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Frases de Poeta mineiro do cerrado - LUCIANO SPAGNOL

666 frases

IMPERFEITO (soneto) Pai, o que dizer de meus defeitos Tantos, que nem sei como falar
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IMPERFEITO (soneto) Pai, o que dizer de meus defeitos Tantos, que nem sei como falar Fere o peito, só ti pode perdoar Os meus atos não são perfeitos Pai, eu não venho só me justificar Do altar quero ser parte dos eleitos Da tua palavra ter bons preceitos E os muitos erros, na graça vexar Deite o olhar nos dons suspeitos Do coração tira o que vem maldar Afrouxe os elos do bem estreitos Se não tenho as virtudes de rezar Ouça meu coração e seus aspeitos Murmuram no talho que sabe amar Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

SONETO DE 27 DE FEVEREIRO Dia e mês que levo os anos Nas costas, cada vez maior
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SONETO DE 27 DE FEVEREIRO Dia e mês que levo os anos Nas costas, cada vez maior Nos sonhos hão-se planos No afã do fado, gentil suor Levo com cuidado esta data Num único e poético itinerário Afinal não é ouro nem prata Mas é especial no calendário Nunca posso dar um até mais Pois, veloz já é naturalmente Nas ilusões deixadas no cais E busco ter posposto pendente Ser mais velho, são fatos anuais Ser feliz, é ter a vida de presente... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Cerrado goiano

DESVIO (soneto) Hoje nada quero, nem se a paixão quiser Estou em silêncio, lá fora o alvo me errou
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DESVIO (soneto) Hoje nada quero, nem se a paixão quiser Estou em silêncio, lá fora o alvo me errou Acontece que meu coração de ti cansou Nada quero, mesmo se ainda afeto tiver E assim, nesta emoção, então, eu vou Deixe a ilusão de lado, não sou qualquer No meu sentimento não meta a colher Vai em frente, siga, pois em outra estou Se livra de mim, nada em mim vai acender Não pense em mim, a estação já chegou Desça, pegue o desvio, não vou render Estou machucado, você na dor acertou É o fim, entenda, não vamos mais sofrer Agora só recordação, de quem te amou! Luciano Spagnol Poeta do cerrado Fevereiro, 2017 Cerrado goiano

TAL PROBLEMA (soneto) Está paralela entre nós é tal problema O silêncio do teu olhar é dor em mim
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TAL PROBLEMA (soneto) Está paralela entre nós é tal problema O silêncio do teu olhar é dor em mim A falta do teu cheiro me tira do coxim Sonhar-te solitário, não é esquema Qualquer distância entre nós, é assim Meu peito uiva em um estranho dilema De ter-te numa canção ou num poema Quando a saudade só escreve folhetim Fico te esperando em um telefonema E o minuto é mais que a hora, enfim, Se mudas de quimera, vira pocema Então venha para perto, saia do motim Se tudo está incerto, o certo não é lema E o nosso amor desconhece querer o fim Luciano Spagnol Poeta do cerrado Fevereiro de 2017 Cerrado goiano

SONETO DO AMADOR Amador é o desejo do ser amado Vive desejando mil formas pra achar
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SONETO DO AMADOR Amador é o desejo do ser amado Vive desejando mil formas pra achar Se no amor não tem o que imaginar Pois é virtude no ato de ser desejado Se nele se tem o ser transformado Onde mais o amador quer desejar? Pois só assim o bem irá conquistar E o afeto na alma então será liado Mas se pouco for o desejo no olhar Pouco o amador terá encontrado Aí por ele, o amor, então vai passar Se ao amador o amor é cobiçado Então deixe o amor lhe alcançar Pois o verbo dum amador é amar Luciano Spagnol Poeta do cerrado Fevereiro de 2017 Cerrado goiano

SONETO DO CORAÇÃO Ah, coração de sentimento involuntário Pulsa avido quando quer e, bate forte
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SONETO DO CORAÇÃO Ah, coração de sentimento involuntário Pulsa avido quando quer e, bate forte Se otário, apenas ingênuo num importe És continuamente um aprendiz estagiário Na saudade, aperta, da dor, faz reporte Mas também alivia no correto itinerário Porém, urgi quando o fluxo é o contrário Porque é liberdade e do afeto transporte Se apressado, pode ficar sem destinatário Se incontrolado, o fado é sempre a morte Assim caminha, assim atua no seu cenário Sábio foi quem disse que o coração é sorte Na desilusão, e suporte sempre necessário No amor, pois vai além de ser só consorte Luciano Spagnol Poeta do cerrado Fevereiro de 2017 Cerrado goiano

FIM DA VOLTA (soneto) E pelo cerrado eu fui, prosseguia No coração só saudades e medo
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FIM DA VOLTA (soneto) E pelo cerrado eu fui, prosseguia No coração só saudades e medo No olhar lembranças em segredo O vento pálido em prece reluzia Longínquo o horizonte, romaria Espesso e truncado o arvoredo Rasteiro, estava mudo e quedo Nenhum pio ao derredor ouvia Parca aragem, alma em degredo Ferindo-me no silêncio aí eu ia No peito a dor velava o enredo Fim da volta, para ti eu partia As mãos tomando-me um aedo Tive que aprender nova alegria... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Fevereiro de 2017 Cerrado goiano

