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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠meio morto, meio vivo, Amor-perdido, doer calado, sem passado nem presente,
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⁠meio morto, meio vivo, Amor-perdido, doer calado, sem passado nem presente, - ser sofrido! meio aqui, meio nada, Amor-sem, doer confuso, ser distante, esvaziado - de tudo! meio cego, meio tonto, ser que sente fora, meio vazio, abandonado - em luto! Amor-confuso que não entendo, tão louco, tão vencido, repensar pensando, pensamento - louco!

⁠De tanto esperar arrefeci: Olhei em torno da Vida e não te vi, senti que te perdi!
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⁠De tanto esperar arrefeci: Olhei em torno da Vida e não te vi, senti que te perdi! Corri, chorei, sofri ... De tanto olhar ceguei: Esperei perdido onde não sei que o tempo parou em teu retrato onde também eu parei. De tanto Amar morri: Chegaste, gritaste ... mas já não ouvi. Era tarde! Estava longe, tão longe que nem te vi ... Ficou o beijo que me deste e que trouxe em minha mão. Talvez tivesse esperado mais se conhecesse bem teu Coração!

⁠Morte das Ilusões - Silêncio! Calem-se as vozes! Perfilem vossos corpos
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⁠Morte das Ilusões - Silêncio! Calem-se as vozes! Perfilem vossos corpos façam silêncio ... "chora" a ilusão! "Acendam cirios que passa a minha dor!" Dor-de-Amor nascida de esperanças vãs num bulício de esperas infinitas! Ilusão que gera ilusões de ilusões prisioneiras na teia obliqua de um Coração "frio". Projecção limite sem limite de um "vazio" interior... Teia solitária, ofensiva, defensiva, precária ... nascida do efémero, iludida no Eterno, reduzida ao banal. Teia por mim tecida onde a "presa mortal" sou Eu. Assim é a dor que "promove" a morte das ilusões. Dor que "arrefece" a paixão que projecta no outro uma ilusão de absoluto. Não é Amor, é desejo, isso que manipula! O desejo não Ama, possui! Desejar o Amor e não Amar o desejo é a percepção final da dor-de-"desamor" nascida da ilusão precária de querer "agarrar" alguém a quem se "perde". Alguém que vai e não vem, alguém que vai e não torna! Apaguem os cirios! A ilusão morreu! A dor já não é dor, é Consciência ... E a Consciência de "desamor" é a percepção final de que o Amor Renasce na iluminação de cada dor!

⁠Nos românticos Poetas a Lua perpetua Amar, Amar de Terra em Terra,
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⁠Nos românticos Poetas a Lua perpetua Amar, Amar de Terra em Terra, Amar, Amar de Rua em Rua ... E na loucura da Noite esse Amor abrevia até ao Nascer do Sol, até ao romper do Dia. Lua Pálida que vai tão alta nas raias da morte, frígida ou cálida nas asas da solidão, de face livida seráfica, esquálida, perdida que se esmalta e recorta num infinito tão finito, na imensidão do Coração! Lua funda tão profunda que m'inebria de Poesia, rara calma suavidade que meus lábios acarinha ... Toma minha Alma tão sozinha, será tua, sempre tua, sê tu minha, sempre minha, Pálida Lua!

⁠ Verbo Amar - EU AMO o que tu és expresso p'lo teu corpo,
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⁠ Verbo Amar - EU AMO o que tu és expresso p'lo teu corpo, nascido da tua Alma... TU AMAS o mundo naquilo que ele é fugindo de nós ... ELE AMA o que tu não és, quando estando tão perto está tão longe de ti. NÓS AMAMOS, quando juntos, envolvidos, nos tocamos, entregamos, ...instante... apenas isso ... breve instante! VÓS AMAIS somente, o que separados nós não somos, quando longe nos situamos... ELES AMAM sem sonhar o desejo que os possui, apenas querem outros corpos não nos sabem AMAR! Quem sabe um dia, se aprenderei a conjugar de forma mais Feliz a Profundidade do Verbo AMAR

