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Frases de Naeno Rocha

424 frases

SE FALTARES No dia em que saires embora Levarás também, os meus sonhos
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SE FALTARES No dia em que saires embora Levarás também, os meus sonhos Que em todos ele tu estais! Sem a tua companhia. E quando fores sem mim Terás levado também minha alegria É de mim, eu me conheço... Não saberei mais ser alegre! Levas, de todo querer necessário A proteção dos meus braços... Quem sabe das noites, de frio Tu mesmo, neles te protegerás Como guardiões teus, na nevasca. Não deixes pra trás palavras De amor e preces, porque pressinto Elas serão as únicas palavras que direi As únicas palavras que direi. E suavemente, soltas as minhas mãos Dedo por dedo, célula por célula Porque elas estão apegada às tuas, por ti De tal maneira, que será o susto O pânico em que me deitarei longas noites Tentando esquecer-te E a lembrar-me de minha vida. Por minha vida tudo suportarei! E saibas: Sei de amores quadrilheiros Sei de amores pelos outeiros Sei de amores pelos luzeiros Sei de amor pelos Cruzeiros. E a minha vida será a mesma. Vida de Deus.

O QUE FAZER Amo-te muito, com suspiros de dor, Quando me vem a tua imagem nos olhos
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O QUE FAZER Amo-te muito, com suspiros de dor, Quando me vem a tua imagem nos olhos Quando me isolo com o teu rosto, Vejo nele um tormento, Do teu olhar insinuado. Ofendido estou em teu rosto Sob o teu amor suposto, Os sinais de malícia marcados. Amo-te e não é por gosto, E ao ressurgir teu rosto, Minha alegria é todo desgosto. Quando o teu rosto revejo, É como me ver morrer, Amando-te no último arquejo. È melancólico ver no teu rosto Como terreno em braseiros, Sobre, pairando, o deslize. A agonia dos meus olhos Em oposto ao um bem mirar, O que renasce em abrolhos, Teu rosto nem quero olhar.

PARTIDA Quando eu te deixei aqui Eu mais fiquei que saí,
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PARTIDA Quando eu te deixei aqui Eu mais fiquei que saí, Na mão direita uma rosa Tirada de onde eu nem vi. Quando eu te deixei aqui Eu nem fiquei nem parti Na mão uma rosa molhada Medo que nunca te vi. E o meu coração Escorava as mãos Segurando a porta Fechando as saídas. E um grande avesso Sentiu pela vida. E a lua me apontou o dia Como se não queria, Testemunhar, tardia Me dava as mão.

NINGUÉM Quero ser ninguém no aprendizado Da vida que começa com o meu choro
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NINGUÉM Quero ser ninguém no aprendizado Da vida que começa com o meu choro Quero passar alheio aos olhares Também não quero ouvir comentários Sobre quem olha pra outros lados incisivos Desejo não sejam sobre mim aquele embuste E meus olhos se aproximam da frente Incontestável lugar que causei E minha cara, falhos dos meus olhos Marcam cortes profundos como veios E me tornam o olhar pequeno e rude.

CORTINAS A manhã eleva os cantos No teu ventre, jogo flores.
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CORTINAS A manhã eleva os cantos No teu ventre, jogo flores. Ante às cortinas de branco armadas. Há lugares pelos caminhos Onde se pode te esperar. Fala-me o vento das matas Dizendo-me que vais passar por ali. Nas alturas se agitam ramagens Flutua os teus lençóis cuidados, Descobri-te há pouco, aqui. Floram rapidamente os arvoredos Frutifica-se em campanha, caem. Fruto nas tuas mãos dispersas. Surgem doces em tua boca Teu riso da cor das nuvens Largastes distante o tamanho. Acatas todo o silêncio áureo Da hora mais bela do dia. Confundes-te com as nascentes da estrada Declinas no empate das águas, Conversa tempos com as nebulosas Te entretes com o curió da mata. Deus fez um conserto Nas estradas pra tu andares E ele ainda insiste fazendo. A manhã derrama flores No teu ventre cantam pássaros Ante as cortinas amareladas.

GINA Ela é de uma pequenez No seu tamanho chinês...
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GINA Ela é de uma pequenez No seu tamanho chinês... Mas bem de perto Quando se mostra Sua sombra vai às costaneiras, Se curva nas ribanceiras, Até chegar no luar. Ela é de uma timidez Com sua voz de escassez Mas quando ela fala Enche-se o mundo de música... E quando sussurra no meu ouvido Já tenho me recaído. A mulher única, é como ela E todas são tão iguais... Mas é do mais Que ela tem, Do tanto que ela faz. E é de tudo, que existe Dentro de um átomo. Mas não me iludo. Todos têm suas miragens! E não sou surdo Nem calo de afonia. Seguramente sei distinguir A fruta doce O fruto travo

