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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠ Sou pintura incandescente d'um Artista que não tem Alma
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⁠ Sou pintura incandescente d'um Artista que não tem Alma sou a vontade permanente que adormece numa cama!

Da Arte de Ser e Não Ser - Sou pintura incandescente d'um Artista que não tem Alma
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Da Arte de Ser e Não Ser - Sou pintura incandescente d'um Artista que não tem Alma sou vontade permanente que adormece numa cama! Porque sou um ser perdido sou um pobre atraiçoado um triste que é vencido pela morte apaixonado. E sou a asa quebrada de uma ave que não voa a liberdade sonhada de um cativo que soa. Sou um quadro em vão pintado numa tela já esquecida sou o sonho inacabado d'um pintor que perdeu a vida!

⁠NOSSA SENHORA DA SAÚDE DE ÉVORA (do Convento de Santa Margarida à Igreja de Santo Antão) Nossa Senhora da Saúde é uma das invocações Marianas atribuidas à Virgem Maria, sendo, sob essa designação, particularmente cultuada em Portugal a partir dos finais do Séc. XVI, sendo-lhe…
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⁠NOSSA SENHORA DA SAÚDE DE ÉVORA (do Convento de Santa Margarida à Igreja de Santo Antão) Nossa Senhora da Saúde é uma das invocações Marianas atribuidas à Virgem Maria, sendo, sob essa designação, particularmente cultuada em Portugal a partir dos finais do Séc. XVI, sendo-lhe atribuida a intervenção milagrosa que levou ao fim de vários surtos de peste ocorridos em Portugal. No ano de 1578 a Ordem de São Paulo decidiu dar como Orago a todos os Conventos Paulistas Nossa Senhora da Saúde para melhor protecção haver por todo o pais. Lisboa iniciou grandes festejos em honra da Virgem que mais tarde vieram dar origem à Real Irmandade de Nossa Senhora da Saúde de Lisboa, actualmente sediada numa pequena capela na Mouraria. A poucos Kilometros de Évora, a caminho de Arraiolos, existia o pequeno Conventilho de Santa Margarida do Aivado, convento Paulista, que já tendo o Orago de Santa Margarida colocou no centro da Igreja do edificio uma imagem de Nossa Senhora da Saúde. Ocorria o ano de 1578. Contam vários autores como Frei Agostinho de Santa Maria ou o Pe. Jesuita Francisco da Fonseca que rapidamente aquele lugar isolado designado de Eremitério se converteu num verdadeiro Santuário alterando totalmente a pacata vida dos frades que por lá viviam. O Povo elegeu aquela imagem como Sagrada e milagrosa. De todas as partes chegavam romeiros e peregrinos para implorar a benção daquela Senhora. A cidade de Évora, contam os autores, nao lhe ficou indiferente. Uma lápide no topo da capela desse lugar ainda lá está para testemunhar a constituição de uma antiga Irmandade fundada pelos Lavradores da cidade no ano de 1724. O objectivo desta Irmandade era realizar a 8 de Setembro, dia que simbolicamente marca o nascimento de Nossa Senhora, a Missa e a Procissão em honra da Virgem dando apoio aos Peregrinos, doentes, e mendigos. Túlio Espanca descreve, segundo outros autores, a imagem como sendo uma imagem de roca com o menino ao colo. O tempo passou e a secularização dos bens da igreja expulsou os frades do Eremitério que se recolheram em Coimbra. A Irmandade fica profundamente abalada mas os mordomos de Nossa Senhora da Saúde, segundo o autor Gabriel Pereira, tão devotos da Virgem, resolveram no ano de 1816 trânsitar o culto para a igreja de Santo Antão dedicando a Nossa Senhora o antigo altar de São Roque à direita da Epistola. Conta Gabriel Pereira que desde então nunca se vira em Évora uma procissão tão magnifica e sumptuosa. À semelhança de Lisboa o Exército