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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠⁠Saudades que Senti - Tudo me lembra de ti ao passar das horas vãs
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⁠⁠Saudades que Senti - Tudo me lembra de ti ao passar das horas vãs das saudades que senti na agonia das manhãs. Ao passar naquela ponte deixo Lisboa sem saber se por trás de cada monte o teu amor há-de viver. Um silêncio paira em mim como a paz paira no rio e abandono-te por fim com as mãos cheias de frio. Na ausência em que ficamos fica o meu amor que diz: na vida que abraçamos tudo me lembra de ti.

⁠DUAS ESTRELAS - No meu peito há dois lamentos nos meus olhos dois silêncios
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⁠DUAS ESTRELAS - No meu peito há dois lamentos nos meus olhos dois silêncios que me prendem à saudade; duas histórias que passaram duas vidas que deixaram tantas horas d'ansiedade. Minha Mãe o teu sorriso de que tanto 'inda preciso em horas tristes sem vida; e meu Pai, o teu regaço, aquele olhar, o teu abraço, ao dizeres, minha querida. Esta mágoa que hoje canto será sempre um triste pranto uma espada no meu peito; porque dá e tira a vida tanto amor sem despedida que tristeza no meu leito. Mas no meu triste horizonte junto à voz de cada fonte ponho a minha voz também; no Altar há duas velas no meu Céu há duas Estrelas são meu Pai e minha Mãe. Para o Fado...

⁠VERSOS DE ONDE A ONDE - Eu Sou esse não-ser já sem memória,
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⁠VERSOS DE ONDE A ONDE - Eu Sou esse não-ser já sem memória, barco à vela que zarpou sem História ... Sou essa lonjura, esse horizonte sem divisória, Versos de Onde a Onde, sem cuidado nem vitória! Imenso fundo, desconhecido, aquele a quem amamos, presente ou ausente! Tela-sem-cor, ilusória dor-de-Amor: vertigem! Entre nós tudo cerrado, mudado, em luto ... Juntos e separados... real mas obscuro! Encontro?! Desencontro?! Falar é iludir, não dizer nada: cansaço! E as culpas da infância? Lastro-de-medos, memória ... Esse peso no mais dentro, onde o que passa, fica, deixa ferida ... É lá que tudo ocorre, é lá que o tempo passa, é onde permaneço, junto destes Versos, de Onde a Onde! ...

⁠- A Rainha - Quando o Sol se deita na linha do horizonte e a noite escura desce sobre a terra
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⁠- A Rainha - Quando o Sol se deita na linha do horizonte e a noite escura desce sobre a terra nasce em cada coração, como numa fonte, o doce olhar da Rainha de Inglaterra! E Deus, tão perto, manifesta-se nos campos, o povo, alegre, esquece as suas dores, as aves despertam voando por cada canto e a madrugada veste-se de flores ... Que bela imagem nos vem ao pensamento a Rainha trajada d'um silêncio permanente emana uma paz p'ra lá do tempo ... Sua Majestade vai passande levemente, como seda esvoaçando ao vento, e ao passar, passa acenando docemente ... (Para Sua Majestade a Rainha Isabel II de Inglaterra)

⁠- Deixo - Às abandonadas horas fugidías deixo mágoas cobertas de saudade
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⁠- Deixo - Às abandonadas horas fugidías deixo mágoas cobertas de saudade mais pesadas que as horas dos meus dias! Deixo gritos, silêncios, intempéries; a dor dos partos cheios de magia que dão vida à vida de todas as mulheres! Deixo a alegria de me encontrar na dor quando navego nas suas águas pantanosas sem vida, sem olfacto, sem tacto nem sabor! Deixo enfim o que sempre tive horror do que todo o Ser humano sempre fugiu nunca encontrar na vida um amor! Ricardo Maria Louro

⁠Da minha voz - Da minha voz cansada e triste nasce um grito de amargura
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⁠Da minha voz - Da minha voz cansada e triste nasce um grito de amargura que na imensidão persiste e se transforma em água pura! Da minha voz cansada e velha nasce tudo o que não vejo da melodia mais bela à ternura de um beijo! Da minha voz densa e gasta nascem palavras ocultas ... Do que fica, do que passa apenas restam as culpas! Nada mais me veste o corpo quando for a minha hora hoje vivo, amanhã morto porque a morte não demora!

