PARALELEPÍPEDOS
Urandi era conhecida
pelo seu clima agradável;
com sua brisa incessante
e com um título inegável
de ser uma cidade verde,
mas hoje é contestável.
Foi a cidade do Brasil
onde o verde encolheu;
cortou tanta árvore,
que o clima adoeceu
e não plantou nenhuma,
onde o crime ocorreu.
O vestígio é encontrado
em toda rua da cidade.
Onde havia sombra,
hoje tem claridade.
Os tocos são as provas
da irresponsabilidade.
O calçamento era de pedra,
como tudo começou.
Dava um aspecto bucólico
de cidade do interior.
Deixava o clima ameno;
agora o calor aumentou.
Com ideias modernistas,
trouxe asfalto e jogou.
Com esse tapete preto
a temperatura aumentou;
sem ter mais infiltração
a cidade toda inundou.
Em nome do progresso
tanta coisa que acabou.
Surgiu o verde do semáforo,
mas o verde da árvore cortou.
O tapete preto serve de luto,
porque o calçamento o enterrou.
A CIDADE DOS GARIMPEIROS
Quando fez a linha do trem,
Urandi cresceu tanto
com aumento da população,
que causava até espanto.
O famoso bairro DC-5
é homenagem ao Departamento.
Ele era uma outra cidade
com mais desenvolvimento.
Tinha as casas de turma,
também lagoa pra lazer,
as casas dos engenheiros
e até cinema pra ver.
O almoxarifado foi aproveitado
pra funcionar o Centro Educacional.
O antigo Ginásio de Urandi
é hoje o Colégio Estadual.
Tinha uma casa de bela arquitetura
que serviu depois de Casa Paroquial
e muitas casas viraram residências
nas proximidades do atual hospital.
URANDI-PIONEIRO EM EDUCAÇÃO
Estudar antigamente
era uma dificuldade;
não tinha ensino público
e professor era raridade.
Quem tinha condição
contratava professor
pra ensinar dentro de casa
e ainda pagava baixo valor.
A mulher urandiense
foi vítima do machismo.
Escola era só pra homem;
mulher aprendia catecismo.
Quando surgiu escola pública,
a mulher teve inclusão;
estudando na mesma escola,
mas mantinha a separação.
Quando criaram o Ginásio
foi uma grande revolução.
Urandi foi pioneiro
nesse nível de educação.
Era escola particular,
continuava elitista.
Pouca gente estudava,
mas era uma conquista.
A cantina de D. Edith e Anita
vale muito a pena lembrar,
mas D. Odília, Edson e Edi
também não pode apagar.
O acesso à educação básica
foi no fim do século passado.
Agora todo mundo estuda,
só basta estar interessado.
Urandi tem filho famoso,
tem muito filho graduado.
São frutos que colhemos
com nosso ensino ofertado.
O RIO RAIZ
Esse presente da natureza
Que nos deu em pleno Sertão,
Jorra água milagrosamente
E só pede em troca preservação.
O rio Raiz é a nossa maior riqueza
E sua nascente é na serra dos Gerais.
Ele Jorra a melhor água do mundo
Pra matar a sede do homem e animais.
Irriga lavoura e abastece a cidade.
Ele á a razão da nossa existência,
Mas o urandiense não agradece
E maltrata por não ter consciência.
Sua força moveu engenho,
Roda-d’água também moveu,
Fez monjolo funcionar
E a lagoa de Urandi encheu.
Serviu água pra maria fumaça,
Gerou energia elétrica.
Urandi foi pioneiro
Em instalação de hidrelétrica.
A energia era fraca;
Não tinha tecnologia,
Mas dava pra iluminar,
Só não era igual hoje em dia.
O TOMBO DA IGREJA
A Igreja Matriz de Urandi
era uma obra muito antiga.
Era o marco da fundação,
mas pra isso ninguém liga.
Se falasse em tombamento,
você comprava muita briga.
A igreja era peculiar,
valia a pena manter.
A torre era no fundo,
tinha uma data pra ler.
Era a marca da fundação,
mas ninguém queria saber.
Ela sofreu muitos ataques,
desde quando era capela.
