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Frases de Ricardo Pasqual

12 frases

AROMAS TEIMOSOS Que estranho receptáculo aromático tenho nas mãos Um pequeno frasco de intrigante fragrância que teima em se fechar
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AROMAS TEIMOSOS Que estranho receptáculo aromático tenho nas mãos Um pequeno frasco de intrigante fragrância que teima em se fechar Quando penso que seu cheiro vou sentir Sua tampa encerra-se na mais firme teimosia Ah! Mas que vontade de partir Nas mãos tenho outras fragrâncias As roupas guardam a lembrança de outros perfumes Alguns fortes e hipnotizantes De vidros que nem lembro onde deixei Mas destes aromas não quero os ácidos que irritam o olfato Tampouco os fortes doces enjoativos que me causam asco Prefiro aquele estranho e teimoso frasco Cuja tênue essência beira um efêmero eflúvio de recato Este frasco é manhoso Afrouxa sua tampa quando penso em desistir E a fecha com força ao me ver tentar abrir Mas como gosta de brincar! E agora deve estar a sorrir! Ou está a chorar? Porque apenas não me deixa sua essência cheirar? Mas tenho medo de cansar, de tanto teimar Um dia essa fragrância não mais me interessar De seu cheiro não resistir aos ventos do tempo E com o ar se dissipar

MARCAS MEMORIAIS A chuva escorre por uma de minhas facetas Contorna e acolhe o corpo que se esqueceu de cansar
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MARCAS MEMORIAIS A chuva escorre por uma de minhas facetas Contorna e acolhe o corpo que se esqueceu de cansar Goteja pelas mãos agora encharcadas Mãos que carregam cicatrizes Escaras que me recordam daquele negro sorriso Expressão irônica do demônio que há muito tranquei Criatura que ainda grita e convulsiona nos porões do meu ser Que compõe notas caóticas com as correntes que lhe amarrei Numa melodiosa cacofonia sem fim Calendários se perderam na batalha… No tempo em que esse espectro turvo se rejubilava Com cada gota rubra-cintilante derramada Sorria em escárnio com seus dentes encardidos E me alfinetava com seus mesmerizantes sussurros gemidos Nesta guerra, por ora, a batalha está ganha O atroz arlequim agora ri desesperado e trancado na escuridão As marcas nos punhos fazem o seu papel nessa peça Lembram-me de mantê-lo preso Lembram-me da cor das cinzas invadida pelo vermelho vão… Mas agora preocupação não há A chuva me espera e volto a andar Quem ri agora sou eu E a este debochado demônio… Só lhe resta gritar e espernear

PEGADAS DE CARMIM Que comiseração e aflição me atormentam Daqueles que só andam calçados
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PEGADAS DE CARMIM Que comiseração e aflição me atormentam Daqueles que só andam calçados Que não arriscam seu pé nu ao chão Que desaprenderam a sentir E andam apenas bardados Prefiro sentir a grama fresca sob os pés A terra úmida os envolvendo O seco asfalto em brasa E as agulhadas das pedras pontiagudas Mesmo que venha a dor Pois ela faz lembrar que sinto o mundo E que não sou apenas um transeunte anestesiado Não me importo em os pés cortar Não me importo em me ferir Não me importo em sangrar Só me importaria em nada sentir Só me importaria em perder os simples prazeres Para escapar às inevitáveis máculas da estrada Por isso ando… Descalço e despreocupado Deixando minhas pegadas de cor escarlate Que ficam no passado

ATEMPORALIDADE POÉTICA Me perguntam sobre os sentimentos versificados “São sentimentos do passado?”
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ATEMPORALIDADE POÉTICA Me perguntam sobre os sentimentos versificados “São sentimentos do passado?” “São sentimentos do presente?” Sim para as duas indagações E mais… São sentimentos do futuro e de um tempo ausente Mas não somente sobre o tempo me inquirem Querem saber a pessoa do tempo “Para quem escreve?” Escrevo para alguém do presente Que anda de mãos dadas com alguém do passado E abana a outro alguém do futuro Escrevo apenas para meu inconsciente Minha escrita é perdida no tempo Alcança todos e não pertence a nenhum Versos anacrônicos que perambulam pelas dimensões Carregam o que senti, sinto e sentirei Vagam randomicamente pelo espaço Cujo destino nem eu mesmo sei Ébrios vagabundos eternamente errantes Que não apressam seus passos desconsertantes Meus rabiscos são impessoais Os sujeitos são anônimos Escondidos por detrás da cortina das letras Expurgam um simples sentir Não um ser que se brinca de fingir Mas, sim, também são pessoais Porque dedico a alguém de agora E junto dedico a alguém de outrora Não tentem despir minhas palavras Nem campear um simples significado Só aproveitem este texto desordenado Não talhem um nome e um tempo na poesia Pois mesmo os versos agora dedicados Carregam muitos nomes futuros Carregam muitos nomes passados