⁠Maria João Quadros - "Tens azougue" Quando te oiço ao cantar a poesia mais bela
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⁠Maria João Quadros - "Tens azougue" Quando te oiço ao cantar a poesia mais bela tem azougue o teu olhar como a chama de uma vela! Há azougue em tua voz no teu corpo, em tua mão és a voz de todos nós que nos bate no coração. E na alegria d'um abraço é tão bom o que se sente traz azougue cada passo quando passas pela gente. E na verdade do que és fica amor em tantos lados tens azougue, espalhas fé Maria joão Quadros.

⁠- ⁠Lucidez ou Desatino - Por momentos, por instantes as horas felizes da vida,
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⁠- ⁠Lucidez ou Desatino - Por momentos, por instantes as horas felizes da vida, - numa morte constante - vi passar sem despedidas! Passou o sonho e a vaidade a verdade e o amor até passou a saudade do silêncio e da dor! Passou a noite, passou o dia e chegou a madrugada mas aquilo que eu sabia afinal não era nada! Porque o livro do destino - que Deus deixou aberto! - só ele sabe do caminho de quem pensa que está certo! Ricardo Maria Louro

"A Lareira da Infância" (EU) Na casa do Outeiro, em Monsaraz,
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"A Lareira da Infância" (EU) Na casa do Outeiro, em Monsaraz, junto ao lume que se ateia, sentavam-se à conversa, à hora da ceia, meu Avô, minha Avó e a Tia Josefa! Era eu uma criança, jovem entre velhos, cheio d'alegria, Amor e Esperança! Tanto calor que me vinha da lareira da Infância! Um leve odor ... E a Tia Josefa, branca, imponente, lânguida, serena, sisuda, começava a conversa! (PARA MEU AVÔ) Ó meu irmão, que fizeste tu da alegria que pela Vida fora te conhecia?! Às cores do teu rosto que o Sol ardente te havia posto?! Essa expressão, risonha e calma, que me alembro, a força do teu corpo, a Vida da tua Alma!!! Onde, meu irmão?! Onde?! ... (EU) E estoira a lenha na lareira da Infância! Meu Avô, atento, ouve a conversa, e responde, fixando a Tia Josefa! (MEU AVÔ) Estou velho minha irmã! O tempo passa ... Mas como as bagas da Romã, a memória fica junto ao Coração, imersa, arreigada, numa imensa solidão! E ái do Coração! Ái do Coração! (TIA JOSEFA) É Verdade meu irmão! É Verdade ... Fica a saudade... Nossa mãe, nosso pai, já estão na Eternidade ... (EU) E a lareira da infância ardia, queimava a lenha da saudade ... Era lá que em criança minha Alma se aquecia! E minha Avó, silenciosa que estava, ouvia! Profunda, graciosa, sentia Esperança, junto à lareira da infância! E dizia: (MINHA AVÓ) Ouve, meu Neto, um dia, nenhum de nós aqui estará! E a tua glória, será escrever em verso, aquilo que nos ouviste, junto à lareira da infância! Mas escreve com Esperança, não te esqueças! E triste, ou não, guarda sempre na lembrança, a conversa da lareira, que ouviste à hora da ceia, à beira de teu Avô, tua Avó e da Tia Josefa! (EU) Em volta da lareira os três sorriam, e minha infância, momento terno, era quente, com a Esperança, de quem sente, que aquele instante podia ser Eterno! ... Mas a Morte sempre vem! ... É breve! E tudo leva! Fica a memória na saudade e a saudade nos meus versos! É esta minha unica Glória!!!! Ricardo Maria Louro Na Casa do Outeiro em Monsaraz Junto à Lareira da Infância ainda ao lado da Avó.

⁠A Rainha Eterna - Passa o tempo, passa a vida e o destino ... Passa a História; tudo vai passando
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⁠A Rainha Eterna - Passa o tempo, passa a vida e o destino ... Passa a História; tudo vai passando mas desde que nasci que vejo com carinho, no trono, uma Rainha que vai Reinando. Não sei que vos diria frente a frente se a beleza de vossos olhos me tocasse ficaria comovido, certamente, desejando que essa hora não passasse. E não há estrelas no firmamento que de perto ou de longe, junto ao manto da Rainha, não voassem com o vento. Majestade ... parabéns por um caminho cheio de Glória e de Triunfo; setenta anos d'um Reinado ... um Destino! (Poema para Sua Majestade a Rainha Isabel II de Inglaterra.)

