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Frases de Poeta mineiro do cerrado - LUCIANO SPAGNOL

666 frases

SONETO NA MADRUGADA No cerrado, numa certa madrugada Sem saber se parava ou caminhava
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SONETO NA MADRUGADA No cerrado, numa certa madrugada Sem saber se parava ou caminhava Se me desiludia ou se me encantava Só sabia que a quimera estava calada Aí, a aflição que a saudade recordava Num céu desmarcado e de mão dada Com a solidão, ali tinha hora marcada E o silêncio então, comigo devaneava Ouvi o vento na janela dando pancada Ansiando entrar, e então, assim ficava Repetindo num bate e bate a chamada E a madrugada que o sono desprezava Grafava dor, aperto, lágrima derramada Num soneto, no qual, só suspiro coava © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, 17/05, 04'35" Cerrado goiano

MOCIDADE JAZ (soneto) Mocidade em mim, em simpatia A sua lembrança já é sem graça
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MOCIDADE JAZ (soneto) Mocidade em mim, em simpatia A sua lembrança já é sem graça Na arena, silêncio, pouca galeria E já tão distante, saudade, lassa Nesta morrinha, de lado a ideologia Pois, acima ou abaixo, tudo passa Apressadamente, serventia é ironia Velhice, prudente palavra: desgraça Nos licores de prazer, só mitologia As perdas já fazem parte da vidraça Do fado, e o entusiasmo na periferia Porém, nem tudo é ledice sombria Curtir a paisagem e brindar a taça Do viver, dizer não, fazem a alegria Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

FOLHAS SECAS (soneto) As saudades das lembranças não feitas Acorrentadas no passado e não dadas
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FOLHAS SECAS (soneto) As saudades das lembranças não feitas Acorrentadas no passado e não dadas Perdidas, sonhadas e até tão desejadas Assim, para a indagação, são estreitas E no como seria, são apenas fachadas Tal como viscosas felicidades suspeitas De possível outro rumo, e boas receitas Na ilusão do tempo, por suas chegadas O ser humano e suas incríveis emoções No ter e querer um prumo de intenções Quando o amor é espera em movimento Encanta-me a ação da vida, as razões As utópicas e inúteis e frágeis aflições Todas, folhas secas, levadas ao vento... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano

LOMBEIRA (soneto) Tardes do cerrado goiano, lombeira Tão ressequidas, de tão árida vida
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LOMBEIRA (soneto) Tardes do cerrado goiano, lombeira Tão ressequidas, de tão árida vida Tardes com a sua lentidão parida De melancolia à sombra da lobeira Horas benditas, de demora dormida Que nas horas se faz hora terceira Tardes de silêncio, tarde feiticeira Languidez na languidez desmedida Olhos serrados, sonho sem fronteira Tarde muda, do tempo, hora vencida Na imensidão bem além da porteira E nesta doce pureza a tarde caída Que poisa hora serena, por inteira As tardes, tecendo hora perdida... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro de 2017 Cerrado goiano

AGORA o cerrado tornou-se anuário um conflito de cada vez
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AGORA o cerrado tornou-se anuário um conflito de cada vez um desvario diário e no calendário, vário, era o mês foi então que o tempo eu vi num número, na saudade uma dor, que na dor eu senti cada sabor, amor, tudo banalidade pois, o hoje é aqui... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Setembro de 2017 Cerrado goiano

DEVOÇÃO Tenho na parede do quarto, em devoção O Sagrado Coração, numa oval moldura
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DEVOÇÃO Tenho na parede do quarto, em devoção O Sagrado Coração, numa oval moldura Antiga e familiar, que eleva a estrutura Expondo a minha fé em beata oração Ali deposito e abriga a crença em brandura Onde as mágoas são postas em redenção E o bem e a paz invadem todo o coração Em louvores, em confiança e eterna jura E neste afeto sensato, exato é a paixão Por quem por nós trouxe amor e ternura Na simplicidade e na grandeza do perdão E na diária cura, quem é de Deus criatura Feliz permanece, no destino, na comunhão Pois, nesta verdade, habita a real ventura Luciano Spagnol Início de julho, 2016 Cerrado goiano

SONETO DO AMOR POETA O amor que poeta unicamente para ti, luzente verso incisor
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SONETO DO AMOR POETA O amor que poeta unicamente para ti, luzente verso incisor tão exclusivo em trova maior e de inspiração total e ingente É compendio tão integralmente do coração, pulsando estertor no peito forte e lugubremente deste humilde, ao seu dispor Poeta, outrora independente agora prisioneiro e pecador deste querer-te impaciente Ao receber-te este poema flor leia com o olhar complacente é uma confissão do meu amor Luciano Spagnol Junho de 2016 Cerrado goiano