MARATONA ESTÁTICA Correr Durante minha vida
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MARATONA ESTÁTICA Correr Durante minha vida Sempre corri E enquanto minhas pernas calejadas aguentarem Irei correr Corri atrás daquilo que buscava Por vezes mirando algo inexistente Que ao me aproximar Mudava de figura Seria miopia dos olhos Ou miopia do espírito? Espírito que teima em enxergar um futuro incerto e embaçado Futuro que ao virar presente não é igual ao idealizado Não sei, Mas corria E se não era o que queria Corria para outro lugar Mas corria Nunca juntei os braços para orações Se podia usar as pernas para alcançar o que queria Corri Não importava a estrada Seus morros O calor O sol A chuva O suor A dor O cansaço O coração exausto Nada me impediu de correr Nenhum tempo… Ah, o tempo! Mas ninguém tem pena deste deplorável infeliz? Dizem: “Deixe que a poeira baixe!” “Deixe que as coisas sosseguem!” “Deixe que o tempo resolva!” Mas será que o tempo já não tem muito com o que se preocupar? Eu que nunca me importei em correr com poeira nos olhos Hoje, Vou ter que esperar ela baixar Esse estranho trecho da estrada que me encontro Só pode ser cruzado com as pernas estáticas E vou esperar Mesmo que tenha que as pernas amarrar Pois quanto mais corro Mais o que quero parece se afastar Esse trecho É fruto de caminhos tortos que tomei… Mas só sei Que nessa estrada quero estar Essa estranha e linda estrada Sem sinalização Nem indicação de direção Pois só me perdendo Encontrarei o meu caminho

A FORJA IRÔNICA Repousado …de olhos semiabertos…vislumbrando o livro que deveria estar lendo… Pensamentos turbilham em meio à frágil linha entre o sono e despertar…entre a realidade e mundo onírico… será que minhas tentativas de não amargar pelas paredes encardidas de meu espír…
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A FORJA IRÔNICA Repousado …de olhos semiabertos…vislumbrando o livro que deveria estar lendo… Pensamentos turbilham em meio à frágil linha entre o sono e despertar…entre a realidade e mundo onírico… será que minhas tentativas de não amargar pelas paredes encardidas de meu espírito se tornarão infrutíferas? Todo dia, no ensaio de esconder a aspereza da minha alma, visto a máscara da felicidade… do sorriso interminável… da alegria espontânea… da despreocupação aparente… Ahhh! Se soubessem… que essa máscara está cada vez mais difícil de carregar, que tenho ânsia de arremessá-la para o mais longe de mim, que minhas angústias escorrem e transbordam por detrás do júbilo em minha face… se soubessem… Ser ou não ser… às vezes penso que seria melhor não ser… parar de envenenar –me aos poucos e tomar por fim o gole fatal do cálice de cicuta… covardia? Talvez… talvez mais covarde seja “suportar os males que já temos, a fugirmos pra outro que desconhecemos” no fim, a mera “reflexão faz todos nós covardes”. Talvez o que todos temam, de que a linha entre vida e morte culmine em um simples não mais existir… talvez…. este temor me seja um alívio… Que inveja tenho daqueles que tomaram a pílula azul e vivem no seu mundo de ilusão… felizes e contentes com as sombras da realidade projetadas na parede de suas vidas… felizes são essas pessoas… uma falsa felicidade de um mundo despreocupado e inexistente? Que seja, felizes elas estão… sei que um dia se eu encontrar a felicidade, não será a mesma… talvez melhor… talvez pior… talvez ausente…talvez uma felicidade tão infeliz que prefira voltar à minha amargura. Mas quando foi me dada essa escolha, quando optei pela droga vermelha da verdade? Talvez esse desagradável remédio já tenha vindo com meu âmago, já tenha vindo encrustado em minha alma… talvez esse seja o defeito da forja elemental que num golpe de ironia fraguou uma alma inquieta e eternamente descontente.

