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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Confissão sem Padre - Sou Poeta um sem-nome
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⁠Confissão sem Padre - Sou Poeta um sem-nome alguém que nunca veio alguém que sempre foi esquecido de existir turvo de pensar desejoso de morrer cansado de rezar! Sou Poeta um sem Pátria sem familia nem destino com destino de ficar a caminho de onde vai ... E aonde vai este neto de si-mesmo sem mãe nem pai?! Sou Poeta por caminhos de ninguém sem ninguém a quem falar com vontade de comer a dor, a solidão, meu destino é sofrer onde irá meu coração nessa ânsia, a correr?! Sou Poeta de si perdido por Deus esquecido de nadas feito palavra amarga ser Poeta estar desfeito!

⁠De uma Velha Solidão - Há um peso tão grande dentro em mim nestas horas em que a vida não me escuta
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⁠De uma Velha Solidão - Há um peso tão grande dentro em mim nestas horas em que a vida não me escuta um tormento que parece não ter fim como espada que nos fere numa luta! E há um pranto que me escorre em solidão um vento que se agita pelas curvas sou filho das pedras pisadas pelo chão um poço de amargura e água suja. A minha dor vestida de brocados foi traje de amargura num corpo de sereia e adorei-a, de joelhos, prostrado, como um naufrago morto na areia.

⁠Vidros Quebrados - Trago vidros quebrados no mais intimo da vida
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⁠Vidros Quebrados - Trago vidros quebrados no mais intimo da vida e nunca tive telhados na minha casa partida. E se verde é a esperança a minha é cor de solidão da loucura de quem avança pelo mar do coração. Pois da vida que me vedes sou apenas um Asceta meus olhos não são verdes mas minh'Alma é de Poeta. E fui louco até ao fim jogando a vida sem ter dados neste mar de mim a mim só trago vidros quebrados.

⁠Do Nascimento à Vida do Poeta - Numa tarde quente de Abril minha mãe levada a parto
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⁠Do Nascimento à Vida do Poeta - Numa tarde quente de Abril minha mãe levada a parto sofreu venturas mil ao parir-me nesse quarto. Nasci em dia sem razão dum porquê que me transcende a Vida comeu-me o coração como um verso que nos prende. E assim no quarto escuro da minha longa podridão nasci velho prematuro com mil facas na mão. E na verdade que perdura num presente que é ausência meus olhos de loucura eram filhos da demência. E sentia um vazio que não podia compensar minha mãe que me traiu deu-me à vida p'ra penar. Havia em torno Primavera mas em mim era Inverno ter morrido, quem me dera, estava longe deste Inferno! E o Pai que nunca tive foi carrasco do Poeta, mas quem sofre e sobrevive, se não morre, recupera ... A esperança estava a meio entre os dois que era eu e a metade de estar cheio foi a dor que não doeu! É o amor exactidão p'ró destino indisponivel mas quem sabe se a razão não liberta o impossivel! E p'ró mistério de chegar fui matando a paciência, fui levado a deixar tão cedo a inocência ... Fui velho ao nascer num sangrar até doer, velho sou e hei-de ser sempre velho até morrer!

⁠Ventos de Solidão - Rasgaram-me o corpo, era feito de pó, meus olhos de timbre, toldados sem sorte,
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⁠Ventos de Solidão - Rasgaram-me o corpo, era feito de pó, meus olhos de timbre, toldados sem sorte, mil gentes em torno, deixaram-me só, um corpo esquecido diante da morte! À sombra das aves deixei o tormento, numa praia esquecida na dor das marés, meu corpo com vida mas sem pensamento foi à deriva, ficou no convés ... No convés do destino que a vida me dá, levo uma dor que o peito trespassa, haja o que houver, vá eu onde vá, é um turvo lamento que à loucura me enlaça. É uma triste solidão que me atravessa enrredando em névoa o pensamento, é um procurar caminho cheio de pressa sem ter para onde ir em passo lento ... É um esperar eterno que não começa é um amar alguém sem sentimento, é um olhar que em mim tropeça no sentir de um vácuo encantamento. É em mim um tédio ou uma loucura?! É angustia que caminha sem ter para onde ir, é em mim, em cada um, passagem escura, destino do qual ninguém pode fugir! É sem vontade, a minha vida exposta, como o pó do corpo que envelhece o coração, é pergunta, numa busca sem resposta, que depõe a tristeza, em ventos de solidão ...

⁠À Beira de um Poema - À beira de um poema lembro a noite que então havia ...
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⁠À Beira de um Poema - À beira de um poema lembro a noite que então havia ... Fecho os olhos, morre o dia, onde foste coração num morrer que me doia?! À beira de um destino fui além do meu tormento sem verdade nem tino com a cruz no pensamento! Num sentir que me tortura num viver que não sentia sobre a minha sepultura nem uma cruz havia...

