“O homem no andar da vida não tem nenhum dilema, é ciente que vai”
Frases de Naeno Rocha
424 frases
AUSÊNCIA Eu julgava ser a ausência Uma divisão dolorosa do corpo,
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AUSÊNCIA Eu julgava ser a ausência Uma divisão dolorosa do corpo, Ou coisa sentida como prenúncio de morte, Um buraco negro, sem fim sob meus pés. Depois vi que a ausência É uma companhia necessária, Comigo, inteiro em dois, ela permanece, A provar minha sanidade, A dar-me os sentidos que não sabia, A cativar-me como a melhor amiga. E me acostumei com ela, tanto, Que tanto faz o burburinho das ruas, Ou o balbuciar risonho de um amor, Colado aos meus ouvidos, Que dou mais atenção a ausência. Com ela a cadência do passo é mais livre, A gente estanca, e abraça como quer, Livre das dores que traz o abraço, Distante dos olhares obrigatórios, Que a companhia exige. Alforriada dos escândalos Quando queremos liberdade. Hoje eu eu a ausência somos ímpares, Um que se sente só mas seguro Pelas duas mãos ocupadas, Outro que se sente acompanhado, Por um coração, guardado.
EU TE DIRIA - Mira os teus ouvidos nos martelos E suas toscas investidas na bigorna.
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EU TE DIRIA - Mira os teus ouvidos nos martelos E suas toscas investidas na bigorna. Olha nos passarinhos distantes Aqueles que cantam soltos. E nos tristes, os que se chamam encantados, Que dedilham a lira e as estrelas, dançam. Tudo isso é mudo e surdo Mas perceptíveis à alma quieta - Olhas no verde mais intenso, porões da mata. Dos vales que eu nunca vou pisar. E saberá de minhas vontades Aquelas mais desertas, além, além As que eu quero tirar da minha visão Que só farei quando aprender a voar. Mirava o retrato que me fala Nas vezes que o procuro na gaveta da saudade. É mesmo um castigo, E condenado fui, já, tantas vezes. Relia um poema de Fernando Pessoa Que ele construiu, perdido dentro das pessoas. As venturas da lua e o que a gente escuta Quando era Jesus Cristo falando A voz que a gente decifra quando quer. Segredava baixo em seu ouvido, E se me acordasse Me elevaria ao seu guardião. Mas a palavra lembrada em tempo Eu me obrigaria a falar. Falava do velho camponês, Que guarda zeloso seu rebanho, E veio o vento tão impetuoso E não arrastou nem um do seu ganho. Citava a contravenção do tempo Levando escondido em seus bornais Amores que a gente pensa uma vida Encontrar, amar, pra depois separar.
“O homem incompleto É o que deve ser o mais feliz. Ele tem o que buscar
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“O homem incompleto É o que deve ser o mais feliz. Ele tem o que buscar Com o que se ocupar Procurar a matéria De que se faz o humano É história para cinema cibernético.”
REZA Puxo ou não puxo a ladainha extensa Semm que a pretensa intenção de ganhar
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REZA Puxo ou não puxo a ladainha extensa Semm que a pretensa intenção de ganhar Apareça em letras, formas. Que apenas Aconteça um fato, algo pra se calcular Baixo ou não baixo a litania das chuvas. Não que se deseje água ou coisa assim Apenas um ritual que a alma saúda E sempre se espera tudo isso de mim. Desço ou não desço o terço que conta Uma extensa estória de aves! De Santas, de DEUS No começo e também na ponta.
MUNDO Desde criança, ainda pequeno, O meu desejo era ganhar o mundo,
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MUNDO Desde criança, ainda pequeno, O meu desejo era ganhar o mundo, Não em partes de latifúndio, Mas por todo ele palmilhar, Botá-lo por entre as pernas, Varar seus veios, caminhos, E assim seguir, indo, indo. Queria me deparar Com as diferenças previstas, Um mundo todo à minha vista, De ele todo me aproximar. Carregando em meus bornais, O pó fecundo das estradas, Imagens de novas pessoas, E assim seguir à toa, Sabedor que o mundo foi, E sempre será como é, De Deus, de nenhum homem, Quem só tem direito ao nome, E não o pode demarcar, Assim julgava eu, Um dia me prolongar, Nos retos estreitos e ir, Voltar só quando bem cansado, Das aventuras tresloucadas.
PARA ELLIS Naquela manhã O sol banhou teu corpo impune
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PARA ELLIS Naquela manhã O sol banhou teu corpo impune Só pra depois fugir de ti E te levar pra longe Sem revolver, e a nós Deixar sem voz. Naquela manhã Eu pressenti o tempo escuro Do litoral ao centro do Brasil Eu acordei inquieto Com aquela música me perseguindo perto. E eu senti que era noite no meu coração Eu senti que findava em ti a paixão. Naquela manhã.
SERÃO TEUS OLHOS Quando me dou frente a frente Com os teus olhos de louca
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SERÃO TEUS OLHOS Quando me dou frente a frente Com os teus olhos de louca Fica a impressão de que vi, Algo de extremo e pouco E vou ao delírio, perto Já da minha loucura Fico gritando o teu nome Em aflita amargura. Se quando olho os teus olhos E não vejo os meus refletidos Fixo-me no chão só pra ver Se os meus não caíram E de pura dolência Caio por terra e vejo Já no fio do precipício Enxergo e não creio. Que tu não veja em meus olhos Esta claridade aveludada, mas plenas O que faz a idade São os teus olhos meus São só minhas verdades As tuas eu busco e não conto Se tenho encontrado.
"Choro como todo bicho, quieto os meus olhos num canto e choro".
LUGAR VAZIO Antes de me dizeres quem és, Me dizes quem eu sou.
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LUGAR VAZIO Antes de me dizeres quem és, Me dizes quem eu sou. Que assim perto de ti Sempre esqueço o meu nome. Como fico esquecido do teu. Nada de importante nisso. Se é por ti que choro Se é por mim que amas. Antes de dizeres meu nome Varres a casa inteira, Pode ser que exista outro por aqui. E poderá ser eu trancafiado E não me vejo pela escuridão, Por isso não me sinto, Vejo os teus dois lados, Se amassei teu lábio, Posso até ter saído.
O AMOR ESTA AQUI O amor está aqui na quietude De não se ver ninguém.
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O AMOR ESTA AQUI O amor está aqui na quietude De não se ver ninguém. A bordo do coração, mergulhado Seguindo, lambendo a proa. O amor por tudo quieta-se E dorme até fora da cama Encostado no tempo, Porque tem um tempo contra Que lhe arremete E o mesmo tempo que lhe traz E lhe faz sentir o fôlego. O amor está aqui, Tomando todo o espaço do convés De um barco exausto Que faz um passo a cada eternidade. E disso o amor se aproveita Para estar em toda parte E em todo rumo, E quando se ama perde-se o prumo, Encalha em seus caminhos, Ele toma posse dos ninhos, Que encontra, como um ivasor. O amor está aqui. E agora? Tem tanto tempo para tecer Planos para no futuro ter, A casa boa, o amor em paz Convicto de que o trabalho é seu.
FAVORECE Ela me ofuscou com seus faróis em luz alta E eu coladamente passei ao lado dela.
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FAVORECE Ela me ofuscou com seus faróis em luz alta E eu coladamente passei ao lado dela. Mas nenhum grito de amor, Se não eu já ficava Ainda hoje estava com os meus olhos de choro. Olhando a lua, pensando nela, Vendo as estrelas, querendo ela, E ela um jato lançando fumaça em mim. Ela me confundiu com um pássaro qualquer Que dorme cedo e voa a hora que bem quer, Mas nenhum gemido de amor, Se não eu tinha ido, E até agora estava, seu, comprometido Bem recaído, por esse amor tão delicado, Cortando chuvas me enrolado em toalhas, Vendo, mexendo a minha vida num varal. Acostumei-me a não ser visto de perto E me constrange o olhar, quanto mais belo. E o dela pega na memória, A maltratar de amor assim. Ainda agora eu pensei nela e veio à flora Umas tonturas, um desejo de entregar O que possuo, o que vou ganhar A vida tem sido bem louca em me amar.
"Chro na distância e bem de perto, do meu amor, pelos olhos".
TRAJES DO DIA Cobriu-se do mesmo claro Tecido fino, feito à mão
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TRAJES DO DIA Cobriu-se do mesmo claro Tecido fino, feito à mão De uma teia que ninguém vê. Começa agora O dia a dar seus beijos E a nubente Despoja-se no campo branco. E a vestimenta Da primeira mostra Vem como maré rasteira O sol marcando as calçadas Os campos desocupados. A cor agora é outra. Um tecido cor de ouro Que os olhares ofusca E reluzente enobrece a moça. Na mudança do tempo um ser se manifesta: “A felicidade é esta chama branda Que não queima e vem do céu. Dela se enfeitam As colinas as campinas, E bem repete o milagre Que só Deus faz: Ressuscitar a semente Sob os escombros do tempo Que ela se deu”. Tinge-se o dia De um cinzento De fogo pigmentado. E o preparo, é um agasalho. Agora é a noite Separada.
A educação é a única arma com a capacidade de construir e reconstruir o mundo. Levada a sério a educação para todos, estaremos entregando aos que gostam de armas de destruição, uma arma poderosa, capaz de estirpar a burrice e diminuir as desigualdades. Além disso, com excessão d…
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A educação é a única arma com a capacidade de construir e reconstruir o mundo. Levada a sério a educação para todos, estaremos entregando aos que gostam de armas de destruição, uma arma poderosa, capaz de estirpar a burrice e diminuir as desigualdades. Além disso, com excessão da religião, só a educação é capaz de proporcionar a aparoximação, de de modo infinitamente mais proveitoso.
" O amor nunca me deu o jeito de ficar sereno como um rio,bem longe do mar".
LADAINHA Mãe do Santíssimo, ventre puríssimo, Rogai por nós.
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LADAINHA Mãe do Santíssimo, ventre puríssimo, Rogai por nós. Mãe do rosário, amor lendário Rogai por nós. Mãe dos profetas, mãos tão afetas Rogai por nós, Mãe de Jesus, olhos na cruz Rogai por nós Ó Mãe do Lourdes, De amores urdes um manto em nós! Ó Mãe de Fátima, pedinte enfática, Rogai por nós. Vistas do céu, amor de mel, Rogai por nós, Mãe dos apóstolos, olhos a postos, Rogai por nós Mãe dos meninos, aves sem ninhos Rogai por nós. Ó Mãe das Dores, os teus amores, São sempre nós! Mãe dos aflitos, a quem assistes Rogai por nós. Ó Virgem bela, clara janela, Rogai por nós Mãe da esperança, nessas andanças Chegai a nós. Ó mãe dos velhos, belos espelhos Rogai por nós. Ó Mãe de Deus, nós somos teus Filhos também, E disso sabes, pois quantos cabem No colo teu.
"Choro de flauta, de bandolim. Choro de olho dentro de mim".
OLHA O MUNDO É corriqueiro você de repente ser agasalhado por uma mão triste, e de tristeza ser tomado. É banal a unanimidade dos que te vêem triste, dizer: "Joga esta tristeza pra lá, a vida é linda! Vamos que eu te mostro as estrelas no seu aparecer, te mostro um pôr-do-sol, d…
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OLHA O MUNDO É corriqueiro você de repente ser agasalhado por uma mão triste, e de tristeza ser tomado. É banal a unanimidade dos que te vêem triste, dizer: "Joga esta tristeza pra lá, a vida é linda! Vamos que eu te mostro as estrelas no seu aparecer, te mostro um pôr-do-sol, de um lugar que nunca vistes. Amo-te, fica assim não.... eu estou aqui, sou teu amigo pro que der e vier. Amigo é para essas coisas! Amigos são estes que te afagam que te consolam. Não vês, eu estou aqui, do teu lado. Nada tens a temer. O mundo é um albergue, enquanto a tua casa não fica pronta. E é beijo, beijo, beijo, beijo, afagos, conselhos, palavras de incentivos, indicações de livros de auto-ajuda: Paulo Coelho, Paulo Trevisan, O Segredo, e ainda te fazem ver o martírio de Jó, como ele encarou e suportou tudo, além de outros tantos que estão na lista dos mais vendidos. Eu nunca falo na generalidade. Ninguém conhece todas as pessoas, nem externamente, nem o interior e cada um é o que é, como é. E muito mais difícil é saber de que interior são provenientes. Mas a verdade de que a hipocrisia, a fala falsa, a palara só da boca, são atos predominantes, isso cá é verdade. Tu te arrombas de dores, de uma confusão que crias sobre a vida e suas prioridades valorosas, esperneia, chora, baixa ao hospital, e o mundo continua o mesmo, os carros passam em velocidades diferentes. E tu escutas dentro do teu quarto, as pessoas fazendo planos explícitos para os dias por vir, e tu ouves vozes que te penetram os tímpanos a os inflamar, numa confirmação de que o mundo não está nem aí para a tua dor. Que ele não está nem aí para por ti, nem por ninguém que como tu está se sentindo na mais absoluta solidão. Traído, e isso, te leva, por pura fragilidade do teu corpo, dos teus sentidos, a julgar-se traidor. Os outros é que são bons. Tu és a uma escória. " O que vieste fazer mesmo aqui por essas bandas"? O mundo não tem um alqueire reservado para ti. Não existe um leito desocupado onde tu possas deitar. O mundo não se incomoda com tua dor. Nem fica em teu assédio, na fila de espera, louco por te ver, te afagar e te assegurar dessas incertezas que povoam a tua cabeça e o teu coração. Uma presença às vezes demonstra apenas o interesse de uma certa pessoa, ou um certo mundo, fazerem o exercício comum de mostrar-te a cara, que esteve lá do teu lado, mesmo que não se trisque e acomode-se numa cadeira frontal a ti, desfiando um cofo com algodão em fios, de palavras sem sentido, sem o sentimento verdadeiro de um igual teu. Existem pessoas sensatas e honestas tamb[em aí pelo mundo, bons contigo e com os outros, pessoas de bom sentimento, pessoas verdadeiras, favoráveis a todos até a si próprios, existem. Tanto que estamos todos nós a procurá-las, por onde passamos. intimamente tu te indagas será essa a pessoa verdadeira. A pessoa com as qualidades que até a mim deixaria orgulhoso? Porque então o mundo está repleto, de solidão. Um apocalipse de água e fogo está à nossa frente. Senão pra quê a correria desenfreada de todos, porque a passagem despercebida dos que estão sendo soqueadas por seus flancos, enquanto correm, e gesticulam e olham desconfiadamente para os lados. Os possíveis itinerários do fogo que limpa os caminhos ou das águas que os tornem mares profundos.
"O amor sempre me deu o jeito de ficar medroso como um rio bem perto do mar. Deu-me a inquietude dos olhos e um jeito intranquilo de querer chorar".
“Amigo é aquele que perde o tempo a lhe comprometer com o patrão, ou com o seu amor, só para te falar e te ouvir, na verdade”. NAENO
COMO EU GOSTO DE SER POETA Ai, como eu gosto de ser poeta. E ser o homem de andar reto,
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COMO EU GOSTO DE SER POETA Ai, como eu gosto de ser poeta. E ser o homem de andar reto, Ter um caminho limpo à frente e atrás. Poder dizer o que sinto, como verdades Sem ferir, fazendo valer o lirismo Como didática a que todos aprendam Que a vida é boa, e é um ofício Que a vida é para viver não para matar. Ai, se meus filhos fossem como eu Sonhadores, que perdem ou acham tempo Brincando com as nuvens Contando estrelas, arrepiados ao ver uma rosa Valorizando os espinhos que a protegem. Ai, como doeria ser outra coisa Ter outra vida que não esta... Ter a vida em festa quando um velório passa, Porque se assenta em minha cara Que aquela alma não está perdida Encontrou-se afinal, lá no édem Nos confins dos céus, ao lado de Deus Onde pulsa a verve do cantador Do inventor dos sonhos. Amo a poesia como amo o melhor de tudo... O que se expõe aos meus ouvidos quando Duvidosa, ela nos agasalha em seu regaço Ai vida bela assim, ai ventura sem fim! Ai, agora uma mulher dentro de mim.
POEMA DO CÉU Se eu vier a nascer de novo Pedirei ao Senhor da vida:
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POEMA DO CÉU Se eu vier a nascer de novo Pedirei ao Senhor da vida: Seja esta a vez da minha morte. Mandai-me velho, Com todo o tempo que tive Deixai-me progressivamente Eu regressar. Largai-me cambaleante como uma criança Nos seus primeiros passos. Que daí eu desça, remoçando. Com a carga de tudo o que é meu Das coisas que vi e fiz. E siga esquecendo, desaprendendo Diminuindo ou aumentando. E que tudo vá se diluindo e consistindo No olhar atento e sentidos perfeitos de moço. E que siga esquecendo, Tudo que lembre dure o tempo de esquecer. Que a mim seja da beleza De primeiro ver o crepúsculo Pra só depois ver a aurora. Que as estrelas e a lua, eu veja antes Que a luz ofuscante do sol. Que as mulheres se surpreendam Com os beijos que sugarei de suas bocas Que eu siga de tudo esquecendo... Que as estações se invertam Da forma como eu venho vindo e indo. Que eu veja as águas que não se repetem Descidas distas dos meus olhos, um dia. Que as chuvas primeiras sejam as derradeiras E eu já colha antes de plantar. Que o meu primeiro presente, uma bola furada Dê-me a alegria de um menino encantado. Que eu desça ou suba deslembrando... Desaprendendo, tendo o sentimento adulto. Até sentir-me No regaço de minha mãe Sugando o colostro, Que se abram as portas Por onde entrei e saí E de tudo esquecido.
AMOR E MEIO Ai, o amor de sempre. Os mesmos efeitos colaterais
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AMOR E MEIO Ai, o amor de sempre. Os mesmos efeitos colaterais Os mesmos rompantes tardes. Um foco que em todos arde Dor que dói e a gente ver Uma calmaria assolada Com os danos à nosso sentido. Amor, desnecessária espera E dos mesmos a desesperança. Aquilo do que se diz: Quem planta, mal apanha Ou leva o que não apanhou Ou não apanhou o que levou. Amor, essa confusão, Um chega e sai, Ao redor das brasas Um posto de gás incendiado Das bombas a ameaçar da rua. E quem assegura que o amor Repõe danos, que se está assegurado Quem lucre com seu dissipar. Ai, o amor elevado sentimento movimento em trocadilho A batida dos pratos no apogeu da filarmônica Desnecessário, mas que, se não fosse Desmembraria a vida corriqueira No rumo das manhãs. Até amanhã, ilusões, até amanhã! Decepção, depois se vê!