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Frases de Sebastião Santos Silva

29 frases

⁠PARALELEPÍPEDOS Urandi era conhecida pelo seu clima agradável;
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⁠PARALELEPÍPEDOS Urandi era conhecida pelo seu clima agradável; com sua brisa incessante e com um título inegável de ser uma cidade verde, mas hoje é contestável. Foi a cidade do Brasil onde o verde encolheu; cortou tanta árvore, que o clima adoeceu e não plantou nenhuma, onde o crime ocorreu. O vestígio é encontrado em toda rua da cidade. Onde havia sombra, hoje tem claridade. Os tocos são as provas da irresponsabilidade. O calçamento era de pedra, como tudo começou. Dava um aspecto bucólico de cidade do interior. Deixava o clima ameno; agora o calor aumentou. Com ideias modernistas, trouxe asfalto e jogou. Com esse tapete preto a temperatura aumentou; sem ter mais infiltração a cidade toda inundou. Em nome do progresso tanta coisa que acabou. Surgiu o verde do semáforo, mas o verde da árvore cortou. O tapete preto serve de luto, porque o calçamento o enterrou.

⁠A CIDADE DOS GARIMPEIROS Quando fez a linha do trem, Urandi cresceu tanto
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⁠A CIDADE DOS GARIMPEIROS Quando fez a linha do trem, Urandi cresceu tanto com aumento da população, que causava até espanto. O famoso bairro DC-5 é homenagem ao Departamento. Ele era uma outra cidade com mais desenvolvimento. Tinha as casas de turma, também lagoa pra lazer, as casas dos engenheiros e até cinema pra ver. O almoxarifado foi aproveitado pra funcionar o Centro Educacional. O antigo Ginásio de Urandi é hoje o Colégio Estadual. Tinha uma casa de bela arquitetura que serviu depois de Casa Paroquial e muitas casas viraram residências nas proximidades do atual hospital.

⁠URANDI-PIONEIRO EM EDUCAÇÃO Estudar antigamente era uma dificuldade;
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⁠URANDI-PIONEIRO EM EDUCAÇÃO Estudar antigamente era uma dificuldade; não tinha ensino público e professor era raridade. Quem tinha condição contratava professor pra ensinar dentro de casa e ainda pagava baixo valor. A mulher urandiense foi vítima do machismo. Escola era só pra homem; mulher aprendia catecismo. Quando surgiu escola pública, a mulher teve inclusão; estudando na mesma escola, mas mantinha a separação. Quando criaram o Ginásio foi uma grande revolução. Urandi foi pioneiro nesse nível de educação. Era escola particular, continuava elitista. Pouca gente estudava, mas era uma conquista. A cantina de D. Edith e Anita vale muito a pena lembrar, mas D. Odília, Edson e Edi também não pode apagar. O acesso à educação básica foi no fim do século passado. Agora todo mundo estuda, só basta estar interessado. Urandi tem filho famoso, tem muito filho graduado. São frutos que colhemos com nosso ensino ofertado.

⁠O RIO RAIZ Esse presente da natureza Que nos deu em pleno Sertão,
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⁠O RIO RAIZ Esse presente da natureza Que nos deu em pleno Sertão, Jorra água milagrosamente E só pede em troca preservação. O rio Raiz é a nossa maior riqueza E sua nascente é na serra dos Gerais. Ele Jorra a melhor água do mundo Pra matar a sede do homem e animais. Irriga lavoura e abastece a cidade. Ele á a razão da nossa existência, Mas o urandiense não agradece E maltrata por não ter consciência. Sua força moveu engenho, Roda-d’água também moveu, Fez monjolo funcionar E a lagoa de Urandi encheu. Serviu água pra maria fumaça, Gerou energia elétrica. Urandi foi pioneiro Em instalação de hidrelétrica. A energia era fraca; Não tinha tecnologia, Mas dava pra iluminar, Só não era igual hoje em dia.

