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Frase de Ricardo Maria Louro

Luminária à Senhora da Orada - ⁠Na aldeia é noite escura, não se vê quase ninguém. Mas no adro da Igreja, vai de negro vestida, Marianita do Outeiro, que junto à porta da capela se ajoelha p'ra rezar profundamente por alguém! À porta da Igreja põe um pote com azeite com um trapo embebido, qu'ilumina as tristes preces, orações, rezas, pedidos, da pobre viuvinha com tantos anos já vividos. E o adro da capela fica todo iluminado parecendo um Sol de Primavera qu'ilumina o tumulo de Nosso Senhor Ressuscitado. "-Oh Senhora da Orada, vinde abençoar, proteger, encaminhar, este vosso povoadao!" E de pé frente à capela um'Alma simples, boa, pedindo à virgem esta graça! Que a Senhora da Orada se lembre dela como o brilho d'uma estrela que brilha no seu manto e nunca passa. "-Oh Senhora das novenas, oh Senhora dos pregões, vinde ceifar todas as penas, vinde salvar os Corações! Acudi ao meu pedido, ouvide minha oração, escutai o meu gemido, escutai o meu pregão!" Marianita do Outeiro cai por terra fervorosa, rezando, frente à porta da capela com tal força, devoção, que ao longe, se escuta um trovão! Assustada, nem se mexe! De mãos postas, olhos fixos na Igreja, pede, "-Nossa Senhora nos proteja!" Abrem-se as portas de par em par! A Senhora da Orada, sobre o altar, de roxo vestida, de Luz adornada, surge risonha, de manto a esvoaçar ... E erguendo os olhos, levantando o braço, sobre o Outeiro, traça no espaço, o doce Sinal da Cruz! E p'la madrugada fora lá fica a luminária, de Marianita do Outeiro à Senhora da Orada, junto à porta da Capela ... (Recordando com Saudade a "Ti" Mariana Paias que, tantas e tantas vezes, durante a minha infância, pelo cair da noite, vi iluminar o adro da Igreja da Senhora da Orada no Outeiro (monsaraz) com as suas luminárias ...)

Ricardo Maria Louro

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Pensador.com

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⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem Nos espelhos do destino, É um grito sem amarras Um poema sem palavras Que vivemos no caminho. O que trago ou não trago O que canto e dou ao fado Só eu sei o quanto dói, Ver nos olhos de toda a gente O silêncio de quem sente O quanto a vida nos destrói. Visto noites e cansaços No meu corpo, nos teus braços Na distância, o teu olhar, Roda a roda do destino Acendo velas no caminho Numa pressa de te amar. Só há Fado e solidão Esta dor e um coração Nos meus olhos a bailar, E no céu da minha noite Já nem há onde me acoite Tanta estrela sem brilhar.

⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar,
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