Quando a Luz do Sol ilumina a Face de Maria; Maria Ilumina os corações
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Quando a Luz do Sol ilumina a Face de Maria; Maria Ilumina os corações dos Homens! Porque só Ela é a Luz do Novo amanhecer!
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Quando a Luz do Sol ilumina a Face de Maria; Maria Ilumina os corações
Quando a Luz do Sol ilumina a Face de Maria; Maria Ilumina os corações dos Homens! Porque só Ela é a Luz do Novo amanhecer!
Um Gin apenas - Porque serão as noites tão sombrias quando não estás em mim?!
Um Gin apenas - Porque serão as noites tão sombrias quando não estás em mim?! Porque serão os dias tão claros?! Os Mares tão fundos?! As gentes tão normais?! Tudo passa tão igual, tão intenso, tão discreto! Mas nada é igual ... Não te vejo. Não te sinto. Não te encontro. Porque não estas aqui?! És um Gin - apenas! Este Gin! Um pobre Gin ... Mas nada é igual! Nada! E onde estarás tu nesta noite tão fria?!... És um Gin ... um Gin apenas ... ... um pobre Gin ...
Perdão - Quando passaram todos e quedou silêncio sobrou a raiz da noite onde só é presente
Perdão - Quando passaram todos e quedou silêncio sobrou a raiz da noite onde só é presente o que sabemos vão! E eis que quando a dor já de ninguém se esconde, tudo na Vida é contradição. Senhor, Senhor que nos foi dado Amar, porque nos afogamos nós, sem nadar, em Águas-de-solidão?! Perdão Senhor ... perdão ...
Eu sou Noite - Eu sou noite! E vim de parte incerta.
Eu sou Noite - Eu sou noite! E vim de parte incerta. Espaço que não existe ... Eu sou noite! Sou vento que resiste - que insiste ... Vim amar-te - sem meta! Cheguei e estou aqui! Eu sou a tua noite, agora, sem tempo, nem hora ...
Não Chorem - Não chorem por mim quando eu morrer! Desfolhem antes rosas brancas sobre o meu caixão.
Não Chorem - Não chorem por mim quando eu morrer! Desfolhem antes rosas brancas sobre o meu caixão. Para que minh’Alma se eleve aos Céus, num intimo acenar, Sem medo de vos perder …
Mãos Cansadas - Mãos cansadas da vida qu'inventei
Mãos Cansadas - Mãos cansadas da vida qu'inventei do olhar que ceguei dos gestos que não fiz das palavras que calei ... Mãos-feridas em corpos qu'enterrei braços que fechei palavras que não disse beijos que não dei ... Mãos-frias de coração quente amor-morto por punhal-ardente! Ninguém vê o que minh'Alma sente! E quem diz que me vê mente! Porque apenas pensa, não me sente!
Passo de Solidão - Eu sou no mundo um intenso respirar d'angustias!
Passo de Solidão - Eu sou no mundo um intenso respirar d'angustias! Sou na vida um imenso passo-de-solidão... E rasgo a noite sem dizer que vou ... Choro e escrevo poemas de dentro da Alma. Mas ninguém me vê como realmente sou porque eu só passo á hora estranha de ninguém! Sou aquele que está onde ninguém passa ... Sou o que passa onde ninguém está! Eu sou no mundo um intenso respirar d'ângustias! Sou na vida um imenso passo-de-solidão!
Vozes de Ricardo Maria Louro - Desperto me Sou no silêncio da madrugada
Vozes de Ricardo Maria Louro - Desperto me Sou no silêncio da madrugada adormecida ... Oiço Vozes! Tantas Vozes! Mil VOZES que oiço! Meu leito está vazio. Ausente. Sombrio. Não me sinto! Sinto medo ... Porque escorrem águas do meu Ser?! Tantas águas! Mil águas que escorrem! E as VOZES já são gritos e os gritos agonias e as agonias saudade! Tanto que meu corpo envelheceu! O Tempo passou ... passou ... Foi a morte que o levou! E minha Vida se morreu ... Foi-se como um vidro partido! Mas afinal o que se perdeu? O Poeta ficou! Nos versos que escreveu! Das VOZES que escutou ...