⁠Alentejo - P'los prados verdejantes do meu Alentejo
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⁠Alentejo - P'los prados verdejantes do meu Alentejo há rebanhos de solidão que pastam horas solenes, guiados p'lo cajado, conduzidos ao bordão: campos-de-silêncio de lirios pintados de roxo adornados nas telas do Coração! Oh Ceifeira do monte! ... Ceifas ao relento ceifas à calma, deixa que te conte, ouve este canto, leva as minhas penas a Saudade e o pranto! E quando à sombra do montado enfim descanso minhas culpas, repouso meus pecados, agradeço ao Universo e deixo ali um Beijo: serás sempre tão meu, meu-doce-Alentejo!

O Engano da morte - ⁠Certa vez, aprouve à morte dizer por aí,
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O Engano da morte - ⁠Certa vez, aprouve à morte dizer por aí, ainda sem morte ser, que sem morte a Vida seria sem Sentido! E quando Deus assim o quis, chamou a Vida e a morte para lhes dar suas tarefas ... A Criação estava prestes a Nascer!!! E quando eleitos foram seus cargos, a morte que antes de ser morte já vinha de Escorpião, do submundo de Plutão, aceitou o cargo com uma condição. E falou: "Aceitarei tal tarefa se fizerdes que o meu acto traga sempre um motivo!" E assim foi, a morte aceitou ser morte por trazer sempre arreigada uma desculpa, um mote! Mas Deus, Omnisciente, incutiu uma clausula que ninguém viu: "Não há Vida sem morte, porém, não haverá morte sem Nova Vida!" E assim, a Vida prevaleceu sobre a morte! E a morte, eternamente "condenada" a Renascer numa Nova Vida ...

⁠Évora (Cidade onde Nasci) Évora! Cidade onde nasci e onde minh'Alma pereceu.
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⁠Évora (Cidade onde Nasci) Évora! Cidade onde nasci e onde minh'Alma pereceu. Terra de palavras agudas e olhos que culpam onde meu Coração se perdeu. Évora! Ruas negras, escuras, escusas sem nada ... de calçadas incertas e vozes caladas que tanto sentiram o penar dos meus passos. Terra de pedras e punhais, de farpas e de foices onde sinto ainda o peso da solidão! E só à noite, quando os Credos recolhem e os Ecos se calam...aí Sim!... Évora... posso ver o teu olhar, o teu encanto, o teu perfil! Não era tua a voz que gritava, eram as vozes das gentes, empedernidas, austeras! Ah Évora, como é bom ter-te na noite, no silêncio do teu olhar, no sussurro das tuas águas, no calor das tuas ruas, nas Brumas da tua Alma! Oh Évora, encanto dos meus olhos que embala os meus sentidos...caminho-te... meu berço de Paz na quietude criança... e se um dia partir, sei! Levarei em meu regaço tua Alma, teu jeito de Flôr Bela, teu olhar de menina e moça num mês de Abril!

⁠Encanto - Tu pensas meu Amor que Eu não sei o que tu sentes
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⁠Encanto - Tu pensas meu Amor que Eu não sei o que tu sentes quando os olhos Teus tocam nos Meus ... a que engano te entregas! Sei que sentes as noites-de-Luar em que me afogo quando não estas ... Sei que ouves no silêncio palavras, barcos perdidos, ancorados no cais da Saudade ... Sei que olhas o mar e me embalas nu! Meu berço de aromas, sanguíneos, lilazes de odores perdidos na bruma. Tu pensas meu Amor que Eu não sei o que tu sentes quando os olhos Teus não tocam já nos Meus ... a que engano te entregas, a que fantasia te despojas! Sei que não me vês nesse espelho em que te olhas ... Sei que queres o meu corpo e que o desejas com fervor nas noites de breu em que te deitas ... Sei que em Ti a noite não torna ao Dia nem o Dia sai da noite ... ... e que o efémero fez de nós Eterno, ainda que distante, louco, ofegante, tão pouco ... mas Intemporal! Óh meu Amor! Tu pensas que Eu não sei ... A que engano te entregas, a que fantasia te despojas, a que mentira tu te inclinas ... torna! Não deixes que o nosso Reencontro venha tarde!

⁠Nevoeiro dos Sentidos - Os mortos dos meus mortos trago nos sentidos,
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⁠Nevoeiro dos Sentidos - Os mortos dos meus mortos trago nos sentidos, num berço de saudade os trago adormecidos. Ai,saudade efemera sem paz que vive em mim pobre mortal de Deus nascido! Minh'Alma sepultada neste espesso nevoeiro adormece os mortos no frio dos meus sentidos, mas se acordado os sinto adormecidos, despertam depois quando adormeço. E em cada noite que me deito liberto-me da matéria, abraço-os, recordo-os... Esvai-se o nevoeiro espesso e numa imensidão aerea sonho, acordo e adormeço. "quasi madrugada" Sinto-me um TODO enquanto Alma singular quando atinjo o além-forma. É o extase total desta minha Humana existência...

⁠A outra Face da Vida - A Morte não existe, somos Seres Imortais ...
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⁠A outra Face da Vida - A Morte não existe, somos Seres Imortais ... Estamos vivos desde Sempre e viveremos para sempre! Fazemos parte de um Sistema Vivo que Eternamente se Recicla ... Somos Seres Reencarnantes, a parte Humana de Deus que habita a Eternidade. A Consciência de "não-Morte" é a percepção de que a Morte é a outra Face da Vida. Somos Almas e não corpos!

Hora Vil - ⁠Vai alta a madrugada no raiar da solidão
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Hora Vil - ⁠Vai alta a madrugada no raiar da solidão batem tristes badaladas no meu pobre Coração ... Dobram sinos cansados da minha desilusão, horas mortas, veladas guardadas num caixão. Tumba em que me deito leito que não mereço Alma sem jeito Sonho em que pereço. Nada mais me resta nesta hora vil, poiso a pena de Poeta, choro e adormeço!

Louro - ⁠Sobre um ramo de Loureiro floresceu meu Coração, nasceu densa, obscura, minh'Alma inspirada ...
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Louro - ⁠Sobre um ramo de Loureiro floresceu meu Coração, nasceu densa, obscura, minh'Alma inspirada ... Fiquei longe, na lonjura ... pena-de-Poeta, linhagem d'oiro, geração desprezada! Depois, gritei distante, fiquei a sós e escutei ao longe, o Nome de meu Avô! Ao ouvi-lo, escaldou-me o sangue na voz por também Ser "LOURO", por lembrar que o Sou! "Nobre-LOURO", teara-de-Poeta! Raiz funda no mais fundo do meu Ser, coroa-do-heroi, meu punho d'Asceta! Não chorem por mim se Eu morrer! Irei "coroado-de-Louros": nasci distante, cresci na dor, "morri Poeta!" Minha Vida foi toda um bem-querer! DISSE UM DIA O ORÁCULO DE KUNIAM SOBRE MIM: 23) "Subindo ao Loureiro" " Se ascenderes ao palácio da Lua, atravessando Loureiros, não penses se o portal celeste te será aberto ou não,espera, de todos os lados chegarão boas notícias, e no topo da montanha desabrocharão sorrisos como flores ..."

