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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Ausência de Luz - Caroço d'Alma, duro, rijo, obscuro ...
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⁠Ausência de Luz - Caroço d'Alma, duro, rijo, obscuro ... O que dentro é Centro, veneno, puro ... Inconsciente em permanência, incapaz de ser doado, sem Vida nem ardência, num corpo, fechado ... Coração parado, louco de dor, sem forma, banal, intenso, breve, incolor, preso, ao leito, afinal ... Um peso, imenso, aninhado, ao peito - sem jeito - sem jeito! E a noite vem! Lua pura, densa, escura, luar d'Agosto, lâmina quente em fogo posto! E quem ousou este destino?! Quem o fez, tão triste, tão sensível?! ... Sonhos presos, pousados, na teia dos sentidos. Só não entendo o que há em mim de tão achado, tão perdido e impossível ...

⁠Ferida Aberta - Trago uma Vida marcada a sangrar dentro do peito,
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⁠Ferida Aberta - Trago uma Vida marcada a sangrar dentro do peito, trago uma Vida traçada por um destino sem jeito! Ai prantos, dores, lamentos, delírios, sonhos no peito, ai em mim doce tormento desde a rua até ao leito! Desde o leito até à morte desde a Alma até ao corpo, ai minha Vida sem sorte e tua sorte em estar morto! Na minha cama de nada sangra dentro o meu peito, a minha Vida marcada por um destino sem jeito! Sem jeito é o tormento que arrefece o nosso leito, o teu louco afastamento ferida aberta no meu peito!

⁠Saudade de nós - Chegaste tarde meu amor E no silêncio desta dor
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⁠Saudade de nós - Chegaste tarde meu amor E no silêncio desta dor Nem sei bem o que senti; Uma saudade de nós Ou talvez por estarmos sós Uma saudade de ti. As andorinhas não vieram E as pessoas não disseram Se voltavas p'ra mim ou não; Grito e ninguém me responde Oiço-te mas não sei d'onde Nos confins da solidão. Passo a passo sem Carinho Acendo velas no caminho Virando os olhos p'ra Deus; Porque não há maior tristeza Do que trazer a Alma presa Ao Silêncio de um adeus. Eu nem sei onde me perdi Que tudo me fala de ti Entre a terra e os Céus; Mas podes sempre voltar Porque eu vou por ti esperar Jamais te direi adeus.

⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar,
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⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar, Mas essa água que me aperta Não é menos que as águas do mar. Não me lembro de existir dentro de mim Algo maior que a palavra solidão, Algo mais seco que a amargura d'um jardim Plantado junto aos portais do coração. Há uma noite enleada aos desejos de cada um, Um grito, uma metáfora de saudade, Uma vontade de comer que é jejum Que a trazemos desde o berço por piedade. E o que ser para além d'um silêncio sem destino?! Um planeta sem elipse, uma curva, Uma pedra só, pisada no caminho, Um punhal numa fonte de água pura!

⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem
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⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem Nos espelhos do destino, É um grito sem amarras Um poema sem palavras Que vivemos no caminho. O que trago ou não trago O que canto e dou ao fado Só eu sei o quanto dói, Ver nos olhos de toda a gente O silêncio de quem sente O quanto a vida nos destrói. Visto noites e cansaços No meu corpo, nos teus braços Na distância, o teu olhar, Roda a roda do destino Acendo velas no caminho Numa pressa de te amar. Só há Fado e solidão Esta dor e um coração Nos meus olhos a bailar, E no céu da minha noite Já nem há onde me acoite Tanta estrela sem brilhar.

⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento
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⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento e quanto dói dentro da gente não saber dar tempo ao tempo! Sou como a folha caída que se perdeu do mundo inteiro sou como a flor esquecida em manhã de nevoeiro! A tristeza que me abraça dá mais voz à minha fome sou como tudo o que passa não me chamem pelo nome! Porque esse nome sem carinho foi o destino quem mo deu deixem-me Ser pelo caminho longe desse nome que é meu!

⁠CANTIGA DE ESCÁRNIO E MALDIZER: Quando as tripas te doerem Ou tiveres diarreia
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⁠CANTIGA DE ESCÁRNIO E MALDIZER: Quando as tripas te doerem Ou tiveres diarreia O XANAX, é bom saberem, Faz passar, é boa ideia! Na farmácia Malagueira A Crispina ao balcão Dá XANAX p'ra cegueira A quem vem com comixão. Aos jantares de Natal Só lá vão os coitadinhos deixa estar que não faz mal Serão sempre pobrezinhos. Um XANAX, é bom saberem Faz passar a diarreia Quando as tripas te doerem Bota-a-Baixo, é boa ideia.