Derrubaram até o coro
e o sino ficava na janela.
Arrancaram todas as lápides
de quem foi sepultado nela.
A cidade quebrava o silêncio
no tempo que tocava o sino,
mas há muito tempo ele calou;
já era o começo do seu destino.
Nossa praça também alegrava
quando Dona Zelita tocava violino.
Nem o Cristo Redentor escapou,
teve que procurar outro lugar.
A esplanada invadiu a praça,
dificultando carro estacionar.
Fez um mercado debaixo do Cristo,
com barracas servindo de altar.
O altar era uma relíquia,
no Brasil não tinha igual.
Do tempo da colonização,
tinha o brasão de Portugal.
Era o nosso mais valioso
patrimônio material.
Tinha lustres, confessionário
e nichos de madeira entalhada.
Tudo precisava ser preservado,
mas era preciso ser tombada.
Como não quiseram fazer isso,
preferiram que fosse derrubada.
O VALE DOS ENGENHOS
Urandi com muitos rios
é o Oásis do Sertão.
Imagina tudo preservado,
antes da depredação.
Tinha água o ano todo,
podia fazer irrigação.
Faziam muitos açudes
pra molhar a plantação.
O rio Raiz era o mais forte,
molhava muita roça de cana;
movia até engenho de ferro,
uma das maiores fontes de grana.
Eram muitos engenhos
rodando ao longo do rio.
No tempo da moagem
podia estar quente ou estar frio.
Quando os bois puxavam
o engenho rodava;
jorrando garapa
quando a cana esmagava.
Tinha muitos alambiques
de cachaça de qualidade.
Tinha muitos acidentes
mutilando com fatalidade.
Produzia também rapadura
e mel com total perfeição;
além do tijolo e da puxa,
tinha o bagaço pra criação.
O rio agora está seco,
não tem mais plantação.
Do engenho pode ter ruína;
o que resta é só a recordação.
A FESTA DE SANTO ANTÔNIO
A festa do padroeiro
é a mais antiga de Urandi;
começou nos primeiros anos
que a capela passou a existir.
Todo fazendeiro vinha ao festejo
e, pra alojar, começaram construir.
Era a festa mais esperada:
vinha padre fazer celebração,
contratava filarmônica de fora
e faziam um grande leilão,
tinha levantada de mastro
e encerrava com a procissão.
Armava muita barraca,
fazia muita iluminação,
trazia até nega de fogo
e banda pra animação.
Ainda faziam roupa nova,
casavam e batizava pagão.
Quando vinham casar na cidade,
causava muita mobilização.
Procurava casa para arrumar,
vinha a pé,cavalo ou caminhão.
Soltava foguete, carregava mala
e fazia latada com trempe no chão.
Na novena soltava foguete,
durante toda comemoração.
Crianças de anjo e do Santo
acompanhavam a procissão,
até que chegou o padre Paulo
e acabou com toda tradição.
A MORTE DAS LENDAS
Todo povo tem sua história,
Seu conhecimento popular,
Suas crendices manifestadas
Nos costumes ou no pensar.
O povo urandiense
Tem mentes fertilizadas,
Criaram muitas lendas
E vou deixar imortalizadas.
Quando tinha muita mata,
Muitos rios pra pescar;
Ainda andava a pé,
Aparecia coisa pra assustar.
Quando pescava à noite
E não soubesse agradar,
Não pegava nenhum peixe
Porque a sereia ia atrapalhar.
Em tempo de quaresma
Aparecia lobisomem
Ou bruxa cavalgava;
Trançava crina igual homem.
Passava bicho correndo,
Só escutava a pisada.
Era mula sem cabeça;
Tinha medo da patada.
Ninguém matava nada
Se não agradasse a caipora;
Levava pinga e fumo
E deixava em cima da tora.
Aparecia muita alma
Dando pote de ouro.
Tinha muita assombração
Que fazia medo e puxava couro.
Acabaram todos os encantos,
Até a rama que fazia perder.
Quando destruíram a natureza,
Os encantos vieram a falecer.
URANDI - TERRA DO IMPOSSÍVEL
Tudo é possível...
