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Frase de Ricardo Pasqual

CONFUSÃO INSONOLENTA Insônia… Antiga companheira que hoje novamente me visita. Não pelos motivos de outrora, Mas pela dúvida angustiante em nem saber qual o motivo… Reflexo de uma mente confusa… Confusa pelas dúvidas… Confusa pela solidão perturbada… Pelas burlescas palavras impensadas e ditas sem sentido, Que me afundam em opróbrio… Talvez ditas pela necessidade de falar… De escrever… Sem ainda entender o porquê… Misturadas num mar caótico de sentimentos ainda não compreendidos… Pois afinal, o que estou fazendo? Pode o céu ter ciúme da lua pelo mar abraçar o seu reflexo? Por que o martírio? Aonde guardei a máscara do sorriso? Qual o meu papel nessa peça? Quais meus passos nessa dança? Existe peça, existe dança? Ou são pensamentos precipitados que vislumbram algo inexistente? Por que os pensamentos não me abandonam? O semblante colado em minha retina, Como mancha de sol que permanece mesmo quando olhamos ao redor Ah, malditos olhos! Por que tinha de ter esses olhos?! “Detesto seus olhos! Porque me enfeitiçaram e me dividiram: uma metade minha é sua, E a outra metade é sua.” Onde está minha solidão? Solidão que sempre me acolheu em seus braços cálidos Que nunca confundiu minha mente E sempre me trouxe certezas… Tenho de buscá-la novamente Minha cura maligna… Talvez… a única que me sirva.

Ricardo Pasqual

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Pensador.com

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ATEMPORALIDADE POÉTICA Me perguntam sobre os sentimentos versificados “São sentimentos do passado?”
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ATEMPORALIDADE POÉTICA Me perguntam sobre os sentimentos versificados “São sentimentos do passado?” “São sentimentos do presente?” Sim para as duas indagações E mais… São sentimentos do futuro e de um tempo ausente Mas não somente sobre o tempo me inquirem Querem saber a pessoa do tempo “Para quem escreve?” Escrevo para alguém do presente Que anda de mãos dadas com alguém do passado E abana a outro alguém do futuro Escrevo apenas para meu inconsciente Minha escrita é perdida no tempo Alcança todos e não pertence a nenhum Versos anacrônicos que perambulam pelas dimensões Carregam o que senti, sinto e sentirei Vagam randomicamente pelo espaço Cujo destino nem eu mesmo sei Ébrios vagabundos eternamente errantes Que não apressam seus passos desconsertantes Meus rabiscos são impessoais Os sujeitos são anônimos Escondidos por detrás da cortina das letras Expurgam um simples sentir Não um ser que se brinca de fingir Mas, sim, também são pessoais Porque dedico a alguém de agora E junto dedico a alguém de outrora Não tentem despir minhas palavras Nem campear um simples significado Só aproveitem este texto desordenado Não talhem um nome e um tempo na poesia Pois mesmo os versos agora dedicados Carregam muitos nomes futuros Carregam muitos nomes passados

PEGADAS DE CARMIM Que comiseração e aflição me atormentam Daqueles que só andam calçados
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PEGADAS DE CARMIM Que comiseração e aflição me atormentam Daqueles que só andam calçados Que não arriscam seu pé nu ao chão Que desaprenderam a sentir E andam apenas bardados Prefiro sentir a grama fresca sob os pés A terra úmida os envolvendo O seco asfalto em brasa E as agulhadas das pedras pontiagudas Mesmo que venha a dor Pois ela faz lembrar que sinto o mundo E que não sou apenas um transeunte anestesiado Não me importo em os pés cortar Não me importo em me ferir Não me importo em sangrar Só me importaria em nada sentir Só me importaria em perder os simples prazeres Para escapar às inevitáveis máculas da estrada Por isso ando… Descalço e despreocupado Deixando minhas pegadas de cor escarlate Que ficam no passado

MARCAS MEMORIAIS A chuva escorre por uma de minhas facetas Contorna e acolhe o corpo que se esqueceu de cansar
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MARCAS MEMORIAIS A chuva escorre por uma de minhas facetas Contorna e acolhe o corpo que se esqueceu de cansar Goteja pelas mãos agora encharcadas Mãos que carregam cicatrizes Escaras que me recordam daquele negro sorriso Expressão irônica do demônio que há muito tranquei Criatura que ainda grita e convulsiona nos porões do meu ser Que compõe notas caóticas com as correntes que lhe amarrei Numa melodiosa cacofonia sem fim Calendários se perderam na batalha… No tempo em que esse espectro turvo se rejubilava Com cada gota rubra-cintilante derramada Sorria em escárnio com seus dentes encardidos E me alfinetava com seus mesmerizantes sussurros gemidos Nesta guerra, por ora, a batalha está ganha O atroz arlequim agora ri desesperado e trancado na escuridão As marcas nos punhos fazem o seu papel nessa peça Lembram-me de mantê-lo preso Lembram-me da cor das cinzas invadida pelo vermelho vão… Mas agora preocupação não há A chuva me espera e volto a andar Quem ri agora sou eu E a este debochado demônio… Só lhe resta gritar e espernear

AROMAS TEIMOSOS Que estranho receptáculo aromático tenho nas mãos Um pequeno frasco de intrigante fragrância que teima em se fechar
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AROMAS TEIMOSOS Que estranho receptáculo aromático tenho nas mãos Um pequeno frasco de intrigante fragrância que teima em se fechar Quando penso que seu cheiro vou sentir Sua tampa encerra-se na mais firme teimosia Ah! Mas que vontade de partir Nas mãos tenho outras fragrâncias As roupas guardam a lembrança de outros perfumes Alguns fortes e hipnotizantes De vidros que nem lembro onde deixei Mas destes aromas não quero os ácidos que irritam o olfato Tampouco os fortes doces enjoativos que me causam asco Prefiro aquele estranho e teimoso frasco Cuja tênue essência beira um efêmero eflúvio de recato Este frasco é manhoso Afrouxa sua tampa quando penso em desistir E a fecha com força ao me ver tentar abrir Mas como gosta de brincar! E agora deve estar a sorrir! Ou está a chorar? Porque apenas não me deixa sua essência cheirar? Mas tenho medo de cansar, de tanto teimar Um dia essa fragrância não mais me interessar De seu cheiro não resistir aos ventos do tempo E com o ar se dissipar