O BOBO CURINGA Minha confusão… Oh, sim!
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O BOBO CURINGA Minha confusão… Oh, sim! Doce confusão! Aquela amiga chata da minha solidão Filha do caos infinito do eu Por que fui forjado com essa mente tão desarmônica e repleta de pensamentos? Pensamentos que gritam e esperneiam Dançam sem fim Sem cansar Como crianças a brincar Meu corpo não aguenta Mas os pensamentos não se importam Só querem dançar Pensamentos quebrados e caóticos Às vezes perdidos em forma de versos Versos tão desestruturados como meu âmago dessintônico Pensamentos de gênio rebento Sempre querem ser os primeiros Não deixando um terminar, Pra outro começar Será que me perdoas? Malditos pensamentos! Será que você sente com os sentidos Ou sente com os sentimentos? Malditos pensamentos! Não há suspiro em forma de fumaça, Não há tisana amarga que lhes expulsem… Só fazem tomar ações tolas, Sem significado Atos que executam um dominó de tolices Atos que te colocam em outros braços Atos que não sei ao certo consertar Se é que tem conserto Se é que precisam de um remédio, De um remendo… Malditos pensamentos! De novo… De novo! Não resisti à tentação… Talvez precisasse desta imbecilidade pra ter certeza daquilo que já tinha A possibilidade de ter perdido minha alma… Ah! Outro pensamento se meteu na frente! Será que me tornei um fantoche? Será que me enrolei nos fios? Será que enfim me tornei uma das marionetes que tanto desdenho? Mas agora cansei de lamentar Só quero ver a história continuar E que a realidade, Dessa vez, Alcance a imaginação Chegue aonde imaginamos Mas por bobagens não concretizamos… Ah… pensamentos… Já nem mais os chamo de malditos Já me conformei com esses rebentos rebeldes Mas eles, que acompanham todas as possibilidades, Todas as probabilidades, Me impedem de descansar Só queria desligá-los por um pouco Como que num toque de um botão Algo que fizesse sossegar este bobo curinga que vaga pelo mundo E enfim descansar Adormecer Sem me preocupar em levantar…

CONFUSÃO INSONOLENTA Insônia… Antiga companheira que hoje novamente me visita.
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CONFUSÃO INSONOLENTA Insônia… Antiga companheira que hoje novamente me visita. Não pelos motivos de outrora, Mas pela dúvida angustiante em nem saber qual o motivo… Reflexo de uma mente confusa… Confusa pelas dúvidas… Confusa pela solidão perturbada… Pelas burlescas palavras impensadas e ditas sem sentido, Que me afundam em opróbrio… Talvez ditas pela necessidade de falar… De escrever… Sem ainda entender o porquê… Misturadas num mar caótico de sentimentos ainda não compreendidos… Pois afinal, o que estou fazendo? Pode o céu ter ciúme da lua pelo mar abraçar o seu reflexo? Por que o martírio? Aonde guardei a máscara do sorriso? Qual o meu papel nessa peça? Quais meus passos nessa dança? Existe peça, existe dança? Ou são pensamentos precipitados que vislumbram algo inexistente? Por que os pensamentos não me abandonam? O semblante colado em minha retina, Como mancha de sol que permanece mesmo quando olhamos ao redor Ah, malditos olhos! Por que tinha de ter esses olhos?! “Detesto seus olhos! Porque me enfeitiçaram e me dividiram: uma metade minha é sua, E a outra metade é sua.” Onde está minha solidão? Solidão que sempre me acolheu em seus braços cálidos Que nunca confundiu minha mente E sempre me trouxe certezas… Tenho de buscá-la novamente Minha cura maligna… Talvez… a única que me sirva.

