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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Olhos aos Céus - Ergue teus olhos aos Céus, Poeta, se vives adormecido na imensidão da Vida,
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⁠Olhos aos Céus - Ergue teus olhos aos Céus, Poeta, se vives adormecido na imensidão da Vida, deita teu olhar no firmamento, e nele, deleita tua Alma enternecida! Deixa divagar teu pensamento em calha de Terra Prometida, e se tua Fé se perde, nesse momento, sente que essa Terra é a Alma enaltecida. Então, a luta, a ilusão, a dor de cada passo, quer subas, quer desças teu Calvário, é amparada por um braço ... Será Deus que te envolve num abraço sepultando a Cruz que tua Vida encerra?! Talvez! Então, ergue-te Poeta, transcende a ilusão do espaço!

Passado velho - ⁠Se olhar o Passado não há boa-memória!
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Passado velho - ⁠Se olhar o Passado não há boa-memória! Não há sorrisos luminosos ou palavras amorosas, só cadáveres, corpos mortos! Ilusões, tantas ilusões ... ... porque os mortos arrefecem depressa! Se olhar o Passado, não há dia só há noites, não há fogo só há águas! Águas-turvas, águas-frias ... ... negras-lagoas-de-dor! Se olhar o Passado, esse Passado, frio-Passado, lastro-de-memória bifurcada, só há amargura-aos-molhos ou fardos-de-desespero! Fardos, tantos fardos, esses fardos, pesados fardos em secos campos... É aí que a morte lentamente nos possui, sem alardes nem bulício, nesses campos, solitários, tão quentes, tão gelados! Esses campos ... os campos da Infância ...

⁠Interrogação - Percorrem-me ainda no sangue-dos-sentidos
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⁠Interrogação - Percorrem-me ainda no sangue-dos-sentidos células-de-solidão. Cavalgam-me medos, lentas e poderosas dores ... ... agonias ... Todas as veias do corpo se me entopem de lamentos! Sinto-me ainda desgarrado, distante de um porto de abrigo onde a face-de-Deus como límpida água sacia qualquer sede, liberta toda a dor. Onde, neste Universo tão dual, poderei Eu encontrar a verdadeira Natureza do Coração-de-Deus?! Onde?!

⁠Morte: a Grande aventura - As pessoas esquecem-se de relacionar a morte com o sono. A morte, afinal, é apenas um intervalo mais longo na Vida em actividade no plano fisico. O Homem apenas faz uma "viagem ao exterior"
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⁠Morte: a Grande aventura - As pessoas esquecem-se de relacionar a morte com o sono. A morte, afinal, é apenas um intervalo mais longo na Vida em actividade no plano fisico. O Homem apenas faz uma "viagem ao exterior" por um período mais longo de Tempo. Assim, a morte pode ser vista como a experiência que nos liberta da ilusão da forma. Ela é apenas um interlúdio numa Vida de experiência constantemente acumulada que marca uma trânsição definida de um estado de Consciência para outro. A Obra de Integração, o Acto de Eliminação e a Arte de Restituição são os 3 Processos da morte! A isto o Homem chama morte e a Alma chama Vida! O Renascimento é a "nota-chave" da Natureza: a morte é apenas a "antecâmara" da Ressureição ...* *(retirado e compilado por mim, do livro, "morte: a grande aventura", de Alice Bailey inspirada pelo Mestre Tibetano Djwhal Khul) Nascemos para morrer, morremos para Renascer! Eis o Sentido da Vida ... Vida e morte são um Todo em que estamos imersos, condição de nascença. Ter consciência sobre a morte é perceber que a morte é a outra face da Vida! O mesmo caminho o caminho da Evolução ... O norte da bússola que nos rege, o mote do poema que vivemos, a orientação do destino que traçamos, passos que damos em direcção ao futuro ... Morte e Vida, Vida e morte são dois movimentos opostos que se completam e nos impelem a um novo movimento. Mudança, mutação, transformação, sempre no sentido da Evolução. E evolução é Vida, Vida que gera nova Vida. Morrer é ir à dimensão mais profunda do Ser. O ciclo mais intimo, mais intenso e oculto dos ciclos da Vida. Dimensão que nos leva a mergulhar nos poços mais profundos e abissais das nossas noites interiores. Noites que nos habitam, noites que nos toldam o Ser ... Noites que desencadeiam enfim novas madrugadas interiores. E ante a purga do velho e obsoleto se nos oferecem um Novo Dia, um novo Sol, um novo azul do Céu. Morte é Vida. Nascemos para morrer e morremos para Renascer, uma, duas, muitas vezes, numa eterna e profunda Espiral de integração. E eis o Sentido da Vida! Sentido que só tem sentido quando se morre e renasce para se tornar a morrer e em seguida Renascer e assim eternamente! Nascer, morrer e Renascer! O Eterno ciclo da Vida! Movimento que gera Deus. Esse Deus que Somos e nos habita! Eterno movimento, movimento perpetuo que gera a verdadeira Vida. Vida que nasce da morte, morte que sempre leva a uma Nova Vida! A morte como fim não existe! Morrer é adormecer! Adormecer nos braços da morte é voar no regaço do anjo que nos levará a Deus. Roda que nos roda num Eterno movimento. Estrutura sem estrutura cuja única estrutura é o imperceptível, o intocável... Geometria harmoniosa, perfeita, inquebrável. Ciclo que se sucede numa imensa respiração sem impasse. Puro movimento! Puro porque nunca mata a Vida, puro porque sempre dá vida à morte. Movimento de Deus. Nascer, morrer e Renascer é Deus em movimento! Porque hão-de os outros a quem amamos estar fora dos nossos pensamentos? Só por estarem fora da nossa vista, longe do nosso toque?! Básica e instintiva percepção de seres que se afirmam pelos corpos que possuem, longe das Almas que os precedem! É bom morrer e Renascer a cada segundo de Vida. E-se mais consciente de Deus em nós mais lucidos de Deus nos outros! E há la beleza mais intensa e profunda do que sentir Deus em nós, vê-lo em cada Ser do Universo?! A morte nada mais é do que uma porta oculta de passagem do inconsciente à consciência, das trevas para a Luz, do básico e instintivo ao equilibrado e metafisico. Aceitem a morte porque aceitar a morte é viver bem a Vida ...