SIMPLES Eu não construo poesia Como quem faz uma casa de praia
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SIMPLES Eu não construo poesia Como quem faz uma casa de praia Ela se arma onde bem quis. Na aparência como se vê no espelho. Esqueci-me das palmeiras de babaçu Postas na área de entrada Fazendo um caminho Que por airoso fica na areia. Nunca premeditei uma poesia Como quem virtualisa um amor alado Desengonçado e trabalhoso. Como o que sentiu fazer A primeira maravilha do mundo. Nunca imaginei a poesia Como quem idealiza um amor Não amo as poesias que faço. Antes, às vezes as odeio e rejeito. Elas me consomem tudo, o tempo, Toda afeição de que tenho, traço. As poesias que têm saído De meus inventos, Das rimas que persigo, imerso Vem do universo. Vem como chuva Vem como anjos que voam ao léu.

PLANO Lego a quem quiser seja A quem deseje, a quem sirva, a quem goste,
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PLANO Lego a quem quiser seja A quem deseje, a quem sirva, a quem goste, O desafio de reconstruir o mundo, E fazê-lo novo. Meu compromisso, o mínimo Que inda posso fazer É ser mais um operário É ajudar acabar com este escuro Onde displicentemente me lançou a Senhora minha mãe. Existem algumas maneiras de acabar com a escuridão Uma é destronar-lhe ostensivamente A outra é fazer até o requinte, Transgredindo as regras do jogo. Outra maneira é aumentar a escuridão fazendo mais filhos Educando-os e ensinando-os, Higienicamente a fazer outros filhos. Ir à missa todos os domingos E contribuir para as obras da paróquia. Ou criar mais um jornal, Mais um partido, mais um grupo de estudos, Mas uma conspiração militar.

TENTANDO Foi assim Quem me chamou foi você
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TENTANDO Foi assim Quem me chamou foi você Do fundo da minha vontade Eu não podia enxergar Que amor não é por bondade Mas eu errei em te dar Entre beijos e cuidados Cuidando de me querer. E, então Não olhar mas eu vi Tinha esquecido os teus olhos Andando na mesma estrada E àquela hora ainda estava Esperando por você Tua falta me apertava Eu não mais queria ser nada. Ai Eu me larguei pelo mundo Um homem bom, que no fundo Me apontava o nariz Quando me vi eu já estava Andando morta a saudade. E armado noutra cidade O circo me faz feliz. Daí, então Procurei não notar mais você Nossa amizade perdida Achava que você nunca me quis E lá pro fim pude entender Só fingia não lhe vê Pensando sorrir poder Vendo na vida um brinquedo.

OS MEUS PROVEITOS Eu amo tudo o que fiz Porque eles me apontam agora
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OS MEUS PROVEITOS Eu amo tudo o que fiz Porque eles me apontam agora E sabem do meu nome E se compõem de um tanto de mim. Eu amo o que não fiz Porque eles me apontam o jeito da feitura E minha cabeça racha-se em pensar Será mais bonito, terei mais sabido E tudo o que eu fiz Para me felicitar ainda mais Se deram às pessoas do mundo E muitos delas falam de mim E sabem do meu nome. Tudo o que eu ainda não fiz Agora está pra ser feito E eu já tenho os modelos Um depósito cheio de manequins provadores E o que eu vou fazendo Vou sabendo em que cabeça caberá Como uma coroa encomendada.

POR ACASO Não estou esperando nada É chato talvez pensar assim
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POR ACASO Não estou esperando nada É chato talvez pensar assim Mas falar da forma que digo É cristalina veridicidade. Nenhum ônibus trazendo um amigo Ou uma encomenda que fiz Parece que estou falando atrasado Atravessado por um pouco caso. Aqui sentei porque o assento E não trago nenhum carnê Para receber, pagar, levar Ou apenas levar sem pagar porque é meu. Não está valendo nada Nenhuma coisa ansiada Algo a mim direcionada Também não estou esperando nada.

ACONTECE Chamaram pelo meu nome e eu atendi Mas não havia ninguém daquela voz
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ACONTECE Chamaram pelo meu nome e eu atendi Mas não havia ninguém daquela voz Não encontrei ninguém na sala Enganei-me pensando: vem da rua Só que era domingo o dia triste Quando as pessoas dormem Umas por sobre as outras No conforto e na preguiça próprias do dia. Ninguém bateu à porta e quis entrar Sentado à minha frente Discutimos futebol Falamos de poesias. Posto o espelho no meu quarto Fui ver o meu rosto, meu aspecto E ninguém ocupara o espelho Especioso retocava os meus sinais.

DEUS Deus o ser invisível que se põe entre nós e os nossos olhos Uma nascente borbulhante que levanta a areia da profundidade
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DEUS Deus o ser invisível que se põe entre nós e os nossos olhos Uma nascente borbulhante que levanta a areia da profundidade Um silêncio que se ouve com a quietude do coração Olhos atentos que nos conta um a um na escuridão Que a todos se revela pela bonificação de acréscimo do seu amor Um rebento que chora ao ver-Se sair de suas próprias entranhas E que em nós se acomoda calmamente, Dos mesmos hábitos os quais já fazemos costumeiros. Deus que se perpetua a cada momento, desses momentos começos, E que não se finda, mas que se renova todos os dias, nas manhãs Que ele mesmo traz com o zelo por haver criado. Deus que na sua magnitude, infinitude, criou um fim imprevisível, Que a nenhum cabe conhecer. Só o começo, só o meio Porque o fim, disto de Deus, foi criar-nos uma perfeita obra Na complexidade de seres humanos. Amados pro Ele incondicional. Deus, que viver não é morrer, mas consubstanciar-se Nele, E de uma entrega, quase sempre dificultosa, por não sermos da sua mesma matéria. Relutamos às vezes acreditar Nele Que vemos, sem precisar dormir para sonhar. Porque Deus Não é sonho que se conte. E se alguém pensou assim. Verdadeiramente O viu, e em vendo-O, voltou confuso Da procura, que pode ser longa, demorada e curta. Deus é ou deve ser assim: Um presente que se abre todos dias e não se amontoa Sobre nossa cama, porque a cada dia só temos um, o mesmo. O Deus inigualável, o Deus inavaliável, o Deus que se dá mais. Muito mais, distando consideravelmente, do que recebe de nós.

LÁGRIMAS SABE AMOR Sabe, amor
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LÁGRIMAS SABE AMOR Sabe, amor Sem ti, a vida espera Num canto esquecida. Os meus olhos só se alegram Quando te vêem de perto Colada aqui em mim. Sabe amor Pense em toda armadilha Em todas me alcei Querendo te encontrar Como faz um bicho displicente Levado pelo cheiro Da inconfundível flor. E se eu chorei Não cabe a ninguém Não choro por alguém E se a vida passa vagarzinho Eu fico no meu ninho A proteger meu amor

EU E MEU PAI Quando perdi meu pai Foi como perder o meu lugar
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EU E MEU PAI Quando perdi meu pai Foi como perder o meu lugar On ele estava eu estava Cavei com Ele covas no campo. Selei cavalo, amansei burro Queimei monturos Pra outro fazer no lugar. Fiz a escolha por ele como Pai. Herói foi só uma tendência minha A admirar tudo o que Ele fez Um homem, não um aprendiz, de brincadeiras. Quando deixei de ver meu Pai Passei a enxergá-lo muito mais Hoje tudo o que faço e sinto Está ele a dizer baixinho: - Quê que é isso rapaz, E se a vida pensa que O me tirou, Errou mais uma vez, comigo, Ela O me deixou. E mais íntimo, mais cauteloso, Uma fala que escuto, um coração que perscruto, E amo, amo demais, essa solidão do meu Pai.

Meu amigo, As estrelas têm apontado sempre o teu coração, No teu derredor,
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Meu amigo, As estrelas têm apontado sempre o teu coração, No teu derredor, Como Luzes que aos homens Parece não se pode criar Ssequer sentir os seus fluidos angelicais. Mas onde tu estás elas incidem. Agora mesmo por onte passas Elas te seguem, porque emanam de ti. Eu te tenho como um das boas coisas Que encontrei na vida.

POETAS - Lanço o meu olhar, só quem que diz Ouvir não é a mesma coisa que ver -
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POETAS - Lanço o meu olhar, só quem que diz Ouvir não é a mesma coisa que ver - Sou mais amplo que a superfície do mar Um irrequieto menino que dá conta da terra E de um abraço envolvo o céu em meus braços O meu pensamento tem vida, se mexem. E recrio o mundo na minha livre vontade Por mim é que brotam as sementes na terra E se movem os peixes sob as águas, O sol me aquece, em cortesia, por primeiro. E amo, vivo, ando e passo Para fazer como todos A transubstanciação dos elementos de parte Na unificação do espírito Lá de onde vim, para onde vou. Transpasso com facilidade os anjos divinos, Dou a volta e ponho o dedo em cada anel de Saturno Recebo o talismã da Rainha, E beijo a linda dançarina do mar. Até que diminuído em forças entrei num ônibus Sentei-me perto de um menino triste, Que tinha o rosto marcado de uma cicatriz. E de uma senhora gorda com um guizo no pescoço. O mundo irá e eu permanecerei Os poetas mal começaram a falar E mostrarem poesias. O mundo ainda conta com a chegada do amor Nesta noite prevê-se o fim das serenatas e da tristeza A poesia é interminável, não acaba mais Quantos homens chegam e vão cortejados Com uma bandeira como lençol Poetas existem em quantidade insuficiente.