assumia a Virgem como Padroeira da Artelharia e os comerciantes como Padroeira do comércio. Então, em todos os primeiros Domingos de Julho, desde 1816, passou a desfilar pelas ruas de Évora uma verdadeira parada militar com Nossa Senhora da Saúde aos ombros. A festa viria a ser interrompida com a queda da Monarquia no ano de 1910, retomada em 1938 e interrompida novamente em 1974. As alterações politicas o forçaram. Desde então e num gesto de profunda devoção as fiéis Aias de Nossa Senhora da Saúde, Senhoras de Évora ligadas à Paróquia de Santo Antão, todos os anos desciam a Virgem do altar, adornavam-na, realizavam-lhe um triduo com missa e Unção dos doentes. Foi assim por mais de 40 anos. No ano de 2018 um grupo de jovens em parceria com o Reverendo Cónego Manuel Maria Madureira da Silva, Pároco e Reitor de Santo Antão retomam a procissão tentando imprimir-lhe parte da sua antiga Solenidade e tradição. Ainda em 2018, a 8 de Dezembro, D. Francisco Senra Coelho já Arcebispo de Évora assina o Decreto de Criação da Irmandade de Nossa Senhora da Saúde de Évora homolugando os seus primeiros Estatutos. No ano seguinte, também a 8 de Dezembro, S.A.R. o Sr. D. Duarte Pio de Bragança, Duque de Bragança, Chefe da Casa Real Portuguesa, assina em Vila Viçosa o Decreto de Alvará que viria a conceder à Irmandade de Nossa Senhora da Saúde de Évora o titulo de Real Irmandade autorizando que se encime a Coroa Real Portuguesa sobre as Armas da Irmandade conforme manda a tradição. S.A.R. a Sra. D. Isabel de Herédia de Bragança, Duquesa de Bragança assume o lugar de Aia de honra de Nossa Senhora da Saúde de Évora. Desde então, Irmandades, confrarias, autoridades, G.N.R., P.S.P, Exército, pessoas e individualidades a titulo pessoal se dirigem às festas de Nossa Senhora da Saúde de Évora pela vontade de contemplar uma das mais belas imagens de vestir, com vestias de rica tecelagem com olhos postos no infinito levando Cristo no regaço. Neste ano de 2022, dois anos depois de uma forçada interrupção pela Pandemia que assolou o mundo, Nossa Senhora voltou a sair às ruas. Tiveram representação a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Évora, a Irmandade de Nosso Senhor Jesus dos Passos de Évora, a Irmandade de Nossa Senhora das Dores de Évora, a Confraria do Senhor Jesus dos Aflitos de Évora, a Real Guarda de Honra da Casa Real Portuguesa, a Comunidade Ucraniana Católica da nossa Diocese, o Exmo. Sr. Major General Director de Formação de Évora, o Exmo. Sr. Dr. Gil Borges director do Hospital Militar de Évora, o Exmo. Sr. Dr. Francisco de Brito Presidente de União de Freguesias do Centro Histórico de Évora e dois elementos da GNR a cavalo que encabeçaram a procissão. Presidiu à Eucaristia e Procissão Sua Exa. Reverendissima o Sr. D. Francisco Senra Coelho Arcebispo de Évora em comunhão com mais Sacerdotes e Diáconos, nomeadamente, o Reverendissimo Sr. Cónego Manuel Maria Madureira, Reitor, Pároco de Santo Antão e Capelão desta Real Irmandade, o Exmo. Sr. Coronel Padre Jorge Matos, Capelão Militar, o Reverendo Padre Ivan Hudz, Padre da Comunidade Ucraniana e o Reverendo Padre Geraldes. A celebração foi abrilhantada pelo Coro da Paróquia de Santo Antão que conferiu uma profunda dignidade à Eucaristia. O regresso de Nossa Senhora da Saúde às ruas de Évora era urgente e mais que urgente, necessário... A Real Irmandade de Nossa Senhora da Saúde muito se orgulha e congratula por ter como Padroeira esta Augusta Imagem tão terna, tão doce, tão Cheia de Deus... Que Nossa Senhora da Saúde de Évora nos proteja e guarde, hoje e sempre, em todos e em cada dia das nossas vidas. Ricardo Maria Louro Juiz da Real Irmandade de Nossa Senhora da Saúde de Évora

