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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Guitarra - Uma guitarra gemia a um canto da saudade
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⁠Guitarra - Uma guitarra gemia a um canto da saudade se cantava ou se sofria ninguém via na verdade. Numa viela sombria há um canto peregrino uma guitarra perdia o pisar do seu destino. E num cantar de solidão há uma voz que se levanta recostada ao coração é uma guitarra que canta. Traz uma glória perdida nos braços tristes de ninguém há uma guitarra sofrida chorando triste por alguém.

⁠Tristeza Amparada (ser Poeta) - Não sei se quero ser poeta! Amparado ao ombro da solidão,
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⁠Tristeza Amparada (ser Poeta) - Não sei se quero ser poeta! Amparado ao ombro da solidão, não sei se quero estar só, nos braços dos meus versos, nas rimas do meu fado, num pensar sem coração ... Não sei se quero este sentir d'água, este estar só, acompanhado, em dias angulares, de amargas culpas, tão frias como o mar! Que ser poeta é morte anunciada, é saudade, turva saudade, num peito a palpitar, num corpo a bombear ... E afinal a que me dei?! ... Ser poeta é tristeza amparada! Se a quero, não sei ... não sei ...

⁠Doce Madrugada - Numa noite, madrugada, minha triste solidão
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⁠Doce Madrugada - Numa noite, madrugada, minha triste solidão que me vive além do tempo, numa cama já cansada de esperar teu coração enlaçou meu pensamento. Eu dormi no teu silêncio e acordei este lamento minha doce madrugada, meu amor, triste silêncio meu amor este tormento não me deixa ver mais nada. Tua falta, meu amor, arrefece a confiança torna grande o meu cansaço, ai da vida a minha dor que me deixa sem esperança na esperança de um abraço. A minh’Alma tão cansada já não pode mais fingir que não está de si perdida, adeus, triste madrugada, vou-me embora, vou partir, p’ro outro lado da vida.

⁠Destino sem Rumo - A minha voz ao cantar traz um lamento desfeito
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⁠Destino sem Rumo - A minha voz ao cantar traz um lamento desfeito é como as ondas do mar que se enrolam no meu peito. Canto um fado e outro fado numa saudade sentida trago o destino marcado e a minha vida perdida. Cantar é saber da vida o que a vida sabe do mar quando a vida está perdida outra vida há que esperar. À deriva p’la cidade, procurando outro caminho, não me deixo ter saudade, quem se vai, segue o destino.

⁠Meu Estar ... agora - Agora só num mundo que me apavora ... Agora só numa ângustia que me bebe ...
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⁠Meu Estar ... agora - Agora só num mundo que me apavora ... Agora só numa ângustia que me bebe ... Agora só no pulsar da Vida ... Agora só! Tão só! Que dó! Dois lamentos, dois destinos, dois corpos que se entrechocam no passar das coisas vãs ... Um é meu! Outro da vida! Agóra só! Tão só! Que dó! Nada é longo! Tudo é breve! Como a morte que sucede ou a vida que arrefece. Agora só! Que dó! À chegada e à partida - sou nó! Tão só! Tão só! E alembro os olhos verdes, espelhados, sem fim, de uma aurora que me criou! De uma "velha" que me amou numa infância JAZ morta. Minha Avó! Minha Avó! Que é morta - também! Estou só! Tão só! Que dó! Partiu! Não volta! Minha Avó! Minha Avó! ...

⁠Queixas de um Espirito Revoltado - Viver o tempo que passa pregando a dor ao chão
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⁠Queixas de um Espirito Revoltado - Viver o tempo que passa pregando a dor ao chão é loucura, é desgraça, é mastigar o coração. Apodrecer as raizes d'um internado que é louco é lamber as cicatrizes de quem vai morrendo aos poucos. Cão vadio porque me ladras se só quero a tua festa, já que somos desta raça, ser vádio é o que nos resta. E o que dizer da ilusão?! Que não há corpo nem memória, não há Espirito, oração, que lhe possa ter vitória. Nas veias do pensamento corre o sangue da solidão num pensar quase tormento que nos tolda a razão. À sombra dos nossos corpos, projectada na parede, passa o sonho de estar mortos de que temos tanta sede. Somos filhos, rejeitados, de uma mãe que nos gerou, somos mortos, condenados, por um pai que nos matou. Somos corpos mutilados pelo tempo que passou, do rosto que nos foi dado nem o lastro lhe ficou. Dão-nos um lamento sem fim no crispar da persistência, mas porquê de sermos assim numa longa inocência?! Não há verdade nem glória numa vida sem enredo não há clareza na memória de não vivermos com o medo. Em espartilhos de ferro num destino que é constante condenados ao enterro estamos todos lá à frente. Como os troncos que são tortos é pesado amar os vivos, vou-me embora com os mortos em velórios proibidos. P'ró pensar que me desgraça talvez não tenha solução, que por mim a vida passa pregando a dor ao chão.

