Amigos distantes
Chegam suavemente,
Arautos de vivacidade e alegria
Vêm, trazem seu canto, seu encanto,
Suas manias e uma dose de magia...
Alguns ficam pouco tempo.
Tendo sopro andarilho
Acompanham os chamados do vento.
Outros se demoram mais,
Metamorfoseiam a existência ao seu redor.
Tornando-se muito especiais
Mas quase sempre se vão.
Uns retornam de tempos em tempos.
Contam das maravilhas e dos embaraços,
Riem das aventuras e dos tropeços,
Trazem ternura e afetuosos abraços.
Todavia, têm espírito viajante e se vão mais uma vez...
Mas o contentamento do reencontro é o que permanece.
Fica também a esperança do próximo retorno.
Em nós penetra o sentimento de alma ressurgida.
Misterioso regalo de jovialidade renasce!
Querubins sem asas, portadores de graça;
Fontes de bênção, de inspiração que jamais passa;
Dons que nos são por Deus concedidos
E pelos quais meu coração é sinceramente agradecido.
Salva-me, Senhor!
Suave é ainda o vento
Pouco se agiganta, ou nada;
Já me encontro desestabilizada.
Tão pequena a minha fé!
Dividido o coração,
Um perfeito campo de batalha!
Instável ser,
Misto de luzes e sombra,
Dos dEle os meus olhos desvio,
Já me afogo nalgum drama.
Num pensamento, meu grito O alcança
Pronta, Sua mão salvadora a minha toma:
_ Por que vacilaste?
Feliz e envergonhada exclamo:
_ Ainda sou uma criança!
Acalmada pela certeza de Sua presença
Alegre e confiante segue minha existência.
Lembro-me uma vez mais de que
As preocupações posso entregar-Lhe.
É mesmo Ele quem sabe
do meu caminho cada detalhe!
Houve um tempo em que eu era forte
Coisa alguma abalava meu porte
Proibia lágrima e medo
E o riso encobria o enredo
Verdade descortinada
Força existe em aceitar a dor
É preciso coragem para ser vulnerável
Cavalgar a onda, pedalar na corda bamba
É preciso coragem para mostrar a paixão
Fortaleza é não fingir
Revelar o coração, saber gostar de si
Orgulhar-se de Ser
Engolir a empáfia e estender a mão...
Houve um tempo que em que eu era forte!
Confessei-me e fui absolvida
Saúdo com gratidão minha sorte
Agora estou promovida
Hoje sou só gente!
Caniço rachado
Às vezes tenho vontade de acabar de quebrar
O galho que só se sustenta pela casca.
Nem mesmo sua aparência dissimula mais.
Mente que está ligado à raiz,
Mente que dele algo ainda brotará.
Então me lembro do caniço rachado
Na Bíblia citado...
"Ele não quebrará o caniço rachado,
Nem apagará a chama que fumega..."
É hora de recordar as tantas vezes
Em que o caniço era eu
Em que minha chama era só fumaça.
Melhor deixar o galho pela casca atado
Quem pode saber o que vem do tempo e da graça?
Se aguçar com jeito o olhar,
Possível será, bem na rachadura,
Ver o novo broto a despontar!
O que pode o mundo mudar.
Aquilo que você tem a dizer e não diz
É isso mesmo o que eu quero ouvir.
Aquilo que está aí entalado
Quase conseguindo seu corpo sufocar,
É precisamente o que
Pode o mundo mudar!
A milagrosa Palavra que o criou
Também no seu ouvido um mister sussurrou,
O seu quinhão para tornar nossa azul esfera
Em harmoniosa atmosfera...
Mas você só pondera: será?
Sim! A voz assim engasgada é estéril!
Como seu fruto desabrochará?
É oração, já febril, sedenta de seu rumo tomar!
Ah, por favor, não diga: mas eu não sei falar.
Exclama! Clama! Ama!
Sua missão é comunicar!
Decisão
É o momento!
Aquilo que era fica agora para trás.
Está fora, cortado!
Diferente, ora em diante, o modo de ser
Os jeitos de caminhos abrir
O ritmo do caminhar.
É o momento!
O alvo será alcançado.
Coragem emanando do coração
Planejamento engendrado pela razão
Corpo e mente se dando as mãos.
É o momento!
Nenhum passo se desviará
Ainda que pareça faltar o ar
O Senhor há de abençoar
Mais uma vez enviará o maná.
Querer será mesmo poder.
A trilha acontecerá com fé
Envolvida em oração a marcha
E a meta?
Já pode ser vista
Bem ali... no próximo ato.
Diante da fraqueza
Diante de circunstâncias em que penso ou digo:
'Tudo o que estava ao meu alcance foi tentado.'
'Nada mais posso fazer!'
'Resta, apenas, confiar em Deus!'
Chego até a sentir um alívio diante da minha fraqueza!
Lembro-me da fala de São Paulo:
'Quando sou fraco, é que sou forte.'
Tão límpido isso depois que tiramos o véu da descrença!
Não tenho mais forças!
Sou então 'forçada' a deixar a questão nas mãos de Deus.
Ora, mas quem é Deus?
Ninguém menos que o Todo-poderoso!
Aquele ao qual eu já deveria ter recorrido
Desde o início das minhas batalhas.
Aquele com quem eu já deveria ter falado
E consagrado, de coração, as minhas lidas.