ÉVORA - ⁠Ir à Descoberta de Évora é ensinar a todos os interessados, mais ou menos conhecedores da cidade, que olhem para Évora com outros olhos, que descubram nas actuais pedrarias, ruas e edificios quem, como nós, a já habitou, viveu e construiu. Outros Tempos, outras Eras, ou…
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ÉVORA - ⁠Ir à Descoberta de Évora é ensinar a todos os interessados, mais ou menos conhecedores da cidade, que olhem para Évora com outros olhos, que descubram nas actuais pedrarias, ruas e edificios quem, como nós, a já habitou, viveu e construiu. Outros Tempos, outras Eras, outras Idades, tudo ainda subjacente ao aqui e ao agora que vivemos. Pormenores que desvendam épocas agora encobertas pela actual modernidade mas tão presentes ainda. Virgilio Ferreira que a habitou escreveu certa vez: "Évora é uma cidade branca como uma capela. As veredas dos campos convergem para ela como os rastos de esperança dos Homens. E, tal como uma capela, Évora é habitada pelo silêncio dos séculos e dos campos que a envolvem ..." Por sua vez, Florbela Espanca descreveu-a nos seus sonetos como "(...) Ruas ermas sob os Céus cor de violetas roxas ... ruas frades pedindo em triste penitência a Deus que nos perdoe as miseras vaidades." Cecilia Meirelles, poetisa Brasileira que certa vez a visitou, chamou-lhe Évora Branca e disse que sentia "como se o escultor tivesse querido imortaliza-la. Porque há em Évora um silêncio de cetim, franzido apenas de repente pelo fernesim dos pombos, pelo frémito da água esverdeada ... amo a sobriedade gráfica das suas muralhas que caminham para longe como o dorso eriçado de um animal ante-diluviano, e as torres quadradas, e os parapeitos sobre os arcos, e o vulto maciço dos palácios ... tudo tem uma grandeza, uma dignidade que o cimento armado, a meus olhos, não consegue ter ..." Miguel Torga cita-a: "Não tenho nas minhas veias, nem o templo de Diana, nem a praça do Geraldo, nem a brancura redonda da água das tuas fontes..." Em Évora Romântica Ricardo Louro escreveu: E vejo o Templo, a Sé, em longas margens de sossego, na serenidade dos heróis, na tristeza das fachadas, na dolência dos jardins, na quietade dos olhares, na plenitude das gentes, que, pela vida, agora, tantos anos volvidos, ainda vão passando, serenas, imutáveis, imberbes! Venha ao encontro de Évora onde tanta vida se já viveu, tanta vida se vive agora e tanta há ainda por viver.

⁠Aqui - Aqui encostado à madrugada
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⁠Aqui - Aqui encostado à madrugada e ao silêncio todo o meu ser se encontra nú cheio de brocados cheio de sonhos cheio de abismos e nostalgias! Aqui frente a frente com o mar não sei o que me espera nem tampouco se viverei perdi-me da infância perdi a juventude mas a vida ainda está Aqui!

⁠Estrelas no Olhar - Trazia estrelas no olhar as esquinas de cada rua
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⁠Estrelas no Olhar - Trazia estrelas no olhar as esquinas de cada rua os cantos de cada Alma e ninguém podia imaginar que um dia seria sua a alegria, a paz e a calma! E tanta vida por viver nas teias que o destino dá ... Na verdade de cada gesto há sempre tanto por saber vá cada um por onde vá num silêncio manifesto! E chega de viver a vida como barcos ancorados cheios de noite e solidão essa mágoa concebida dos nossos antepassados deve sair do coração! Que a vida gasta e sombria imóvel e cansada incapaz de amar alguém vaga, triste e vazia vento sobre água parada nunca serviu para ninguém.

⁠- AVES PARADAS - Aves paradas numa tarde que voa oblíqua madrugada cheia de mãos vazias
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⁠- AVES PARADAS - Aves paradas numa tarde que voa oblíqua madrugada cheia de mãos vazias silêncio que em meus lábios canta e ressoa tudo fechado naquilo que dizias! Tudo parado cheio de dor e espanto a vida passando num dobrar de engano na aridez do deserto, num mudo canto, hora a hora, dia a dia, ano a ano! E as forças de uma ausência revelada geraram frutos para as mãos vazias gemendo sob uma lágrima chorada ... E a nós, desembarcados, nús ... maldizias: não somos mais do que aves paradas na tarde que passa voando de mãos vazias!