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Frases de Naeno Rocha

424 frases

PRESO Como eu poderia ter-e em minha boca Para o beijo e para o verbo,
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PRESO Como eu poderia ter-e em minha boca Para o beijo e para o verbo, Se o sabor de tudo isso sentido Continua a ser detrás, Daquele tempo que não se parte. E para atender estes teus olhos Cor da clara noite, lanternas acesas. Como posso? Dos meus olhos Deixados lá, nas encostas de orvalho No vidro límpido que debaixo dele Viajam peixinhos graçapés. A minha boca ficou no desejo Das frutas doces de eterno gosto. Salvo meu beijo, que não o dei, Na menininha irrequieta e tímida Na forma de nuita ansiedade, Por minha vontade que não se expressava. E até o beijo da minha boca Ficou solidificado, nos lastros das árvores. Nas mãos dos meus pais, dos meus avós E de meus padrinhos, na santa devoção De estar beijando também outro pai. De onde tirarei de mim para te entregar Por este amor sentindo em mim E que há em mim somado Ao que deixei do que eu era todo Retidos de ternuras Que foram desta maneiras Tocados pelos meus olhos, Entretidos nos corpos de seda Das afeições, caminhos, não resolvidas Mas que em mim, detidos Repassam a mim as fragrâncias e o desejo Que preteri, em vez de fazê-lo. Pegar minha baladeira e sair Depois de uma chuva de inverno.

PRESO Como eu poderia ter-me em minha boca Para o beijo e para o verbo,
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PRESO Como eu poderia ter-me em minha boca Para o beijo e para o verbo, Se o sabor de tudo isso sentido Continua a ser detrás, Daquele tempo que não se parte. E para atender estes teus olhos Cor da clara noite, lanternas acesas. Como posso? Dos meus olhos Deixei lá atrás nas encostas de orvalho No vidro límpido que debaixo dele Viajam peixinhos graçapés Que por minhas mãos nunca consegui prender. Um só sequer. Apenas um para tê-lo em casa Já numa arca de embalagem Transparente pressenti-lo de perto Em carícias por ele pelo lado de fora. A minha boca ficou no desejo da manga rosa Dos cajus no seu tempo, onde experimento Qual o mais doce ou qual o mais acre. Salvo meu beijo, que não o dei, Na forma de toda a ansiedade Na menininha irrequieta e tímida Por minha vontade que não se expressava. E até o beijo da minha boca Ficou solidificado, nos lastros das árvores. Nas mãos dos meus pais, dos meus avós E de meus padrinhos, na santa devoção De estar beijando também outro pai. De onde tirarei de mim para te ofertar Por este amor sentindo em mim E que há em mim somado Ao que deixei do que eu era todo Retidos no azedume das frutas ruins De ternuras que foram desta maneira Tocados pelos meus olhos, Entretidos nos corpos de seda Das afeições, caminhos, não resolvidas Mas que em mim, detidos Repassam a mim as fragrâncias e o desejo Que preteri, em vez de fazê-lo. Pegar minha baladeira e sair Depois de uma chuva de inverno.

O LEITO DA ESTRADA A curva da encosta de barro e grama É quem contorna o rio.
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O LEITO DA ESTRADA A curva da encosta de barro e grama É quem contorna o rio. E o rio fica e as suas margens Abraçam, num movimento alto e leve A distância de todos os dias Suas beiradas quem invadem os caminhos. Os peixes andam pelas encostas e no areial distante Nos vales lisos que superam o rio. Eu entro no rio e atesto o seu estado de inércia E fico horas, dias, nas mesmas águas Vendo mudarem as estações A razão do florescimento e de lugares ermos O rio se solidifica na demência dele E os arvoredos vão lentamente passando. O rio fica onde está e as margens Mergulham no oceano de sede eterna E o mar transborda E as estradas secam Os peixes que não se misturam Agarram-se à água Enquanto garranchos e areia e E raízes, esteios, pedras se mostram, No derramamento das paisagens.. Além de quem Na perturbação do que cumpre a natureza Que avança para se renovar Assim tão modificadora e veloz.

COMO NEGAR Como negar o poema Se só uma página rabisquei hoje
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COMO NEGAR Como negar o poema Se só uma página rabisquei hoje E na folha que o escrevi Eu deixei marcado com a caneta Que o escrevi, com preguiça Como teria não sido eu Se os versos impressos Não fluem na, como na alegria de outros? Basta que se ponha bem perto A lupa do maior tamanho E verão minhas impressões digitais. Como dizer que foi outro quem o fez? Se a vida que se relata é a minha. Se o amor que foi embora Era o meu. Se a tristeza que se aproxima É toda minha. Se a individualidades são da minha pessoa Se os lamentos são do meu costume? Se ele saiu assimétrico, sem rimas Como só eu faço Se o alívio de terminá-lo Está impresso no meu rosto. Prá que confirmar o que não gosto.

TRINDADE Meu Deus, se Vos ofendi foi por não saber Que o mundo e todas as suas quantidades
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TRINDADE Meu Deus, se Vos ofendi foi por não saber Que o mundo e todas as suas quantidades Foi tudo criado por suas mãos profícuas E sem saber que o Verbo era a citação Do homem, vosso Filho Purificado, amor que vim a saber No tempo em que me permitistes vê-lo. Esse homem é a razão de tudo Até dos sacrifícios que fiz sem notar. Ele e eu agora temos uma intimidade santa Afeição do tempo da morte Do filho amado e merecedor do amor dEle. Por todas as estações de quedas o tropeços Não sabia que me sagrando por Ele O aceitando dividindo comigo O amor que dividiria com todos igualmente No meu rosto comum, até aí. Me soltei dos comandos de mim mesmo E implorar que de Vós tudo caminhasse. Meu Deus foi necessário punir alguns Para saber que o perdão é que é a gesto Beijá-lo será a negativa da distância. Citá-Lo em seus pedidos, em tudo a nós É a única ação verdadeira, igualmente depois de tudo. Pai, a quem eu careço depressa chamar de Pai? A Vós, o mentor dividido, pelas entradas do céu. A ELE, canonizador, descobridor dos puros. Em suas locas, no jejum de pão e água. Mas não paira dúvidas agora em meu juízo É o Próprio Deus, o próprio Pai, que ao Mesmo Filho Provedor de nossas vidas. Me resta falar com glória! Orar o Vosso perdão.

NOSSAS PARTES IGUAIS O teu olhar previne o levado da procela E adianta o tempo bom e serenando
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NOSSAS PARTES IGUAIS O teu olhar previne o levado da procela E adianta o tempo bom e serenando Flamejando, os teus olhos são duas velas As duas como uma consagração ao santo amado. Teu coração tem um batimento que é do meu E o meu no imprevisto faz de papel o teu Idealizo o que falta desta, que ainda não se deu Se já nos nossos abraços e velos beijos meus. O teu colo é o lugar mais quente e plumoso Que ao meu descanso depois das aventuras De amor e sonho, quando o gesto é faltoso Me chama teu coração, do meu delicioso. O meu olhar são duas paredes limpas ao brilho Que ao meu não faz, não se permite assim Ser só o que reflete da tua luz, fogo do dia Da minha face larga, uma tela de linho. Abre todas as portas e que dá para toda entrada E que se propaguem na minha alma o que já houve O teu cantar que é pra Deus, tão delicado Abrange a tua boca e em tudo a minha cala. Meus olhos não te dão abrigo Não, não, eu quero os teus E assim não me davas, assim não farias Por ti, por mim, teus olhos são meus. Estes remédios, dessas partes tuas O teu olhar que na noite brilha de se encantar. O teu colo que amortece a mim da luta Não que tenha vencido, nem que tenha lutado. O teu beijo de todos os gostos que já provei Tem um dele que nem fruta lá de longe Me arremete ao céu parecido com o céu E de ter o teu corpo e me aliviei Bem no meio de mim, sândalo marrom.

Eu quero ter uma mulher Uma só, que me entretenha em seu olhar Que me adoeça em vê-la
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Eu quero ter uma mulher Uma só, que me entretenha em seu olhar Que me adoeça em vê-la Por seus carinhos quando estou assim Das minhas tristezas escolhas O tanto que pode me ajudar Dividindo tempo, amor, sem contá-lo. Sendo no seu cuidados a falar por mim Fazendo o trabalho em ouvir amigos Que venham nos visitar E servi-los café a esses que se citam meus irmãos Que cheguem em nossa casa. Uns por Deus, outros pelo café com bolo. Eu quero uma mulher Com quem eu possa de gestos baixinhos Pensar nas bondosas partes de cada dia E nos sugerirmos planos, Mesmo aquele que malogrem ainda no preparar.. E sempre sabendo que é Deus, por tudo A quem confiamos tudo nosso. Eu quero uma mulher Que me dê na boca beijos saborosos Que cuide como um pastor no ensinos De comer e beber do seu leite Todos ainda necessitando dos afagos dessa mulher. Quero uma mulher que me ame Como eu venha a amá-la Que quando tropeçar em algo solto no assoalho Que caia dentro dos meus braços. Quero uma mulher para minha outra vida E que ela seja em tudo igual a ti Mas não vos apressais Jesus Cristo Eu ainda tenho a minha Desses jeitos iguais aos que Vos falei. Eu estou findando um poema e quero Que quem o leia, decida por Vos pedir É só no caso apenas no caso em que Vós decida E na de outros, e que estes Tenham o prazer de usufruir desta mulher precisa. Pois todas as mulheres têm o olhar angelical Pode ser que não seja uma santa E ser uma mesa posta Que grite na hora que almoço tiver na mesa

NAQUELE ONTEM Um dia Dos dias da minha infância
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NAQUELE ONTEM Um dia Dos dias da minha infância Eu desmontei a fechadura do quarto de meus pais. Naquela noite, já de noite, Eles dormiram de costas um para o outro Naquela noite não houve a luta Não teve coberto nem cobertor Ninguém fatigou-se Porque a fechadura desmontada Estava comigo, na minha rede. Uma noite, Nessa noite eu não dormi Contando, por minhas mãos no escuro Pelo contato dentro de minha rede O quanto eu encontrei Da máquina daquela fechadura desmontada E contava: Um revólver Uma mola propulsora Que esparzia longe a pinguela O pino que ficava no meio Uma carrapeta que dançava Uma chave que passava solta No buraco dela entrar De qualquer distância, para o alvo. Eu me armei até os dentes! E planejava a guerra já para a manhã, mais cedo Contra os calangos, os preás, os galos do terreiro A pessoa do meu amigo, Os pássaros que me avocavam do alto Das frondes cheias.

PENSO Prá mim falar é encostar os olhos E esquecer e durar o tempo do escuro
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PENSO Prá mim falar é encostar os olhos E esquecer e durar o tempo do escuro Mas ninguém pode fazer no tempo A escuridão, porque a claridade Se persiste o dia Ela dissimula os lados de entrar. E os enigmas da coexistência com coisas adversas Não são relevados nem na sombra nem na clareza Cabe na imaginação a pressuposição E concluo por pensar na anti luz. No reflexo dos preferidos por mim, os próprios olhos E não consigo pensar em nada. Porque a luz são adequados os pensamentos. E deslembrar é uma claridade que nos distrai O sol se presta no escuro a atrapalhar visões As inferências a que podia se chegar. A sol a cada dia se desengana, como eu Por não saber do que fazer E isto é comum nos dias de claridade. Luzes se adéquam à noite E penso e esqueço no mesmo tempo Da intensa máxima verdadeira. A luz não refaz verdadeira aquilo Que distinguimos muito bem na noite.

BENS DO AMOR Sabes do amor a paciência Ungido por ele, conta, restaria
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BENS DO AMOR Sabes do amor a paciência Ungido por ele, conta, restaria De tudo, a salvação, que mandaria Em tê-lo como fiança, a profecia. Do que te embebedas, na falta da penitência. Quanto calculas o amor de quem querias Nem tudo arrumas tê-lo desde a inocência Quando nem tu nem ele não correrias. A essência no meio vem de afluência E o meio era o fim que amanhecia O gesto que fazia por sua ausência Ou por ver os sinais de calmaria. Mesmo guardava por outros lugares Por lembranças de amores também deixados Que ele encarnou, por ti andares Ainda só, completa muda a desejares. O amor do seu altar de onde se sabe Ele ocultou-se para ainda cintinuar E ficar posto no lado da emboscada E aliançou em teu por te adoçar.

JOÃO PAULO II Quem seria capaz de repetir o acto, De uma noite densa reinventar o claro,
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JOÃO PAULO II Quem seria capaz de repetir o acto, De uma noite densa reinventar o claro, E de um caos profundo, num amor tão caro, Dar como obreiro do Divino amor, e amar. Amar na intensidade do primeiro amor sentido, O amor nunca remido, posto que só o bem criou, Só o bem plantou, e na mesma intenção desmedido, Dar-se inteiro, vasto corpo, do cosmos inteiro, feitor. Quem se atreveria com perigos agora mais evidentes, Atrofiar as horas, acalmar o vento, refazer o temo? Qual o humilde, e tudo podendo, os clamores sente, E refaz o mundo no mesmo modelo e as gentes, Deixar constrangido, frente ao amor sentido, puro E não se abater de sua fragilidade, e quis e fez, Uma outra história, um movo tempo, para o futuro, Se pensar o passado, se fazer no presente, que esse refez. Um rei que do seu trono desceu, e não maos sentou-se E fez do mundo uma casa maior e mais promissora Que perdoou setenta vezes sete, e até mais perdoou, Por ter atinado: os decretos de Deus não são dez, nem dois

PORQUE SE DEU Depois do lugar entre o céu e a terra Alongada de Deus toda obviedade
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PORQUE SE DEU Depois do lugar entre o céu e a terra Alongada de Deus toda obviedade És tu quem eu mais quero. Ajustamento de não ser O que sem ser o que quer Gritos de independência flâmulas ao vento Sinais de puberdade, não de sabedoria ainda Agora mais cedo que a noite do dia. Eu quero ser desta abadia Porque em notar primeiro as tuas razões Imprudências óbvias, canais de outros De onde retiras a água de gosto ensaboado. Depois de chegar a minha casa Falarei a ti do próprio mundo E vexado direi não sou o homem adequado Que viaja no tempo e se redime disto. Depois de Deus de longevidade a me perpetuar Em contas que dizem os anos Amo-te, amor de Deus, sou unido a ti e aos ramos Que enfeitam a casa das conversas Abordando em torno de ti

O DIA TODO É TEU Hoje só crer de ti me ofertarei E já terei corrido a folhinhas do Sagrado Coração de Jesus
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O DIA TODO É TEU Hoje só crer de ti me ofertarei E já terei corrido a folhinhas do Sagrado Coração de Jesus Que agora são o que faço Ler destemidamente Abancar os dragões com minhas mãos Faço a cabeça da bruxa a amealhar tua beleza Quando ela e eu emudecemos ponderamos No alto volume de nossas almas. Hoje ainda não estarás restituída Mas o meu cantar baixinho Algum fado, meu desafeto Ou outra música que me é própria Ouvir cantando pelos passagens Enquanto eu vou à cozinha Preparar a mesinha Certo que hoje só beberás. Não de mim, sacrifício não é Às vezes, mesmo nada ocorrendo A gente pensa imobilizar quem se ama Mas que isso não conta como tortura Ou algum tipo de conflito Imutável das caneta dos justiceiros. A gente só quer ver o corpo inerte Mas com a saúde boa Com a audição perfeita Ouvindo o que se diz de ti Longas declarações de que há dor No meu colo onde te dormes.

ASSIM, ASSADO Talvez não sendo eu E nem sendo tu
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ASSIM, ASSADO Talvez não sendo eu E nem sendo tu O ser demasiado, eu Em suas juras, tu Por acaso em mim. Eu e por oportunista, tu Escolhemos nossos lugares Próprios. Os mesmos No mundo onde corremos Das nossas esperanças rejeitadas. Tu com mais chances que eu Eu menos audaz, por tu. A gente podia falar no mundo E ele se sacudisse para esperar A seqüência de placas Mostrando-nos meus erros, tu E a ti encaminhando, eu Além, onde se sabe, O melhor estar. Talvez em tu arranjado E acomodado, eu Ainda busque as flores E dê também os espinhos, tu Fica a minha face Assim, triste, assim de dar pena Porque o choro, se não é por não querer, De alegria, o choro de águas Mais densas e mais salgadas Dão sinais de cheias De motivos e confortos Para que eu continue assim Ainda na retífica de espírito Da funilaria do couro Do desembaraço dos cabelos Enquanto dure minha maquiagem.

SONHO A LUTA Me vi poeta, de um esquecido ritual Na pedra rubra na ilusão de haver feito
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SONHO A LUTA Me vi poeta, de um esquecido ritual Na pedra rubra na ilusão de haver feito Uma honraria desmerecida. De sonhar No momento em que minha vida, estreito. Incluí um em mim esta verdade, estar Fazendo a coisa certa... iludi, julguei Hoje me cobram, os tais ancestrais Que do tempo não digam, ancorei. Maltratei as rosas de minha volúpia Por trazê-las nas mãos, as mãos que te dei Com tudo arrumado, começo e fim. Voltar ao sonho, Já não distraem os poetas. Tantas vezes dei o lugar foco, da lei E ao transformar-me no comum, se esvaem Momentos impossíveis, pedaços que não sei. O emblema rebrilha, forçado contra-mão Contra o dia, tempo que resvala o sol E derrete-se na fornalha, o meu coração. Se nisto não vejo sentido, os outros nós Que pela vida pontilhei varandas até no chão Tentarei se encontro nas rachaduras secas O sentido que sou, o que recolhe a mão Sou alguém, e se já me perca.

Traz amor, flores do vento Meus olhos se servem dessa cor solar Não se perde em tua linda
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Traz amor, flores do vento Meus olhos se servem dessa cor solar Não se perde em tua linda A mais bem feitinha, alguém deste lugar. Sabe bela eu venho até aqui No momento certo de te ver chegar Da janela, e só dela presto Pra te ver, tão linda E pelo fim passar. Sabe o beijo que enfeitava a tua Minha a boca de tanto beijar Vamos quantos nossos lados juntos E estas flores são pra te entregar. Nunca à frente ligeiro ou demoro Naves longe hão de nos levar Me recordo o beijo apressadinho Nos levando pelas portas do mar.

Apagas da tua visão Meu batom carmim E te verei campina
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Apagas da tua visão Meu batom carmim E te verei campina Verde toda direção Entre os montes cimo Os teus seios deslizantes. Eu sorvo toda a tua pele Toda, tudo tão inteiro E tudo será como eu quero Como um beijar primeiro. E onde em mim tu tocares eu Serás como Midas Mas não no ouro E serei, por mim conduzido. Te elevarei ao poço Da minha vida Rainha por um tempo bom E eu terei caído. Amor, amor, amor Te chamarei, querida Me sugarás teu beija-flor Todo equilíbrio Uma canção dos ditos De Moraes Vinícius E musicarei os versos De Neruda, em vida. NAENO - com reserva de domínio

MUDANÇA Como um vasto campo, nesta estação, sem nada Assim meus olhos surpresos vêem agora,
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MUDANÇA Como um vasto campo, nesta estação, sem nada Assim meus olhos surpresos vêem agora, A campina que nas primaveras de outrora, Refletia o melhor da vida, as flores, alagadas. E o que terá havido que o tempo não conta, A vez de outras campinhas de outros lugares, Verdejarem enquanto a essa se desmonta, Pra virar um deserto onde só se ver barro. Permutam as estações, umas suaves, outras não Umas que trazem alegria e festa, outras estéreis Uma que se enchem de flores, como era a vez desta. Mas em se perpetuar assim, esta, a vida muda a razão. Ah, primaveras de outros tempos, e que ninguém tocou Quem se atreveria sequer pensar, mudar, o absoluto, O tempo que tão astuto, faz de si o que se notou, A forma, o jeito, como ele faz, isso nunca se revelou.

SOMBRA Quem, entre todos que a mim olham, me veem como sou de fato, um assombro.
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SOMBRA Quem, entre todos que a mim olham, me veem como sou de fato, um assombro. Que encorajado sem ver nada, bate o meu ombro, e diz tratar-se das minhas invenções. O fato de eu estar perdido, pesa, mas não sou eu quem não se encontra, não esse que ao seus olhos conta, como matéria pura, que faz sombra, existe, ou por aqui já esteve outro igual a mim, que não era eu, um vestígio, talvez uma ilusão dos olhos, pois nestes terrenos nunca pisei meus pés. Sou este ausente, o que se sente, miserável e mentiroso, tambem sou, o que desvia os olhares bem inencionados das pessoas, que se viram a procurarem em mim, marcas de outro passado, de onde não vim, e afirmo ser, tudo como eu, enfim, um nada que se mostra agora, e ninguém percebe, ou se dar conta, de que fui invandido por uma grande onda, também de um oceano inexistente. Sofro de um mal recorrente, e de saber, tudo sobre essa criatura, que não é uma caricatura, sou eu em pele e ossos, que deixa sombra por onde passa, mas fica só um rastro, o do que não vejo e é minha companhia, aonde eu vou, até se eu entrar o céu.

PRESSA Eu só ando com pressa. Esta constatação é antiga
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PRESSA Eu só ando com pressa. Esta constatação é antiga No entanto ninguém nunca me perguntou, Porque da pressa, desses abertos passos? - Para chegar onde temo não sair, Para um lugar ao sol, pra me encobrir, Para me distanciar das iluisões daqui, Dos sonhos lentos, Das irrealizações previstas. E me apresso... mas os meus pensamentos seguem lentos, Estáticos como a vida de quem fujo, Eu quero logo um lugar futuro, Correndo do passado, Sem nem querer pisar o momento. Eu me apresso enquanto o mundo Ainda é um buraco raso, E talvez por baixo ainda exista Algum farelo de minério, Alguma coisa que valha algo. Eu vou com pressa, por que se estendo o braço Ele vai além do que posso alcançar, E eu não quero nada, a não ser andar apressado. Sei que quem anda como eu, aperreado, Pouco tem tempo de juntar, Mas o que era de meu já juntei, O que eu tinha pra levar, já levei. Por isso ando nesta pressa, Porque minha pressa é a de chegar. Não a pressa de estar, Não a pressa de ficar, Minha pressa é a de continuar. Assim, depressa, Que a pressa é inimiga da razão.

BENTO Se a dor que se anuncia Com o vento que nunca mais havia sentido,
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BENTO Se a dor que se anuncia Com o vento que nunca mais havia sentido, For da mesma intensidade de ontem. A mesma que convivi pela semana, O vento só trará chuva, se chover, Mas se chover como promete, Que vem das mesmas alturas, A dor já será outra. Me trará saudades, A chuva sempre me traz recordações De quem não quero lembrar. Mas me entreterá por um bom momento, Enquanto vejo os córregos se enchendo, O cheiro da água quando bate na terra seca, Os bodes acomodados quase dentro de casa. Essas visões talvez me acalmem E hoje eu não necessite fazer curativos Sobre o meu corpo, que todo dói. Se a dor que já inquieta só por eu falar, E sua intenção é doer, e doer cada vez mais, Não tiver o mesmo poder da chuva e do vento, Eu terei sido bento, por Deus, pela água.

NÃO SEI Eu que tantas vezes chorei, tantas vezes ri, Eu que tantas vezes sem saber, o fiz
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NÃO SEI Eu que tantas vezes chorei, tantas vezes ri, Eu que tantas vezes sem saber, o fiz Sem saber o porque da lágrima, E só me derramava em mim, calmamente. Eu que tantas vezes chorei E tantas vezes achei que chorei mais que ri. E se isso for verdadeiro, menos olhei E mais eu vi. Por que o mundo é infecto e cheira mal, Ás alturas em que se está, vê-se um final, Que não nos agrada ir, antes ficar. Quantas vezes chorei por alguém chorar, Quantas vezes estanquei meu choro, Ao ouvir alguém cantar. Mas o fétido mundo, Também produz um barulho, Que só os surdos pra suportarem. Por isso chorei em demasia, Pois as pessoas que eu sabia chorarem, Por ver lágrimas em seus olhos, A essas fui solidário, e me derramei. E eu que tantas vezes chorei e tantas vezes ri, Não ri mais do que chorei, Nem chorei mais do que ri, de mim, Sabedor do mundo, do seu querer profundo Que a gente chore muito mais. naenorocha

MEUS OLHOS Meus olhos tem aumentadas Suas capacidades de verem
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MEUS OLHOS Meus olhos tem aumentadas Suas capacidades de verem Eu vejo a lua passar distante, Eu vejo minha alma andando A dez mil metros longe de mim. Vejo homens em barcos no alto mar Com seus movimentos, de ir e vir Árvores em plena mata, invisíveis Carros em ruas a distar da minha Disto são capazes meus olhos. Se ninguém sabia isto de mim Já sabem, pelo que vejo e mostro, Porém isto ainda não prova Ninguém os olhos que tenho E nem têm como eu outros olhos.

ACALANTO Muito antes de eu nascer já me acordavas com cuidados Um anjo me designastes, antes de minha mãe pegar-me.
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ACALANTO Muito antes de eu nascer já me acordavas com cuidados Um anjo me designastes, antes de minha mãe pegar-me. Ele me segurava quando eu corria rumo ao despenhadeiro Ou quando me declinava sobre o precicípio. Me embalava com canções compostas aí, Serestas e acalantos, dormia ouvindo-os Para aplacar minhas investidas nos caminhos da cruz. De noite eu sentia cada passagem do Arcanjo Sob minha rede armada no entrar do quarto, E se ausentar nas estradas altas par o céu. Após e tardiamente, uma mulher deitou-se do meu lado Tinha uma forma de anjo fêmea, E na minha vida, já se diminuíam os cuidados do tempo. Se não for do puro atrevimento, manda-me o teu anjo Para que cuide de minhas feridas expostas, Para que resfrie a minha boca: Há momentos em que mesmo a vontade não me convence É necessário que eu te veja inteiro, rente aos meus olhos É preciso que eu me veja em ti E que encare os sofrimentos como um sol claro A tua luz subindo e descendo sobre minha vida. Manda o teu anjo que com ele eu aprendi a falar De coisas que por aqui, nas divagações de mim, Não mais sei contar a ninguém Nem mesmo à mulher que dorme comigo Nem mesmo o homem que soube ser meu pai. Não és tu meu pai, que já flutua, que já é anjo Meu pai, de verdadeira saudade lá bem de dentro de mim. Manda-me essas pessoas todas Para fazerem um coro, para eu poder dormir.