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Frases de Poeta mineiro do cerrado - LUCIANO SPAGNOL

666 frases

VIGÍLIA (soneto) Não há graçola pelo cerrado tristonho Distante é o olhar na sequidão erguida
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VIGÍLIA (soneto) Não há graçola pelo cerrado tristonho Distante é o olhar na sequidão erguida Tanta melancolia, a felicidade suponho Que contempla a relva tão adormecida Corta o silêncio o vento na poeira trazida Papoca secas folhas no sol enfadonho Espalhadas no chão da irroração perdida Ali, em craquelados plangeres enfronho Então, vejo sozinho o deslizar das horas Numa vigília as monocromáticas floras Onde o tempo, lento, pousa no cansaço E nesta vigília de quimeras fabuladoras Tudo bordado a lantejoulas tataporas Cravejam o céu de estrelas com lasso Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

ASAS O que o amor tem de ave são asas do bem querer
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ASAS O que o amor tem de ave são asas do bem querer voa intenso ou até suave deriva do com quem haver O seu voo agitado ou leve são com as asas da emoção podendo ser longo ou breve depende do pouso no coração Então, voa alto paixão! Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano Paráfase Abel Silva

FIAR POÉTICO E então, ó poema? A inspiração indaga:
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FIAR POÉTICO E então, ó poema? A inspiração indaga: qual trilha, que dilema se a intenção vaga... Reage a página vazia siga a tua saga de vida tristura e alegria desprezo e amor Pois, só assim verso e reverso o poema há de compor Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano Aliceando, Alice Ruiz

CERRADO SECO (soneto) Ah! plangente cerrado, quente, sequioso Ventos abafados, denodados, e ao vento
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CERRADO SECO (soneto) Ah! plangente cerrado, quente, sequioso Ventos abafados, denodados, e ao vento Dormente melancolia, e tão portentoso Murmurejante e, navegante de lamento Sol queimoso, unguinoso, tal moroso Que no seu firmamento vagar é lento Inventando no tempo variegado iroso Parindo nuvens dum cinzento natento Securas secas, e que secam ardoroso Veludos galhos, veludosos e poeirento Que racham sedentos num ardor ditoso Ah! cerrado seco, de ávido encantamento De um luar num esplendor esplendoroso Da lua de contornos, no céu monumento Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

SAUDADES SECAS (soneto) Saudades secas, no cerrado, banham De lágrimas as lembranças já findas
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SAUDADES SECAS (soneto) Saudades secas, no cerrado, banham De lágrimas as lembranças já findas E assim choram, tristonhas, e choram Enxugando o soluço em sujas nerindas Quando entardece as noites revindas É hora de preces que os céus imploram Oram de mãos postas, e ali tão pindas Que tristuras secas, molhadas choram Ao juntar estas secas dores na oração Em vão as rezas murcham na emoção E as saudades bebem fel na cacimba São nostalgias que vivem de ilusão Choram, oram, imploram recordação Se quando no peito esquecer catimba Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

SONETO DE LUZ PÁLIDA Pálida à luz da ofensiva tão sombria Sobre a desfeita no peito reclinada
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SONETO DE LUZ PÁLIDA Pálida à luz da ofensiva tão sombria Sobre a desfeita no peito reclinada Como malícia na falta embalsamada Grita lágrimas secas, ardidas e fria No horizonte a luz poente desmaiada Refletia o amor que na ilusão dormia Era tal a ventura que ali se obstringia Aflita, que pela afronta era embalada Um desprezo que dia após outro dia Me despia a alma, tão ferida e calada Na dor se banhava e que nada alivia Não gargalhe, ó cerrado, desta lufada Se vim pela devoção, outras eu faria Afeto, não tem distinção nem morada Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

SONETO DO AMOR AFETO O afeto amor, nos faz revestido Da jura mais atraente do fervor
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SONETO DO AMOR AFETO O afeto amor, nos faz revestido Da jura mais atraente do fervor Enche os dias de colorida cor E o coração de olhar conhecido Se dele se é um querer fingido Aos seus apelos nenhum dispor Culposos encantos no propor E dor nos sonhos então parido Pra não ter ilusão e ter sabor Tenha poesia no doce sentido E nas mãos uma ofertada flor Mas, se não quiser ser querido Jamais será dele um coautor E de ti então, o amor, terá partido Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, março Cerrado goiano