⁠Toada - Tenho em mim uma ilusão no raiar da madrugada
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⁠Toada - Tenho em mim uma ilusão no raiar da madrugada vou salvar meu coração ao cantar esta toada. É um fado que me eleva numa esperança que se ergue dessa dor que tudo leva já mais nada me persegue. Desse Amor perdi o jeito já nem lembro o seu olhar, não o quero, não aceito que me torne a enganar. Vem a sorte e vem a vida em seguida outro amor nunca mais estarei perdida por quem não veja o meu valor. Outro amor há-de chegar é a minha confiança corre a vida sem parar e com ela a minha esperança.

⁠Meu Retrato - Minha angustia sem fim solidão que me prende
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⁠Meu Retrato - Minha angustia sem fim solidão que me prende ai distancia de mim, ninguém a entende. Meu lamento sem tecto minha casa sem porta tao longe do afecto sou filho que se aborta. Ai loucura de quem só vive de loucura sou nada que vem num passado que perdura. Tão distante da Vida tão frágil e forte, ai esperança perdida à espera da morte. Minha infancia marcada meu canto de fado numa triste fachada algures meu retrato.

⁠7 Espadas - Não me lembro meu amor já do teu rosto, os meus olhos estão cansados, no vazio,
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⁠7 Espadas - Não me lembro meu amor já do teu rosto, os meus olhos estão cansados, no vazio, do lastro de uma raiva, de um desgosto que queimou o coração do meu navio. Eram sete as solidões do meu destino dessas sete, eram quatro, o meu tormento, restam três, sobre as quais perdi o tino, mas só uma, foi p'ra ti, nesse momento. Inda lembro aquele instante em que disseste sete sonhos, sete beijos eu te dou traíste essa promessa que fizeste sete dores, foi só isso o que restou. Sete espadas, afinal, é que trazias mais os versos que rimavam ilusão, eram sete essas mentiras que dizias uma-a-uma eram punhais no coração.

Lágrima d'Amor - ⁠Por uma lágrima d'amor estão meus olhos a morrer
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Lágrima d'Amor - ⁠Por uma lágrima d'amor estão meus olhos a morrer minha triste e fria dor pelo rosto a correr. D'uma lágrima perdida nasceu esta ilusão numa lágrima sentida afoguei meu coração. Dos meus olhos se apagou o chorar da solidão no meu rosto deslizou o final desta paixão. As horas que vão passando pela vida onde eu for nos meus dias caminhando só lembrando o meu amor.

⁠Quadras de uma Alma despojada - Num tampo de mesa fria escrevi da minha solidão,
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⁠Quadras de uma Alma despojada - Num tampo de mesa fria escrevi da minha solidão, amargas dores que sentia como espinhos no coração... Nessa dor que remoemos, nesse querer e nunca ter, há sempre alguém que não temos nessas horas de sofrer. À mesa do que não temos nem a vida nos diz nada só lembrando o que perdemos dessa vida já passada. À mesa do destino vai passando a nossa história meus cansaços de menino 'inda me toldam a memória. Estes versos, por piedade, tem minha dor por filha, nesta mesa, na verdade, só o nada se partilha. Num doer que não esquecemos num esquecer qu'inda nos dói, o porquê de não morrermos, desta ângustia que nos mói?! Se eu pudesse tirar da mente esta dor que me esvazia, não era o poeta que hoje sente neste tampo de mesa fria.

⁠Quero Envelhecer - Quero envelhecer! Preciso envelhecer!
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⁠Quero Envelhecer - Quero envelhecer! Preciso envelhecer! Sair desta nefasta juventude que me queima a liberdade! E poder te acompanhar ... Sou jovem, prisioneiro desta triste juventude. Quão triste! ... Quero envelhecer! Preciso envelhecer! Sair deste corpo onde a beleza paga preço. Tão alto! Tão alto! Beleza e juventude - - a minha solidão ... Sou jovem - infeliz! Por não ser eu - o que quero - - quero ser ... Juventude é violência, velhice é silêncio e harmonia. Calma quente em dia frio! Quero envelhecer! Preciso envelhecer! E poder te acompanhar ...

⁠Por trás de uma Moldura - É longa a hora onde começa a noite escura
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⁠Por trás de uma Moldura - É longa a hora onde começa a noite escura e toda a gente se esquece que o tempo nos adormece num retrato que se esconde por trás de uma moldura. Passa o vento devagar hora breve de ninguém hora turva onde somos lembrados, que já fomos, quem o tempo nos quis dar esperando por alguém. Dança a Lua em dia claro brilha o Sol em noite escura num sopro que a Vida esconde, nessa longa hora onde fica o tempo que é tão raro por trás de uma moldura.