DÚVIDA AMIGA Incógnitas, variáveis, incertezas, hesitações… Infinitas possibilidades e interrogações que surgem de uma vez só
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DÚVIDA AMIGA Incógnitas, variáveis, incertezas, hesitações… Infinitas possibilidades e interrogações que surgem de uma vez só Confundindo o espírito fraco pelas situações, pelo tempo Confundindo a mente inebriada pelo caos do momento Interrogações que assolam desde o mais pobre espírito insensato Até aos espectros minguantes pelos víveres abstratos Sim! Interrogações! Como as prefiro às frias e tediosas respostas e certezas de tudo Que arremedo de projeto vivo seríamos com todas as respostas? Se soubéssemos o nosso rumo, O nosso destino? Ah, mas que desagradável seria burlar todas as caóticas variáveis da vida Não sentir o frio na barriga do salto incerto Não se perder nos caminhos tortos e sombrios Não ousar no deliciosamente e arriscado e incerto Não fazendo aquilo que o âmago manda e que a mente desaprova Não sonhar com o impossível Não, não quero certezas no meu caminho Não, não quero respostas despejadas em minha face, que me impeçam de sentir o interessante gosto de arriscar, De sonhar… Não quero os pés no chão a todo momento Visto minhas asas quando quero Não quero traçar um rumo certo Prefiro aquele rumo cheio de incertezas Um caminho estranho e misterioso Que me encanta em seus segredos Seus mistérios Prefiro abraçar a dúvida Mas a abraço com cuidado Gosto que esteja por perto Me fazendo suspeitar do mundo Mas que fique em outra sala, longe do medo Que estes não se encontrem Não se conheçam Se o medo e a dúvida se amigarem Nos porão grilhões Farão perder com o medo de arriscar Perder mais que o pulo em falso Farão pensar na tristeza e decepção Não temam a dúvida! Abracem-na! Vivam-na! Sintam sem medo o júbilo do caos e incerteza do cosmos Duvidar do mundo Da existência Do futuro Do ser e do estar Estar incerto Confuso Duvidar O que é isso senão o mais simples e belo ato de viver… De sonhar?

ERMITÁGIO Paz… Silêncio…
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ERMITÁGIO Paz… Silêncio… Dirigir a atenção além do espectro azul Onde os olhos não alcançam Onde apenas a memória chega Ao redor faces conhecidas e desconhecidas, Mas nenhum murmúrio me interessa Melhor a companhia da incandescência maldosa e da tisana áurea, Que a de corpos e mentes vazias e ausentes de espírito Solidão… A rara ambrosia Desejada e saboreada por aqueles que são completos em sua essência.

ASAS DE FUMAÇA Invadindo a mente Trago um suspiro em forma de fumaça,
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ASAS DE FUMAÇA Invadindo a mente Trago um suspiro em forma de fumaça, Que volta e meia acompanha minha reflexão Deixa vestígios cinzentos Levados em forma espiral pelo vento Por um momento Quero com as cinzas planar Seja para onde esse remoinho vá me levar Com o vento, Não sei onde vou findar Mas a pé, Também não quero ficar Se asas o destino não me deu Talvez me reste virar cinza Para um dia poder com a brisa voar

PRAIA DAS ANGÚSTIAS Sentado nas areias cinzentas da inquietude, Vislumbrando o negro mar,
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PRAIA DAS ANGÚSTIAS Sentado nas areias cinzentas da inquietude, Vislumbrando o negro mar, Calmo, quase estático… Espero, Espero uma esperança que não sei se existe… Devo esperar? Em meu aguardo, Fantoches me chamam, Me tentam… Os mesmos fantoches que sempre perambularam por minha vida desalmada Rostos diferentes, Mas as mesmas simploriedades vazias do espírito que apenas fingem me entender Mas olhe! Ao longe vejo minha alma E ela sorri Sorri para mim? Atiro pedras ao mar, Tentando provocá-la Mas não consigo resposta… A alma não se move Tampouco o mar se agita… Apenas ondula levemente, quase que em tom de deboche Agarro essas ondas e tento juntar significado… Mas eles diluem na areia… Não quero todas as respostas, Ainda prefiro o mistério das perguntas Mas estou fraco… Cansado… Preferia ao menos receber um sinal, Um aviso De que devo aguardar Aguardar que minha alma retorne, Pois não suporto apenas vislumbrá-la Um gesto, De que não devo novamente cair nos braços inventados dos fantoches, Pois agora, mesmo que quisesse Não consigo… Me sinto mais vazio que os braços que me acolhem Por enquanto espero, Mas sei que por muito não aguentarei Não sentarei pela eternidade para ver minha alma voar ao longe Não ficarei sentado sozinho cercado destas marionetes O nosso rumo? Não sei ao certo O nosso futuro? Não me importa agora O nosso fim? Entrego ao destino Não tenho as respostas e não quero trilhar caminhos engessados Só quero saber… Só preciso saber… Se minha alma quer voar comigo.