Na terra do Impossível
É possível o Impossível,
Porque o Impossível é possível,
Pois é possível o Impossível!
Nada é impossível...
Como pode o impossível ser possível?
É possível porque existe o Impossível!
Ainda é possível ver o Impossível,
Porque não é impossível o Impossível!
URANDI ANTIGA
No encontro dos rios
nasceu a cidade;
ainda tinha a lagoa
que deixou saudade.
Tinha os casarões
cheios de janelas,
comércio com portas
e fachadas muito belas.
As casas eram artes
de platibanda portuguesa;
símbolo de riqueza,
pois a família era burguesa.
As casas eram geminadas
sem janelas dos lados,
com quartos interligados
pra serem ventilados.
Não tinha casa recuada,
usava grade na porta
para barrar cachorro
ou gente que não suporta.
Tinha casas muito bonitas
construídas na praça,
de incomparável beleza,
enfeitadas com vidraça.
Tinha suntuosos sobrados,
sinônimo de muita riqueza.
O mercado era um barracão
com maior feira da redondeza.
RETRATO DE URANDI
Esse retrato me retrata
com muita autenticidade,
porque revela a minha alma
e a urandiense identidade.
Olho-me no espelho
e vejo um rosto colorido;
tingido de preto, branco e mestiço,
herdado de “homem bom” ou sofrido.
Do mirante Alto do Cruzeiro
contemplo de lá toda a cidade.
Vejo também o Sol se pondo,
trazendo-me ufana felicidade.
Subindo a Serra dos Gerais,
descortina a Caatinga e vales
povoados de gente trabalhadora
confiada na fé contra os males.
NEM TODO MAL É MAU
Urandi tem terra fértil,
produz tudo que planta.
O cultivo do algodão
fez milagre igual Santa.
Aqui planta algodão
desde o povoamento.
Já teve até descaroçador
puxado por boi ou jumento.
Havia muitos descaroçadores
espalhados pelas fazendas.
Eram verdadeiras usinas
tirando caroços nas moendas.
Depois Jerônimo Borges
fez uma usina na estação,
mas logo ela também fechou
quando alguém perdeu a mão.
Fizeram uma usina na cidade
e hoje ainda tem o seu galpão;
onde fica o sindicato,maçonaria
e o antigo clube de diversão.
No tempo da lavoura de algodão
desmataram sem compaixão,
além de extinguir nossas aves
com veneno para matar pulgão.
Chegou o bicudo e exterminou
com toda a nossa plantação.
No lugar das antigas lavouras
renasceu a nativa vegetação.
Hoje está reflorestando
área desmatada por agricultor,
mas continua despovoada
por conta da ação de caçador.
URANDI
Urandi é uma terra rica:
Reses, água e produção!
Afresco da natureza,
Nosso oásis do Sertão!
De sina para o progresso,
Instiga brio e projeção!
MERCLUBE
Urandi sempre teve feira,
desde a época do barracão.
Quando fez a mudança dela,
teve muita contestação.
Senhor Tideca foi firme;
foi valiosa sua ação,
mas pra fazer o mercado
demoliram um casarão.
Ainda tem um vestígio,
resta um pé de palmeira,
que fica no meio da praça
onde realiza a feira.
O mercado era acessível,
tinha açougue e sapateiro,
ainda tinha larga calçada,
sendo útil ao barraqueiro.
Já foi chamado de Merclube
por fazer festa e carnaval.
Hoje perdeu sua serventia
numa engenharia irracional.
Na cidade não tinha quitanda,
verduras e frutas vinham de fora.
Os mascates traziam de longe
e Urandi produzia em outrora.
Derrubou aquele mercado
e fez outro nada de elegante.
Construiu um elefante branco
sem utilidade para feirante.
CANÇÃO DO URANDIENSE
Meu Município tem umbuzeiro,
Onde cantava o cardeal;
Das espécies que têm aqui,
Só encontra por lá o pardal.
Nosso céu não tem fumaça,
Nossas roças têm menos odores,
Mas os matos têm poucos bichos,
Por conta da ação dos caçadores.
Ao andar sozinho, à noite,
Mais seguro eu sinto lá;
Minha terra tem algodão de seda,
Onde assombração gosta de assustar.
Minha terra é promissora,
O que quase não vejo por cá;
Em morar, sozinho, à noite,
Mais seguro eu sinto lá;
Minha terra tem umbuzeiro,
Onde cantava o carcará.
Tomara que logo chova,
Para que eu volte pra lá;
E que desfrute dos valores
Que não encontro mais por cá;
Por sorte ainda existe os umbuzeiros,
Onde cantava o Sabiá.
ADEUS AO MISTO
O trem chegou a Urandi,
Fazendo grande revolução;
Era a Segunda Guerra
E a cidade viveu a explosão.
A cidade viu o progresso,
Muita gente casou aqui;
Deixou grande legado
Ou radicaram em Urandi.
A estação do trem
Era muito peculiar;
Ficou longe da cidade,
Era difícil pra acessar.
A estação era bonita,
Valia a pena preservar.
Tinha um curral de trilho
Para o gado embarcar.
Muita gente trabalhou lá:
Abelardo, Antenor, Valtinho.
Recebia muita mercadoria
E tinha produto pra exportar.
De Urandi levava minério,
Mamona, ovo e frango.
Trazia cimento, sal e grãos.
O misto lotava de candango.
O trem de passageiro
Fez história no nosso lugar.
Começou com maria fumaça,
Depois veio o misto até acabar.
Ele descia pra Minas na sexta,
Dia de sábado ele retornava.
Vendia muita coisa no trem
Porque a parada demorava.
Era um transporte barato,
Favorecia muito a pobreza.
Fernando Henrique acabou,
Dando adeus essa riqueza.
DR. PROPÉRCIO-PATRONO DE URANDI
Nessa terra de filho
ilustre e anônimo;
tu és nosso patrono,
idealizador do topônimo.
Pioneiro acadêmico
que estudou em Diamantina,
seguiu pra Rio de Janeiro
depois que concluiu em Minas.
Notável engenheiro civil
que à sua terra voltou;
conquistou nossa autonomia,
belo legado nos deixou.
Tinha amor por sua terra,
foi intendente ético;
estudou o filho Lauro
e nos deu o primeiro médico.
Urandi lhe pede desculpas
por tamanha ingratidão;
nunca homenageou você,
por lutar pela emancipação.
LAGOAS SECAS
Urandi era rico em água,
com fortes nascentes;
lagoas transbordando,
tinha grandes enchentes.
Elas todas secaram
causando impactos;
onde viviam os peixes,
hoje nascem cactos.
Tinha muito peixe,
também jacaré;
onde andava de canoa,
hoje andam a pé.
A lagoa da Capa
era de árvores ornada,
virou um deserto
e foi toda aterrada.
A lagoa da Tiririca
não foi diferente,
era grande e profunda,
lembrada por muita gente.
Drenar a lagoa Grande
foi um desastre ambiental,
causando aos quilombolas
e à natureza um grande mal.
A lagoa do Departamento
era lagoa artificial;
hoje tem Estreito e Cova de Mandioca,
mas não compensa a que era natural.
RIOS DE LÁGRIMAS
Às vezes me deparo
numa grande melancolia,
lembrando de um passado
de tristeza e de alegria.
Quanta saudade
do meu tempo de criança,
os rios tinham muita água,
ainda guardo na lembrança.
Tomava banho no rio,
pescava na barraginha,
tinha tanta lavadeira
quarando roupa limpinha!
Ninguém imaginava
ver os rios maltratados,
transformados em esgotos,
sendo todos assassinados.
Em rios de lágrimas
eles foram transformados,
por conta do lixo e esgoto
que neles são lançados.
Cachoeira e Raiz
foram a razão da cidade;
deram o nome Duas Barras
e só receberam atrocidade.
Revitalizar nossos rios
é um processo lento,
mas a principal medida
é a estação de tratamento.
HINO A URANDI
Somos gratos à sua índole, Criador,
Por terra fértil e com um céu anil,
Rios e cascatas de um excelso alvor
Ornados com belezas do Brasil!
Conquistada a terra do gentio,
A bravura lusa num mundo novo
E o labor afro no tempo hostil
Ergueram a grandeza deste povo.
Rincão baiano, oásis do meu Sertão,
Aflora água doce dos mananciais.
Rico em minérios, gado e irrigação;
Aerado pelas brisas das Gerais.
Amamos a ti
Urandi,
Amamos a ti!
Nosso cunho
É o pássaro
Gurandi.
No encontro dos rios nasceste Urandi,
Urbe pujante em vales verdejantes,
Nome vindo do tupi-guarani;
É genitora de filhos brilhantes.
A liberdade não era um sonho novo,
E a força ufana de um sábio intendente
Pra o triunfo soberano deste povo,
Propércio és Duas Barras independente.
Terra Mãe, devemos enobrecer;
Como bons filhos, não falta por quê.
E sendo urandienses até morrer,
Nós dedicamos este poema a você.
OÁSIS DO SERTÃO
Urandi, oásis do Sertão,
Bem na divisa com Minas;
Tem indústria e irrigação
Com suas águas cristalinas.
Teve a primeira prefeita
E minério nas colinas.
LAPINHA DE URANDI
A arte de fazer presépio
é uma cultura popular.
Imitar o morro da Lapa
é uma inspiração secular.
Narra o nascimento de Cristo,
fazendo a maquete do lugar.
Faz morro de papel
com pintura artesanal.
Essa tradição católica
comemora o Natal.
Coloca areia, enfeites
e planta pequeno arrozal.
Tem o tempo de armar
e o tempo de desmanchar,
mas o Dia dos Santos Reis
sempre precisa esperar.
Recebe muita visita,
até reiseiro pode chegar.
Tem gente que solta foguete,
um sinal de lapinha no lugar.
Acende vela toda noite
e até reúne pra rezar.
Coloca imagem pra frente
e depois vira para voltar.
O reisado de antigamente
cantava na porta ao chegar;
fazia ritual ao Menino Jesus,
o dono da casa mandava entrar;
oferecia bebida e comida
e uma prenda tinha que dar.
Essa cultura está acabando,
ninguém quer continuar.
Está ameaçada pelos jovens
que não gostam de apreciar.
Os idosos vão todos embora
e a cultura gosta de acompanhar.
URANDI BUCÓLICO
O povo urandiense
é forte e resistente
e, por ser sertanejo,
não teme Sol quente.
A maioria é camponês,
mas a vida hoje é diferente,
tem água encanada,
não tem mais rio corrente.
Não tem mais burro de carga,
nem pega água na cabaça,
não usa fogão à lenha,
nem acha mais uma boa cachaça.
Carro de boi é raridade,
não vê mais ele cantando;
tropa é coisa do passado,
nem vê mulher fiando.
Engenho é peça de museu,
casa de taipa é ficção,
candeeiro não usa mais,
não pisa mais nada no pilão.
Não escuta mais o rádio,
a moda agora é televisão;
ninguém passeia no jardim,
nem faz bandeira de São João.
Tinha também boate,
pra sociedade era perdição;
tinha o trem de passageiro
e o povo vendendo na estação.
A cidade era muito tranqüila,
pouco carro e sem poluição;
a feira livre era muito grande,
livre também de droga e ladrão.
VANDALISMO LEGAL
Destruir patrimônio público
é crime na constituição,
mas quando o governo faz,
diz ser dentro da legislação.
A memória de um povo
deve ser preservada,
pois é fonte de pesquisa
e história a ser lembrada.
Urandi é uma cidade antiga;
eu falo e ninguém acredita.
Demoliram os patrimônios,
querendo deixá-la bonita.
O cemitério do bairro Vermelho
era cheio de túmulo barroco;
passaram o trator por cima
e fizeram um jardim tosco.
O sobrado de Zé Novato
foi atacado sem piedade.
O local não serve pra nada,
podia ser o museu da cidade.
Na reforma do jardim,
nem a placa escapou;
na pracinha da Matriz,
pelo menos a placa deixou.
A praça do coreto
ficou na boca do povo;
derrubou sem motivo
e não fez outro novo.
O que resta de antigo
está pedindo socorro:
o cemitério,o sobrado,
cruzeiros; um é o do morro.