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Frases de Poeta mineiro do cerrado - LUCIANO SPAGNOL

666 frases

SONETO ALEGRO Amanheci com um pensamento Pensando nesta vida consoante
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SONETO ALEGRO Amanheci com um pensamento Pensando nesta vida consoante Consoante, porque é tão vibrante Vibrando por cada um momento Se dela sou mero participante Participo com afável contento Contente e não só de lamento Lamentando se é descontente Então me vou firme e sedento Sedento de vida inteiramente Inteiramente e com sentimento Sentimento este dependente Dependente do amor, alento Alento a alma, ao fado, tente! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

À ALMA DE MINHA MÃE Partiu-se o cordão do amor absoluto No meu desditoso fado então trincado
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À ALMA DE MINHA MÃE Partiu-se o cordão do amor absoluto No meu desditoso fado então trincado E as preces no rosário assim de luto Rezam tristuras no chão do cerrado Lacrimoso eu, debalde na dor soluto Soluça a baixa deste relicário delicado Minha mãe, tão jovem em seu atributo Pôs suspiros no meu peito instigado Tal um ramo que seca sem dar fruto Em um outono tão frio e desfolhado Assim, o meu afeto se faz convoluto E na continha de saudade, ao lado Das lembranças dum amor resoluto À alma de minha mãe, louvor ofertado! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano

CIDADE SORRISO Em minha memória, uma saudade Dos tempos de outrora, um aviso
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CIDADE SORRISO Em minha memória, uma saudade Dos tempos de outrora, um aviso Daqui fui, aqui voltarei, realidade Uma mineira cidade, cidade sorriso Onde sempre fui, territorialidade De minha alma, aqui sou indiviso... Neste um universo, versa a beleza Gente de minha história, de contos Em um recital duma incrível pureza Poesia nas velhas cadeiras, pontos Seresteiros cheios de doce certeza Nada ali é pequeno. São confrontos! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

ACALANTO Ide amor. Traga de onde quiseres
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ACALANTO Ide amor. Traga de onde quiseres O ser amado. De onde for! E, se não o teres No prazer do teu calor Volte! Não é adeveres Tê-lo como louvor Se acaso cansares Outro conforto há no Criador Se desejares Serás vencedor Pois amor é satisfação E, não um gestor Acalme o seu coração! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, 12, junho Cerrado goiano

CHEIRO DE CERRADO Quando a alvorada chegou, eu fui a janela Sentei-me. O horizonte abriu, a vida arfava
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CHEIRO DE CERRADO Quando a alvorada chegou, eu fui a janela Sentei-me. O horizonte abriu, a vida arfava Eu, ao vento, atraído, a essa hora admirava E estaquei, vendo-a esplendorosa e bela Era o cerrado, era a diversidade em fava Céu róseo um mimo! A arder como vela De pureza singela tal qual uma donzela Que hipnotizava a alma, eu, observava Então me perdi no perfume que exalava O olhar velava com pasmo e com tutela Aí, hauri toda a essência que fulgurava E agora, fugaz, lembrando ainda dela Sinto o cheiro, que na memória trava Da alvorada do cerrado vista da janela © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

A JANELA E A LUA (soneto) Já de ti - dizia a lua - me despeço Pra janela, no cerrado com sorriso
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A JANELA E A LUA (soneto) Já de ti - dizia a lua - me despeço Pra janela, no cerrado com sorriso Deixo-te com os sonhos. Preciso ir... O sol já está no seu ingresso No horizonte me embaço no paraíso De tua fresta vê-me no meu avesso Diz a lua no clarão no céu disperso E eu, noturna, indecisa, me diviso E, escancarada, alegre, a ti expresso Até mais logo! Vá com lotado juízo Diz a janela pra lua, breve regresso! E está, que já dormia, de sobreaviso Inteirou a janela deste seu recesso Até a noite, quando volta no improviso © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

SONETO AO ACASO Estou atrasado para nova direção Dar ao destino uma nova fantasia
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SONETO AO ACASO Estou atrasado para nova direção Dar ao destino uma nova fantasia E ao espírito possa ter novo guia Além dos afligir que fere o coração Agora é tarde, entardeceu o dia A alma está enrugada de emoção Sonho entrajou-se de recordação E o querer já não mais me alumia Tenho ido empós do bom ideal Nem sei qual será este tal final Deste declínio que me barbaria Afinal, pouca sorte foi meu ritual Já o amor, o preservei bem jovial Pra na lápide tê-lo como honraria... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