⁠O TOMBO DA IGREJA A Igreja Matriz de Urandi era uma obra muito antiga.
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⁠O TOMBO DA IGREJA A Igreja Matriz de Urandi era uma obra muito antiga. Era o marco da fundação, mas pra isso ninguém liga. Se falasse em tombamento, você comprava muita briga. A igreja era peculiar, valia a pena manter. A torre era no fundo, tinha uma data pra ler. Era a marca da fundação, mas ninguém queria saber. Ela sofreu muitos ataques, desde quando era capela. Derrubaram até o coro e o sino ficava na janela. Arrancaram todas as lápides de quem foi sepultado nela. A cidade quebrava o silêncio no tempo que tocava o sino, mas há muito tempo ele calou; já era o começo do seu destino. Nossa praça também alegrava quando Dona Zelita tocava violino. Nem o Cristo Redentor escapou, teve que procurar outro lugar. A esplanada invadiu a praça, dificultando carro estacionar. Fez um mercado debaixo do Cristo, com barracas servindo de altar. O altar era uma relíquia, no Brasil não tinha igual. Do tempo da colonização, tinha o brasão de Portugal. Era o nosso mais valioso patrimônio material. Tinha lustres, confessionário e nichos de madeira entalhada. Tudo precisava ser preservado, mas era preciso ser tombada. Como não quiseram fazer isso, preferiram que fosse derrubada.

⁠O VALE DOS ENGENHOS Urandi com muitos rios é o Oásis do Sertão.
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⁠O VALE DOS ENGENHOS Urandi com muitos rios é o Oásis do Sertão. Imagina tudo preservado, antes da depredação. Tinha água o ano todo, podia fazer irrigação. Faziam muitos açudes pra molhar a plantação. O rio Raiz era o mais forte, molhava muita roça de cana; movia até engenho de ferro, uma das maiores fontes de grana. Eram muitos engenhos rodando ao longo do rio. No tempo da moagem podia estar quente ou estar frio. Quando os bois puxavam o engenho rodava; jorrando garapa quando a cana esmagava. Tinha muitos alambiques de cachaça de qualidade. Tinha muitos acidentes mutilando com fatalidade. Produzia também rapadura e mel com total perfeição; além do tijolo e da puxa, tinha o bagaço pra criação. O rio agora está seco, não tem mais plantação. Do engenho pode ter ruína; o que resta é só a recordação.

⁠A FESTA DE SANTO ANTÔNIO A festa do padroeiro é a mais antiga de Urandi;
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⁠A FESTA DE SANTO ANTÔNIO A festa do padroeiro é a mais antiga de Urandi; começou nos primeiros anos que a capela passou a existir. Todo fazendeiro vinha ao festejo e, pra alojar, começaram construir. Era a festa mais esperada: vinha padre fazer celebração, contratava filarmônica de fora e faziam um grande leilão, tinha levantada de mastro e encerrava com a procissão. Armava muita barraca, fazia muita iluminação, trazia até nega de fogo e banda pra animação. Ainda faziam roupa nova, casavam e batizava pagão. Quando vinham casar na cidade, causava muita mobilização. Procurava casa para arrumar, vinha a pé,cavalo ou caminhão. Soltava foguete, carregava mala e fazia latada com trempe no chão. Na novena soltava foguete, durante toda comemoração. Crianças de anjo e do Santo acompanhavam a procissão, até que chegou o padre Paulo e acabou com toda tradição.

⁠ A MORTE DAS LENDAS Todo povo tem sua história, Seu conhecimento popular,
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⁠ A MORTE DAS LENDAS Todo povo tem sua história, Seu conhecimento popular, Suas crendices manifestadas Nos costumes ou no pensar. O povo urandiense Tem mentes fertilizadas, Criaram muitas lendas E vou deixar imortalizadas. Quando tinha muita mata, Muitos rios pra pescar; Ainda andava a pé, Aparecia coisa pra assustar. Quando pescava à noite E não soubesse agradar, Não pegava nenhum peixe Porque a sereia ia atrapalhar. Em tempo de quaresma Aparecia lobisomem Ou bruxa cavalgava; Trançava crina igual homem. Passava bicho correndo, Só escutava a pisada. Era mula sem cabeça; Tinha medo da patada. Ninguém matava nada Se não agradasse a caipora; Levava pinga e fumo E deixava em cima da tora. Aparecia muita alma Dando pote de ouro. Tinha muita assombração Que fazia medo e puxava couro. Acabaram todos os encantos, Até a rama que fazia perder. Quando destruíram a natureza, Os encantos vieram a falecer.

