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Frases de Poeta mineiro do cerrado - LUCIANO SPAGNOL

666 frases

O MEU POETAR (soneto) Eu poeto porque sou prosa Brindado no redigir o brado
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O MEU POETAR (soneto) Eu poeto porque sou prosa Brindado no redigir o brado Trilhando os trilhos do fado De poesia e alma amorosa Poeto como quem é atado Aos versos. Sede preciosa Se suspiros, arte dolorosa Que imergem do eu calado Poeto com a voz corajosa Do amor à vida, indomado Sem amarras, força curiosa Canto os devaneios, alado Tal o perfume de uma rosa O poeta mineiro do cerrado! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano

RODEIO DO TEMPO Sinto o vento áspero que repousa em mim Na noite do cerrado, entre o céu e o chão
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RODEIO DO TEMPO Sinto o vento áspero que repousa em mim Na noite do cerrado, entre o céu e o chão Bafejado do horizonte, imbuído na emoção Desfolhando a poesia enroladas em cetim Sinto o solfejo do inverno de julho, então Me cubro com a brisa de sonho carmim Corrompendo o fado, e erguendo jardim Criando quimeras no alquebrado coração Meu corpo é alado tal ficção de folhetim Dessangrando nas saudades de paixão Suspirando os reveses deixados no fim Fecho os olhos e me vejo na imensidão Da captura, breve, tal ledices de festim Deste rodeio do tempo, cheios de ilusão © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

SILÊNCIO DAS MADRUGADAS (soneto) Ainda muita expressão não me avieste As achatei nas lástimas e tão guardadas
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SILÊNCIO DAS MADRUGADAS (soneto) Ainda muita expressão não me avieste As achatei nas lástimas e tão guardadas Ações que pelo vento foram dispersadas E na imensidão do cerrado se fez agreste Tenho em mim sílabas em vão esperadas Se devaneio é porque o sonho me veste E frases trêmulas vão pelo espaço celeste Enredando o destino com outras paradas Foi quando o fado me fez centro oeste Na busca das tão molestadas bofetadas Das chagas, que a dor ornou com cipreste Assim, eu, ainda tenho palavras caladas Nas angústias do coração... tão cafajeste! Que insistem no silêncio das madrugadas © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

EXALTAÇÃO AO CERRADO (soneto) Retorcido, bem se sabe. Mas encantador nos seus planaltos, berço extraordinário
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EXALTAÇÃO AO CERRADO (soneto) Retorcido, bem se sabe. Mas encantador nos seus planaltos, berço extraordinário desabrocham ipês, pequis no seu cenário de um chão cascalhado e forrado de flor E neste imenso entrançado, e tão vário a vida luta com garra, resistência e ardor tal como gladiador, ou um guará solitário o cerrado é aos olhos ato transformador Nada o impede que seja do belo apogeu se o belo no encanto o encanto acendeu e fascina, do dessemelhante embaixador Deus o pôs, de um nobre a um plebeu riscando o horizonte com a luz e breu em uma quimera de paixão e de amor! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

PASSARINHO O passarinho, pelo céu, passa Entre galhos, voo, mansinho
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PASSARINHO O passarinho, pelo céu, passa Entre galhos, voo, mansinho Desliza toda a sua graça És livre no seu livre caminho Na secura do cerrado, reaça Entre tortos galhos, seu ninho Num canto de encanto, bocaça Aveludando a aridez num alinho Lá, cá, acolá, na frente, na regaça Em bando, passarinho, sozinho És leve, garrido, como a cassa Em galhos macios ou de espinho Voa deslizante, de braça em braça No campo, praça, qualquer cantinho O passarinho, bom prol nos faça! Ás, lento, alto ou baixinho, passarinho... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 28 novembro, 00’25” – 2017 Cerrado goiano

VERBO SER Eu sou ou vou ser? Questão. Qual conjugação?
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VERBO SER Eu sou ou vou ser? Questão. Qual conjugação? É ter, crescer, florecer? Então, onde o sim e o não? Se para ser, tem de ter! Dói? Corrói? É bom? É triste? Faz parte de escolher. Ser, ter, crescer, na vida existe... Não se pode esquecer. © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 19 de março de 2018 Cerrado goiano

CANTIGA PRA AMAR Quando o coração de amor chora os olhos no olhar se tornam breve
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CANTIGA PRA AMAR Quando o coração de amor chora os olhos no olhar se tornam breve embora, cada gota, a alma deve. Não me leve! Se acaso a ilusão for senhora e carregar na mão a emoção deixe-me ir embora pois, vazio vai estar a paixão. Então, me leve por aí afora e me ensine como recordar: como o amor tem a sua hora e amando é que se deve amar... Assim, quimeras terei no pensamento no corpo, a pele a arrepiar e não o terei no esquecimento. © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 15 de março de 2018 Cerrado goiano