Não é incrível que Ele seja o Todo-poderoso
E que, ainda assim, esteja tão perto de mim?
Não é extraordinário que tenhamos a Ele livre acesso?
Não é incompreensível que dele nos esqueçamos?
Não é adorável que Ele nos ame tanto e espere por nós?
Bendita seja a fraqueza que me faz lembrar do Pai!
Bendito seja o fracasso que me leva para Deus!
Bendita seja a esperança que brota da queda!
Bendito seja Deus, que nos reergue sempre por sua misericórdia!
Amor presente
Não, eu não vivo de passado.
Valorizo o agora, o já,
O que comigo aqui está.
E é agora que eu te amo!
Sim, também te amei em tempos idos:
Amei, amava, amara
Em todos os pretéritos do indicativo.
Hoje eu te amo!
Amanhã, e depois, e depois...
E ainda depois, a certeza é te amar.
Mas pouco importa o que foi ou o que será.
Interessa o que tenho agora: o amor presente.
E é tão presente, e tão veemente...
Que é como se estivesses aqui.
O que te faz feliz no Natal?
Tempo de Natal...
Clima de Natal...
Luzes de Natal...
O que tem o Natal de especial?
Solidariedade que brota no coração das pessoas?
O perdão, que mais facilmente é concedido
E mais humildemente pedido?
Intenção de, por ora em diante, cultivar a ação boa?
O que tem o Natal de imaterial?
Amizades que a saudade rememora?
Apertado e longo abraço que é dado como penhora?
A reunião em cada família, chamando à verdadeira união?
As memórias, cheiro de chuva, de assado e de pudim de pão?
O que tem o Natal de essencial?
Uma criança que nasce!
Repleta de alegria a casa se torna.
Já antes, os preparativos a faziam alegre!
A ativa espera havia posto fora a antiga madorna.
O que tem de feliz o Natal?
Uma criança!
Amor no olhar de quem a vê...
Sorriso nos lábios daquele que nela crê...
Coração aquecido de quantos a pegam nos braços,
e a afagam, e a apertam carinhosamente contra o peito!
O que tem de feliz o Natal?
Um menino!
Renasce nos corações a esperança.
Deus um de nós se faz.
E todos os anos nos chama a essa lembrança.
O que tem o Natal de feliz?
Ao nosso encontro Ele vem;
Pede que nos lembremos de nossa raiz.
Humana carne Ele assume;
Em nós, ainda confia; Ele diz!
Aperfeiçoa teu amor
Quisera saber como chegar;
Quisera perder o medo.
Medo do olhar de repulsa,
Mas também do apenas civilizado;
Do mero acenar de cabeça,
De toda cerimoniosa formalidade.
Medo de a palavra engasgar,
De obrigar-me a reprimir a euforia,
De ter de o abraço amordaçar;
De, depois de tanto aguardar,
Permanecerem entrelaçadas uma com a outra
As minhas próprias mãos.
Ah, por que tão grande temor?
Se é amor que em ti permanece,
Deves essas inquietações transpor!
'O perfeito amor lança fora o medo', ensina a Palavra;
Aperfeiçoa, pois, o teu amor!
É te vendo que te desvendo.
No teu silêncio escuto ecoar teu grito...
É amargurado, solitário, dolorido.
Não percebes a mão ali, pronta, ao teu lado, à espera.
Queres que alguém te puxe daí desse teu abismo.
Anseia por uma mão que possas chamar de amiga e reclamas:
_ Não há uma só!
Deveras, não há só uma mão a tua espera. São muitas!
E elas aí estão, frente ao véu de tua cegueira.
Por que não me puxam, então? _ perguntarás.
Porque teu abismo é um raso degrau;
Porque ao te puxarem não sairás do lugar;
Porque é de ti que deve partir o encontro das mãos.
Tantas vezes já tentaram e não te alcançaram!
Quando acreditavam te agarrar,
Atravessaram um espectro que não se deixa palpar.
Vejo-te clamar em silêncio sem aceitar resposta.
Sinto teu olhar suplicante fincado no chão.
Queres abrigo, mas enjeitas o amigo.
Alma em noite escura,
Espreito teu amanhecer.
Ao menor sinal de abertura,
Estarei aqui para te acolher.
Que o tempo não esmaeça o sorriso;
Que cândida permaneça a esperança;
Que a existência seja senda ao paraíso;
Que a fé tenha idade de criança.
E que eu sempre me lembre de saudar a vida!
Sim, ao soprar mais uma vela,
Que eu reverencie a vida!
Que seja eu continuamente agradecida!
Espero em Deus
Espero em Deus que teu sucesso seja pleno, que lhe traga alegria e satisfação. Espero em Deus que teu bom trabalho lance sementes nos corações e que elas cresçam e frutifiquem. Mas espero, ainda mais, que as sementes que tu lanças com santa intenção e carinho para quem as quiser plantar, tenham a força de revolver a ressecada e dura terra que está aí em teu coração.
Não estou te julgando, como pode parecer. É que vejo a tua tristeza e solidão. É por isso que desejo que tu consigas tomar o remédio que dás aos outros. Penso que te será mais amargo que a eles; mas é bem provável que te leve à cura. É bem provável que esse peso que deixa teus ombros envergados seja lançado fora.
Espero em Deus, portanto, que tu tenhas a coragem para tomar do teu antídoto e que encares a necessária convalescença. Espero em Deus que sejas feliz e alcances prosperidade. Amém!