- No Silêncio de um Depois - (Fado Varela) Talvez, um dia amor, voltes p'ra mim
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- No Silêncio de um Depois - (Fado Varela) Talvez, um dia amor, voltes p'ra mim no mar da madrugada de nós dois talvez, tu tenhas pena de nos pôr fim e voltes no silêncio de um depois. Não sei se onde estás pensas em nós se pensas nessa vida que tivemos mas como um rio que corre para a foz eu sei, não esquecerás o que dissémos. Às vezes, sinto ainda o teu perfume na cama, nos lençóis onde me deito às vezes eu sinto ainda tanto ciume se penso em ti sem mim, que dor no peito! E visto em cada dia de solidão o peso da saudade que trago aos molhos e à deriva neste mar do coração eu levo nos meus olhos os teus olhos.

- O Silêncio do Papa - Que momento tão doce Que instante profundo
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- O Silêncio do Papa - Que momento tão doce Que instante profundo Que alegria nos trouxe Aquele Homem+ do Mundo. Tantos olhos sem miragem Tanto grito magoado Que ao ver aquela Imagem Ali ficou abandonado. Tanta gente perdida Que na vida sofreu Tanta esperança caida Que da vida se perdeu. Emudeceu a garganta Foi Presente o Passado Frente à Virgem Santa O Mundo ficou parado. E aos pés de Maria Onde nada é Novo Um gesto de Amor Um Papa+ do Povo.

- 100 Anos de Fátima - Foi num vale de silêncio Numa tarde meiga e quente
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- 100 Anos de Fátima - Foi num vale de silêncio Numa tarde meiga e quente Que desceu à Serra d'Aires, Revestida de Poesia, A Mensagem que nos trouxe Os Lábios doces de Maria! E mais nada foi igual! Nas mãos trazia a Luz ... No rosto a Voz de Deus ... Cada gesto, um abraço ... Nos olhos uma esperança ... E um terço no regaço ... E o mundo ajoelhou! Na ternura da Mensagem Vinha o fim do sofrimento. E p'ra sempre aquela Imagem Sobre Fátima pairou Na voz do pensamento ... Cem anos se passaram Tanta gente alí rumou E a noite que era negra Fez-se branca como as vestes Daquela Senhora que Falou Sobre os Braços da Azinheira! P.S./ Ricardo Maria Louro com os olhos do coração postos em Fátima.

- ESTIGMATISMO - Eu sou o drama Sou a solidão
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- ESTIGMATISMO - Eu sou o drama Sou a solidão Eu, só, na cama Sem ter coração. Eu sou o nada Eu sou o pó Eu sou na estrada Um triste só. Eu sou quem sou Que por ser, serei, A alma que dou E que nunca darei. Mas sou do que vês A vida que foi E no fundo, talvez, Seja tudo o que dói.

- À TOA - (Para o fado das Horas) Se eu morrer de madrugada
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- À TOA - (Para o fado das Horas) Se eu morrer de madrugada Numa cama só e triste Não te esqueças minha amada Nem de mim te despediste. Se eu morrer em noite escura Numa casa sem janelas Não te esqueças, com ternura Junto a mim, põe duas velas. Se eu morrer em dia claro Numa rua da cidade Esse dia será tão raro Deixarei em ti saudade. Mas não vou por ti morrer Quero mais acreditar Vou esperar, não vou esquecer A promessa qu'irás voltar.

Piedosas Intenções soneto Na verdade há um grito na minha voz,
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Piedosas Intenções soneto Na verdade há um grito na minha voz, Um suspiro de saudade em mim a vaguear, Nos meus olhos , uma vontade de estar só Que me deixa em cada canto a chorar! E choro por mim, por ti, por todos nós ... Choro por tudo aquilo que não vivi, Por aquilo que não tive de todos vós, P'lo que tive, não guardei e até o que perdi! Mas talvez não haja solução, meu amor, Mãos que não dão o que podem receber?! E no horizonte apenas vejo dor ... Vejo espuma, névoa e loucura, Um barco nos meus olhos a perder A alegria e tantas ondas d'amargura!