Aquando da tua Morte - Diz-me porque não ouves? A rua continua - e o barulho da gente
Aquando da tua Morte - Diz-me porque não ouves? A rua continua - e o barulho da gente que vai e vem e volta sem sentido. Só tu ficaste - num fundo que não sabias. Porque ficas assim? Já nem há lágrimas nos teus olhos excessivamente abertos. Devem correr nos rios em qualquer parte. E a Primavera há-de voltar um dia ao Coração das flores. Porque ficam os teus dedos imóveis e o teu corpo - como se acabasses para sempre? Prendeu-se-te aos ombros uma noite tão funda. - Teus frágeis ombros. A minha Alma é parada e enlouquece. É terrivel a hora - imenso o espaço aberto em teu redor. Que fazes a meio dum espaço tão imenso? Teus lábios são longe das palavras. Só a dor é presente e cega-me os sentidos. A dor agarra-se-me ao corpo. - E a tua noite - veio - cobre-me todo! Haverá Rios ainda?! Não sou mais nada que a tua noite - agora - assim, parado, a meio tempo ... Subito foi-se-me a Vida como um vidro partido! E todos os gestos me são inuteis. Haverá Mães em lugares aquecidos que embalem docemente um Filho?! Em mim não nasce nada! Estou. - E olho-te como quem não vê! - Sentes o longo gemido da Terra? O que fica. Depois de tudo se fechar!!!
Noite I - Não há nada! Ninguém! Só o pó do dia que passou.
Noite I - Não há nada! Ninguém! Só o pó do dia que passou. As pedras congeladas, ao frio, num imenso Céu aberto. Nem o vento se ouve ... Não há nada! Não há gentes! Só solidão! Saudade! Folhas caídas no chão. Casas sem idade. Mas onde? No Além?! Lá também não há ninguém!
À Ophélia de shakespeare - Está morta Ophélia em ataúde fechado - matou-se!
À Ophélia de shakespeare - Está morta Ophélia em ataúde fechado - matou-se! Seus olhos selados, longínquos, rasos d'água dois pássaros caídos vindos do passado. Suas mãos em flôr dois barcos sem amarras, sem côr. O crepúsculo seu corpo inteiro, imóvel, parado... Ophélia matou-se! Matou-se! E de braços em Cruz sobre o peito, segue Ophélia pela morte, sem jeito, como segue um romeiro ... E aonde irá?!... Qual será seu mote?! Lívida a face. Leva nos olhos a morte! Dois pássaros caídos dum céu aberto. Um céu que é longe mas que já foi perto. Ophélia matou-se! Matou-se! E com estrelas repousando no regaço, botões de esperança a cada passo, procura ainda sem descanso, jaz morta arrefecida, no abraço do rio, p'la face do seu amado ...
Elegia a Monsaraz - Ó minha terra! Terra minha, tão perto
Elegia a Monsaraz - Ó minha terra! Terra minha, tão perto e tão distante ... Navio imerso nos meus sonhos! Berço onde desci ao mar da vida sem ternura. Deixa que te veja, hoje e sempre entre noite escura. Monsaraz, senhora minha, madre, raiz! Diz-me onde te feri! Teu semblante me proteja! Teu olhar, sombras e recantos, me afague, sossegue, recolha ... Não há planura sem horizonte ou pátria sem Alma, não há prados como os teus cobertos por um véu ... Monsaraz, aia dos meus dias, senhora dos meus cedros, madre do meu tecto, raiz do meu loureiro. Diz-me onde te perdi! Ai, quanto me dói em ti meu coração! Talvez por magoa ou saudade, angustia ou solidão ... aquela solidão, a nossa solidão! Solidão imensa de quem é teu! E eu sou-o sem demora. Desperta Monsaraz, vila morta! Que o tempo passa e com ele passo eu, fecha-se-me a porta ... Acorda! Desperta! Recorda! Tu ficas, intima, infinita ... eu parto, poeta, errante! Ó minha terra-fria, tão perto, tão distante ...
O que nos Separa - Entre mim e ti há um vazio suspenso
O que nos Separa - Entre mim e ti há um vazio suspenso que nos separa! Um espaço imenso manchado de saudade. Vontade que não domino, solidão a que pertenço! E repara, eis a verdade: cruel, dura, fria! Lamento que assim seja, mas é mais forte o que nos afasta do que o que tu queres que nos una!