⁠URANDI - TERRA DO IMPOSSÍVEL Tudo é possível... Na terra do Impossível
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⁠URANDI - TERRA DO IMPOSSÍVEL Tudo é possível... Na terra do Impossível É possível o Impossível, Porque o Impossível é possível, Pois é possível o Impossível! Nada é impossível... Como pode o impossível ser possível? É possível porque existe o Impossível! Ainda é possível ver o Impossível, Porque não é impossível o Impossível!

⁠URANDI ANTIGA No encontro dos rios nasceu a cidade;
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⁠URANDI ANTIGA No encontro dos rios nasceu a cidade; ainda tinha a lagoa que deixou saudade. Tinha os casarões cheios de janelas, comércio com portas e fachadas muito belas. As casas eram artes de platibanda portuguesa; símbolo de riqueza, pois a família era burguesa. As casas eram geminadas sem janelas dos lados, com quartos interligados pra serem ventilados. Não tinha casa recuada, usava grade na porta para barrar cachorro ou gente que não suporta. Tinha casas muito bonitas construídas na praça, de incomparável beleza, enfeitadas com vidraça. Tinha suntuosos sobrados, sinônimo de muita riqueza. O mercado era um barracão com maior feira da redondeza.

⁠RETRATO DE URANDI Esse retrato me retrata com muita autenticidade,
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⁠RETRATO DE URANDI Esse retrato me retrata com muita autenticidade, porque revela a minha alma e a urandiense identidade. Olho-me no espelho e vejo um rosto colorido; tingido de preto, branco e mestiço, herdado de “homem bom” ou sofrido. Do mirante Alto do Cruzeiro contemplo de lá toda a cidade. Vejo também o Sol se pondo, trazendo-me ufana felicidade. Subindo a Serra dos Gerais, descortina a Caatinga e vales povoados de gente trabalhadora confiada na fé contra os males.

⁠NEM TODO MAL É MAU Urandi tem terra fértil, produz tudo que planta.
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⁠NEM TODO MAL É MAU Urandi tem terra fértil, produz tudo que planta. O cultivo do algodão fez milagre igual Santa. Aqui planta algodão desde o povoamento. Já teve até descaroçador puxado por boi ou jumento. Havia muitos descaroçadores espalhados pelas fazendas. Eram verdadeiras usinas tirando caroços nas moendas. Depois Jerônimo Borges fez uma usina na estação, mas logo ela também fechou quando alguém perdeu a mão. Fizeram uma usina na cidade e hoje ainda tem o seu galpão; onde fica o sindicato,maçonaria e o antigo clube de diversão. No tempo da lavoura de algodão desmataram sem compaixão, além de extinguir nossas aves com veneno para matar pulgão. Chegou o bicudo e exterminou com toda a nossa plantação. No lugar das antigas lavouras renasceu a nativa vegetação. Hoje está reflorestando área desmatada por agricultor, mas continua despovoada por conta da ação de caçador.

⁠MERCLUBE Urandi sempre teve feira, desde a época do barracão.
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⁠MERCLUBE Urandi sempre teve feira, desde a época do barracão. Quando fez a mudança dela, teve muita contestação. Senhor Tideca foi firme; foi valiosa sua ação, mas pra fazer o mercado demoliram um casarão. Ainda tem um vestígio, resta um pé de palmeira, que fica no meio da praça onde realiza a feira. O mercado era acessível, tinha açougue e sapateiro, ainda tinha larga calçada, sendo útil ao barraqueiro. Já foi chamado de Merclube por fazer festa e carnaval. Hoje perdeu sua serventia numa engenharia irracional. Na cidade não tinha quitanda, verduras e frutas vinham de fora. Os mascates traziam de longe e Urandi produzia em outrora. Derrubou aquele mercado e fez outro nada de elegante. Construiu um elefante branco sem utilidade para feirante.

⁠CANÇÃO DO URANDIENSE Meu Município tem umbuzeiro, Onde cantava o cardeal;
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⁠CANÇÃO DO URANDIENSE Meu Município tem umbuzeiro, Onde cantava o cardeal; Das espécies que têm aqui, Só encontra por lá o pardal. Nosso céu não tem fumaça, Nossas roças têm menos odores, Mas os matos têm poucos bichos, Por conta da ação dos caçadores. Ao andar sozinho, à noite, Mais seguro eu sinto lá; Minha terra tem algodão de seda, Onde assombração gosta de assustar. Minha terra é promissora, O que quase não vejo por cá; Em morar, sozinho, à noite, Mais seguro eu sinto lá; Minha terra tem umbuzeiro, Onde cantava o carcará. Tomara que logo chova, Para que eu volte pra lá; E que desfrute dos valores Que não encontro mais por cá; Por sorte ainda existe os umbuzeiros, Onde cantava o Sabiá.

⁠ADEUS AO MISTO O trem chegou a Urandi, Fazendo grande revolução;
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⁠ADEUS AO MISTO O trem chegou a Urandi, Fazendo grande revolução; Era a Segunda Guerra E a cidade viveu a explosão. A cidade viu o progresso, Muita gente casou aqui; Deixou grande legado Ou radicaram em Urandi. A estação do trem Era muito peculiar; Ficou longe da cidade, Era difícil pra acessar. A estação era bonita, Valia a pena preservar. Tinha um curral de trilho Para o gado embarcar. Muita gente trabalhou lá: Abelardo, Antenor, Valtinho. Recebia muita mercadoria E tinha produto pra exportar. De Urandi levava minério, Mamona, ovo e frango. Trazia cimento, sal e grãos. O misto lotava de candango. O trem de passageiro Fez história no nosso lugar. Começou com maria fumaça, Depois veio o misto até acabar. Ele descia pra Minas na sexta, Dia de sábado ele retornava. Vendia muita coisa no trem Porque a parada demorava. Era um transporte barato, Favorecia muito a pobreza. Fernando Henrique acabou, Dando adeus essa riqueza.

⁠DR. PROPÉRCIO-PATRONO DE URANDI Nessa terra de filho ilustre e anônimo;
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⁠DR. PROPÉRCIO-PATRONO DE URANDI Nessa terra de filho ilustre e anônimo; tu és nosso patrono, idealizador do topônimo. Pioneiro acadêmico que estudou em Diamantina, seguiu pra Rio de Janeiro depois que concluiu em Minas. Notável engenheiro civil que à sua terra voltou; conquistou nossa autonomia, belo legado nos deixou. Tinha amor por sua terra, foi intendente ético; estudou o filho Lauro e nos deu o primeiro médico. Urandi lhe pede desculpas por tamanha ingratidão; nunca homenageou você, por lutar pela emancipação.

⁠LAGOAS SECAS Urandi era rico em água, com fortes nascentes;
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⁠LAGOAS SECAS Urandi era rico em água, com fortes nascentes; lagoas transbordando, tinha grandes enchentes. Elas todas secaram causando impactos; onde viviam os peixes, hoje nascem cactos. Tinha muito peixe, também jacaré; onde andava de canoa, hoje andam a pé. A lagoa da Capa era de árvores ornada, virou um deserto e foi toda aterrada. A lagoa da Tiririca não foi diferente, era grande e profunda, lembrada por muita gente. Drenar a lagoa Grande foi um desastre ambiental, causando aos quilombolas e à natureza um grande mal. A lagoa do Departamento era lagoa artificial; hoje tem Estreito e Cova de Mandioca, mas não compensa a que era natural.

⁠RIOS DE LÁGRIMAS Às vezes me deparo numa grande melancolia,
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⁠RIOS DE LÁGRIMAS Às vezes me deparo numa grande melancolia, lembrando de um passado de tristeza e de alegria. Quanta saudade do meu tempo de criança, os rios tinham muita água, ainda guardo na lembrança. Tomava banho no rio, pescava na barraginha, tinha tanta lavadeira quarando roupa limpinha! Ninguém imaginava ver os rios maltratados, transformados em esgotos, sendo todos assassinados. Em rios de lágrimas eles foram transformados, por conta do lixo e esgoto que neles são lançados. Cachoeira e Raiz foram a razão da cidade; deram o nome Duas Barras e só receberam atrocidade. Revitalizar nossos rios é um processo lento, mas a principal medida é a estação de tratamento.

⁠ HINO A URANDI Somos gratos à sua índole, Criador,
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⁠ HINO A URANDI Somos gratos à sua índole, Criador, Por terra fértil e com um céu anil, Rios e cascatas de um excelso alvor Ornados com belezas do Brasil! Conquistada a terra do gentio, A bravura lusa num mundo novo E o labor afro no tempo hostil Ergueram a grandeza deste povo. Rincão baiano, oásis do meu Sertão, Aflora água doce dos mananciais. Rico em minérios, gado e irrigação; Aerado pelas brisas das Gerais. Amamos a ti Urandi, Amamos a ti! Nosso cunho É o pássaro Gurandi. No encontro dos rios nasceste Urandi, Urbe pujante em vales verdejantes, Nome vindo do tupi-guarani; É genitora de filhos brilhantes. A liberdade não era um sonho novo, E a força ufana de um sábio intendente Pra o triunfo soberano deste povo, Propércio és Duas Barras independente. Terra Mãe, devemos enobrecer; Como bons filhos, não falta por quê. E sendo urandienses até morrer, Nós dedicamos este poema a você.

⁠LAPINHA DE URANDI A arte de fazer presépio é uma cultura popular.
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⁠LAPINHA DE URANDI A arte de fazer presépio é uma cultura popular. Imitar o morro da Lapa é uma inspiração secular. Narra o nascimento de Cristo, fazendo a maquete do lugar. Faz morro de papel com pintura artesanal. Essa tradição católica comemora o Natal. Coloca areia, enfeites e planta pequeno arrozal. Tem o tempo de armar e o tempo de desmanchar, mas o Dia dos Santos Reis sempre precisa esperar. Recebe muita visita, até reiseiro pode chegar. Tem gente que solta foguete, um sinal de lapinha no lugar. Acende vela toda noite e até reúne pra rezar. Coloca imagem pra frente e depois vira para voltar. O reisado de antigamente cantava na porta ao chegar; fazia ritual ao Menino Jesus, o dono da casa mandava entrar; oferecia bebida e comida e uma prenda tinha que dar. Essa cultura está acabando, ninguém quer continuar. Está ameaçada pelos jovens que não gostam de apreciar. Os idosos vão todos embora e a cultura gosta de acompanhar.

⁠URANDI BUCÓLICO O povo urandiense é forte e resistente
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⁠URANDI BUCÓLICO O povo urandiense é forte e resistente e, por ser sertanejo, não teme Sol quente. A maioria é camponês, mas a vida hoje é diferente, tem água encanada, não tem mais rio corrente. Não tem mais burro de carga, nem pega água na cabaça, não usa fogão à lenha, nem acha mais uma boa cachaça. Carro de boi é raridade, não vê mais ele cantando; tropa é coisa do passado, nem vê mulher fiando. Engenho é peça de museu, casa de taipa é ficção, candeeiro não usa mais, não pisa mais nada no pilão. Não escuta mais o rádio, a moda agora é televisão; ninguém passeia no jardim, nem faz bandeira de São João. Tinha também boate, pra sociedade era perdição; tinha o trem de passageiro e o povo vendendo na estação. A cidade era muito tranqüila, pouco carro e sem poluição; a feira livre era muito grande, livre também de droga e ladrão.

⁠VANDALISMO LEGAL Destruir patrimônio público é crime na constituição,
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⁠VANDALISMO LEGAL Destruir patrimônio público é crime na constituição, mas quando o governo faz, diz ser dentro da legislação. A memória de um povo deve ser preservada, pois é fonte de pesquisa e história a ser lembrada. Urandi é uma cidade antiga; eu falo e ninguém acredita. Demoliram os patrimônios, querendo deixá-la bonita. O cemitério do bairro Vermelho era cheio de túmulo barroco; passaram o trator por cima e fizeram um jardim tosco. O sobrado de Zé Novato foi atacado sem piedade. O local não serve pra nada, podia ser o museu da cidade. Na reforma do jardim, nem a placa escapou; na pracinha da Matriz, pelo menos a placa deixou. A praça do coreto ficou na boca do povo; derrubou sem motivo e não fez outro novo. O que resta de antigo está pedindo socorro: o cemitério,o sobrado, cruzeiros; um é o do morro.