SONETO EM SENSAÇÕES Amor é abstrato, figura do coração É tal qual perfume grassando o ar
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SONETO EM SENSAÇÕES Amor é abstrato, figura do coração É tal qual perfume grassando o ar Promessa e jura apoiada no altar Quando dois olhares num só são É sentimento, que nunca é em vão Traz sonho e nos faz assim sonhar Faz picada no anseio, pra caminhar Um desejo nutritivo para a emoção Amar do amor vai além, é o gostar Espírito numa perfeita comunhão Dança que põe o sangue a dançar Nesta atração há poesia e canção Que invade o peito e põe a tilintar E aos sentidos traz varia sensação Luciano Spagnol Cerrado goiano

AMOR POUCO (soneto) Num amor pouco, parco é o afago É não saber quão bom é o presente
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AMOR POUCO (soneto) Num amor pouco, parco é o afago É não saber quão bom é o presente Assim, poder a alma estar contente E ter por alguém um sorriso largo Aí, fica tão carente do sentir quente Perde-se do alvo do farejado frago Têm-se na solidão o gosto amargo E ausência do beijo, de repente (roubado) Sem amor, saudade é vazio selado Dos rumos da vida se é deslocado É mergulhar na luz sem densidade E neste universo do eu tão calado Desta redoma de um olhar isolado Amor pouco, é ter-se pela metade Luciano Spagnol Agosto de 2016 Cerrado goiano

Desaparecimento Não deixe o silêncio te vencer Velhice do fim deve ser ingente
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Desaparecimento Não deixe o silêncio te vencer Velhice do fim deve ser ingente Exista, concorde no mais viver Creia, noite tem amanhecer Respire com o olhar vivente Tenha manhã para anoitecer Pois, saudade, o justo é sofrer Então, se oponha ao sol poente Suspire, alente sem se render Pai, o teu decesso, faz fender O coração, é choro "sofrente" Duma lágrima que quer ceder Não saia do alcance... Tente! Lute, tente pra luz não morrer! De sua benção ficarei ausente... Luciano Spagnol Junho de 2014, 02'44" Cerrado goiano Parodiando Dylan Thomas

EU POETO, ELA POESIA (soneto) Não sou só, os poemas são companhia Sempre comigo, falam com a inspiração
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EU POETO, ELA POESIA (soneto) Não sou só, os poemas são companhia Sempre comigo, falam com a inspiração Traz lá de fora o diverso numa multidão De cores, e sabores, em total demasia Sou poeta! Na reta: curva e ondulação Num labirinto de devaneios como guia Aquecidos pela chama duma tal magia Do doce amor, saídas do meu coração Sim, não estou só: eu poeto, ela poesia Que vive em mim numa eterna emoção Se estranho ou comum, a mim sacristia Nesta verve, não sei o que é ter solidão Se assim me compraz, não tenho ironia: Pranto, canto ou nostalgia, só questão. Luciano Spagnol Agosto de 2016 Cerrado goiano

SONETO SILENTE Dia nublado no cerrado com ventania Nostalgia nos olhos alumia o nebuloso
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SONETO SILENTE Dia nublado no cerrado com ventania Nostalgia nos olhos alumia o nebuloso Tal como folha seca me sinto fragoso Na brisa árida dum céu de monotonia Range o peito num cântico escabroso Apofântico, sem firmamento na poesia Num par romântico de solidão e euforia Tal chuva escassa no sertão sequioso Alvorecer sem brilho e luz com alegria Trazendo imenso sentimento saudoso E na disposição uma tão nada ousadia Caminho soturno neste vazio rigoroso De chão cascalhado e de desarmonia Que o silêncio comutou, vinho precioso Luciano Spagnol Agosto de 2016 Cerrado goiano

UMA CANÇÃO (soneto) Este meu trovar é para nós dois Num poema aterrado no coração
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UMA CANÇÃO (soneto) Este meu trovar é para nós dois Num poema aterrado no coração Com versos cifrados na emoção Ouça! E não o deixe para depois É fruto da lembrança em inspiração Que surge do que para mim tu sois Não de um tal silêncio em vão, pois Este, só faz saudosar e ter distinção Se aqui no canto tem algum pranto Saiba que é porque eu te amo tanto E cada lágrima poetada é de paixão Eis, então, a minha voz, entretanto Leia nas entrelinhas só o encanto E verás muito mais que uma canção! Luciano Spagnol 21, agosto, 2016 Cerrado goiano

ÚLTIMO SONETO PRA TI Alega o teu olhar não me querer mais com palavras tão vazias e sem dispor
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ÚLTIMO SONETO PRA TI Alega o teu olhar não me querer mais com palavras tão vazias e sem dispor Agora como sair deste vicio imperador se no coração, ter-ti, ventura me traz Alega tuas mãos, negação e mal humor é um artifício impensável que dói demais E nesta meada a tramontana é a que vais se com plangor, é por ter tédio no clamor Agora me sinto um nada nos teus sinais São tantos versos esquálidos e sem cor Deserção, desencontro e desapego tais Pois, minha emoção sempre foi dispor o laço, nos laços não foram desiguais... Se lhe é aversão, saiba que eu fui amor Luciano Spagnol Agosto de 2016 Cerrado goiano

FRONTEIRA (soneto) Em cada rosa, sempre existe espinhos Nos árduos caminhos, também vitórias
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FRONTEIRA (soneto) Em cada rosa, sempre existe espinhos Nos árduos caminhos, também vitórias Na humildade é que se escreve glórias E com amor no amor se tem carinhos Somos breve nestas águas transitórias Para que seja leve, deixe os desalinhos No tempo, tão valioso, e tão torvelinhos Então, sê a figura mor de suas histórias Nutre-se do néctar de querer mudança Pois cada instante da vida é esperança E a cada espera, objetivos e memórias Perder ou ganhar são só da vida aliança Tente. Persevere. Ai terás mais bonança Trace nestas diversidades as trajetórias Luciano Spagnol Agosto de 2016 Cerrado goiano

ALVORADA NO CERRADO (outono) O vento árido contorna o cerrado Entre tortos galhos e a seca folha
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ALVORADA NO CERRADO (outono) O vento árido contorna o cerrado Entre tortos galhos e a seca folha Cascalhado, assim, o chão assolha No horizonte o sol nasce alvorado Corado o céu põe a treva na encolha Os buritis se retorcem de lado a lado Qual aceno no talo por eles ofertado Em reverência a estação da desfolha Canta o João de barro no seu telhado É o amanhecer pelo sertão anunciado Em um bordão de gratidão ao outono A noite desmaia no dia despertado Acorda a vida do leito consagrado É a alvorada do cerrado no seu trono Luciano Spagnol Agosto/ 2016 Cerrado goiano

TEMPORADA DA VIDA (soneto) A temporada da vida, apressurada De encenação tão ágil e tão breve
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TEMPORADA DA VIDA (soneto) A temporada da vida, apressurada De encenação tão ágil e tão breve Aspira a existência tal qual ar leve E nos leva numa célere enxurrada O fado de asas que não susteve Se enlaça na fragilidade tramada Em tênue mormaço e mais nada Criando a história do que se teve Por que a tão delgada cadência? Dissolvida nesta árida impotência Quando se quer mais no amanhã Num sopro de alta magnificência O dom de existir, se contingência É a morte, que a vida seja anfitriã Luciano Spagnol Agosto/ 2016 Cerrado goiano

BORDÃO (soneto) Recordar-te é fazer brotar o amor que não morreu, estava prostrado
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BORDÃO (soneto) Recordar-te é fazer brotar o amor que não morreu, estava prostrado e num gesto apenas demonstrado revive que amei, com um tal fervor É de um silêncio tão ensurdecedor que o presente então vira passado o passado na saudade é lembrado e guardado no peito a ti acolhedor No tempo e espaço, a imaginação delira com sofreguidão da evasão aos tinos, por mais que não olhe-os Então, que me resta é a recordação e sonhar, pois és sempre o bordão de nostálgica memória aos olhos! Luciano Spagnol Agosto/ 2016 Cerrado goiano

LAMPADÁRIO No breu do céu, ilustre lampadário A lua, cingida de estrelas lucilando
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LAMPADÁRIO No breu do céu, ilustre lampadário A lua, cingida de estrelas lucilando Conforme a uma princesa levitando Se orna de fulgor num alvo aquário Como nas mãos da arte pintando O belo e o encantado, num cenário De esplendor, e num painel solitário A dama da noite, vai coruscando Eis a lua, rúbea nudez, e inconstante Que traz devaneios por ela vigilante Ora cheia, ora minguante, ali rimando É o lustre celeste de olhar radiante Que se pendura os segredos dante E os oculta nos sonhos tão sonhado Luciano Spagnol Agosto/ 2016 Cerrado goiano

SOM DO CERRADO (soneto) Escuto o cerrado a cantar, em atroada Canção do vento, da sequidão, escuto
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SOM DO CERRADO (soneto) Escuto o cerrado a cantar, em atroada Canção do vento, da sequidão, escuto Numa trovoada, e a emoção em fruto De silêncio, no coração em disparada Cada uma melodia deste chão tão bruto Rasga o planalto numa voz empoeirada De cantigas pela caliandra emoldurada De bela cena e de árido hino em tributo As flores do ipê, caem em fúnebre toada No ritmo do por do sol se pondo soluto Orquestrando a vida diversa e iluminada E pela estrada os sons no olhar arguto Cantam e encantam, minuto a minuto Os ruídos sonoros numa alma calada... Luciano Spagnol Agosto/ 2016 Cerrado goiano