Frase de Sumã Pedrosa
Estranha pretensão Quem me dera saber cultivar um verso, Plantar a palavra e vê-la nascer... Quem me dera ganhar dela seu significado Entendendo-a num contexto totalmente particular... Quem me dera ter o dom da espera! Rabisco o que é próprio do efêmero Traço o que a alma sente e eterniza em um segundo É como se pudesse prender, por um instante, o momento que passa. Assim presa, posso observar, com outros olhos, uma realidade antes já vista; Eram outros os olhos, ainda que meus. Não é estranha essa pretensão de prender o tempo, o espaço, o contexto? Enquanto cá estou a mudar os meus pontos para ter melhor vista, Já está ele lá ao longe, sem se preocupar com a minha crença em tê-lo aqui grafado. Nem de mim se apercebeu! Aqui já esteve, cumpriu o seu fim e se foi. Cá fiquei, eu sim, preso em minhas reflexões! Quem sabe se um dos seus objetivos não era mesmo em pensamentos me aprisionar! Intrigante esse estar preso em meio a meditações São elas que me libertam É mesmo embalado em ensaios e devaneios Que vou me tornando livre Que vou me desvencilhando de prisões até então desconhecidas. Ah... Quem me dera saber cultivar um verso! Quem me dera ter o dom da espera!
No pensador.ai desde