⁠Se a Vida quis assim - Se a vida quis assim que hei-de fazer? talvez já nem te lembres mais de mim!
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⁠Se a Vida quis assim - Se a vida quis assim que hei-de fazer? talvez já nem te lembres mais de mim! se a vida nos é dada p'ra viver só quero que ela seja um jardim ... Não queiras, por favor, fugir do meu amor que eu vivo para o sonho de te amar; só quero por ti viver sem dor e sem sofrer o amor que trago em mim para te dar. Talvez o amanhã não seja leve e o amor não nos traga mais ninguém só quero que te lembres tudo é breve que a vida vai passando e nós também.

⁠À Toa - Silêncio meus poetas, canto-vos um fado que nasce das minhas mãos, vazias e gastas
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⁠À Toa - Silêncio meus poetas, canto-vos um fado que nasce das minhas mãos, vazias e gastas pois nada mais me liga, ao frio do passado àquelas velhas mágoas, que choram as desgraças. Que a vida quando dói, não pára de doer e a Alma cansada, entrega-se vencida digo adeus sem despedida, que fica por dizer num cais d'águas paradas, tristes; proibidas. Deixarei meu fado, nos braços da saudade na memória dos teus olhos, feridos e vazios sigo à mercê do tempo, do vento e da idade com esperança digo adeus, e as mãos cheias de frio. (Para o Fado Nóquinhas)

⁠- Alma por Alma - (Fado Cravo) No silêncio da minh'Alma
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⁠- Alma por Alma - (Fado Cravo) No silêncio da minh'Alma meu amor nada me acalma vejo um rosto, oiço uma voz; um olhar cansado e triste desde o dia em que partiste meu amor sinto-me só. Vi passar outros amores mas nenhum levou as dores nosso amor parecia morto; escrevi versos, cantei fados e voltei para os teus braços adormeci sobre o teu corpo. Esperei por ti horas e horas e do silêncio das demoras não me lembro em tempo algum; o meu corpo sobre o teu faz com que eu seja mais eu faz sentir que somos um. E por fim Alma por Alma só o teu amor me acalma quando penso e por ti chamo; nosso amor nasceu de novo grito à rua, grito ao povo grito ao mundo que te amo.

⁠AQUI ONDE RESPIRO - Aqui onde respiro nas várzeas do caminho
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⁠AQUI ONDE RESPIRO - Aqui onde respiro nas várzeas do caminho não encontro o meu destino nem se ouve o meu suspiro! Aqui onde respiro neste corpo de mortal não há vida, tudo igual quero à morte por um tiro! Aqui onde respiro não há vida nem amor só os braços de uma dor onde chego e me retiro! Aqui onde respiro até o ar já me sufoca vou-me embora, fecho a porta eis meu último suspíro!

⁠ERVA DA FOME - Sou Erva da Fome que nasce da terra
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⁠ERVA DA FOME - Sou Erva da Fome que nasce da terra da solidão que nos come à morte que enterra! Sou Erva da Fome não sou Erva ruim na esperança que dorme tão perto de mim! Sou Erva da Fome que nasce e persiste na dor que consome faz de mim um ser triste! Sou Erva da Fome correndo vales e montes e afogo o meu Nome no silêncio das Fontes!

⁠A Teus pés querida Mãe pomos as horas que vivemos: os sonhos, as dores, as desilusões ... Que Teus olhos, esses que trespassam
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⁠A Teus pés querida Mãe pomos as horas que vivemos: os sonhos, as dores, as desilusões ... Que Teus olhos, esses que trespassam a linha dos poentes horizontes, se inclinem para cada um de nós, que Teu olhar posto nas curvas da Eternidade possa abraçar os destinos que vivemos ... "Cheia de Graça Mãe Pia defende-nos do inimigo e na última agonía achemos em Ti abrigo!" Nossa Senhora ampara os nossos malogrados corações ...