⁠Da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo - ⁠Era cedo … madrugada … Pelo ar tua mística Presença, Senhor...
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⁠Da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo - ⁠Era cedo … madrugada … Pelo ar tua mística Presença, Senhor... Era cedo, tão cedo … havia névoa! Mas depois daquela triste noite de vigília em que o vazio e a solidão fizeram eco em todos os olhares, vieste Tu, Senhor, Renascido! E a névoa dissipou … A Morte, esse negro cortejo de sombras p'ra sempre desvaneceu, p'ra sempre se consumiu, surgindo eleita como a outra face da Vida! Ressuscitou! Aleluia … Aleluia … Aleluia … Teu Rosto, Senhor, era Luz, teu corpo de silêncio, Paz. E do silêncio dessa Paz ecoava a Voz-de-Deus, Sagrada, Divina, Intemporal … “Eu não morri! Eu não morri! Eu não morri!” E havia espanto … Novamente o Véu do Templo se rasgou, desta vez nos corações … Nada mais nos pode agora separar, Senhor, nada mais … Porque Tu te revelaste por inteiro, além de todas as palavras, além de toda a saudade, além do silêncio da Morte na serenidade da Vida. E a Vida, Senhor, p'ra sempre triunfou! Aleluia! Aleluia! Aleluia! Porque Deus Ressuscitou!

⁠Retracto de Celeste - És filha do Fado! Irmã do Tejo ... Um verso de Poema! Uma guitarra ...
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⁠Retracto de Celeste - És filha do Fado! Irmã do Tejo ... Um verso de Poema! Uma guitarra ... És silêncio de seda, Lisboa de mil beijos, que sobre a vida se debruça e amarra! És a glória do meu punho de poeta que treme ao sentir o coração ... És a cor de uma imensa aguarela que alguém pinta ao vencer a solidão. Teu cantar é de cetim, em mim, é saudade, de Camões, a voz, num semblante Portuguez! És poema inacabado, tempo sem idade, que repousa no regaço da eterna D. Ignês! Óh Celeste derradeira, Fonte de Leanor, descalça pela cal da madrugada, pisando lirios, alabastros, sobre a dor, indo e caminhando pela vida, tão amada ... tão amada ... (Para Celeste Rodrigues)

⁠Carolina d'olhos Doces - Já nasceu a minha sobrinha Carolina. No primeiro dia da Primavera. No dia mundial da Poesia. Um dia especial. Que ela saiba aprender a aprender a bem-saber viver a vida ... Carolina d'olhos doces
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⁠Carolina d'olhos Doces - Já nasceu a minha sobrinha Carolina. No primeiro dia da Primavera. No dia mundial da Poesia. Um dia especial. Que ela saiba aprender a aprender a bem-saber viver a vida ... Carolina d'olhos doces minha doce madrugada alegria que nos trouxe Carolina minha amada. Do Coração ao seu olhar vai um riso de Criança que um dia há-de amar num bailado que dança. Coração florido e meigo embalado em doce leito nela canto e me revejo adormeço-a no meu peito. A verdade e a Esperança que seu olhar hoje nos trouxe da poesia é doce herança Carolina d'olhos doces. Para Embalar: Dorme minha linda Carolina linda Carolina d'olhos doces dorme minha flor tão pequenina dorme Carolina d'olhos doces. Dorme ó menina no teu leito ouve o meu cantar que recomeça dorme Carolina no meu peito deixa que este canto te adormeça. Dorme minha doce Flor do mar leve, o sono veio e a ti trouxe asas por mil anjos d'embalar dorme Carolina d'olhos doces. Tio Ricardo Março de 2015 À minha sobrinha Carolina Louro do Rosário.

⁠Lucidez - Sou noite, sou distância, solidão, madrugada que me arrasa o pensamento
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⁠Lucidez - Sou noite, sou distância, solidão, madrugada que me arrasa o pensamento sou na vida o que não morre, o sentimento, sou loucura, tenho Amor no coração. Donde venho e não venho, desespéro, onde estou, aonde vou, onde me dei, há em mim uma dor que já não quero na verdade porque a tenho eu já nem sei. Já nem sei o que hoje sou e onde vou já nem sei se o que vivi foi perdido não me digam por onde ir porque não vou prefiro os meus passos sem sentido.

⁠Maré - Quando um dia eu morrer como os rios ao correr
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⁠Maré - Quando um dia eu morrer como os rios ao correr quero ser espuma do mar; hei-de ser um Céu estrelado ser vento desnorteado que me leve pelo ar. Quando um dia eu morrer e alguém por mim sofrer quero o mar por sepultura; a maré como um caminho barco triste, tão sozinho, que o infinito procura. Quando um dia eu partir direi adeus a sorrir saberei como voltar; voltarei em dia vão no rimar da solidão e na espuma do mar.

⁠Verdade, Agrura e Lucidez - Sou noite e solidão! Minha Vida um acidente!
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⁠Verdade, Agrura e Lucidez - Sou noite e solidão! Minha Vida um acidente! Num sentir que se ressente! Tenho cal no coração! D'onde venho não quero. Onde estou não sei. Onde vou desespero. E afinal onde irei?! ... Quem dizem não sou. Quem pensam também. Só estou onde não vou. Num vazio que vai e vem. Mas vou! Mas vou! E alguém me espera?! Ninguém me sente! Estou só. Quem dera! Todos são ausente! Sou passo. Sou nocturno. Sou da estrela Firmamento. Sou da noite e nunca durmo no meu próprio pensamento. Que seja! Que seja! Um fruto apodrecido. Um corpo que medrou. Um morto esquecido. Um sonho que voou. Alguém que não veio. Ninguém que chegou. Meu corpo. Teu seio. Quem sou?! Quem sou?! Minha Vida parou... Minha Vida Passou... Sou noite e solidão! Minha Vida um acidente! Num sentir que se ressente! Tenho cal no coração!

⁠Infortunio - Sinto não saber quem sou! Porque habito neste corpo!
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⁠Infortunio - Sinto não saber quem sou! Porque habito neste corpo! Porque vivo neste mundo! Trago por ilusão uma ilusão comigo ... Não sou nada! E por nada ser, nada posso ... Nem bem, nem mal ... Aonde ir ... não sei ... também! Talvez peça demais à Vida! Talvez lhe queira o que nunca me dará! Conhecer meu Ser sem fundo ... Mas se a Vida me deu a Vida, e isso é Grande, porque ma deu infeliz e bloqueada, mal amada?!! Melhor seria que ma não tivesse dado! Não a pedi! Não a queria! ...

⁠Vida Vivida - Andei p'la vida fora e não lembrei que a morte um dia vinha m'encontrar
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⁠Vida Vivida - Andei p'la vida fora e não lembrei que a morte um dia vinha m'encontrar não sei se alguma vez a desejei que a morte é coisa certa há-de chegar. Esquecida de que a morte também tinha um voar de asas serenas de marfim minh'Alma num feitiço que adivinha só lembrava hora-a-hora quem perdi. Meus olhos que são pedra e solidão tão cansados, revestidos de cristal não sei por que caminhos pisarão só espero que adormeçam natural. Eis quando pressenti que a morte vinha e à luz do coração me despedi sozinha numa cama que é só minha morri, foi nesse instante que eu morri.

⁠Se eu Pudesse - Se eu pudesse tirar do meu sentir esta forma, de sofrer, e de te amar
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⁠Se eu Pudesse - Se eu pudesse tirar do meu sentir esta forma, de sofrer, e de te amar se pudesse deste amor querer fugir tirava do meu peito, o teu olhar. Julguei enlouquecer, quando partiste sem ti, caiu a noite, a solidão a dor em mim cresceu, e tu não viste tal como um punhal, na tua mão. Se pudesse mandar, e não sentisse, arrancar, este penar, do pensamento talvez que o teu amor, se ressentisse como eu sinto, pela noite, este tormento. Se pudesse, meu amor, ai se eu pudesse, embalar este sentir que grita em vão talvez o meu destino se acalmasse quando um beijo vem do Coração.

⁠Infidelidades - Dão-lhes uma vida num mundo tão belo
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⁠Infidelidades - Dão-lhes uma vida num mundo tão belo mas deixam-na esquecida numa arca de gelo. Fazem covas na Alma p'ra não serem si mesmos mentem, dizem que amam parecendo cordeiros. Depois travam o Espírito que se ergue na vontade numa Pátria de Proscritos num viver que é maldade. Alegram-se de não saberem o destino a seguir vão vivendo sem quererem fugindo sem pedir. Penteiam na saudade as Histórias do Passado numa falsa Virgindade de um Credo rezado. Nossos crânios de vidro estão prestes a quebrar por sentimentos partidos de tanto pensar. E porquê viver a vida entre gentes tão frias minha morte é mais querida minhas noites são dias. Que só a morte me leva à verdade e à vida deste mundo de treva desta gente fingida ...

⁠Esperando por Alguém - Vontade que me escalda! Sentir teu corpo no meu corpo,
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⁠Esperando por Alguém - Vontade que me escalda! Sentir teu corpo no meu corpo, olhar teus olhos, entre frémitos e espasmos. Ai loucura dos teus dedos percorrendo as teias longinquas do meu medo ... eu desejo ... ser noite, madrugada, auroras floridas, radiantes, de petalas no leito, secas, perfumadas, debruçadas sobre o nada que somos um do outro ... ... hora amarga, hora doce, hora de espuma e de espanto! Onde as linguas, humidas, tecidas de loucura, se erguem, tacteando a lucidez do pensamento sem pensar ...