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Frase de Ricardo Maria Louro

⁠Eu, Évora e a Solidão - É noite … Évora faz silêncio. Caminho-a na penumbra, meio triste, meio esquecido … Sozinho, em direcção, não sei de quê – vou! E vou em vão! Ou não! Talvez vá, bem sei … Mas indo irei eu a parte alguma?! Não sei! A parte incerta irei, por certo! Mas irei … irei … Que os meus cansaços não me turvam, nem me toldam, nem dominam! Irei! Irei! Caminhando pela umbra … vou além … onde não cheguei ou alguém foi. A avenida, o Hospital, carros a passar, um caminho sinuoso por passeio, árvores sem copa, folhas, tantas folhas - secas - pelo chão … que piso! Triste quadro. Minha vida. Pobre vida. Eu, tão grande, “doente”, a pé, só, por caminhos, tristes, sem tectos, caminhando sobre folhas, secas, esperanças fugidias … sou eu! Sou eu! Um ser obsoleto! Alguém que sobra! E é noite, cerrada – madrugada, infeliz. Só eu e nada, Évora e a minha solidão. Eu, meu coração, Évora e este “chão”... E piso a noite, passo, num passar que pisa a solidão. E piso a vida, vou, num ir que parece ser em vão! Mas vou … E nunca, nunca aprendi a existir! Esta dor de fora fáz-me exacto por dentro! Só ela! E isso que vos importa?! Nada! Digam-no! Das mãos de Deus o aceito, de vós o aceitarei, sem reservas ou lamentos, que tudo tem seu jeito! Terá?! Quem sabe?! Tenho que ir … se o quero saber, terei que ir … deixando p'lo caminho os “corpos” de toda gente. E dói-me o meu destino … Não posso esperar por ninguém! Pois não posso estar morto quando a morte vier! Quero que ela mate em mim um vivo! Por isso, vou, e deixo os “mortos” no caminho. Os meus mortos! Que estando vivos, são mortos! Mortos! Meu caminho é por mim, é em mim, por mim fora, de mim a mim … E quem quererá ouvir ou entender este espírito de coragem?! Quem?! Onde?! … Se eu próprio o não entendo! Se eu mesmo o não desvendo e desprezo! E vou … indo … em frente … Sequer olho para traz, que a saudade, rói meu pensamento, transformando coragem de ir, só, em medo, ausência e lamento! Não serei a estátua de sal das escrituras … E não olho … não olho … e vou … e irei … sempre … Em frente! Só! Em frente!

Ricardo Maria Louro

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Pensador.com

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⁠CANTIGA DE ESCÁRNIO E MALDIZER: Quando as tripas te doerem Ou tiveres diarreia O XANAX, é bom saberem, Faz passar, é boa ideia! Na farmácia Malagueira A Crispina ao balcão Dá XANAX p'ra cegueira A quem vem com comixão. Aos jantares de Natal Só lá vão os coitadinhos deixa estar que não faz mal Serão sempre pobrezinhos. Um XANAX, é bom saberem Faz passar a diarreia Quando as tripas te doerem Bota-a-Baixo, é boa ideia.

⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento
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⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento e quanto dói dentro da gente não saber dar tempo ao tempo! Sou como a folha caída que se perdeu do mundo inteiro sou como a flor esquecida em manhã de nevoeiro! A tristeza que me abraça dá mais voz à minha fome sou como tudo o que passa não me chamem pelo nome! Porque esse nome sem carinho foi o destino quem mo deu deixem-me Ser pelo caminho longe desse nome que é meu!

⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem
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⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem Nos espelhos do destino, É um grito sem amarras Um poema sem palavras Que vivemos no caminho. O que trago ou não trago O que canto e dou ao fado Só eu sei o quanto dói, Ver nos olhos de toda a gente O silêncio de quem sente O quanto a vida nos destrói. Visto noites e cansaços No meu corpo, nos teus braços Na distância, o teu olhar, Roda a roda do destino Acendo velas no caminho Numa pressa de te amar. Só há Fado e solidão Esta dor e um coração Nos meus olhos a bailar, E no céu da minha noite Já nem há onde me acoite Tanta estrela sem brilhar.

⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar,
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⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar, Mas essa água que me aperta Não é menos que as águas do mar. Não me lembro de existir dentro de mim Algo maior que a palavra solidão, Algo mais seco que a amargura d'um jardim Plantado junto aos portais do coração. Há uma noite enleada aos desejos de cada um, Um grito, uma metáfora de saudade, Uma vontade de comer que é jejum Que a trazemos desde o berço por piedade. E o que ser para além d'um silêncio sem destino?! Um planeta sem elipse, uma curva, Uma pedra só, pisada no caminho, Um punhal numa fonte de água pura!