Frase de Naeno Rocha
AUSÊNCIA Eu julgava ser a ausência Uma divisão dolorosa do corpo, Ou coisa sentida como prenúncio de morte, Um buraco negro, sem fim sob meus pés. Depois vi que a ausência É uma companhia necessária, Comigo, inteiro em dois, ela permanece, A provar minha sanidade, A dar-me os sentidos que não sabia, A cativar-me como a melhor amiga. E me acostumei com ela, tanto, Que tanto faz o burburinho das ruas, Ou o balbuciar risonho de um amor, Colado aos meus ouvidos, Que dou mais atenção a ausência. Com ela a cadência do passo é mais livre, A gente estanca, e abraça como quer, Livre das dores que traz o abraço, Distante dos olhares obrigatórios, Que a companhia exige. Alforriada dos escândalos Quando queremos liberdade. Hoje eu eu a ausência somos ímpares, Um que se sente só mas seguro Pelas duas mãos ocupadas, Outro que se sente acompanhado, Por um coração, guardado.
No pensador.ai desde