Frase de Ricardo Pasqual
PRAIA DAS ANGÚSTIAS Sentado nas areias cinzentas da inquietude, Vislumbrando o negro mar, Calmo, quase estático… Espero, Espero uma esperança que não sei se existe… Devo esperar? Em meu aguardo, Fantoches me chamam, Me tentam… Os mesmos fantoches que sempre perambularam por minha vida desalmada Rostos diferentes, Mas as mesmas simploriedades vazias do espírito que apenas fingem me entender Mas olhe! Ao longe vejo minha alma E ela sorri Sorri para mim? Atiro pedras ao mar, Tentando provocá-la Mas não consigo resposta… A alma não se move Tampouco o mar se agita… Apenas ondula levemente, quase que em tom de deboche Agarro essas ondas e tento juntar significado… Mas eles diluem na areia… Não quero todas as respostas, Ainda prefiro o mistério das perguntas Mas estou fraco… Cansado… Preferia ao menos receber um sinal, Um aviso De que devo aguardar Aguardar que minha alma retorne, Pois não suporto apenas vislumbrá-la Um gesto, De que não devo novamente cair nos braços inventados dos fantoches, Pois agora, mesmo que quisesse Não consigo… Me sinto mais vazio que os braços que me acolhem Por enquanto espero, Mas sei que por muito não aguentarei Não sentarei pela eternidade para ver minha alma voar ao longe Não ficarei sentado sozinho cercado destas marionetes O nosso rumo? Não sei ao certo O nosso futuro? Não me importa agora O nosso fim? Entrego ao destino Não tenho as respostas e não quero trilhar caminhos engessados Só quero saber… Só preciso saber… Se minha alma quer voar comigo.
No pensador.ai desde