⁠Barco à Vela - Às longas madrugadas eu me dei num pulsar que me arrepia a solidão
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⁠Barco à Vela - Às longas madrugadas eu me dei num pulsar que me arrepia a solidão foi nelas que na vida me encontrei na rota do meu forte coração. De longe vem o grito da partida que me traz e que me leva além de ti minh’Alma numa ânsia proibida procura o infinito que há em mim. Ao leme do meu barco vai a dor, na proa levo a Glória d’outros tempos, nos mastros vão as velas do amor, soprando pelo mar, são novos ventos. Parti p’las madrugadas sem destino parti rompendo o mar da solidão num grito que me rasga eu domino a tristeza que me assalta o coração.

⁠Medo de Amar - Diz-me porque temes tu amar-me?! Porque temes ouvir a minha voz?!
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⁠Medo de Amar - Diz-me porque temes tu amar-me?! Porque temes ouvir a minha voz?! Porque temes o meu corpo, os meus beijos, o meu olhar?! Diz-me meu amor, diz-me porque queres ficar só, com o mar! Porque aceitas o teu medo e rejeitas meu amor ... Porque travas este impulso, porque travas a entrega que nos leva além da dor?! Meu ser, vazio de ti, teu ser, longe de mim ... Que sentido há no sentido de fugir?! Obstante solidão que se aninha sem ter jeito, em nós! Meu peito! Meu peito! Tão só ... sem ti ... sem ti ...

⁠A Culpa do Poeta - Minha mãe eu sou poeta num mundo sem sentido
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⁠A Culpa do Poeta - Minha mãe eu sou poeta num mundo sem sentido a lágrima d'um Touro, (asceta) que da manada está perdido ... Não estou vivo nem estou morto! Minha mãe que culpa tens?... Não tens culpa deste aborto! Diz-me ó morte quando vens!!... Minha mãe de quem a culpa se não é minha nem é tua?! Quem me deu a triste luta que m'enlouquece pela rua?! Sou o grito d'um vulcão que quer a terra prometida, que mentira d'alcatrão numa estrada à deriva! Sou culpa e condenado, assassino sem ter morto, sou um preso não julgado nas cadeias deste corpo. E que culpa terei eu de estar vivo num caixão?! O destino quem mo deu foi alguém sem coração ... E que culpa tem a vida deste gosto amargo e doce que uma gente desconhecida ao meu corpo sempre trouxe?! Vou pegar o meu destino como um touro em plena Praça! Mas a Glória do bovino é ser morto por ter raça! Fecho os olhos, lembro a vida, ai esquece-la quem me dera, minha ânsia consumida é só culpa do Poeta!

⁠Outra Perspectiva - Entre mim e a vida há outra perspectiva! Uma angustia ou realidade que se põe
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⁠Outra Perspectiva - Entre mim e a vida há outra perspectiva! Uma angustia ou realidade que se põe num lenço que me açena à despedida. Uma partida indiscreta que se impõe ... A partida é agora, o destino é ser Poeta! Da aurora sem sentido que nasceu vejo as vagas ondas que m'inspiram, sinto o outro Eu que deixei e se perdeu nos versos dos Poetas que morreram ... A viagem não tem fim, a chegada sabe Deus! Na calma indiscreta d'uma vida a navegar, levo o barco do tormento pelo mar da solidão e não encontro aquele porto ainda por achar que amarra o pensamento ao cais do coração. É o punho do Poeta aliado a um lamento!

⁠Tenho Fome - Tenho fome de Amor minha fome sentida
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⁠Tenho Fome - Tenho fome de Amor minha fome sentida tenho fome do sabor do gosto da Vida! Tenho fome da fome do silêncio d'Agosto minha fome consome minh'Alma, meu corpo! Tenho fome da morte tenho fome do fado tenho fome da sorte de estar apaixonado! Tenho a fome d'um morto uma fome sem calma minh'Alma sem corpo que é fome sem Alma!

⁠Triste Balada - Ái minha vida perdida que a vivi n'outra vida
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⁠Triste Balada - Ái minha vida perdida que a vivi n'outra vida minha dura memória! Ái meu lamento sentido meu punhal desabrido sem tempo nem glória! Ái minha história doida meu lastro de ferida na raiz da memória! Ái minha vida sem nada de nada marcada verdade sem história! Meu caminho sem estrada minha triste balada na dolência da Vida!

⁠Razão e Pó - Somos qualquer coisa de tão efémero como o pó das estrelas pelo Céu,
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⁠Razão e Pó - Somos qualquer coisa de tão efémero como o pó das estrelas pelo Céu, somos a ângustia à deriva no etéreo guiados p'lo destino à mão de Deus. Somos na verdade o pó da Vida num corpo que dá forma à razão, somos realidade, nunca antes concebida, que Deus põe no pulsar do coração. Somos uma busca incansavel num eterno prometido p´los avós, navegamos numa busca insaciável e afinal encontramo-nos tão sós. E a procura é mais alta do que a morte, a morte mais desejada do que a vida, a Vida arrefecida em cada morgue e a morgue uma tristeza desinibida. Faço dos meus versos autópsia à solidão num corpo que JAZ foi e JAZ não é, num destino que procura ter razão, sou morto sem caixão sem verdade nem fé. Este não saber quem sou sem pensamento, esta vontade de morrer qu'inda me abraça, é loucura, é dolência, é tormento que atravessa o meu destino e me trespassa.