⁠Persegue-me a Sombra de um Pássaro - Persegue-me a sombra de um pássaro, voa em silêncio
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⁠Persegue-me a Sombra de um Pássaro - Persegue-me a sombra de um pássaro, voa em silêncio bate as asas sobre as tardes fugidias que se adensam do nascer aos dolorosos poentes dos meus dias ... Persegue-me a imagem de um segredo, fantasmas dos dias que passei, das horas que vivi, dos olhos de quem amei! Sombras que me pertencem... agora...para sempre ... E é chegada, enfim, a hora! Mostrai os vossos rostos, os vossos risos ou cantos de dor! Arde em mim uma esperança ancestral; ecoam os aromas, as vozes das mesmas gentes. Não morreram! Estão em mim! Então porque me persegue a sombra de um pássaro que voa em silêncio e que bate as asas sobre as tardes fugidias que se adensam do nascer aos dolorosos poentes dos meus dias?!...

⁠Graça - Mal o dia anoitecia na cidade lá ia a Graça tão formosa como a Lua
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⁠Graça - Mal o dia anoitecia na cidade lá ia a Graça tão formosa como a Lua era a fadista do bairro da saudade e caminhando ia cantando pela rua. Era bonito o seu andar de moça nova pelas ruas da cidade de Lisboa tinha no xaile o encarnado d'uma rosa diziam ser o Rouxinol da Madragoa. E numa aurora ao romper de muitas flores o Sol nasceu e deu à Graça, longo beijo o azul do Céu foi rasgado por mil cores e ali ficou como Lisboa à beira Tejo.

⁠Além dos Olhos - Meus olhos são pisados pela Vida como as pedras são pisadas pela rua
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⁠Além dos Olhos - Meus olhos são pisados pela Vida como as pedras são pisadas pela rua meus olhos duas telas ressequidas são deixadas pela dor à luz da Lua. Meus olhos são dois pobres sem sentido tão famintos d'encontrar os olhos teus teus olhos dois tormentos diluídos, separados - indiferente aos olhos meus. Teus olhos duas águas, meu gemido folha seca transparente sem ventura teus olhos são dois fados, meu castigo e teu corpo pedra fria sem ternura. Nos meus olhos mora o tempo que perdi debruçada na clareira deste amor como praia que me invade e onde vivi tudo foi, tudo é como um sol-por.

⁠Era Tarde - Era tarde eu não senti meu amor que te perdi
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⁠Era Tarde - Era tarde eu não senti meu amor que te perdi que tormento nesse dia; ai minha triste saudade era noite, ansiedade e a minha boca tão fria. Era tarde meu Amor e meu peito num ardor fez correr a solidão; foi-se embora com o vento meu amor quanto lamento não sentir teu coração. Ai a dor deste veneno no meu triste pensamento que só vai onde eu não for; ai minha fria madrugada eu tão só naquela estrada era tarde meu amor.

⁠Primavera Desfolhada - Tu chegaste meu Amor sem eu esperar desfolhando nesse Maio a Primavera
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⁠Primavera Desfolhada - Tu chegaste meu Amor sem eu esperar desfolhando nesse Maio a Primavera estava longe meu Amor de querer amar nesse tempo doloroso de quimera. Trazias outro alguém que te deixou passando pela rua de nós dois Amor, ai meu amor que já não estou capaz de reviver o que já foi. Esta raiva que me aperta o Coração por ela tão ligeira se mostrar entrega o meu destino à solidão Amor, olha que posso não esperar. Que posso eu fazer, dizes então, Amor se tu soubesses, quem me dera, o quanto me castiga o Coração que ela passe pela nossa Primavera.

