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Frases de Poeta mineiro do cerrado - LUCIANO SPAGNOL

666 frases

SONETO DE IMPROVISO Vem desse ar seco do cerrado Um soneto tangido pelo vento
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SONETO DE IMPROVISO Vem desse ar seco do cerrado Um soneto tangido pelo vento Que retumba do ipê frondado Brisando odor no pensamento Uma canção mágica de alento Tal qual um afago resbuscado Desfolhado em encantamento Inebriando o estro engasgado Um sopro de tão suavemente Sentido, tão leve se presente Que a alma sente sem perceber É visão poética e contundente Que traz fascinação para gente Bela, que no encanto a de haver © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, maio Cerrado goiano

AMAR DO VERBO AMOR Amar do verbo amor, como enunciar? Amor é complemento ao sentimento
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AMAR DO VERBO AMOR Amar do verbo amor, como enunciar? Amor é complemento ao sentimento Que acompanha o substantivo alento Instinto sublimado do ser e do estar Muito se pode nas flexões dele ligar Só ter no verbo um desejo sedento E um coração capaz de ter portento Onde dele não se tem como olvidar Não se une amor sem ter o elemento Amar, é no presente ao se conjugar Mais que perfeito n'alma, tal alimento De tudo o amor também é o vigorar Transitivo direto no encantamento Que só saberá quem dele enluarar © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, maio Cerrado goiano

SONETO DA PARTIDA Ao despedir do cerrado, central sertão na noite, eu deixarei a luz da lua acesa
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SONETO DA PARTIDA Ao despedir do cerrado, central sertão na noite, eu deixarei a luz da lua acesa a minha admiração posta, fica na mesa e as lembranças largadas no árido chão Os cuidados, ao pai, deixo minha certeza que o bem é mais, mais que a ingratidão que a vida com amor é repleta de razão e que o sono só descansa com nobreza Talvez sinta falta ou talvez só indagação o que importa foi a história com clareza e paz que carrego no adeus com emoção E nesta canção de laço e fé no coração a esperança na bagagem, única riqueza se parto, também, fica a minha gratidão © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, maio Cerrado goiano

TUDO É FOI (soneto) Num piscar de olhos, tudo é foi Outros aléns são rapidamente
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TUDO É FOI (soneto) Num piscar de olhos, tudo é foi Outros aléns são rapidamente O tempo feroz é que nos corrói E gera o amanhecer diferente Então que o erro nos perdoe Que a sorte seja contundente Os olhares, olhares nos doe Momento, muitos e ardente Presenças, maior que a falta Onde amor seja lhana pauta E nos incendei da tal paixão Nada nem sempre é à ribalta Apressado por nós sem falta A vida, em sua combustão... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, 27 de maio Cerrado goiano

ENTRE SOMBRAS (soneto) Ao pé de mim vem o entardecer sentar No cerrado, a noite desce, sombreando
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ENTRE SOMBRAS (soneto) Ao pé de mim vem o entardecer sentar No cerrado, a noite desce, sombreando Vem ter comigo hora pensativa, infando Em uma visão das saudades a lamentar Pousa tua mão áspera em mim, causando Nostalgias no coração dolorido a chorar São suspiros vaporosos ecoados pelo ar Tão tristes, ermos, do vazio multiplicando Na noite há um silêncio profundo a orar Exalando a secura da dor impactando No peito, que põe os olhos a lacrimejar Eu a escuto imóvel, apático, sem mando No vago da solidão, e me ponho a urrar Às estrelas, que no céu voam em bando © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, maio Cerrado goiano

INTERROGAÇÃO (soneto) Indago se a loucura é traça Aqui pergunto sem saber
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INTERROGAÇÃO (soneto) Indago se a loucura é traça Aqui pergunto sem saber Se sou são ou uma farsa Quem pode me responder? Que tenho alguma graça Lá isto é do meu querer Finjo fingindo chalaça No fingimento sem ter Aqui pergunto aos senhores Quais são os tais louvores Do poeta mineiro do cerrado? Sou Luciano Spagnol, alguém Trago no olhar: - paz e bem... Porém, quer só ser amado! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, maio Cerrado goiano Parodiando Ana Cristina Cesar

APENAS POETA O silêncio cai solitário neste coração amante São ruídos que aram a alma profundamente
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APENAS POETA O silêncio cai solitário neste coração amante São ruídos que aram a alma profundamente Dos sonhos que terminaram secretamente Derrubando castelos e até mesmo o instante Não há remissão e tão pouco dor clemente Somente o vazio em um rodopiar constante Soluçaste por estar tão só, e tão arrogante Sentado à beira do caminho, ali pendente As quimeras terminaram, não mais sonante Não há sentinelas, nem armas, só vertente Da realidade eu não soube ser um vigilante A sensibilidade alanceou, agora no poente Sou apenas poeta, na poesia um imigrante Já amor! Ah, este, meu eterno confidente! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, maio Cerrado goiano

DENTRO DA TARDE A tarde seca e fria, de maio, do cerrado Cheia de melancolia, deita o fim do dia
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DENTRO DA TARDE A tarde seca e fria, de maio, do cerrado Cheia de melancolia, deita o fim do dia Sobre cabelos de fogo tão encarnado Do horizonte, numa impetuosa poesia A tarde seca e fria, de maio, do cerrado O mistério, o silêncio partido pelo vento No seu recolhimento de um entardecer Sonolento no enturvar que desce lento Do céu imenso, aveludado a esbater No entardecer, seco, frio e, sedento Perfumado de cheiro e encantamento Numa carícia afogueada e de desejo Seca e fria, a tarde, tal um sacramento Se põe numa cadência de um realejo Numa unção de vida, farto de portento © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, maio Cerrado goiano

MADRUGADA Do fundo do meu quarto no cerrado Ouço a madrugada, de tão silenciosa
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MADRUGADA Do fundo do meu quarto no cerrado Ouço a madrugada, de tão silenciosa Que faz do vento trautear desentoado E do canto do galo... prece religiosa! Ouço a noite cochichar ao meu lado Fuxico escusado da hora vagarosa Sem dó nem piedade, nem agrado Despetalando a solidão tal uma rosa... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Mês de maio, 2017 Cerrado goiano

TEM DOR... Tem dor que dói pra valer Tem dor que passa rapidamente
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TEM DOR... Tem dor que dói pra valer Tem dor que passa rapidamente As que te fazem outro querer E as que ficam n'alma da gente Sempre com marcas no viver E nunca para o âmago mente Tem vario tipo de dor há ter Nunca as que duram eternamente... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Mês de maio, 2017 Cerrado goiano

Sísifo Vai e volta, vinda e partida, recomeço Aí é o tal preço, nesse caminho duro
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Sísifo Vai e volta, vinda e partida, recomeço Aí é o tal preço, nesse caminho duro Da vida, afinal se não for com apreço A angústia, o medo, inundam o futuro Recomeça, se desejares, sem pressa No passo o compasso do passo dado Na liberdade doada, que a razão meça Os alcances, pois, o desejado é alado E enquanto, ainda, tu não alcances Não descanses na ilusão da metade Se saciares com os poucos lances A sorte não lhe será uma realidade Sonho tem sempre parte de loucura Onde a lucidez reconhece cada azar E nesta queda livre que é a aventura Não esqueças jamais do vetor amar © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Mês de maio, 2017 Cerrado goiano

AMOR PERFEITO Vai majestade, Amor. Busca o sentimento
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AMOR PERFEITO Vai majestade, Amor. Busca o sentimento O tempo é velocidade E o querer argumento. Como quiseres o prazer, Mas que seja pra teres pra valer. E, Se cansares Não venhas com lembranças subverter. Se acaso não se acertar Volte! Vário é o lugar Da saudade se solte Pois tu amor, foi feito pra amar... E a dor, chore! Tudo passa, passará... Não é preciso que implore O que está escrito, estará Amado perfeito... Folclore. Viva e verá! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, abril, 25 Cerrado goiano

Um poema festejando 15 anos 15 anos, segue o caminho tem desvio, sol, chuva, frio
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Um poema festejando 15 anos 15 anos, segue o caminho tem desvio, sol, chuva, frio tem bandido, tem mocinho tem amor, suspiros, tem feitio. Se tem choro, também carinho... Tem primavera e outono com desfolha. Momentos em companhia e sozinho. Siga, e faça a sua escolha! A que escolher, contigo eu alinho... Feliz anos dourados! Feliz aniversário!

A ALMA DO CERRADO De alma pacata De sol encarnado
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A ALMA DO CERRADO De alma pacata De sol encarnado O plural desata A vida do cerrado Suspiro e gemido Folha aveludada Horizonte comprido A alma ressecada Buriti ofegante Olhar empanado O céu delirante O cerrado sagrado Sertão e berrante Estrada cascalhada Marcha o caminhante Na alma talhada Emas no pasto Ipês em cascata No cerrado vasto O fascínio dilata Silêncio e mistério O cerrado diverso Vento em puerpério Que poetam no verso © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 01 de maio, 2017 Cerrado goiano

DO POETA (soneto) Do poeta o encanto aproxima manso Cochicha suspiros na ádvena ilusão
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DO POETA (soneto) Do poeta o encanto aproxima manso Cochicha suspiros na ádvena ilusão Mergulha no ventre frágil do coração Lastrando a inventiva num balanço Do senso transbordam pulsátil rojão Rematando a inspiração num lanço Dando à alma asas e um remanso Para com as mãos tocar a emoção Torna à alma, e volta a navegar Adentra com as formas de amar Solitário, nos portais da criação No silêncio, põe a vida a balançar Balança com a vida a silenciar E tem vida, na vida com paixão... © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Abril de 2017 Cerrado goiano

22 de abril: -descobrimento do Brasil -dia do planeta terra
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22 de abril: -descobrimento do Brasil -dia do planeta terra *vamos preservar o nosso maior patrimônio... POEMA PLANETA TERRA Terra planeta água, nosso lar Toda azul, azul da cor do mar Natureza, bela, mãe Terra É Deus a nos abençoar, chega de guerra. Vamos nos abraçar! Respeitar cada detalhe... Somos parte deste entalhe "Ubuntu" Saboreemos este menu Nossa terra! Em frente, nada encerra Pois, é ar, vida com vida Atrás de nós, inteira, não repartida Viva a vida! Mãe terra! Viva! Luciano Spagnol Poeta do cerrado Dia do planeta terra

ORAÇÃO (DO CERRADO) Senhor, que és a diversidade, que és a vida e a morte! O cerrado és tu, o por do sol encarnado és tu, o chiado do vento és tu.
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ORAÇÃO (DO CERRADO) Senhor, que és a diversidade, que és a vida e a morte! O cerrado és tu, o por do sol encarnado és tu, o chiado do vento és tu. Tu és a sequidão no lamento, do chão árido, agonizante em tormento, tortos galhos, tu és! Tu és o mistério da folha seca no bale do fado, falta e aporte, desenhando a sua sorte. Onde tudo parece deserto, tu habitas, eis a variedade e o concreto. Onde nada está tu rege a tua toada. Dá-me entendimento pra te seguir, nos teus passos os meu passos, amar sem desistir. Dá-me água pra aguar a secura, e assim, ouvir-te límpido na vastidão do sertão em agrura. Dá-me olhos pra ver, a benção dos ipês, escasso da chuva, e tão formosos e frondes. Faze com que eu ame como a natureza, diversa, cada qual com a sua beleza. Respeitando. Amando! Que eu seja irmão e serva-te como pai. Adonai! Torna-me seco para o pecado, e aquoso no amor, pra ser amado. Torna-me fértil como a terra, afim, pra eu rezar tu em mim. Que não haja cascalho nos caminhos do bem, onde a boa fé possa ir além. Senhor, protege-me e ampare-me. Dá-me alegria na melancolia, enfim, pra eu me sentir teu, na tua glória. Senhor, habitas em mim! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, abril. 05'40" Cerrado goiano paráfrase Fernando Pessoa

O SINO (soneto) Do alto do cerrado meu eco sonoro Percutindo alarma de chamamento
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O SINO (soneto) Do alto do cerrado meu eco sonoro Percutindo alarma de chamamento Riscando no ar gemido em lamento De sombrio ato, sofrença com choro Da torre franciscana sou sentimento Festo, de paz e bem ao som canoro Saúdo a vida, com meu fado oximoro O orante da ave Maria, às seis, atento Canto, pranto, em ruído éreo, laboro Trino o dia se pondo e no nascimento Musicando os céus, e assim, o coloro Com que júbilo planjo dobres portento Me juntando aos anjos em um só coro Sou crebros nobres, fé, no sacramento © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Abril de 2017 Cerrado goiano

INVENTÁRIO (soneto) Dos detalhes os anos tomaram conta Já se foram muitos, algumas cicatrizes
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INVENTÁRIO (soneto) Dos detalhes os anos tomaram conta Já se foram muitos, algumas cicatrizes Pois, lembranças, são meras meretrizes Dum ontem, no agora não se faz afronta O meu olhar no horizonte é sem raizes Pouco lembro onde está a sua ponta Tampouco se existe algo que remonta O remoto perdido, pois sou sem crises Gastei cada suspiro pelo vário caminho Brindei coisas, na taça deleitoso vinho Na emoção, chorei e ri, a tudo assistia Em cada tropeção, espinho e carinho Ali aconcheguei o meu lado sozinho Não amontoei nada, nas mãos, poesia © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Abril de 2017 Cerrado goiano

POEMA AUTOBIOGRÁFICO Onde eu nasci A cidade é sorriso
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POEMA AUTOBIOGRÁFICO Onde eu nasci A cidade é sorriso Do triângulo mineiro, Araguari O cerrado é dos pés, piso A juventude, amanheci ali E a saudade inciso Na chuva, brincando cresci Ouvi os pássaros no quintal E as estórias de saci Fui criança, afinal... Hoje longe, eu aqui E lá sempre estarei Em nada mudei! © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Abril de 2017 Cerrado goiano

SECURA SEQUIOSA Sequiosa a secura, como é frágua o chão ressequido árido secou
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SECURA SEQUIOSA Sequiosa a secura, como é frágua o chão ressequido árido secou Posso ter sede de mais água mas do craquelado, o cerrado eu sou E na cremação dos meus versos saudades, magia e seca maresia Rimando no cerrado, diversos: O abrandar da noite, a azia do dia... Fria está sequidão, ardida e fria! Luciano Spagnol Poeta do cerrado Abril de 2016 Cerrado goiano