- QUINTA-FEIRA DA PAIXÃO - Esta noite é mais longa do que as outras É uma noite mais fria do que todas
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- QUINTA-FEIRA DA PAIXÃO - Esta noite é mais longa do que as outras É uma noite mais fria do que todas Nunca uma noite foi tão estranha Como esta de que falam nossas bocas! Esta noite cheira a ódios sem destino É a noite que mergulha o mundo em solidão E há sombras a espreitar em cada esquina Com vontade de prender um coração! Esta noite tudo é podre nos olhares Só há trevas nos gestos e nos corpos É a noite que jamais terá retorno Porque prende na tumba os seus mortos! Esta é a noite em que o Senhor é manietado Preso com grilhões de um pé à outra mão! Que estranha noite é esta cheia de punhais?! É a noite de Quinta-Feira da Paixão!!!

- PALIDEZ - Eu sou a lava de um vulcão Sou as noites de pobreza
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- PALIDEZ - Eu sou a lava de um vulcão Sou as noites de pobreza Sou os versos de tristeza Que só sabem a solidão. Eu sou nada e nada quero Nada tenho e nada sou Sei que irei e sempre vou Onde leva o desespero. Não sou bem e não sou mal Sou bastardo do amor Entre um servo e um Senhor Sou um forte vendaval. As gentes não me entendem Nem me vêem como sou Que só irei e sempre vou Onde meus passos me levem. Errarei por minhas mãos Chorarei pelos meus olhos Que sobre silvas e Abrolhos Sou Destino e Solidão.

- PUNHADO DE CINZA - soneto Eu sou o punhado de cinza esparso ao vento
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- PUNHADO DE CINZA - soneto Eu sou o punhado de cinza esparso ao vento que a longitude da vida abandonou na brancura terna, plácida do tempo, quando o teu amor tristemente me deixou! E quantas lágrimas em meus olhos por fim! Ninguém mas viu brotar dentro do peito e ninguém as viu cair dentro de mim, afogado no silêncio do meu leito ... Trago uma sombra profunda em meus olhos, um vulto, uma noite, um triste entardecer, vago e manso, que muito me põe a padecer! Há gritos no meu corpo, tantos, tantos molhos ... É quando a tua imagem vem poisar sobre mim e tantas lágrimas em meus olhos por fim!

AMOR ERRADO (soneto) Na verdade não eras quem pensei,
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AMOR ERRADO (soneto) Na verdade não eras quem pensei, Talvez um erro a mais na minha vida, Um erro que não quis! Porque me dei?! Mal chegaste já estavas de partida... Hei-de lembrar que nem te despediste... Que acabou o que não chegou a começar... Porque vieste? E porque partiste?! Deixaste-me só, a um canto, a penar! Mas ouve amor fechado, vento agreste, Mar bravo que não tolero mas desejo, Do meu amor por ti, nada soubeste! Adeus Amor Errado! Silêncio frio! Corpo que não toco, olhos qu'inda vejo Nas margens indiferentes do vazio! P.S./ Dedicado a alguém que já não importa referir. Ficam os versos.

É TERRÍVEL O DIA É terrível o dia Tudo cheira a solidão
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É TERRÍVEL O DIA É terrível o dia Tudo cheira a solidão Estou cego, perdido, Sem Pátria nem chão. E é terrível a hora Tudo aberto em meu redor Um fosso d'ilusões, E o meu cansaço, maior. E é terrível a vida Há vozes que me gritam Mortos que me chamam Dores que me agitam. É terrível estar só ... Ninguém nos sente! Estranha dor que dói, Dói hoje e para sempre. É terrível o dia, Este que vivo agora, E é terrível a vida E é terrível a hora!

ESTRANHO PALADAR Lembro-me de ti Na nossa casa,
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ESTRANHO PALADAR Lembro-me de ti Na nossa casa, Desse lume Intenso, o teu perfume Que tanto me abraça! Tudo nos separa Tanto nos unia, E agora, cansada A minh'Alma parada Canta, chora, fala! Amargo o teu olhar Antes era doce E na minha boca Muito me sufoca Um estranho paladar!

- VIANDANTE - Ser poeta é meu fado É tristeza, é solidão
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- VIANDANTE - Ser poeta é meu fado É tristeza, é solidão Talvez seja um cansaço A caminho do coração. Desisti de saber quem sou Nesta viagem errante E não saber aonde vou Faz de mim um viandante. Vou dormindo o meu destino Embalando a dor no peito Como a vida d'um menino, Recém-nascido, no leito. As coisas são como são E aceita-las sendo assim É sofrer de mão em mao, Chorar, chorando só por mim.