SONETO DA PAIXÃO Há que bom seria, poder tocar-te Enrolar as minhas mãos no carinho
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SONETO DA PAIXÃO Há que bom seria, poder tocar-te Enrolar as minhas mãos no carinho Entrelaçar o meu olhar no teu linho Das carícias, assim, então amar-te Há se eu pudesse trilhar o caminho Dos sonhos que te fazem à parte Dos ardentes desejos, ó doce arte Bebida no afago, em taça de vinho Onde andas tu ó cálida paixão baluarte Venha e da solidão arranque o espinho No vitral do sentimento és estandarte Te quero no peito, coração, no verde ninho Te espero no tempo que a demora reparte Qualquer hora, não seja tarde, aqui sozinho! Luciano Spagnol Poeta do cerrado Fevereiro de 2017 Cerrado goiano

SONETO DO ENCONTRO De repente ali, eu e tu, numa colisão O coração disparado tal doce jornada
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SONETO DO ENCONTRO De repente ali, eu e tu, numa colisão O coração disparado tal doce jornada Os olhos então calados, a mão suada E o peito sussurrando toda a emoção Aí uma voz fez saber da tua chegada E neste silêncio seco, uma explosão De um olá! Então me vi num turbilhão Pouco se fez o tempo, na veloz toada Busquei descerrar minh'alma fechada Para devorar-te numa franca devoção Tal qual a paixão no cerne encarnada E então neste soneto a minha canção Pra celebrar a quimera aqui cantada De amor, que é possível, que é razão... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Fevereiro de 2017 Cerrado goiano

EXORTAÇÃO (soneto) Devaneia, poeta! Sonhar sossega a mente entorpece o sentimento perverso do ser
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EXORTAÇÃO (soneto) Devaneia, poeta! Sonhar sossega a mente entorpece o sentimento perverso do ser a poesia mais que ideal do sublime viver trazendo o profundo da alma vorazmente Sonha, poeta! Assim terás mais que ter no infinito, sendo tudo indefinidamente exortando a vida, num amor semente onde o prazer é mais que querer valer Olvida tudo, fugaz é o tempo da gente tão rápido quanto outrora foi o nascer que agora o passado se faz presente Se o fado pouco ou nada pode trazer leva tu, e não seja na ilusão indigente pois existir no sonho sonhado é vencer © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

FRIO (soneto) Arrefece o cerrado dentro do frio E cada bafejo é o frio no caixilho
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FRIO (soneto) Arrefece o cerrado dentro do frio E cada bafejo é o frio no caixilho Da ventana, escorrendo no ladrilho Mais frio, n'alma causando arrepio Me encolho neste frio chorrilho Que ascende o inverno em feitio Ouvindo em anexo um assobio Do vento, eriçando até o fundilho E lá fora é frio que atulha o vazio Cá dentro o gelado em trocadilho Em coro com o friasco tão bravio Sinto chiar na vidraça num gatilho De frio, sombrio este tal tão vadio Aquentado com o chá e sequilho © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

PERDÃO (soneto) Cá estou, meu Senhor, a pedir perdão Tal o humano: muito errei no caminho
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PERDÃO (soneto) Cá estou, meu Senhor, a pedir perdão Tal o humano: muito errei no caminho Se de tuas leis desviei, dá-me alinho Tentei ser, do afim irmão, mais irmão Se de meu olhar ausentou o carinho Perdão! Aqui me tens em confissão Me ensina rezar com Vosso coração Na omissão, fui um ser mesquinho Não matei, nem roubei, fui em vão? Perdão! Me tira deste mal cantinho Se declinei, pouca era minha razão Compaixão por me achar sozinho Se no amor não pude ser paixão Perdão pela tua coroa de espinho! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

VOEJAR (soneto) Como deve ser bom voar, no céu planar Asas ao vento no cerrado, solto ao léu
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VOEJAR (soneto) Como deve ser bom voar, no céu planar Asas ao vento no cerrado, solto ao léu Tal periquitos, e sobre corcel no tropel Fechar os olhos e sentir o paladar do ar Ir acima dos buritis, ipês, num carrocel Resvalar nas estrelas, na nuvem pairar Revoar como as aves, e assim delirar Em quimeras, qual estórias de cordel Deve ser uma rara sensação ímpar Pros sem asas uma falta bem cruel Que só na ilusão, possível esvoaçar Só queria voar! Ter asas de papel Poder ao sonho de Ícaro ocupar E com ele então: voejar... voejar!... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

A NOITE ACORDADA Pelo cerrado a me conduzir ia eu pela noite sozinho
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A NOITE ACORDADA Pelo cerrado a me conduzir ia eu pela noite sozinho sem sono pra dormir Ia eu pela noite sem dormir solitário e tão quietinho sem sono e a refletir Eu ia sem sono sem concluir pela noite sem caminho sozinho e tentando sorrir E se ao sono tento aderir a noite comigo juntinho caminha tentando coibir Eu sozinho pela noite a ir sem caminho, pintainho e sem sono para dormir... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