FUNERAL Quando eu morrer, atenção É do mar o rumo da cidade
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FUNERAL Quando eu morrer, atenção É do mar o rumo da cidade E não o cerrado a direção Saudade As mãos enterrem em Madureira O coração levem para Ipanema Na Coelho Neto a alma por inteira Suprema No aterro joguem a minha admiração E meu sotaque mineiro anexado Na Igreja da Glória, minha oração Largo do Machado Os ouvidos deixem na São Salvador Degustando os chorinhos de domingo Sepultem a cabeça na pedra do Arpoador Gringo Na "SAARA" depositem minha ambição Em Botafogo os olhos na sessão de cinema Do Redentor as cinzas que restaram Poema O juízo abandonem aos seus Que desvivam como viveram Assim seja, o espírito em Deus Adeus © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 09/04/2016, 18'00" Cerrado goiano (Parafraseando Mário de Andrade)

SILÊNCIO EM SILÊNCIO Do que valeu a noite, se rasgando na madrugada
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SILÊNCIO EM SILÊNCIO Do que valeu a noite, se rasgando na madrugada onde se perdeu na fronte da poesia imaculada ativando a quimera do cerrado numa fronha pisoteada de um leito calado duelando num ritual sem cerimônia do poetar e o fado cansado. Se só restou apenas a insônia. O vento mudo, em troca, tagarelava totalmente sem conteúdo com o sono, e assim falava de sonho sanhudo fados inconfessos silêncio em silêncio, rudo. “Se somente sou quando em versos.” © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2018, 3’05” Cerrado goiano Paráfrase Thiago de Mello

DUETO (soneto) A minha tristura é uma gargalhada A saudade um suspiro. Ela chorava
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DUETO (soneto) A minha tristura é uma gargalhada A saudade um suspiro. Ela chorava Na solidão onde eu me encontrava Me deixando além d'alma estacada Os sonhos pouco ou nada resvalava Pelo olhar. Não tinha a asa dourada A saudade ria com a tristura chegada Sob a cruel melancolia que matava Do sorriso a saudade fez morada Sequer de um pranto ela alegrava Tinha tristura na sinfonia cantada No dueto: saudade e tristura, aldrava O coração no peito, da aflição criada. Então, atrozes, alívio na poesia forjava... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro de 2017 Cerrado goiano

O POETA O poeta É um mago ator
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O POETA O poeta É um mago ator Tira de sua maleta Trilhas de dor e amor Encenando com a caneta Atos com cheiro e sabor Da criação Para o ledor, espectador... Assim, nesta atuação Dum eterno amador Desfia fantasia da imaginação... Em cenas, como autor. Luciano Spagnol Cerrado goiano

SONETO NUMA SÓ DIREÇÃO Tudo é ligeiro, fulgaz e pura ilusão Do pó, e para o pó, somos nada
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SONETO NUMA SÓ DIREÇÃO Tudo é ligeiro, fulgaz e pura ilusão Do pó, e para o pó, somos nada Mal desperta a quimera sonhada Vem logo a sorte na contramão O tempo nos engana, só fachada Então, ter vaidade, é mundo vão Primavera florada, inverno, verão Outono de folhas ao vento levada O que as mãos remam, passaram A emoção faz do coração morada Nesta trilha de dúvidas, vastidão Porém, o amor, ah! Este é jangada De velas içadas, numa só direção Levando a alma, numa só toada Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro de 2017 Cerrado goiano

ROTEIRO DO SILÊNCIO Não há silêncio assaz Para o meu sossego
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ROTEIRO DO SILÊNCIO Não há silêncio assaz Para o meu sossego O cerrado uiva ineficaz Não há nenhum apego No horizonte fulgaz E tão pouco, aconchego No canibalizar a paz... Perdido os cães ganem O sino da igreja tão capaz Tange mais, que amém E não é bastante voraz Pros silêncios tais, porém, Me leva a todo silêncio audaz Qual a solidão devaneia também. O meu silêncio é maior Que toda solidão, vai além. © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2018, janeiro Brasília, DF Paráfrase Hilda Hilst

CÉU DE BRASÍLIA Rasgam-se as nuvens no céu do planalto invadindo o azul anil do cerrado
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CÉU DE BRASÍLIA Rasgam-se as nuvens no céu do planalto invadindo o azul anil do cerrado E se mantém ao longe... num salto ouvindo o som do horizonte encantado Surge, tal algodão, no céu... a nevar desenhando quimeras na esplanada O sertão mantém-se calado a sonhar na vastidão, aguardando a alvorada... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro de 2018 Brasília, DF

ENTÃO Me traga dor Saudade
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ENTÃO Me traga dor Saudade Só não me deixe sem amor Eterna felicidade Pois, assim, é morte Juntemos o sofrimento Num sentimento forte E neste aprendizado Sorte E façamos dele ansiado Direcionando o norte E o coração Suporte Encante, uma canção Me dê amor! Emoção Oferte uma flor Me deixe sem chão Só não me tires o amor Então... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Cerrado goiano

SONETO DA PERDA Nuca eu quisera desejado tal saber Dizer com a dor um adeus querido
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SONETO DA PERDA Nuca eu quisera desejado tal saber Dizer com a dor um adeus querido Erigindo com o dano choro balido Fugindo com a harmonia do viver Dó é arrancada do pesar instituído Saudade deplorada de não mais ter Que somente lembranças há de ver E lágrimas no suspiro do vil contido Some, e põe o amor tão triste... Ser Sorriso suspenso, prazer em gemido E a noite tão distante do amanhecer Nunca ninguém pela perda ter podido Dói tanto, tão dolorido, a permanecer Que no sentido, o desalento é definido Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

MINAS Eu sou de lá das bandas das Minas Gerais Das boas estórias, nossas, vou confessar
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MINAS Eu sou de lá das bandas das Minas Gerais Das boas estórias, nossas, vou confessar Terra do povo mineiro, bão, pra se admirar Leite tirado na hora, roça, e seus arraiais De volta à estrada das pedras, a retornar Se daqui parti, voltar é bão, bão demais Apreciar os planaltos e as estradas Reais Pão de queijo, broas de milho pra assar Tem, também, pamonhas e os milharais Lavorando o cerrado, o caboclo a lavrar É do Triângulo, donde são meus currais Imenso céu, as lembranças, põe a sonhar Araguari, cidade natal, e os velhos locais É saudade passo a passo disputando olhar Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017

CERRADO PÁLIDO Cerrado pálido, em meu poetar Vem, e com mais cor, por favor
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CERRADO PÁLIDO Cerrado pálido, em meu poetar Vem, e com mais cor, por favor Esconder o sufocante amargor Porque desbotou o meu versar Aí, o meu pobre senso criador Cuida que é menos o tal pesar Por estar tão pouco a celebrar A emoção, vida, sangue, calor Pois... livre é o teu vento a chiar D'alma o pensamento quer amor E o aflitivo peito, só quer chorar Que há de agora, aí, dizer o autor Pendente na dor e, chora o olhar Se do zelo só queria ser um valedor © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, abril, 05'30" Cerrado goiano

VIVO VIVENDO (soneto) Vivo por viver vivendo a vida somente Agradecido, sempre, sou eu por ela
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VIVO VIVENDO (soneto) Vivo por viver vivendo a vida somente Agradecido, sempre, sou eu por ela Que me dá mais que posso ter dela Agraciado com dádiva tão presente E nesta deste amor tão diversamente Faz dos dias sorrisos, e a alma bela Em cada passo o bem em sentinela Onde no peito este ato não é ausente E a vida vivida na vida, vida me traz Mutuando o pranto pela felicidade Quem dela prova, ventura é capaz De, com alegria, ter a fraternidade Viver vivamente tudo conseguirás Levando no ser paz pra eternidade... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano Sexta feira da paixão

SEGUNDO DIA O segundo dia Da nova semana, depois
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SEGUNDO DIA O segundo dia Da nova semana, depois Do primeiro dia do ano Tudo continua, como dantes, pois O dia a dia no seu plano Caminha igual Ao último dia do ano passado E neste ano renovado Da graça de Deus Que tenha chegado A lua o sol a terra e os seus Giram o segundo dia Como o primeiro girou E nesta trilha ininterrupta O que ficou, se expirou Agora nas lembranças E nesta nova captura De novos tempos O passado passou O presente em novos momentos Choros e risos Em pleno voo Seguros ou indecisos O acaso vai, eu vou É nestes tantos imprecisos Amanhece o segundo dia do ano Que a cada segundo Minutos, no relógio vai badalando Até o último dia do ano Num vicioso ciclo se formando... O fado a vida devorando! É o segundo dia do ano... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 02/01/2015, 05’05” Cerrado goiano