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Frases de Poeta mineiro do cerrado - LUCIANO SPAGNOL

666 frases

BEM VINDO! SETEMBRO... ...é sentir a beleza e a leveza de uma pétala.
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BEM VINDO! SETEMBRO... ...é sentir a beleza e a leveza de uma pétala. SETEMBRO É setembro, mês de transmudação Nuvens metamorfoseiam em chuva Chuva em flores que colorem o chão O cerrado recamado de peúva (ipê) É o mês de setembro, a primavera Em coro, a passarada o que se vê Beijando o beija flor... a flor da era A natureza tão diversa em comitê E o céu se rubra, e o sertão flama Qual uma árida canção encantada Disputam o botão na virgem rama Floreando às margens da estrada Briza casta de pureza despojada Aflam quimeras rumo a novembro No rodopio dum condão de fada O renascer de mais um setembro... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Agosto de 2017 Cerrado goiano

SOLIDÃO EM VERSOS Os versos que não pude criar E que não redigem o tal verso
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SOLIDÃO EM VERSOS Os versos que não pude criar E que não redigem o tal verso Na saudade é verso perverso De um tal silêncio a me fincar E nesta vaga do verso, o olhar Perdido, e na quimera imerso Áspero, de um vário universo Que faz meu verso, um vagar Suspiros em versos, reverso Ao poeta do cerrado a poetar Pois, o amor na alma, é terso E de todos, o verso a me julgar O infortúnio, me foi inconverso Deixando a prosa sem seu par © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Agosto de 2017 Cerrado goiano

SAUDADES DO RIO Rio, de longe, uma saudade Amizade, eterna recordação
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SAUDADES DO RIO Rio, de longe, uma saudade Amizade, eterna recordação Das cidades sua majestade Tu pulsa no meu coração... Tuas ruas, varia a felicidade Vivo bem longe, de ti solidão No bem querer, divindade... Se algum dia voltar, será enfim, Pra nunca te deixar, E bem junto há ti. Ficar assim! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Agosto de 2017 Cerrado goiano

DESAFIO (soneto) O meu fadário é devanear solitário Ter o cerrado a desfolhar no olhar
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DESAFIO (soneto) O meu fadário é devanear solitário Ter o cerrado a desfolhar no olhar Sonhar acordado e no mesmo luar Ficando no tempo, noutro cenário Onde a solidão nunca sabe esperar Eu só tenho a saudade num sacrário Anexo ao coração num pulsar diário E lágrimas em um soluço sem parar Oh, uivo árido, trove tal um canário Os meus versos, e a ela vai revelar Cada vazio aqui falante e tão vário Por favor, acaso, pare de me tragar Faça-me nos beijos dela um erário E novamente no teu amor eu amar © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Agosto de 2017 Cerrado goiano

O SOL Para que curvaste no beiral da ventana
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O SOL Para que curvaste no beiral da ventana e pelo chão se arraste? É por seres luz soberana querendo luzir meu verso? O meu poetar está sem gana A alegria na alegria submerso E estou quieto, de carraspana Deixe-me a sós, no breu inconfesso Fica-te por aí na ilusão mundana... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Agosto de 2017 Cerrado goiano

Aos pais ausentes. Feliz Dia dos Pais, aos presentes. A voz do meu pai.
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Aos pais ausentes. Feliz Dia dos Pais, aos presentes. A voz do meu pai. A voz do meu pai, hoje é em tons de recordação Aglutinadas na falta do eco de tua presença Em suspiros de tua toada rija, suave fustão Que acariciaram e fremiram em defensa O quanto lidaram, e dos justos a tua razão Velho pai, a tua voz jaze na lástima intensa Nas lembranças agonia acridoce no coração E, no entardecer do cerrado, a renascença Pois havia na tua voz sim e também não Que agora na vida nos dá a recompensa Do teu jeito forte e para sempre lição Tal contra o vento árido, a nostalgia prensa A tua voz, levada como folhas da estação E na saudade, uma eterna saudade imensa.

CERTOS VERSOS (soneto) Letras ranzinzas de certos versos Olham no vazio do papel em branco
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CERTOS VERSOS (soneto) Letras ranzinzas de certos versos Olham no vazio do papel em branco Nodoando o imaginar nele dispersos Do alquebrado fado em um tranco O amarelado do tempo ali imersos Adentra a saudade no peito manco Rindo e chorando em tons diversos Em um alvoroço dum soluço franco Onde estariam tais agrados reversos E assim o versar sair deste barranco E então deixar de serem perversos Ah! Rumo sem margem, sem arranco Que cria na alma nublados universos Deixando o sonho nu e sem tamanco © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Agosto de 2017 Cerrado goiano