NÔMADE Venho de longínquas terras, do mar Peregrino no cerrado, místico errante
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NÔMADE Venho de longínquas terras, do mar Peregrino no cerrado, místico errante Em busca do meu eu, de me achar E neste chão novo, fui caminhante Assim, no encanto eu fiz o instante No olhar e no coração, sob o luar E na diverso do sertão inconstante O fascínio me ensinou como amar E neste aroma delicioso sonante De vagante ao pouso, pus a ficar Nos dias felizes aqui tão distante Trouxe no peito o nômade sem par Formosa vontade no bem suplicante Cá aterrando no horizonte deste lugar © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

BORBOLETA (soneto) À flor de lobeira do cerrado, azulada Voa a borboleta erradia lentamente
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BORBOLETA (soneto) À flor de lobeira do cerrado, azulada Voa a borboleta erradia lentamente De asas tal multicor do sol poente Num dueto de um balé na estrada É tão imponente e é tão refulgente No horizonte rubro, em uma toada Que hipnotiza o ver e mais nada Doidejando o encanto da gente Só a flor, o que importa, a ela atada Somente! E ao seu redor indiferente Onde ali, a vida se faz multiplicada Neste valsar vaporoso e inocente Do diverso do cerrado camarada Borboleta em voo, é o belo ingente! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

SONETO PERDIDO Eis-me aqui no silêncio do cerrado Longe de mim mesmo, na dúvida
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SONETO PERDIDO Eis-me aqui no silêncio do cerrado Longe de mim mesmo, na dúvida Extraviado na incerteza da partida Sem amparo, com o olhar calado A solidão me assiste, tão doída Pouco me ouve, pouco civilizado Tão tumultuado, vazio, nublado São rostos sem nenhuma torcida Dá-me clareza de que não existo Numa transparência de ser misto No amor e dor no mesmo coração Como um roteiro no imprevisto Sem saber como se livrar disto Velo por aqui sentado no chão... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

MONÓLOGO Para onde vão os meus lamentos se já não mais me escutam?
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MONÓLOGO Para onde vão os meus lamentos se já não mais me escutam? Que terra vã e sem sentimentos de ilusão. Pra onde iriam? Aí, tudo está tão cego, esquecido! Me perdi nas teias do mundo quando no mundo tentei o infinito e o infinito era só um segundo... Para onde vão as minhas palavras se versadas pra vida e não pra morte. Quem ou alguém me escutavas? Acho que nada, nem a sorte! Então, o que pode, quem me acode? Se nem de porre há resposta ou tão pouco o fado é custode... Pois, a alma na dor está exposta! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

ITINERÁRIO Ainda deslizam fantasias pelos meus cansados, tristes dedos,
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ITINERÁRIO Ainda deslizam fantasias pelos meus cansados, tristes dedos, na saudade vã do passado, em copioso senso alienado. Todos os dias ainda presente no pensamento descontente, a insistente dor na inspiração, ó doidivanas e dura sensação. Não sou mais do que um peregrino viajante solitário no meu destino, que a sorte me guia de mão dada, pelos devaneios da vida, mais nada... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

MEUS VERSOS (soneto) Meus versos, o vento no cerrado ganindo A angústia da alma vozeando melancolia
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MEUS VERSOS (soneto) Meus versos, o vento no cerrado ganindo A angústia da alma vozeando melancolia O silêncio fraguando rimas na monotonia Duma solidão, da saudade indo e vindo São a trilha do fado escrevendo romaria Desatinadas, o meu próprio eu saindo Das palavras de ansiedade, intervindo Com minha voz sufocada, do dia a dia Meus versos são a migalha cá luzindo Na sequidão do vazio que me angustia Que há entre a quimera e o real infindo Meus versos são colisão com a ironia Do choro e da alegria no peito latindo Meus versos, minha voz, minha valia © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

SÚPLICA Se tudo acaba e tudo passa A dor chegada tem a partida
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SÚPLICA Se tudo acaba e tudo passa A dor chegada tem a partida A vida sua vitalidade vencida Se tudo ao vento é fumaça Se a firmeza tem sua recaída O fado dia de caçador e caça Fato alegre, outro sem graça Se há subida, também descida Se a alma não leva a carcaça E a bondade nos é prometida Na lei de Deus, sem ameaça Se nem tudo é dor desmedida Se tudo cai, Senhor, que negaça Está má sorte na realidade parida? © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano Paráfrase Auta de Souza

POEMA SEM NOME Pra que colocar nome no poema Destes sem sentimento, em vão
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POEMA SEM NOME Pra que colocar nome no poema Destes sem sentimento, em vão Que só maltratam o dito coração De saudades e cheios de dilema Poema com rima sem a emoção Não precisa de nome nem tema Apenas e só van palavra estrema Sem gosto, gesto, e ou expressão Sua métrica é sempre um problema Versos livres e nenhuma conclusão Vocábulo chulo no seu vil teorema Então, por que nome nesta ilusão? Poema bom, traz amor no fonema E lhana paixão saída da inspiração... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano