ambiente de trabalho harmonioso, amizades duradouras, amores para a vida inteira, e histórias reais com o viveram felizes para sempre; mas é mesmo necessário cada um fazer a sua parte no enredo. A felicidade é uma construção que tem por argamassa as palavras e por tijolos e vigas, os gestos. E nesses tijolos e vigas, todas as expressões corporais e faciais; e todos os olhares. E nessa argamassa, toda entonação, pausas e intensidades que acompanham as palavras. Podemos escolher nossos gestos. Podemos escolher nossas palavras. Podemos nos aplicar ao que fazemos com amor e dedicação. Podemos olhar para as pessoas com empatia. Podemos ser melhores do que temos sido. Podemos fazer as coisas de uma forma melhor do que temos feito. É só fazer uma revisão sincera de nós mesmos para constatar que isso é verdade sim. E se assim é, também é verdade que se podemos, isso é uma escolha. Está em nosso poder ecoar o bem e a felicidade. É claro que esse é o desejo! Todavia, para que os desejos se tornem realidade são necessárias atitudes, boa vontade. Vontade: aquela disposição de espírito para o agir; aquela energia que nos firma nas decisões, aquele empenho em se conquistar aquilo em que acreditamos... Está em nosso poder. A escolha é nossa! O material de trabalho para essa construção, para esse empreendimento, já o temos. O convite agora é: Mãos à obra!

⁠Aquele abraço! Tão especial é a amizade que tem data comemorativa celebrada em vários países do mundo e, é claro, muito comemorada no Brasil. As Nações Unidas convidam todos os países a celebrar o Dia Internacional da Amizade no dia 30 de julho, inspirando-se na Cruzada Mundial…
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⁠Aquele abraço! Tão especial é a amizade que tem data comemorativa celebrada em vários países do mundo e, é claro, muito comemorada no Brasil. As Nações Unidas convidam todos os países a celebrar o Dia Internacional da Amizade no dia 30 de julho, inspirando-se na Cruzada Mundial da Amizade, uma campanha para fomentar a cultura da paz, em 1958. Outra versão vem de 1969, quando, em 20 de julho, o homem fez uma visitinha à Lua. Essa versão considera que a chegada do homem à Lua é, para além da vitória científica que representa, um convite à união. Cerca de cem países adotam a data de 20 de julho para comemorar o Dia da Amizade, incluindo o Brasil. Estou aqui comemorando a amizade, fazendo memória de minhas amizades mais distantes no tempo, de quando eu era pequenininha lá em Brasília, lembrando de uns nomes, tentando lembrar de outros de que lembro só dos rostos... De quando minha família e eu saímos de lá e ganhamos outros rumos... e mais amigos... Aliás, que amizade linda e plena a que temos em família! Que dom, que presente maravilhoso! Estou aqui a lembrar dessas amizades todas. Muitas que vão ficando para trás, por tantos motivos, mas que estão sempre aqui presentes, mesmo que veladas; pois fazem parte do que sou hoje. Tem um pedacinho de mim que é como é por ter vivido aquela amizade. Não é lindo isso: um permanecer para sempre no outro? Passeando por tantos rostos, por tantos nomes, por tanta gente querida, olho com amor e gratidão para aqueles que hoje me acompanham, os meus amigos antigos e recentes. Ternura imensa me invade enquanto penso em vocês; e lembro da passagem bíblica: 'Quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro." E que valioso tesouro eu tenho! Quanta riqueza!!! Sinto-me então como a pessoa mais abençoada do mundo! Com esses pensamentos, volto a atenção para o futuro, para todos aqueles que ainda virão. Ainda não lhes conheço o rosto ou o nome. O que sei é que serão muitos. O que sei é que serão extraordinários! Sei que, de alguma forma, ficarão em mim e eu neles. Sei que viveremos cordialidade, benevolência, fraternidade, estima, apreço, entendimento... E agradeço a Deus por todos os amigos que ainda colocará em minha vida e que também me levarão para mais perto dEle. Porque amizade que é amizade de verdade é mesmo isto: um levar para mais perto de Deus, um viver um pouco do Céu aqui na Terra. Às vezes a pessoa nem sabe que está levando a outra a ser mais de Deus, às vezes nem tem essa intenção consciente. Mas faz isso, porque a amizade é um centelha divina que nos induz a sermos anjos uns dos outros e estar ali para quando o outro precisar. Então, para vocês, meus amigos tão queridos, aqueles que há tanto tempo não vejo mais; aqueles que têm caminhado hoje comigo nesta parte da jornada; aqueles que me darão as mãos numa curva mais à frente... AQUELE ABRAÇO!

⁠Passam minutos, horas, dias... Eu só pensando em você, Pensando em você,
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⁠Passam minutos, horas, dias... Eu só pensando em você, Pensando em você, Pensando em você... É uma rotina bem-vinda! Cada espaço do meu pensamento Preenchido por seu cheiro, sua voz, Olhares, dizeres, movimentos... Como eu poderia me cansar? Nada desejo nessa rotina mudar. Como eu poderia me entediar? Esse hábito quero eternizar! É uma alegria, um encanto... Dádiva divina eu recebi. Acolho a graça de querer bem e tanto. Amar você assim! Minha resposta é um sorriso Largo, pleno, radiante. Sua presença em mim inspira, Ilumina-me o semblante! Que a força do meu pensar Tenha o poder de o corporizar Que você chegue sem demora E eu possa, enfim, o abraçar! Depois voltarei a pensar, a pensar, a pensar...

⁠Verbalize Declare seu pensamento Proclame seu amor
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⁠Verbalize Declare seu pensamento Proclame seu amor Exponha bom argumento Revele seu valor. Demonstre uma probabilidade Compare conhecimentos Clame pela verdade Da Palavra faça alimento. Verbalize! Ressalte uma importância Denuncie incoerências Destitua a ignorância Supere deficiências. Professe a alegria Declame o admirável Derrote a fantasia Componha a liberdade. Verbalize! Espera o mundo por sua voz Contorce-se e geme, preso à escravidão. Que o seu brado venha veloz Pleno de ardor, virtude e paixão!

⁠Coração de Maria Desprezando os conselhos do poeta Sem emitir palavra, João dizia:
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⁠Coração de Maria Desprezando os conselhos do poeta Sem emitir palavra, João dizia: Não se aproxime. Não se aproxime muito. Não inocule em mim a inconveniência da Profundez de uma amizade verdadeira. Caminhemos em vias paralelas. Lado a lado em diferentes caminhos. Cultivemos o descompromisso dos Relacionamentos efêmeros. Busquemos a qualidade do que é fugaz. A mensagem não dita foi devidamente compreendida. Maria não tentaria transpor os limites. Todavia, ser intensa era-lhe intrínseco, E a esperança não se deixa abater. Buscaria outro alguém que, como ela, Ousasse experimentar a dádiva... “O presente é tão grande!” – ensina o poeta. Ansiava pelo essencial. Queria mãos dadas! João não será esquecido. Já está aconchegado naquele coração. Coração de amiga. Coração de irmã. Coração que ama. Coração de Maria.

⁠Despertar do amor Redescobri meu amor por mim te amando. À medida que compreendia o que é te amar,
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⁠Despertar do amor Redescobri meu amor por mim te amando. À medida que compreendia o que é te amar, te querer bem, alegrar-me com teu crescimento, com tuas realizações, fui relembrando como me amar também. Por tempos, andei suplicando por fragmentos, confundindo-os com amor. Por tempos, aceitava migalhas para enganar, momentaneamente, a enorme fome persistente da alma. Por tempos, apenas gotas de afeição foram suficientes para me manter viva, sem, no entanto, reavivar-me. Agora não mais. O antigo amor, aquele que já existia em mim, foi despertado de seu longo sono. O seu despertar tirou minha alma do estado de coma. E me amando novamente, também aperfeiçoo o amar a ti. Não quero mais fragmentos. Não preciso deles! E me amando finalmente, também não sou mais capaz de amar em frações.

⁠Dar vida à letra... É preciso tristeza para dar vida à letra. - Ouvi dizer.
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⁠Dar vida à letra... É preciso tristeza para dar vida à letra. - Ouvi dizer. Digo que não é assim. Na alegria também com a pena se brinca. E o traço é bonito, bailado... Afastar-se do cálamo vem do perder-se de si. Nada se ouve que não o rebombar da superficialidade; Para o olhar, falta clareza; Tudo é turvo, opaco, obscuro. Sentidos carregados de pressa, urgências, emergências. Incoerências! Para se escrever é preciso sentir. Um sentir mais abstrato que os sentidos... Um voltar a si de forma concreta O íntimo cuidadosamente vasculhar. Sentir, olhar, ouvir com vagar O passar do momento, do espaço, do tempo. Mas se me perco até de mim, Que coisa posso eu oferecer? Se não mais escrevo, não é por faltar tristeza; A falta é de profundidade! O que pode haver de mais triste? Não é inspiração que me falta, Falto-me de mim. Há tão pouco, sentia falta apenas de ti. Agora perdi-me de mim, E tu ainda não estás aqui!

⁠Importa é ser pequeno; se inteiro. Se verdade, se concreto, se perene. Importa é ser miúdo; se pulsa.
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⁠Importa é ser pequeno; se inteiro. Se verdade, se concreto, se perene. Importa é ser miúdo; se pulsa. Se explode, se arrasta, se aprende. Importa é ser real! Importa é ser simples; se vivo. Se elevado, se digno, se nobre. Importa é ser comum; se anima. Se envolve, se floresce, se alegra. Importa é ser ser! A efemeridade pode se retirar. É dispensável! Dispensam-se firulas, Lisonjas estão banidas. O que é, é o que basta. O que de fato é, é reto, é puro, é íntegro. É existência, é essência, é consciência Sendo imóvel, Ecoa e os seres comove. Importa é ser!

⁠Sempre aqui Não vai passar Estará sempre aqui
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⁠Sempre aqui Não vai passar Estará sempre aqui Nem sempre leve Nem sempre um peso Mas perpetuamente aqui E a todo momento sentido Às vezes doído Às vezes garrido Mas jamais se retira Peito aperta Mente reza Peito alivia Mente agradece... Sai ano, entra mês Vontade e medo do abraço se entrelaçam Qual é maior: a dúvida ou a espera? Certeza uma só: Não vai passar! Estará sempre aqui Pulsando internamente no meu lado esquerdo E quando não houver mais pulsar, Aperfeiçoar-se-á. E comigo transcenderá!

⁠Vai! Segue teu caminho! Alegra o semblante, dá passos resolutos. Não olhes para trás,
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⁠Vai! Segue teu caminho! Alegra o semblante, dá passos resolutos. Não olhes para trás, É o teu chamado. Responde: Presente! Desnecessário despedidas. Acostumar-me-ei com tua ausência física. Já te tenho gravado na alma. Estranharei o não repousar dos meus olhos nos teus, Mas tua imagem é tatuada em íris, retina e cristalino. Todo o meu ser vê os contornos teus. É certo: superarei também o não ouvir tua voz. Vou imaginar que ensurdeci, Parecerá que todos os órgãos do sentido encontram-se em desordem. Mas sei: serás feliz! É claro que também serei feliz! A alegria é minha raiz etimológica. Entanto, por ora, estão aflorados todos os sentidos. Saudáveis, latentes, irracionais. Não foram feitos para compreender; Conhecem com seu jeito subjetivo, sublime... Sinto já! Sinto agora! Um líquido quente escorre; Cachoeira salgada torrente sobre minha face Alcança meus lábios (que insistem em tremer).

⁠Conjugar o bem. Em nossa vida, temos inúmeras oportunidades de abrir caminhos para o bem. Utilizamos umas tantas; outras deixamos passar; algumas, nem as percebemos. Mas é possível sim, se quisermos, de fato, promover o bem. O bem gera o bem... e se torna uma reação em cadeia,…
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⁠Conjugar o bem. Em nossa vida, temos inúmeras oportunidades de abrir caminhos para o bem. Utilizamos umas tantas; outras deixamos passar; algumas, nem as percebemos. Mas é possível sim, se quisermos, de fato, promover o bem. O bem gera o bem... e se torna uma reação em cadeia, resultando num mundo mais fraterno. É verdade que, às vezes, temos a impressão de que os esforços pessoais empreendidos não têm um efeito maior do que os de uma formiga que carrega um grão de areia para longe da praia; mas, como sugere a teoria do caos, ativada essa partícula de bem, desencadeia-se a ativação de outras tantas partículas que estão ao redor, liberando forças inacreditáveis! Pode ser que você e eu sejamos bastante cordiais, pode ser que cumpramos adequadamente todas as nossas obrigações, pode ser que nos olhemos com a alegria de saber que somos boas pessoas. Isso tudo é realmente maravilhoso! Mas talvez ainda não tenhamos começado a nos preocupar com os menos afortunados. Talvez ainda não tenhamos percebido que a nossa própria felicidade fica um tanto menor quando os outros estão um tanto infelizes. É mesmo preciso que cada um de nós façamos aquilo que está ao nosso alcance! Não é justificável que vivamos em meio a tanta miséria, a tanto sofrimento, crueldade, injustiça. Mais do que viver, precisamos de sentido em nossas vidas! Descobrir o sentido de nossas vidas passa por ajudar outros seres humanos; passa por despertar o bem nos outros a partir do bem que fazemos. Impulsionar o bem alegra a vida; a sua, a minha, a de todos nós! Além de ser o amor em verdade. Muitas são as vezes em que nos deparamos com uma situação de frio, fome, necessidade na qual poderíamos fazer algo, mas passamos como se nada tivéssemos visto, ou como se tal situação não nos dissesse respeito. Muitas, ainda, são as vezes que até rezamos para que Deus venha em auxílio dessas pessoas que tanto têm sofrido. É preciso entender que somos nós mesmos a resposta das orações desses nossos próximos. Podemos ser os anjos enviados, entendendo que as orações são bem-vindas sim, mas serão ainda mais eficazes quando vierem acompanhadas de alimentos, agasalhos, carinho, emprego, palavra, estudo, olhar de bem-querer... Há uma música italiana que fala sobre o pranto de Francisco, que julgava não dever amar nada nem ninguém para poder amar 'só a Deus'. O Senhor sorri e responde dizendo que ele não precisava chorar, já que Francisco amava tudo o que Deus, de forma plena, ama. Feliz será aquele dia em que entenderemos que o amor a Deus e às pessoas é um só amor. Feliz será cada dia em que as oportunidades de eclodir o bem sejam todas desfrutadas por nós!