ASSIM, O CERRADO O cerrado, quando empoera Ressequido o vento no ar
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ASSIM, O CERRADO O cerrado, quando empoera Ressequido o vento no ar Chora seco folhas desespera No azul do céu a bailar O horizonte se põe a embaçar Na miragem da atmosfera Embaralhando o olhar Na imensidão em quimera Ah! Se o frescor assim espera O tempo de chuva, pra se revelar Retorcidos galhos esclera Num cinza a cromatizar Assim, o cerrado, se gera Vida diversa, lato lugar De exótica primavera Quem te conhece, só amar... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

SONETO IMAGINÁRIO Imagino um soneto do imaginário Que escorra da doce imaginação
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SONETO IMAGINÁRIO Imagino um soneto do imaginário Que escorra da doce imaginação Com o seu ilusório jamais solitário E cheios de quimeras e de emoção Que tenha na sua existência itinerário Não só formas, nem aparência, ação Onde os sonhos são seu mobiliário Aduzidos dos cômodos do coração Quero com que seja o meu amuleto Guardado no peito tal qual a oração Em mantra, não como simples objeto E se, assim, brotar do tal poço secreto Dos poetas, que venha com inspiração Imaginando satisfação por completo Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

SEDE Tenho sede de viver Quero o afeto beber
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SEDE Tenho sede de viver Quero o afeto beber Saciar a infiel odisseia Da ganância da fé ateia Terçando o ressecado saber Clamo o doce prazer Olhar que nos fala Sem o desprezo que cala Que rasga e maltrata Quero gratidão sem ser ingrata Sensação, quero amor Paixão com valor Dignidade sem preconceito Irmandade com preceito Abraço com empenho Palavras com avenho Respeito semelhante E a retidão de ir avante... Luciano spagnol Poeta do cerrado Cerrado goiano

PEDAÇOS (soneto) Em ti, ó saudade, acho parte de mim São fragmentos craquelado e partido
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PEDAÇOS (soneto) Em ti, ó saudade, acho parte de mim São fragmentos craquelado e partido Do meu eu que tenho então em ti sido Eternizado numa dor que vive sem fim O senso que faz em ti alarido saído Em mim é silêncio, é solidão, enfim, Vive da ilusão de lembranças carmim Do comover sovado e não esquecido Agora, o que faço para ouvir o clarim Dos sons da quimera no porvir contido Dando-me sonhos afora deste folhetim Serei pouco, nada, de desejo desprovido Se insistires em ficar tão presente assim Aí, de pedaços o meu poetar será revestido Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, março, 05'55" Cerrado goiano

AGORA EU QUERO IR (soneto) A minha saudade tem saudade de crê Me planejei, me desmoronei no sedento
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AGORA EU QUERO IR (soneto) A minha saudade tem saudade de crê Me planejei, me desmoronei no sedento Nas verdades não fui inteiro a contento E no querer o todo, metade teve porquê Experimentei descanso e, labuta à mercê Confiei no silêncio, me encaixei no lamento Precipitei no ir e na volta, foi ensinamento Me desmanchei nos sorrisos em comitê E na busca de me reconhecer, descanso Afinal, as trilhas não são de vento manso Porém, ao me refazer despertei com a dor Se agitado ou imoto me equilibrei no balanço Da quimera, pois sempre nos resta tal ranço De jugo. Agora quero ir e, apreender o amor. Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, 26 de março Cerrado goiano

SONETO ESSENCIAL Enxergamos tudo aquilo que está ao nosso alcance "O essencial não se vê com os olhos" vai além
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SONETO ESSENCIAL Enxergamos tudo aquilo que está ao nosso alcance "O essencial não se vê com os olhos" vai além Duma paisagem, uma flor, um caminho, porém, Podemos sentir com a emoção toda e qualquer chance O que se sente não precisa ser visto, e sim, o que contém A aridez, o calor, um perfume, o afago, que no sentido trance E na alma desenhe o real e concreto da vida, em romance Pois, sentir é o que captamos mesmo não vendo, também Pode se estar vendo, mas o que julgamos é invisível O conteúdo, a essência, ideais, aos sentidos impossível Aparências não revelam a importância no sentir dum olhar O olhar engana, miragem e nem sempre ao sentimentos compreensível No entanto ver e sentir, no fado, será sempre compatível Se ao ver e sentir, com o coração e, com ele, ter capacidade de amar... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano Parafraseando Antoine de Saint-Exupéry