Noite de Gelo - Longe, embora perto, o murmurio rouco e confuso
Noite de Gelo - Longe, embora perto, o murmurio rouco e confuso de vozes na noite num Porto sempre por achar! Estranha noite aquela, noite em que me vi só, tão só ... Poço! Onde mãos, corpos, Almas se confundem, se tocam, se contaminam ... Distancia imensa, dolorosa e sangrenta. Coitos de morte, onde gestos amargos, inquietos, obcessivos nascem da memória de outros gestos. - Esses, onde a Vida corre e a ternura é o fio. Em mim, uma plena consciência do marulhar desse pantano humano e distante. - Uma fracção de voz, um grito, um gemido. Em mim, um imenso desidério, cósmico, Lunar afastamento. - Misto de Luz e frio, proximidade real, lonjura sem alcançe!
Cão Vadio - Cão vadio, vem que te faça uma festa. Já que somos desta raça,
Cão Vadio - Cão vadio, vem que te faça uma festa. Já que somos desta raça, ser vadio, é o que nos resta. E este súbito cansaço, morte calada e discreta é o peso do meu braço quando te faço – Uma festa.
Luminária à Senhora da Orada - Na aldeia é noite escura, não se vê quase ninguém.
Luminária à Senhora da Orada - Na aldeia é noite escura, não se vê quase ninguém. Mas no adro da Igreja, vai de negro vestida, Marianita do Outeiro, que junto à porta da capela se ajoelha p'ra rezar profundamente por alguém! À porta da Igreja põe um pote com azeite com um trapo embebido, qu'ilumina as tristes preces, orações, rezas, pedidos, da pobre viuvinha com tantos anos já vividos. E o adro da capela fica todo iluminado parecendo um Sol de Primavera qu'ilumina o tumulo de Nosso Senhor Ressuscitado. "-Oh Senhora da Orada, vinde abençoar, proteger, encaminhar, este vosso povoadao!" E de pé frente à capela um'Alma simples, boa, pedindo à virgem esta graça! Que a Senhora da Orada se lembre dela como o brilho d'uma estrela que brilha no seu manto e nunca passa. "-Oh Senhora das novenas, oh Senhora dos pregões, vinde ceifar todas as penas, vinde salvar os Corações! Acudi ao meu pedido, ouvide minha oração, escutai o meu gemido, escutai o meu pregão!" Marianita do Outeiro cai por terra fervorosa, rezando, frente à porta da capela com tal força, devoção, que ao longe, se escuta um trovão! Assustada, nem se mexe! De mãos postas, olhos fixos na Igreja, pede, "-Nossa Senhora nos proteja!" Abrem-se as portas de par em par! A Senhora da Orada, sobre o altar, de roxo vestida, de Luz adornada, surge risonha, de manto a esvoaçar ... E erguendo os olhos, levantando o braço, sobre o Outeiro, traça no espaço, o doce Sinal da Cruz! E p'la madrugada fora lá fica a luminária, de Marianita do Outeiro à Senhora da Orada, junto à porta da Capela ... (Recordando com Saudade a "Ti" Mariana Paias que, tantas e tantas vezes, durante a minha infância, pelo cair da noite, vi iluminar o adro da Igreja da Senhora da Orada no Outeiro (monsaraz) com as suas luminárias ...)
Quinta do Malhão - Saudade, triste saudade, me ficou no coração
Quinta do Malhão - Saudade, triste saudade, me ficou no coração daqueles campos sem vaidade da Quinta do Malhão ... Nogueiras, altas Nogueiras, se erguiam naquelas terras campos longos de laranjeiras povoados de tristes pedras! Ai saudade, triste saudade, do cheiro a terra lavrada, da sua infinita bondade ficou minh'Alma marcada. Recordo ainda aquela Nora e seu triste Coração, os alcatruzes eram fora chorava a Quinta do Malhão ... Tanta sombra, tanta Paz, tantos sonhos e fantasias ... Quando eu era rapaz tinha a Alma cheia de Poesias! E na terra macia adormecia no chão, voa, voa Poesia, sonha, sonha Coração, era assim que eu vivia na Quinta do Malhão! E os primeiros Amores que minh'Alma encerra nasceram como as flores na memória daquela terra ... Cada canto mos recorda, cada tronco, a minha infância, mas sinto ainda uma corda: apesar já da distância, passa sempre e morre um beijo nesta memória em cadência ... E das Nogueiras, folhas secas, folhas secas, folhas mortas ... No chão caidas, que m'importa se secas estão as folhas mortas! Nogueiras, altas Nogueiras, Laranjeiras e Figueiras que em criança me vistes, já não podes agitar as altas franças, guardai então os sonhos tristes desta triste criança ...
Senhor, estas rosas que vos trago são 'inda espasmos de quimera! Saudade tão profunda,
Senhor, estas rosas que vos trago são 'inda espasmos de quimera! Saudade tão profunda, feita de fria espera, intima cera ... Derretei-a Senhor, derretei-a! Queimai-a neste altar! Sequem-se as rosas, rosas nascidas do meu penar ... São Rosas, Senhor, simples rosas, bem o sei! Vermelhas, escarnecidas ensanguentadas ... Rosas que vos trago, 'inda presas-entre-silvas, por tristes caules, à brancura do luar! Colhei-as Senhor! Colhei-as ao passar! Mas cuidai, cuidai que são pejadas de picos-d'ilusão! Minha fria-e-funda ilusão ... E mais do que minh'Alma vos diz, só o que vós sentis em meu peito sem chama. Porem, já ardem em mim as rosas, Senhor, ardem, ardem mas não queimam meu intimo chorar ... Guardai Senhor, eternamente, a prece das rosas que vos trago, a sangrar, junto aos pés da Cruz do Vosso Altar! (Prece ao Senhor Jesus dos Passos da Igreja da Graça em Lisboa onde deixei um molho de Rosas encarnadas sobre o Altar ...)
Sobressalto - Vem, adormece em mim esses teus medos,
Sobressalto - Vem, adormece em mim esses teus medos, entrega-te sem fim, revela os teus segredos! Abandona os teus desertos, vem de mim sonhar, deixa os pantanos secretos que nos fazem desencontrar ... Mas não te percas ou apresses em olhares tão vazios, porque o peito onde adormeces, não é meu, é do Frio! E quando ao despertar, num longo sobressalto perceberes que não sou Eu, correrás p'ra me encontrar, e num voo mais alto, estarei Eu, neste Poema, a Sonhar ...
Cardeal-Viseu (D. Miguel da silva) e o Pedinte - "(...)D. Miguel tossia imenso. Sentia-o cada vez mais debilitado à medida que mergulhava nas memórias do Passado. No entanto, prosseguiu … - Alembro-me, certa vez, já em Roma, esperava-me sua Santidade na Basílica de S. Pedro, d…
Cardeal-Viseu (D. Miguel da silva) e o Pedinte - "(...)D. Miguel tossia imenso. Sentia-o cada vez mais debilitado à medida que mergulhava nas memórias do Passado. No entanto, prosseguiu … - Alembro-me, certa vez, já em Roma, esperava-me sua Santidade na Basílica de S. Pedro, de encontrar um pedinte nas escadarias da Igreja. Todos lhe passavam ao largo com certo ar de desdém. Levava em mim vestes de cardeal. Parei, estendi-lhe a mão … - Alevantai-vos! - Porquê?! Respondeu. - Pela dignidade Humana! Na Vida, pior que cair é ficar na queda. Disse-lhe. - Mas esta é a Vida que Deus me deu, Excelência. E sou feliz! Respondeu. Fiquei admirado. E alevantando-se à força do meu pulso, perguntou … - Sois Nobre Senhor! Porque falais a um pedinte?! -Não! Respondi-lhe de lágrima no olho. Sou vosso irmão! É essa a única Nobreza deste velho Coração. Intima Essência de Ser Cristão! Fixando-me nos olhos, permaneceu num Silêncio profundo. Era um Mágico Silêncio! Um Silêncio que activa o Fogo Interno! Quebrando esse Silêncio, perguntei olhos nos olhos … - Quem sois Vós Pedinte? - Alguém senhor, Alguém! Respondeu. - E vós senhor, quem sois? Perguntou. - ninguém, Pedinte, ninguém! Respondi. - Mas Sois um Cardeal!!! Afirmou. - Não, Senhor! Sou antes, um pobre pedinte de Portugal, sem Alma, com vestes de cardeal! Refutei. De repente, ante à admiração geral, um imenso restolhar! Eis que poisa sobre o Homem uma Pomba Branca … a Pomba da Saudade! O Espírito de Deus! Vi naquele instante, estampado no Rosto do Pedinte, o Rosto de Cristo! Perplexo, caí de joelhos a seus pés! Invertiam-se os papéis! Recordo a voz do silêncio que de imediato se assentiu em todo o espaço! Todo o movimento da Praça de S. Pedro ficou preso num passo d’impasse ao observar o meu gesto. Como se as Gentes entendessem a profundidade daquele intimo momento. Rasgava-se na Terra a triste divisão de classes, a dolorosa separação d’Almas. Baixei a cabeça. Emocionado, retirei-me às pressas da presença daquele Homem que, docemente me deu a mão e ajudou a levantar. Sentia-me profundamente perturbado. Entrei na Basílica de S. Pedro, ainda em construção, e ante incrédulos olhares, prostrei-me no chão aos pés da cruz, como se fosse um morto. Sem nada, sem Ninguém, verdadeiramente despojado, consciente da minha íntima condição de pedinte, da minha verdadeira identidade … afinal eu era ninguém! (silêncio …)" IN "Saudade de Sua Eminência o Cardeal-Viseu" do mesmo autor. (Excerto)
Deixem Passar - Deixem passar quem traja ainda negro luto ... corvos unidos
Deixem Passar - Deixem passar quem traja ainda negro luto ... corvos unidos que voam brancos-Ceus, penas, quantas penas ... escolhos, ventos em petalas d'acuçenas. Deixem chorar quem d'amargura bebe o fel ... quem d'angustia vive longe, cheio de noite e solidão, rasgando fundas chagas do principio ao fim do Coração! Deixem morrer quem d'Amor permanece tão ausente ... Deixem partir, porque todos partem, em busca do que sentem ... Deixem passar quem procura esse calor, que entre cirios, passa desfeito pela dor ... Deixem passar... deixem passar ...
Monsaraz da minha Infância - Monsaraz da minha infância, clara estância, céu azul, verdes campos, negra bruma,
Monsaraz da minha Infância - Monsaraz da minha infância, clara estância, céu azul, verdes campos, negra bruma, no horizonte desse monte com distância revejo minha Vida que se esfuma ... Fica na memória! A Alma alcance-a, guarde Monsaraz, branca como a espuma na solidão do velho barco da infância, porque a amo tanto, mais que mulher alguma! Foi lá onde nasci, lá me irei a enterrar, e se vivê-la é um imenso recordar, recorda-la também é triste sofrer! Aí Monsaraz dos olhos meus que trago nos sentidos, devo-te quem sou, quem tenho sido, da alvorada em que nasci ao meu triste anoitecer!
Os Astros - Dos Astros o movimento é a força do meu andar
Os Astros - Dos Astros o movimento é a força do meu andar é saber deste meu tempo tempo de estar e não estar! Roda que roda no espaço rasto d'um Astro a passar no cansaço do que faço só faço por me encontrar! Passa um astro e outro astro p'ra tudo o que me acontece no meu Céu fica um lastro mas minh'Alma permanece!
Meu Anjo - Que a força da Fé nunca me falte para saber dia a dia o caminho
Meu Anjo - Que a força da Fé nunca me falte para saber dia a dia o caminho a seguir ... Que a vida me não leve a vontade de amar, meus sonhos e virtudes! Porque metade de mim é muito mas a outra é pouco! Que a protecção do meu Anjo paire sobre mim para me sentir vivo ... Que o calor das Suas asas nunca falte ao meu corpo e embale a minha Alma! Porque metade de mim é vida mas a outra é morte! Que a vontade que trago de viver se transforme num acto de contrição ... Numa entrega, num silêncio, numa oração profunda e sagrada! Porque metade de mim invoca São Miguel mas outra também! Para São Miguel Arcanjo.