⁠Madrugadas de Lisboa - Na fria madrugada de Lisboa meu berço de saudade à beira mar
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⁠Madrugadas de Lisboa - Na fria madrugada de Lisboa meu berço de saudade à beira mar bebi o cálice do fado, fui à toa andando p'las vielas sem parar. Há guitarras a rasgar o coração esperando de Lisboa num desejo as colinas são lamento e solidão nas noites que adormecem sobre o Tejo. Eu vejo o teu olhar em cada fado eu sinto-te Lisboa no meu peito meu corpo como a rua tão pisado silêncio que adormece no meu leito. Lisboa porque corres onde vais à hora de cantar a tradição que alguém deixou um dia pelo cais pairando no teu cais de solidão.

⁠Lamento - Trago na Alma a Solidão a tristeza no meu peito
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⁠Lamento - Trago na Alma a Solidão a tristeza no meu peito na minha voz a canção no olhar o triste jeito desta vida sem razão. Oiço uma voz a cantar em minhas noites perdidas vejo o povo a soluçar estas mágoas doloridas que no fado quer rimar. Nestes versos ao escrever o povo chora a cantar o povo canta a sofrer dores do seu caminhar do nada que tem a perder.

⁠Fonte Cerrada - Maria - Aquela gota de água que caia deslizava serena como a tarde
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⁠Fonte Cerrada - Maria - Aquela gota de água que caia deslizava serena como a tarde dos olhos tristes de Maria num Cálvario de saudade ... Fonte que ninguém buscava, água que ninguém bebia, gota humilde que passava, gota leve que caia ... Cerrada fonte, sò e triste, gota breve que jorrava, solidão, somente, que persiste, toda a gente se afastava ... Fonte aguada d'olhar triste, água pura, noute e dia, gota fria que não viste nos olhos tristes de Maria ...

⁠Sem Ti - Sem ti, a minh'Alma fez-se pranto vestida em escura bruma, sem ti.
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⁠Sem Ti - Sem ti, a minh'Alma fez-se pranto vestida em escura bruma, sem ti. Sem ti, veio a dor velou o canto e rasgou meu pensamento, sofri. Teu jeito, já não quero, já não espero numa dor que me atravessa, o peito. Só sei, que te quero e desespero como um rio adormecido, no leito. Perdida, nesta imensa solidão memória sem destino, esquecida. Só sei, que rasguei meu coração numa mágoa que é só minha, sentida. Irei, não sei por onde mas irei qual pássaro sem ninho, na rua. Não sei, procurar o quê não sei por caminhos tortuosos, mas tua.

⁠Confissão - Há em mim uma dor que se levanta atando na minh'Alma muitos nós,
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⁠Confissão - Há em mim uma dor que se levanta atando na minh'Alma muitos nós, vai a Vida, nasce a Esperança de quem canta, num canto que emudece a minha voz! Ai rasgada solidão em triste verso que a pena de uma ave me deixou ... Lamento desde o ventre até ao berço o destino que a vida me guardou! Cai a Vida como névoa que se esfuma protegida pela asa alvissima de um anjo, dor que dor amplia e apruma levando as penas brancas uma a uma ...