GRATIDÃO É preciso agradecer o tempo Que no fragor foi-se o sossego
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GRATIDÃO É preciso agradecer o tempo Que no fragor foi-se o sossego E do silêncio achou-se alento No barulho fez-se o desapego Que se fez poesia Que se fez essência Flores nas dores, harmonia Em Deus, na fé evidência É preciso a gratidão Da vida, do ser, Divina providência Pois tudo é amor, é união... E na diversidade o vário em cadência. © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Agosto de 2017 Cerrado goiano

PARA OS AVÓS Abraço doce, amor terno Aconchego nas vontades
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PARA OS AVÓS Abraço doce, amor terno Aconchego nas vontades No coração sempre eterno Vô e Vó, nossas metades Num todo. Gesto fraterno Colo que o afeto abriga Dobro materno e paterno Exemplo pra toda vida Avós, a nossa bênção No bem querer acolhida Razão, emoção, paixão... À vocês reverência incontida! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano

À Nossa Senhora D'Abadia da Água Suja Ave Maria, Senhora D'Abadia da Água Suja Mãe eterna, essência, flor, afeto acolhedor
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À Nossa Senhora D'Abadia da Água Suja Ave Maria, Senhora D'Abadia da Água Suja Mãe eterna, essência, flor, afeto acolhedor Maria de Nazaré, e que na nossa fé, maruja Louvor, aumentando a confiança no Criador Tu que és a Imaculada Conceição Que não nos deixa sozinhos, és amor Tua paz reina no nosso coração! Ave Maria, mãe de Jesus Mulher acolhedora, eterna devoção Ser seu servo é o que nos conduz Na verdade de seu filho, nosso irmão A quem louvamos nos pés da Santa Cruz Em oração de misericórdia e gratulação... Ó Maria concebida sem pecado, volveis a nós a tua luz! A tua proteção! VIRGEM MARIA SENHORA do BEM nosso guia. Te aclamamos... AMÉM. © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho

AFORA DA JANELA Plumas de nuvens no céu profundo De Brasília, alvos lençóis esvoaçantes
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AFORA DA JANELA Plumas de nuvens no céu profundo De Brasília, alvos lençóis esvoaçantes Se desfazem num piscar do segundo Ao sopro dos áridos ventos uivantes Ali, acolá, riscando devaneio facundo Na imaginação, e sempre inconstantes Vão e vem tal desocupado vagabundo Ilustrando o azul do céu por instantes Em bailados leves e soltos, voejando Na imensidão do horizonte em bando Vão em poesia na sua versátil romaria E num ato divino, faz-se o encanto Tal como flâmulas por todo o canto Tremulando no cerrado com euforia © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho Brasília

DEMÊNCIA SENIL (soneto) Nos fios brancos do silêncio, a quietude Nubladas recordações, escura solidão
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DEMÊNCIA SENIL (soneto) Nos fios brancos do silêncio, a quietude Nubladas recordações, escura solidão Horas lentas no tempo, e vazia emoção Que tateiam o que outrora foi plenitude E nesta distância do devaneio e o são O mesmo mutando numa outra atitude Tremulando o olhar numa lacuna rude Sorrindo sem riso e andando sem chão E no papel sem margem, a negrutude Que esgaça a ilusão sem dar demão Onde tudo é vagar e pouca amplitude Assim, neste empuxo sem ter tração Se não reconheço, sabes do que pude Então, assiste este sóbrio senil coração © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano À meu velho pai

DRAMA (soneto) Quando é que o afeto meu terá encontrado a sorte duma companhia pra se apresentar?
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DRAMA (soneto) Quando é que o afeto meu terá encontrado a sorte duma companhia pra se apresentar? Quando é que na narração poderei conjugar Assim, despertarei de então estar deslocado Se sei ou não sei, só sei que eu sei atuar E se eu estarei ou terei ou se está iletrado É impossível de inspirar, o ato está calado Pois, o silêncio discursa sem representar O aplauso alheio pulsa, mas de que lado? Na cena a ilusão é expulsa e, põe a chorar Impossível imaginar atuar sem ser amado E este drama sem teatro, e ator sem teu lar De comédia trágica, no peito, então atuado É amor e fado, no palco, querendo ser par! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano

CANTIGA Ah, se fico ou se passo, se vou no compasso da vida, devorante no tempo, amiga e inimiga
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CANTIGA Ah, se fico ou se passo, se vou no compasso da vida, devorante no tempo, amiga e inimiga porém, se o que intriga é todo este embaraço de gente a gente que na maldade prossiga... Dá um cansaço, fadiga, de ver e ouvir, angustia, e faz da existência rapariga... Então, me resta neste murmúrio, sorrir! Ser, resistir e ter o amor em doce cantiga. © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano

O QUE O que fiz ao silêncio para silenciar assim me deixar silenciado no vácuo da solidão
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O QUE O que fiz ao silêncio para silenciar assim me deixar silenciado no vácuo da solidão tocar sem que eu possa ouvir o teu clarim ruidar, abafando a presença no coração... O que fiz eu a solidão pra tê-la no silêncio quando lá fora até o vento se calou, enfim, onde está a vida, que aqui respira pênsil e emudece o cerrado num tom carmim... O que é este silêncio, que se cala tênsil? É "o que", em uma indagação sem fim... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano

NA PELE DO CERRADO (soneto) Pulsa mais do que se pode ouvir Vário mais do que deve imaginar
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NA PELE DO CERRADO (soneto) Pulsa mais do que se pode ouvir Vário mais do que deve imaginar Mas, não se pode nele se banhar Sem nele o teu chão os pés sentir Aqui, pois, o céu é do azul do mar Teu horizonte na vastidão a reluzir Num encarnado que nós faz ouvir Tons no vento no buriti a ressonar O contraste é somente pra iludir Hibernando e, encantado o olhar No árido inverno dos ipês a florir Num espetáculo que vai embalar Do marrom ao virente a se colorir Pele do cerrado, agridoce poetar © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano

ALADOS (soneto) O largo cerrado é um efeito alado De asa tingida e horizonte intenso
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ALADOS (soneto) O largo cerrado é um efeito alado De asa tingida e horizonte intenso Duma flora varia e chão rebelado Encarnado em um céu tão imenso O teu cheiro num diverso intenso Acoplam o raro em sinal denodado Feiticeiro, espantoso e tão denso Em um plural do árido cascalhado Onde vemos empoar os passos Entrelaçados entre tortos traços E prados de dourados alumiados Aos poucos sucumbimos por ele Num pouso instável, caindo nele Suavemente, de encantos alados © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano

HOJE EU CHOREI (soneto) Hoje eu chorei porque tive vontade Se foi saudade, aflição, eu não sei
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HOJE EU CHOREI (soneto) Hoje eu chorei porque tive vontade Se foi saudade, aflição, eu não sei Apenas chorei, e o peito desabafei Chorei quem sabe duma felicidade Se separou, se a vida amargou, ei Apenas chorei. Choro de verdade Não o sufoquei n'alma, liberdade Num grito com lágrima, então dei E neste pranto sem ter valeidade Choro... Chorei... e sempre darei Pois eu não sou no todo, metade E se chorei, não é porque afazei Um choro de qualquer fatuidade Onde eu chorando, hoje chorei! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano p

TOCAIA (soneto) Dói-me esta constante tal espera do que já não mais tem donde vir
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TOCAIA (soneto) Dói-me esta constante tal espera do que já não mais tem donde vir que o desejo insiste em querer ir aguardando na ravina da quimera Doí-me uma dor insana, há existir a cada alvorecer duma primavera da ausência, da saudade, sem era e do que não se tem, e quer pedir Dói! O tempo a passar, eu quisera poder nele estar e ali então devir chorar, alegrar... ah! se eu pudera! Como eu não sei como conseguir a tocaia no peito se torna megera e a alma romântica se põe a fingir © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, 15 de julho Cerrado goiano

ESPAÇO VAZIO (soneto) Há ilusão seca tão desfolhada No apertado do amor ignorado
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ESPAÇO VAZIO (soneto) Há ilusão seca tão desfolhada No apertado do amor ignorado Nas lágrimas no olho chorado No vento de uma dor soprada Assim, tão só e tão esgotado Com a alma ao vento, levada A revelia, e sem mais nada O olhar vai ao chão, atado Só se vê silêncio no peito Sem rima, sem poesia, leito Apenas o ritmo com arrepio E neste tal suspiro tão sujeito Que fala, respira, tira proveito A emoção é um espaço vazio... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano

MATUTINA (soneto) Na manhã matutina do planalto Vagueia o horizonte tão rubente
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MATUTINA (soneto) Na manhã matutina do planalto Vagueia o horizonte tão rubente Numa dança de cor em contralto Cintilando o azul do céu nascente Ultrapassa os jardins do asfalto Sem esquinas, nuvem ausente No espetáculo como ponto alto Riscando o cerrado num repente E o vento chia, é julho, tão frio Brasília de curvas retas, feitio Sereno, num panorama pleno Rompi o dia em arauto gentil Ipês floridos, de sertão bravio E amanhecer nunca pequeno © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho Planalto central - Brasília

BIOGRAFIA DOS MEUS VERSOS (soneto) Estes meus versos simplistas versados Que aprenderam a poetar pelo cerrado
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BIOGRAFIA DOS MEUS VERSOS (soneto) Estes meus versos simplistas versados Que aprenderam a poetar pelo cerrado Choram, riem, entre o trovar suspirado Suspiram e pelas rimas são moldados Os meus versos que um dia tão calado Voam sujeitos feitos apalavrares alados Desenhando talhos, pouco rebuscados Mas que do coração quer ser consolado São versos adolescentes, e apavorados Que tentam o encanto pra ser encantado Tão contentes e, leves pra serem levados Estes meus versos, no vário devaneado Tantas outras vezes no peito silenciados Agora vão, encenados no palco do fado! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano