Frase de Ricardo Maria Louro
Ventos de Solidão - Rasgaram-me o corpo, era feito de pó, meus olhos de timbre, toldados sem sorte, mil gentes em torno, deixaram-me só, um corpo esquecido diante da morte! À sombra das aves deixei o tormento, numa praia esquecida na dor das marés, meu corpo com vida mas sem pensamento foi à deriva, ficou no convés ... No convés do destino que a vida me dá, levo uma dor que o peito trespassa, haja o que houver, vá eu onde vá, é um turvo lamento que à loucura me enlaça. É uma triste solidão que me atravessa enrredando em névoa o pensamento, é um procurar caminho cheio de pressa sem ter para onde ir em passo lento ... É um esperar eterno que não começa é um amar alguém sem sentimento, é um olhar que em mim tropeça no sentir de um vácuo encantamento. É em mim um tédio ou uma loucura?! É angustia que caminha sem ter para onde ir, é em mim, em cada um, passagem escura, destino do qual ninguém pode fugir! É sem vontade, a minha vida exposta, como o pó do corpo que envelhece o coração, é pergunta, numa busca sem resposta, que depõe a tristeza, em ventos de solidão ...
No pensador.ai desde