Frase de Sumã Pedrosa
Sons da madrugada (1) Galo canta desesperado, Cachorro late incomodado, Ambulância ecoa nervosa, Criança chora clamando urgência. A cama range de um lado, O filho ressona aninhado, Marido ronca como que em prosa, O relógio acompanha a cadência. Um gato grita miados roucos, Um carro buzina e canta pneus, Jovens bêbados bradam como que loucos, Proclamam queixumes de amores seus. Lá fora, noite acesa! Os ruídos denunciam a atividade delirante. Cá dentro, a casa dorme! Noite escura, tinidos de sono reconfortante. Só a caneta escreve Movimentos que escuto de leve. Nítidos somente a mim, e a mais ninguém, Distingo outros sons também. Som da saudade gritando no peito, Som das palavras fervilhando a mente, Som do cansaço suplicando leito, Som da existência implorando argumento. Tantos sons no silêncio pouco tranquilo da noite insone. Três e treze, marcam os ponteiros. Há algo que esta questão solucione? Meu sono aniquilado por bulícios certeiros? A chuva começa. É mais um som! Chuva mansa, sem relâmpago ou trovão. Mas seu som se sobrepõe, é o seu dom. Está em seu âmago cumprir sua missão. Como mãe amorosa Ciente da fadiga enorme Acalenta-me, religiosa Instruindo suave: dorme! É o que permanece. Só a chuva mansa. Nina-me e me adormece A chuva... amansa.
No pensador.ai desde