Frase de Naeno Rocha
POEMA DO CÉU Se eu vier a nascer de novo Pedirei ao Senhor da vida: Seja esta a vez da minha morte. Mandai-me velho, Com todo o tempo que tive Deixai-me progressivamente Eu regressar. Largai-me cambaleante como uma criança Nos seus primeiros passos. Que daí eu desça, remoçando. Com a carga de tudo o que é meu Das coisas que vi e fiz. E siga esquecendo, desaprendendo Diminuindo ou aumentando. E que tudo vá se diluindo e consistindo No olhar atento e sentidos perfeitos de moço. E que siga esquecendo, Tudo que lembre dure o tempo de esquecer. Que a mim seja da beleza De primeiro ver o crepúsculo Pra só depois ver a aurora. Que as estrelas e a lua, eu veja antes Que a luz ofuscante do sol. Que as mulheres se surpreendam Com os beijos que sugarei de suas bocas Que eu siga de tudo esquecendo... Que as estações se invertam Da forma como eu venho vindo e indo. Que eu veja as águas que não se repetem Descidas distas dos meus olhos, um dia. Que as chuvas primeiras sejam as derradeiras E eu já colha antes de plantar. Que o meu primeiro presente, uma bola furada Dê-me a alegria de um menino encantado. Que eu desça ou suba deslembrando... Desaprendendo, tendo o sentimento adulto. Até sentir-me No regaço de minha mãe Sugando o colostro, Que se abram as portas Por onde entrei e saí E de tudo esquecido.
No pensador.ai desde