Frase de Ricardo Maria Louro
Aquando da tua Morte - Diz-me porque não ouves? A rua continua - e o barulho da gente que vai e vem e volta sem sentido. Só tu ficaste - num fundo que não sabias. Porque ficas assim? Já nem há lágrimas nos teus olhos excessivamente abertos. Devem correr nos rios em qualquer parte. E a Primavera há-de voltar um dia ao Coração das flores. Porque ficam os teus dedos imóveis e o teu corpo - como se acabasses para sempre? Prendeu-se-te aos ombros uma noite tão funda. - Teus frágeis ombros. A minha Alma é parada e enlouquece. É terrivel a hora - imenso o espaço aberto em teu redor. Que fazes a meio dum espaço tão imenso? Teus lábios são longe das palavras. Só a dor é presente e cega-me os sentidos. A dor agarra-se-me ao corpo. - E a tua noite - veio - cobre-me todo! Haverá Rios ainda?! Não sou mais nada que a tua noite - agora - assim, parado, a meio tempo ... Subito foi-se-me a Vida como um vidro partido! E todos os gestos me são inuteis. Haverá Mães em lugares aquecidos que embalem docemente um Filho?! Em mim não nasce nada! Estou. - E olho-te como quem não vê! - Sentes o longo gemido da Terra? O que fica. Depois de tudo se fechar!!!
No pensador.ai desde