⁠Eu, Évora e a Solidão - É noite … Évora faz silêncio. Caminho-a na penumbra,
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⁠Eu, Évora e a Solidão - É noite … Évora faz silêncio. Caminho-a na penumbra, meio triste, meio esquecido … Sozinho, em direcção, não sei de quê – vou! E vou em vão! Ou não! Talvez vá, bem sei … Mas indo irei eu a parte alguma?! Não sei! A parte incerta irei, por certo! Mas irei … irei … Que os meus cansaços não me turvam, nem me toldam, nem dominam! Irei! Irei! Caminhando pela umbra … vou além … onde não cheguei ou alguém foi. A avenida, o Hospital, carros a passar, um caminho sinuoso por passeio, árvores sem copa, folhas, tantas folhas - secas - pelo chão … que piso! Triste quadro. Minha vida. Pobre vida. Eu, tão grande, “doente”, a pé, só, por caminhos, tristes, sem tectos, caminhando sobre folhas, secas, esperanças fugidias … sou eu! Sou eu! Um ser obsoleto! Alguém que sobra! E é noite, cerrada – madrugada, infeliz. Só eu e nada, Évora e a minha solidão. Eu, meu coração, Évora e este “chão”... E piso a noite, passo, num passar que pisa a solidão. E piso a vida, vou, num ir que parece ser em vão! Mas vou … E nunca, nunca aprendi a existir! Esta dor de fora fáz-me exacto por dentro! Só ela! E isso que vos importa?! Nada! Digam-no! Das mãos de Deus o aceito, de vós o aceitarei, sem reservas ou lamentos, que tudo tem seu jeito! Terá?! Quem sabe?! Tenho que ir … se o quero saber, terei que ir … deixando p'lo caminho os “corpos” de toda gente. E dói-me o meu destino … Não posso esperar por ninguém! Pois não posso estar morto quando a morte vier! Quero que ela mate em mim um vivo! Por isso, vou, e deixo os “mortos” no caminho. Os meus mortos! Que estando vivos, são mortos! Mortos! Meu caminho é por mim, é em mim, por mim fora, de mim a mim … E quem quererá ouvir ou entender este espírito de coragem?! Quem?! Onde?! … Se eu próprio o não entendo! Se eu mesmo o não desvendo e desprezo! E vou … indo … em frente … Sequer olho para traz, que a saudade, rói meu pensamento, transformando coragem de ir, só, em medo, ausência e lamento! Não serei a estátua de sal das escrituras … E não olho … não olho … e vou … e irei … sempre … Em frente! Só! Em frente!

⁠Não sei porque te espero - Não sei porque te espero eu já não sei silêncio é para mim nocturno tempo
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⁠Não sei porque te espero - Não sei porque te espero eu já não sei silêncio é para mim nocturno tempo não quero nada amor do que te dei deixa que te cante este lamento. Não sei porque te amei eu já não sei desde aquela hora em que te vi não sei se eu te quis ou inventei só sei que te não tive e que te quis. É tudo tão diferente ao que eu sonhei brutal, o teu silêncio é solidão não sei porque te amei eu já não sei só sei que já calei meu coração. Não sei porque se foi, porque partiu, não sei porque partiu o meu Amor ...

⁠Aviso - Vós que vedes os poetas sentados em esplanadas
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⁠Aviso - Vós que vedes os poetas sentados em esplanadas filhos negros dos ascetas irmãos tristes da idade almas pobres, condenadas, incógnitos, sombrios, p'la cidade, sabei que, a sua magra ilusão seu nostálgico sentido seu pecado sem perdão fruto de árvore, proibido é rasgar o horizonte como encanto e castigo ... Porque é castigo ser Poeta! É ser rei sem ter castelo ser corrida sem ter meta ... Ser pajem, ser aia ou donzela ... Ser poeta é indiferente, é ser louco, é ser belo, pintura negra numa tela. E fechem-lhes as portas ... Não os olhem no olhar ... Não lhes aceitem as demoras ... Seu pensar é nada ... E em nada se resume ... Dizem querer amar, amar ... É mentira, loucura, queixume ... Mas algo tendes de aceitar! Respeitai sempre os novos laivos de poesia que eles trazem no olhar ... Sede prudentes no entanto, e afastai-vos sempre desses goivos, quando algum deles vos fitar!