Desencontro - ⁠Caminhava pela rua lentamente sentindo pelo ar muitos cheiros,
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Desencontro - ⁠Caminhava pela rua lentamente sentindo pelo ar muitos cheiros, quando vi o teu andar tão indiferente que mal assentava os pés ligeiros! Caía chuva fria do Céu triste, entravas imponente na Igreja, viraste o rosto mal me viste, ainda assim, Deus te proteja! E Eu, um Poeta quente a quem seduzem rimas estranhas, sem razão, recordei as tristes palavras que dizem "... talhas com teu machado as tábuas do meu caixão!" Procurava a rima certa, bem intensa, p'ra findar meus versos com Amor, ficou o desencontro da tua indiferença na minha lista de pobre pecador!

⁠Corpos sem Amor - De que vale tocarem-se os corpos se as Almas não se encontram?!
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⁠Corpos sem Amor - De que vale tocarem-se os corpos se as Almas não se encontram?! Suspense! Vazio! Nada mais ... Corpos sujos de cinza, apenas pó, nada fica em seguida ... Teia tecida por mãos frias, sem Alma, palavras vãs! Espasmos-de-quimera! E o Fogo? Esse que o Amor ateia num rastilho de Águas-fundas? Onde?! É apenas fricção, desejo ainda não contido que arde em pólvora seca que rápida e obstinadamente se consome. Fica o pó, o nada, a cinza desse instante! Vazio solitário, sem pontas, memória pejada de melancolia, que desterra o Coração, que enterra a emoção. Uma imensa solidão!!! Dor funda, punhais cravados, dedos de um Alguém que nos percorre o corpo e parte! E para onde parte? Parte simplesmente! Tristeza imensa fica numa Alma sem pertença que vai e busca ternura noutros corpos. Que erro tão errado! Que fria ilusão! Lamento alucinado em Espiral de fantasia numa busca noutros corpos que só sabem a madrugada. Sabem a pouco! Sabem a nada! Porque o dia sempre chega! A noite sempre finda... O encanto sempre termina... A magia sempre acaba … Ali faltava o Coração! Espaço Esse onde os olhos se entrelaçam, onde se fundem Emoções ... Saudade! Tão imensa, tão intensa que sempre acaba em nostalgia de orações!

Quem és tu? - ⁠Quem és Tu que te aproximas pé-ante-pé caminhando sobre as águas do mar
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Quem és tu? - ⁠Quem és Tu que te aproximas pé-ante-pé caminhando sobre as águas do mar no rumor das ondas turbulentas?! Quem és Tu que, quando passas, exala um balsamo de Rosas em languida noite de luar?! Quem És?! Quem És Tu a quem tenho um medo desmedido de encarar, uma culpa intensa de perder, sem ter, uma furia imensa por sentir?! Será que amo sem te ver?!! Estou louco! Sou louco! Um louco mais louco que um louco ... Um louco que foge de te amar porque já te ama sem poder fugir ... E Tu? Quem serás Tu?!

⁠Portugal: o Mito e o Destino - E a cruz ao alto erguida, lá, onde a terra acaba e o mar começa,
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⁠Portugal: o Mito e o Destino - E a cruz ao alto erguida, lá, onde a terra acaba e o mar começa, desperta em mim a memória das naus ... Essa longinqua quimera, saudosa Epopeia, Sonho mais alto! O nosso Sonho! Escalda-me então o sangue nas veias, bate-me o coração a compasso desmedido, minha'Alma levanta voo, parte em direcção ao infinito ... Busca outro chão, outros Povos, outras Raças, outro Deus! Mas não vejo a Cruz! Os barcos perderam-na! E as quilhas?! Onde?!! Perdeu-se também o sonho, desfez-se também o Mito, sepultaram-se Poetas e visionários ... E a Alma Portuguesa recolheu! Onde?! Onde?! E Eu?! Que farei agora Eu sem Deus?! ... (No cabo da Roca) As velas sem cruz são a modernidade. O discurso político deixa de ser religioso (sem cristo e sem cruz) e passa a ser económico a partir da Guerra dos Trinta Anos - a partir da Paz de Vestefália ... A confusão entre economia e política fez com que todas as guerras, depois de 1648, tenham sido económicas. Esta, a do século XXI, é isso mesmo: uma guerra económica e monetária. E só deixaremos este ciclo quando separarmos a política da economia. Ou seja, voltarmos a Cristo! Um Embaixador para a Economia da Alma... (Analise de um amigo Economista)

Procissão dos passos - ⁠Do Espirito Santo sai a Procissão, o povo triste vai calado,
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Procissão dos passos - ⁠Do Espirito Santo sai a Procissão, o povo triste vai calado, calado e triste em cortejo ordenado, triste calado, Nosso Senhor ensanguentado! Entardecer de sombras vacilantes que caminham p'la cidade sem vacilar, de negro vestir os magoados caminhantes avançam entre a luz crepuscular. A banda toca com empenho, desce o palio carmesim sobre o Bispo, nas ruas o espanto do que é visto, o Prelado leva o Santo Lenho! Adiante os Martírios do Senhor, em seguida as Aias de braçadeira roxa, nas alas os fiéis num só clamor choram, pedem, rezam com fervor ... E onde irá Jesus nestes passos do caminho?! É imensa a sua Cruz, seu manto roxo de arminho! Na Praça do Encontro está a Senhora de rastos, encontra Cristo num tal estado que seu Coração fica trespassado! E segue a Procissão! Passos ordenados e inteiros p'las ruas d'Évora amargurada, marcha o séquito, intimo, calado, até ao momento derradeiro... (À penitencial Procissão de Nosso Senhor Jesus dos Passos realizada pela real Confraria dos Passos da muy nobre e sempre leal cidade de Évora...)

⁠Suprema Ângustia - Sinto que ausência é falta, lástima, vazio,
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⁠Suprema Ângustia - Sinto que ausência é falta, lástima, vazio, solidão aconchegada! Sinto que morte é nada, e que nada é saudade, angustia, silêncio e nostalgia! E nada falta na ausência, só o que não dói! E o que dói sempre está em mim, tão presente na ausência num nada que não tem fim ... Mas se o vazio fosse nada não teria escrito estes versos! Porque estes versos estavam contidos na nostalgia do nada que há em mim. E sempre fico num vazio poético de intima ternura, intensa espera que m'aglutina os sentidos ... E sou ferida fera que consome aos poucos em fria espera tantos Poemas perdidos ... (Sobre as angustias que nos povoam os sentidos da Alma ...)

⁠Vida mais Além - Quando a morte chegou, impávida, serena ... gelou-se-me
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⁠Vida mais Além - Quando a morte chegou, impávida, serena ... gelou-se-me o sangue nas veias ... E na eternidade desse instante, mais alto que todos os instantes, mais profundo que todas as dores, peguei-te na mão, não deixei que partisses! Chorei nesse instante, chorei de loucura! Chorei ... chorei ... chorei perdidamente porque pequei! Mas tu partiste como quem sente que a Vida é mais além!

