Frase de Sebastião Santos Silva
O TOMBO DA IGREJA A Igreja Matriz de Urandi era uma obra muito antiga. Era o marco da fundação, mas pra isso ninguém liga. Se falasse em tombamento, você comprava muita briga. A igreja era peculiar, valia a pena manter. A torre era no fundo, tinha uma data pra ler. Era a marca da fundação, mas ninguém queria saber. Ela sofreu muitos ataques, desde quando era capela. Derrubaram até o coro e o sino ficava na janela. Arrancaram todas as lápides de quem foi sepultado nela. A cidade quebrava o silêncio no tempo que tocava o sino, mas há muito tempo ele calou; já era o começo do seu destino. Nossa praça também alegrava quando Dona Zelita tocava violino. Nem o Cristo Redentor escapou, teve que procurar outro lugar. A esplanada invadiu a praça, dificultando carro estacionar. Fez um mercado debaixo do Cristo, com barracas servindo de altar. O altar era uma relíquia, no Brasil não tinha igual. Do tempo da colonização, tinha o brasão de Portugal. Era o nosso mais valioso patrimônio material. Tinha lustres, confessionário e nichos de madeira entalhada. Tudo precisava ser preservado, mas era preciso ser tombada. Como não quiseram fazer isso, preferiram que fosse derrubada.
No pensador.ai desde