⁠Tão Longe de Mim ... Hoje a solidão é mais pesada a Vida mais cansada e a sorte
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⁠Tão Longe de Mim ... Hoje a solidão é mais pesada a Vida mais cansada e a sorte tão longe de mim, tão longe! Hoje a dor é mais agreste e o Amor que prometeste, sem norte, tão longe de mim, tão longe! Hoje o dia é mais nocturno meu lamento mais diurno, ser forte, tão longe de mim, tão longe! Hoje o Fado está cansado nosso Amor abismo errado e a morte, tão longe de mim, tão longe! (Ao despertar das matinas assombradas ...)

⁠Maria Triste - Essa gota que caia tão serena como a tarde
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⁠Maria Triste - Essa gota que caia tão serena como a tarde olhos doces de Maria num calvário de saudade. Fonte aguada d'olhar triste gota breve que jorrava da tristeza que persiste toda a gente se afastava. Se alguém a procurava dessa água não bebia gota humilde que passava gota leve que corria. Velha lenda, olhar triste num desgosto que sentia gota fria que não viste no olhar triste de Maria.

⁠O Partir da Alma ... dialogo - ALMA: - No enlouquecer da tarde fugidia
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⁠O Partir da Alma ... dialogo - ALMA: - No enlouquecer da tarde fugidia quem me dera morrer no dia, ir além, à bravura dos horizontes, cortar a vida, atravessar as pontes. Estou só na escuridão dos dias! Tão só à Luz da noite. Só há vazio e nada! Tudo é turvo em meu redor. É negra a hora ... Vou-me embora ... Vou-me embora ... CORPO: - E aonde vais ó Alma minha?! ALMA: - Não importa! Não importa! Vou-me embora! Vou-me embora! CORPO: - E porque vais? Porque vais? É mal da vida? É mal d'amar? ALMA: - Qu'importa? Qu'importa? Vou-me embora! Vou-me embora! Corpo: - E onde está a esperança? E onde está a vida? ALMA: - Está morta! Está morta! Vou-me embora! Vou-me embora! CORPO: - E Deus? Que lhe fizeste?! ALMA: - Morreu! Morreu! Vou-me embora! Vou-me embora! CORPO: - Nada há que te apegue à vida, nada mais t'importa! Então Alma, parte, é hora ... ... vai embora ... vai embora! ALMA: - Nada me deu a Vida! Irei ... sem pena ... sem demora ... DEUS: - E eis que a Alma, nessa hora, partiu, JAZ MORTA, JAZ MORTA ...

⁠A Sós com o Mar - Nas descalças areias deste mar recordo o mar que nunca tive ...
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⁠A Sós com o Mar - Nas descalças areias deste mar recordo o mar que nunca tive ... ... meu sonho feito ao mar! O destino que sonhei é longe do que sou! P'ra outro destino não vou! Dor, espuma, espanto na solidão das ondas que esbatem nestas rochas! Eu e Ele a sós! O mar! O mar! ... É de pedra a minha dor, é d'água o meu sonho, meu corpo feito de pó, minhas lágrimas sem cor ... E há um pássaro que voa, um Sol que se esmurece, eis que passa uma pessoa, viver assim, ninguém merece!

⁠Brevidade do Tempo - A vida é breve ... A vida é curta ...
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⁠Brevidade do Tempo - A vida é breve ... A vida é curta ... E não há tempo suficiente para perceber a ligação entre todos os acontecimentos que vivemos! Há que decidir! Caminhar! Ir em frente! Avançar! Estar inteiros em cada instante e em cada momento de vida por onde passamos. É só isso que nos resta. Cada momento como sendo unico e ultimo ...

⁠Raiva e Solidão - Trago em mim a solidão de um dia triste trago a raiva de uma noite que não chega
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⁠Raiva e Solidão - Trago em mim a solidão de um dia triste trago a raiva de uma noite que não chega trago a ânsia que me escorre, que persiste, minha taça de veneno e incerteza. Meu cálice de piedade e solidão são as horas que te espero e tu não chegas, a raiva que me aperta, amarga o coração, derrama no meu peito flores secas. É raiva, é loucura, é tormento, desde aquela hora triste em que te vi, um cavalo que me sulca o pensamento, num galope, num passar, longe de ti. Trago as dores de um poeta que se cala trago em mim um sofrimento sem perdão na distância dos teus olhos, que me embala, agonia é silêncio, raiva é solidão.

⁠O que Nunca te Direi - Minha vida, sete dores, à deriva pelo peito,
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⁠O que Nunca te Direi - Minha vida, sete dores, à deriva pelo peito, sete esperanças, sete flores, que lhes tomam o jeito. Se eu te pudesse contar o que nunca te direi tu ficavas a falar deste amor a que me dei. A tristeza ao cantar vem da saudade sentida nunca quis saber rezar nesta ângustia desmedida. E por este sentimento que me consome no leito tenho pena e lamento trago estas dores no peito.