Sou Caipira Sou pé na terra poeta na estrada
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Sou Caipira Sou pé na terra poeta na estrada mineiro da serra e sua esplanada... Eu vim do cheiro do cerrado fogão de lenha, teto esfumaçado lamparina, sem forro o telhado chão batido, manhãs com mugido do gado. Cresci no curral, junto de peão viola, causos, anedota e mentira nutrindo a inocente imaginação sem que o tempo a aluíra Sou araguarino, menino, alma cuíra... Caipira!

BALADA DO TEMPO (soneto) ... e o tempo passa, indiferente apático, indo embora sem saber
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BALADA DO TEMPO (soneto) ... e o tempo passa, indiferente apático, indo embora sem saber poente na saudade, o alvorecer mais um, outro, apressadamente ... dono dos gestos e do prazer tristemente, tal uma flor dolente que traga o frescor vorazmente no ato da ação do envelhecer e o tempo passa, inteiramente sem que escolhamos perceber e na lembrança, assim, assente passa o tempo, e é para valer sem que nada dele ausente... Presente! Pois vale a pena viver! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

SONETO DUM AMOR IGNOTO Obscuro este amor que me assume E que delira no meu peito ativado
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SONETO DUM AMOR IGNOTO Obscuro este amor que me assume E que delira no meu peito ativado Me faz devanear, ser apaixonado Do qual a razão não está incólume Não o conheço, mas sinto, calado Ruaceiro no juízo, em alto volume Me extasiando com seu perfume O coração totalmente encantado Dele até me contamino com ciúme Sem mesmo nunca o ter encontrado E assim, no desejar, é só queixume Este amor ignoto, e já tão amado Neste oceano de vario cardume O tal, reservado, virá a meu fado... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

A HORA Morrer, Senhor, de súbito, eu quero! Morrer, como quem vai em sua glória
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A HORA Morrer, Senhor, de súbito, eu quero! Morrer, como quem vai em sua glória Despedir-se do mundo em ato mero De repente! Na bagagem só memória Morrer sem saber, estou sendo sincero Rogo, por assim ser, a minha tal hora Morrer simples, sem qualquer exagero Onde o olhar de Deus a minha vitória Morrer, sem precisar ser feito severo Das estórias que fique boa história Fulminando sem lágrimas e lero lero Assim espero, digno desta rogatória Morrer fruto do merecimento vero De ser ligeiro, cerrando a trajetória © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano Paráfrase Augusto Frederico Schmidt

UM DE JULHO (soneto) Se sois, inverno, no cerrado se sente De tempos frios com tal bravio vento
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UM DE JULHO (soneto) Se sois, inverno, no cerrado se sente De tempos frios com tal bravio vento Que tomais a secura como elemento E neste movimento, és inteiramente Nuvioso,horas breves, chão sedento Da mesma natureza, e tão diferente Dias vão que passa no fugaz poente Rubente o céu num encaixotamento E desta vida em tudo ó mês valente Sê da metade do ano, planejamento Férias breves do docente e discente Como do calendário és afolhamento E teu entardecer não mais reluzente Tudo em vós, julho, traz sentimento © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

A VIDA Mirei o horizonte remoto Sonhei acordado fantasias
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A VIDA Mirei o horizonte remoto Sonhei acordado fantasias Do cerrado eu fui devoto Da vida as trovas vazias Era sonho tão maroto Com tortas caligrafias Das quimeras de garoto Seguintes as tais ironias De um tal amor imoto Raras as companhias Com o verso canhoto Ortografei as urgias Então, neste viver piloto Riscados nas heresias De poeta e feliz louco Versejaram os meus dias © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, outubro Cerrado goiano

FISIOTERAPEUTA: Avalia...trata...reavalia...trata...reabilita... alivia... No passo a passo o passo da evolução, às vezes lenta, mas com ágil dedicação, especialização, com o coração.
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FISIOTERAPEUTA: Avalia...trata...reavalia...trata...reabilita... alivia... No passo a passo o passo da evolução, às vezes lenta, mas com ágil dedicação, especialização, com o coração. Pronto para ouvir, sentar junto, animar... Se preciso for, até chorar... É um oferecer, dar o olhar, abraçar, apoiar... Profissional do movimento Auxílio na dor, no alívio atento Ombro amigo, manobra, alento Ao aflito, ali presente, insistente Dedicação, amparo consistente Perito aliado na reabilitação... Ao Fisioterapeuta saudação! Feliz dia! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Rio, 13/10/2010

A PRIMAVERA Dentre todas, eu novamente Aqui num novo ciclo a brotar
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A PRIMAVERA Dentre todas, eu novamente Aqui num novo ciclo a brotar Sou a reflora, oh minha gente! A todo canto, acabo de chegar Cheguei! Vim toda contente Perfumada, colorida, doce ar Se aconchegue e se assente Sou fascinação em todo lugar De todas a mais bela. Ingente! Repleta de feitiço a figurar Que da sedução sou regente E no amor o remate pra amar Venham todos, todos venham Sou a estação para encantar Sou poesia. E que todos tenham Magia, eu a primavera a celebrar! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Setembro de 2017 Brasília

NOITE Cai a noite no planalto Vinda de lugar algum
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NOITE Cai a noite no planalto Vinda de lugar algum Estrelas lá no alto O anoitecer no dejejum De um quarto vazio Além da janela, a cidade Brasília, num luzidio A magia é divindade Ruas desertas, silêncio vadio O dia foi embora, majestade Sentado num canto, já é tardio Cai a noite na cidade! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Setembro de 2017 Brasília

VOZ DO SILÊNCIO O silêncio brada vazios inconfessos Num linguajar da emoção em espera
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VOZ DO SILÊNCIO O silêncio brada vazios inconfessos Num linguajar da emoção em espera Desatados da tribulação tão megera Tecendo sensos selvosos e travessos No silêncio escoa solidão em esfera Soprando suspiros turvos e espessos Dos enganos emudecidos e avessos Do tormento, ásperos, tal uma tapera É no silêncio que se traga a memória Desfolhados das sílabas da estória Do tempo, despertando os momentos Tal o vento, o silêncio é uma oratória Que verborreia o pensar em trajetória Nos lábios lânguidos, frios e sedentos © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Setembro de 2017 Cerrado goiano

A SOMBRA DUM PEQUIZEIRO Fugi da sequidão do mormaço, do calor grosseiro
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A SOMBRA DUM PEQUIZEIRO Fugi da sequidão do mormaço, do calor grosseiro busquei, na beira do ricão a sombra de um pequizeiro O fumo no céu embaçado ar poeirado, era paragem e na imensidão do cerrado o horizonte, uma miragem... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Setembro, 2017 Cerrado goiano

SONETO VELOZ Da varanda vi a meninada jogando bola No vizinho a moda de viola ia distante
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SONETO VELOZ Da varanda vi a meninada jogando bola No vizinho a moda de viola ia distante Tornando o meu pensamento pensante Que a vida é levada numa veloz padiola Ao sentir que o tempo na hora é dante E um ilusionista estradeiro e sem sola E que não nos espera em sua charola Me vi diante duma saudade palpitante Lembrei o primeiro amor, a juventude As fotos amareladas, agora no ataúde Dum passado, tão forasteiro de heróis Fiquei com a recordação ali amiúde Com os argumentos tão sem atitude E que tanta coisa ficou para depois... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Cerrado goiano Mineiro do cerrado

AMADOR SEM COISA AMADA Ando no cerrado sem coisa amada No coração um eco de um amador
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AMADOR SEM COISA AMADA Ando no cerrado sem coisa amada No coração um eco de um amador Que atroa pela emoção tão atada A solidão, que se dissolve em dor Se me quiser, não me traga cilada Ou então me deixe imoto por favor De tédio a alma já se acha calada E o olhar, no chão, cheio de travor Quando a ventura fica embaciada A sorte se enche de um tal pavor E a sensação fica toda prostrada E no amador sem a coisa amada Sou um apaixonado aonde eu for Aprendiz, buscando está jornada © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Setembro, 2017 Cerrado goiano