⁠Pranto à Morte de Cristo - Não haverá quem chore dor mais funda ou maior
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⁠Pranto à Morte de Cristo - Não haverá quem chore dor mais funda ou maior do que as contas do Rozário choradas por Maria a caminho do Calvário! Vêde, ó gente inclemente, gente pobre que não sente esta Alma Divina, ela arrasta por Terra o que só o Amor ensina. Olhai a mantilha de Maria e vêde vós o que eu não via, o branco já não é branco, é vermelho cor-de-sangue, tanta dor, amargura e agonia. Onde'ides pecadores?! Segui Cristo sem pudores, segui Maria com ternura nesta dura caminhada onde cada passo é desventura. Ó Senhor que tormentos que dura caminhada: Mais pura que o Cristal é a vossa Santa Face que na mão dos Judeus foi como se quebrasse! E o vosso olhar Divino raso de lágrimas amargas, são as lágrimas do Mundo que carregas como Chagas! É o peso da Cruz aos meus pequenos ombros é o peso do mundo que me atira aos escombros! E aquela mulher, que pena! Quem é ela que tanto chora?! Não é Maria tua Mãe? Não, é Maria Madalena. E essa outra da toalha que vos foi a limpar?! Ela correu para vós ao ver-vos a chorar! Guardiã da minha Face é a jovem do Sudário, deixo-lha estampada a caminho do Calvário! E lá vai Cristo ensanguentado, cuspido, caido e julgado pela Rua d'amargura! Ó Homens que maldade, não tendes ternura? Senti a dor desses Passos, tende Piedade! E quando Deus rompeu o Céu o Templo rasgou o véu, nasceu o Graal! E da veste dos Fariseus coberta de sangue nasceu este Pranto no Seio de Portugal!!!

⁠Insónias Conscientes - Trago no meu peito a imagem de mil espaços a dor do paladar que a Vida deu,
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⁠Insónias Conscientes - Trago no meu peito a imagem de mil espaços a dor do paladar que a Vida deu, sinto-os em mim num só abraço e tudo o que de mim por lá morreu! Julguei que eram seguros os meus passos e que o firmamento era só meu, caminhei nessa ilusão dos meus cansaços verguei, caí, rasguei um denso véu! De monsaraz fui mais além, além ond'esses nunca chegarão, e tudo o que lá vivi, ocorreu para meu bem ... Minha Vida é hoje um de repente cheia de insónias conscientes que monsaraz ainda não sente.

⁠Clarissa foi à Fonte - I Clarissa foi à Fonte
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⁠Clarissa foi à Fonte - I Clarissa foi à Fonte levou na mão a cantarinha, nasceram lírios pelo monte nos passos que deu sozinha! Clarissa foi à Fonte, vai e vem à Fonte de manhãzinha ... II No regresso p'lo caminho colheu os lirios que plantou, pôs um passaro no ninho rezou um Padre-nosso e chorou! Clarissa foi à Fonte, vai e vem à Fonte procurando quem amou ... III Encheu a jarra da capela com os lirios roxos da estrada, seus passos adornam a capela do Altar da Senhô, d'Orada! Clarissa foi à Fonte, vai e vem à Fonte com um balde de lata ... IV Matou a sede dos canteiros cobertos de rosas e açucenas, a dos cravos com seus cheiros, a dos gladiolos mais amena! Clarissa foi à Fonte, vai e vem à Fonte afogar as suas Penas ... V É da Fonte das Zurreiras que vem a água de Clarissa, não é água turva de beiras nem água benta de missa! Clarissa foi à Fonte, vai e vem à Fonte cantando o Fado da Adiça ... VI Já se sabe nas aldeias que Clarissa vai ao poço, vai à Fonte das zurreiras palmilhando o mesmo troço! Clarissa foi à Fonte, vai e vem à Fonte em procura do seu moço... (Dedico estes versos às idas que fiz à Fonte das Zurreiras em miudo com a avó Clarisse no Outeiro, monsaraz, um doce tempo que já lá vai ...)

⁠Esquecimento - E quando eu morrer?! Que ocorrerá quando eu partir?!
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⁠Esquecimento - E quando eu morrer?! Que ocorrerá quando eu partir?! Bem sei!!! Ficarão vossas bocas caladas porque nunca me sentiram! Vossos olhos cerrados porque nunca me viram! Os muitos que me odiaram, os poucos que me acolheram, aqueles que nunca vi e até os que perdi, todos estes e tantos outros, nunca mais de mim alguém se lembrará ... Porém, deixarei algures este Poema onde minh'Alma ficará!

⁠De Repente - De repente surgiu um gesto, ouviu-se um grito, soprou o vento ...
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⁠De Repente - De repente surgiu um gesto, ouviu-se um grito, soprou o vento ... E num ápice, correu veloz o Tempo e fiquei sem saber se presto! De repente, o Céu azul escureceu, meu olhar ficou velado, marejado, nasceu o medo, e o teu Amor, calado, deixou meu Coração, que se perdeu! De repente, ficámos a sós, sem nos ver, perderam-se as aves, morreram as flores, findou a Primavera, ficámos sem nos ter. De repente, foi nesse de repente, nesse tão frio e duro de repente que tudo ocorreu, onde o Ser já nada sente ...

⁠Soneto à Morte do Conde Orgaz - Lá longe, mais além, onde não vejo ninguém, existe um préstito funéreo
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⁠Soneto à Morte do Conde Orgaz - Lá longe, mais além, onde não vejo ninguém, existe um préstito funéreo a que minh'Alma se prende, porque contém, um profundo olhar etéreo ... Vão muitos a sepultar, entre lúgubres caminhos, D. Gonzallo de Tolledo, Senhor da Vila de Orgaz. "Óh morte, quando é que também me vestes...?" Assim diz, o Poeta-Conde, Senhor da vila de Monsaraz! E em hora derradeira ouve-se uma voz sem Paz: Não há ninguém que me conforte, oiço ainda o Vento chorar trágico e forte! E tanta gente se vê nos funebres chorões do seu caminho a abrir com lágrimas de morte, um qualquer destino, para aquele que foi outrora o Conde de Orgaz! (Soneto que nasce da belissima Tela do Pintor El Greco em que o tema principal é a morte e enterro do Conde Orgaz.)

Lisboa Oculta - ⁠Caminhei p'la noite no silêncio da Cidade oculta adormecida!
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Lisboa Oculta - ⁠Caminhei p'la noite no silêncio da Cidade oculta adormecida! Lisboa sonhava com o Tejo, e na Mouraria, um fadista, cantava ainda à dor da despedida. Ouviu-se então o rumor dos passos d'um Poeta que também chorava a desventura do Amor ... Ninguém passava!A noite velava! Ninguém estava! Só eu restava! E depois de muito ter andado, reparei então, que a Cidade adormecia oculta sob o Tejo abraçados num só Leito ... Óh Lisboa, o Tejo, será sempre teu Amado!

⁠Palavras: Exilio dos Poetas - Quando da Pátria que somos, nunca fomos, despatriados,
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⁠Palavras: Exilio dos Poetas - Quando da Pátria que somos, nunca fomos, despatriados, exilados no silêncio das Palavras, Palavras nunca ditas mas escritas, sentidas, vivemos na renúncia de famílias sem voz ... E por lá, distante das raizes que nunca fomos, até a rima das palavras nos engole nesse exílio! E as gentes, grades ambulantes que nos cercam! E fico só, porque só eu fico, só eu me resto, só eu me vejo!

⁠No Martinho da Arcada - Sentado no Martinho d'Arcada, vejo passear-me entre os arcos
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⁠No Martinho da Arcada - Sentado no Martinho d'Arcada, vejo passear-me entre os arcos do Terreiro... Fantasmas, Seres do meu Passado! E fico calado! Não quero que me vejam ... Para que passem! Já os fui, não serei mais! Que passem ... passem ... e passem! Ao largo, bem ao largo, se afastem ... ... e passem ... longe, bem longe... ... que passem ...

⁠Novo Amanhecer - Que Astro se alevanta neste Céu tão fecundo?! Que vontade tão forte, ansiosa,
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⁠Novo Amanhecer - Que Astro se alevanta neste Céu tão fecundo?! Que vontade tão forte, ansiosa, será esta d'iluminr o Mundo?! ... Vida, fulgor, Consciência luminosa ... Ergue-se Glorioso o Olho do Divino, rasga a sombra que cercou Cristo, essa Cruz que é destino, traz um Novo-Céu, Nova-Esperança, o dia já visto ... E essa umbra tão profunda que é a morte foi por fim um caminho que iniciou o Ser numa Nova-Sorte ... E fica o corpo entre Cipestres num repouso final e o Ser Renasce à Luz d'um Novo-Sol sem falsas Vestes!

⁠A Rainha Morreu - A Rainha morreu! Por Londres nevoeiro ...
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⁠A Rainha Morreu - A Rainha morreu! Por Londres nevoeiro ... Trombetas no Céu o momento é derradeiro. No Seu Leito Real a Rainha morreu nessa hora final deu-se em tudo o que deu. E caem do Céu estrelas uma a uma a Rainha morreu desvaneceu-se na bruma ... Ficou pelo Mundo um silêncio tão seu um vazio profundo a Rainha morreu! (Im memoriam de Sua Majestadade a Rainha Isabel II de Inglaterra - R.I.P.)