PRESO Como eu poderia ter-e em minha boca Para o beijo e para o verbo,
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PRESO Como eu poderia ter-e em minha boca Para o beijo e para o verbo, Se o sabor de tudo isso sentido Continua a ser detrás, Daquele tempo que não se parte. E para atender estes teus olhos Cor da clara noite, lanternas acesas. Como posso? Dos meus olhos Deixados lá, nas encostas de orvalho No vidro límpido que debaixo dele Viajam peixinhos graçapés. A minha boca ficou no desejo Das frutas doces de eterno gosto. Salvo meu beijo, que não o dei, Na menininha irrequieta e tímida Na forma de nuita ansiedade, Por minha vontade que não se expressava. E até o beijo da minha boca Ficou solidificado, nos lastros das árvores. Nas mãos dos meus pais, dos meus avós E de meus padrinhos, na santa devoção De estar beijando também outro pai. De onde tirarei de mim para te entregar Por este amor sentindo em mim E que há em mim somado Ao que deixei do que eu era todo Retidos de ternuras Que foram desta maneiras Tocados pelos meus olhos, Entretidos nos corpos de seda Das afeições, caminhos, não resolvidas Mas que em mim, detidos Repassam a mim as fragrâncias e o desejo Que preteri, em vez de fazê-lo. Pegar minha baladeira e sair Depois de uma chuva de inverno.