EU (soneto) Existem vários eus no meu eu E de tão perdido, anda sozinho
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EU (soneto) Existem vários eus no meu eu E de tão perdido, anda sozinho No sonho joga sorte, coitadinho E assim, sem ter norte, é plebeu Se sou mal interpretado, fulaninho É do fado este fardo triste e forte Tal ímã do azar que rêdea a morte Bulha quem sou na fé e no caminho E que destino este agre e de recorte Da alma esfarrapada e sem colarinho Que chora os porquês, sem ter porte Porém, sou o que sou, além do mocinho Alguém de coração que com amor importe E que nesta tal vida, andeja de mansinho Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 05'55", cerrado goiano

SONETO DESCRENTE Dor que amarga o ser contente Ilusão tanta aos de expertise
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SONETO DESCRENTE Dor que amarga o ser contente Ilusão tanta aos de expertise Tanto, nada ou um só deslize Para se desenhar o descrente O legado é bom, infiel é a crise Se no coração há brecha vertente Que inflama a fé na crença poente E aos sonhos leva pra uma eclise A sós não se está sozinho, se crente Pense com emoção, não só analise A razão está em ser integralmente Então, suporte, e o melhor avalize Não se fica pior, a vida é discente Num sobe e desce, ato e reprise Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

"ESTEPES" GOIANAS (soneto) Mergulhei nas "estepes" goianas, por acaso Foi um pulo no meu destino nunca imaginado
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"ESTEPES" GOIANAS (soneto) Mergulhei nas "estepes" goianas, por acaso Foi um pulo no meu destino nunca imaginado Cá vim, então, em missão para o cerrado E aqui as quimeras ficaram fora do prazo Um infinito onde o céu é bonito, fui abandonado A poesia virou companhia, e o luar, com prazo Pulsações e confusões no meu fado, um arraso Onde amar e perdoar tornou-se hábito silenciado A paisagem esfumou-se e confundiu-se no olhar gazo De uma poeira fina, varrida do coração embaçado Deixado de lado, sonhei, e com os sonhos desenhei parnaso Assim, perdi-me nos atalhos do devaneio inquietado Nas braçadas da saudade o ribeirão tornou-se raso E nas "estepes" do Goiás, o meu lírico plangor foi dissipado Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

SONETO DA FÉ Da devoção, o devoto em ser Tenho Deus Pai na fé demais
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SONETO DA FÉ Da devoção, o devoto em ser Tenho Deus Pai na fé demais Que paz no coração me traz Virtuoso, no meu lhano crer Se suscetível, desistir jamais A tua palavra robora o viver Tua ternura absolve o perder Onde o teu amor nunca trais É fé que supera, e no faz ter Inabalável indulgência sagaz Que liberta e bem vem trazer É apoio nesta crença e tais Que encoraja o robustecer Da fé em meus sinceros ais Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

POR ACASO E se por acaso, eu não te encontrar Envelhecido, sentado eu na esquina
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POR ACASO E se por acaso, eu não te encontrar Envelhecido, sentado eu na esquina Do tempo, com um disperso tal olhar Poetando mesmices pra dar propina A ilusão, por não contigo assim estar No coração, na emoção e na paixão... E se por acaso neste exato momento Perceber que rápido passou e, então Palpitar saudade sem ter um fomento De esperança, que acredite na razão Do ainda é possível ter tal sentimento E que não seja só uma mera presunção E sim, o que importa, ter no argumento Da vida, valia com total determinação. Se por acaso... Não advir, tentei e, despido será o contento. Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

SÃO JOSÉ De nome José, santo é Artesão no madeiro
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SÃO JOSÉ De nome José, santo é Artesão no madeiro José o carpinteiro Bondade de muita fé De Deus foi certeiro Padrasto do filho de Nazaré De Maria esposo, pai da Santa Sé José, na missão, obreiro Homem reto na sua convicção Seguidor do Pai, fiel na devoção José da piedade e do ser justo Fez jus ao seu dado quinhão Exemplificou o amor no coração Eterno louvor! São José o augusto... Luciano Spagnol Poeta do cerrado 19 de março de 2017 Cerrado goiano

SONETO "à l'amour" O céu do cerrado pode até desabar O olhar se desviar para outro lado
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SONETO "à l'amour" O céu do cerrado pode até desabar O olhar se desviar para outro lado O coração no silêncio estar calado Pouco importa, a quem quer amar Tudo pode, até pode ser denodado E trilhar o infinito sem se encontrar Sorrir pra vida ou até mesmo chorar Se os dias forem só contigo, estado Os problemas, ah! Não vão importar Cada um por vez, na poesia poetado Na solução, ânimo se tem para buscar Amor, se me ama, me deixe amado Pois Deus encontra cada um, seu par Inundando de amor cada apaixonado Luciano Spagnol Poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano