Frase de Naeno Rocha
ACALANTO Muito antes de eu nascer já me acordavas com cuidados Um anjo me designastes, antes de minha mãe pegar-me. Ele me segurava quando eu corria rumo ao despenhadeiro Ou quando me declinava sobre o precicípio. Me embalava com canções compostas aí, Serestas e acalantos, dormia ouvindo-os Para aplacar minhas investidas nos caminhos da cruz. De noite eu sentia cada passagem do Arcanjo Sob minha rede armada no entrar do quarto, E se ausentar nas estradas altas par o céu. Após e tardiamente, uma mulher deitou-se do meu lado Tinha uma forma de anjo fêmea, E na minha vida, já se diminuíam os cuidados do tempo. Se não for do puro atrevimento, manda-me o teu anjo Para que cuide de minhas feridas expostas, Para que resfrie a minha boca: Há momentos em que mesmo a vontade não me convence É necessário que eu te veja inteiro, rente aos meus olhos É preciso que eu me veja em ti E que encare os sofrimentos como um sol claro A tua luz subindo e descendo sobre minha vida. Manda o teu anjo que com ele eu aprendi a falar De coisas que por aqui, nas divagações de mim, Não mais sei contar a ninguém Nem mesmo à mulher que dorme comigo Nem mesmo o homem que soube ser meu pai. Não és tu meu pai, que já flutua, que já é anjo Meu pai, de verdadeira saudade lá bem de dentro de mim. Manda-me essas pessoas todas Para fazerem um coro, para eu poder dormir.
No pensador.ai desde