⁠Eu o Natal e o Tejo - E hoje, aqui, só, frente ao Tejo, nesta noite de Natal, pela madrugada,
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⁠Eu o Natal e o Tejo - E hoje, aqui, só, frente ao Tejo, nesta noite de Natal, pela madrugada, encontro-me na Vida como sempre estive e nela me senti - deserdado! Triste, só e solitário. Sepultado ... Vulto desgarrado, absorto e sombrio, doente desenganado, pela esperança vagueando, escorrido de ilusão, sem mãe nem pai, filho das ervas, do pó dos mortos que morreram, da terra e da angustia cilindrada. Sem Pátria nem família, sem casa nem leito, sem colo onde me acoite ou chão onde pisar. Esta noite é mais longa do que outras. Do que todas! Porque hoje não há nada! Nada! Só eu! Só! Eu, o Tejo, a ponte e o Cristo Rei... Tudo estático, incólume, parado. Menos eu que desabei a última ilusão! Matei a família que inventei. Virei costas à infância. Sou órfão! Sou órfão! Mas quando é que o não fui?! Se calhar no ventre de minha mãe ... e só aí ... Único tempo de aconchego que tive alguma vez. Não dado por ela mas pela sábia natureza ... Haverá em toda a parte famílias reunidas! Haverá braços estendidos, corações quentes, lareiras à arder, sorrisos rasgados ... ... porque é Natal … porque é Natal! Em mim e para mim já não há nada! Nada! Só a Noite deslumbrante e o silêncio dos ausentes. Minha família reunida ... é feliz ... sem mim ... sem mim! Nunca me encaixei no seu destino! Porque o meu nunca foi o seu destino ou o deles foi o meu! Triste desencontro, o nosso ... Não sei de onde sou, não sei afinal quem sou, só sei que não sou dali, que não sou o que eles dizem! Posso não ter nada mas tenho-me a mim, e a Deus, e aos meus versos, e ao meu destino que o deles não será! Por certo! O que já é quanto me baste! Sou livre ... ao menos... E Tu,Tejo das minhas ilusões que hoje me aconchegas, leva este Natal ... afoga-o no mar! Que eu, querendo ser alguma coisa, não fui nada! Só aquilo que nunca pensei ser. Ironias e cansaços ... E já foi muito ... já fui muito! Agora não sou nada ... e já nada quero ser! Só eu! Simplesmente! Assim ... Porque nada ser (e aceita-lo) é poder e querer ser tudo! Mas serei apenas o meu sonho! Já me chega! É ser muito! Ser aqui e ser ali o que nunca irei ser é ser muito ... é ser muito! Não devia ter nascido! Era isso que sonhava! Debalde ... é tarde ... aconteceu! Viverei incumprido para sempre! Fica o sonho e a vontade - num beijo ... A Esperança que me assiste - de pé ... Eu e o Natal - à Beira Tejo ... 24-12-2014 (No jardim da casa do Conde de Monsaraz, virado ao Tejo, na Rua Vitor Cordon ao Chiado em Lisboa … numa estranha, triste mas lúcida noite de Natal ...)

⁠Inesperado - (Revendo alguém a quem amei...) Entrei!
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⁠Inesperado - (Revendo alguém a quem amei...) Entrei! E à margem da esperança estavas tu - sem mim... Alguém a quem amei! Fui ... passei ... Fingi que não notei! Sim. Amanhã talvez já seja tarde. Mas hoje è cedo demais - ainda ... Como te posso perdoar? Esse asilo infame, despojado ao abandono a que me condenaste!!! Eu quero! Mas não posso - ainda ... E cai o muro da nossa Història. E meus dias, breves, fogem pelos dedos, como agora. Esta hora ... Este agora em que também estás, mas que, breve, tão breve, findará ... Fomos breves! Somos breves! Mas é longo este breve exacto ... Dois impossíveis que somos. Sim. Amanhã talvez já seja tarde, mas não esperes, pois nunca pedirei ao teu Amor que me aguarde ...