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Frases de Naeno Rocha

424 frases

UM GESTO Basta um gesto teu, por descuidado que seja, Eu já me abeiro a ti, e colado ao teu ouvido,
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UM GESTO Basta um gesto teu, por descuidado que seja, Eu já me abeiro a ti, e colado ao teu ouvido, Me declaro apaixonado, como se ainda esteja, A começar uma aventura, uma outra recaída. Amor não me canso do teu amor, e sem notar, Já de minha boca saem palavras, aquelas lindas, De quem com zelo, e certeza que o amor não finda. Repete, várias vezes, e quanto mais digo mais afina, A minha voz proposital, o meu amor que determina. Qual o louco que tendo à mão a pérola procurada, Dá-se a mostrar, deixa-la em lugar fácil ao outros, Qual o homem em sua sanidade, tendo já encontrada, A felicidade plena da vida, diz-se infeliz, outro louco. Ao teu primeiro gesto, uma palavra de lábios, Já me prostro em teus pés como diante de altar, E no meu consciente vago, procuro saber dos sábios, Que diriam a uma deusa, ternuras de lhe encantar.

PENSO Acordo de madrugada como de espanto, Olho para o teu lado e não vejo o teu lado,
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PENSO Acordo de madrugada como de espanto, Olho para o teu lado e não vejo o teu lado, Tampouco vejo o teu corpo ali. Corro à porta, abro o visor e não vejo, As marcas escuras das árvores Que sempre estiveram ali. E não te vejo, chamo e não te escuto, Saio... e recuso ver o que vejo, A ausência de tudo, Cadê o mundo, em mim dentro, perguntam, Cadê teu sono... tudo foi como retirado, Por máquinas silenciosas enquanto eu dormia. Mas meu amor, o que queriam como o meu amor, Já que me deixaram, e eu só não sou semente Para repovoar o mundo. Porque o meu amor Foi confundido com uma porta, um armário, O que queriam com isso, já conseguiram, Já formiga o meu corpo inteiro por esta façanha, De extremo mau gosto, um pressuposto jeito De me deixarem louco. Só que o que não sabem é que já levantei louco, Eu não tenho amor, eu grito e morro por um inexistente, Eu não tenho casa e a porta que eu abrira Foi a mesma que abro quando estou insone Rolando no leito desta calçada, abri o meu coração. E quando abro o meu coração tudo se escapa, A natureza, que não reconheço ser, As sombras múltiplas que considero ser eu, Amor, eu nunca tive, mal sei chamar a palavra, Por achar bonita e simbólica aprendi, Ouvindo de outros que tinham, E passavam de dedos laçados por sobre esta calçada. naenorocha

PALAVRA Uma palavra dita na exatidão do tempo e certa, Fazem igualar-se no mesmo nível do chão,
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PALAVRA Uma palavra dita na exatidão do tempo e certa, Fazem igualar-se no mesmo nível do chão, As montanhas mais elevadas, é a mesma fé, Que não só no coração se cabe, vale uma ação. Uma palavra bem dita, precisa no seu sentido, Dita com a convicção absoluta de que é aquilo, Faz com que os mares retrocedam investidos, As ondas rastrearem, quietarem seus tombadilhos. Uma palavra vale por um gesto que se faz, Com a precisão dos olhos rentes à outros, E assim se falam, e a palavra não é silêncio, mas A mais deliciosa e firme e não se ouve pouco. Uma palavra dita, e feito o gesto, ao mesmo valor, Remove até as cabeças, ditas pensadoras, Depõe dos tronos os reis, e se vai portador, Do decreto que os depôs, a palavra abolidora.

MALOGRO Minhas mãos foram além do medo, E tocaram o seu rosto levemente,
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MALOGRO Minhas mãos foram além do medo, E tocaram o seu rosto levemente, Passando pra mim o que antigamente, Chamava-me, e me chamavas de amor. Quem vendo uma intimidade desfeita, Não sente um ultimato ao coração, De ti não sei, em ti não me vi mais, A mais, o tempo foi, e ele leva, Consigo só, o que carrega, não são lembranças. Mas saem com as costas pesadas de marcas, Das tentativas vãs de te deixar por aqui, E ficar mesmo a apatia, de um amor que ardia. Minhas mãos foram aquém do meu desejo, E não te convenceram que um afago bom, Faz muita diferença na pele que afunda, Com a mesma volúpia que já fomos beijo.

CONFRARIA Ninguém pode querer a vida Que a si sugere.
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CONFRARIA Ninguém pode querer a vida Que a si sugere. Ninguém mais pode está só. Os enigmas são revelados À luz de todos os sóis. Eu estou envolto de algo Quem em mim se agita Vou persistir em elevar as mãos Aos bondes que ainda passam. Engulo, por um amor, uma rosa Que dentro de mim explodiu. Só tive paz e segurança plena Imerso no ventre de minha mãe. Um esteio que vejo existir Desde o princípio do meu tempo Não me respirar do ar Que não seja rarefeito. Sou sempre tristonho dentro do escuro. Adios sol calliente del tiempo escuso Que não tens aos inocentes Nada reservado em teus planejamentos O só, o pobre, o nada, o nu. Não vejo homens de boa vontade Em parque alguma que freqüente Os meus sonhos, eu, presente, Sumindo, serei livre, amem.

INCONTESTÁVEL A realidade intransponível das coisas, O que todos os dias constato, haver,
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INCONTESTÁVEL A realidade intransponível das coisas, O que todos os dias constato, haver, Que a cada visão torna-se a verdade: Tudo é o que parece ser, Tudo é o que é E é difícil certificar a alguém, Pelo rosto de perplexidade repetido, Que de mim se vê, nem é necessário crer, Se isto é bom, e eu posso enfim expor um riso, Ou se é tristes estas verdades constatar. Basta sermos, para se ser uma realidade, Um mentira, aos olhos. Já tenho pensado tanto, E sei que ainda hei de muito pensar nisto, Por que tudo que penso e guardo, São essas mesmas verdades, E essas mesmas mentiras. Quando às vezes me dou olhando a uma árvore, E deduzo que essa árvore pensa, Não consigo chamar a ela, minha igual, Por que isto é uma verdade. E eu uma mentira. Talvez goste dela por não se parecer comigo, Por não falar pra que eu sinta, Os dissabores, a mais, de uma árvore, E eu sei que somos iguais, Que é uma verdade. Que eu minto. Às vezes sinto o bolinar do vento, E me encanto, por saber que ele é meu irmão. O que é um verdade. E uma mentira.

QUEM Quem projetou esta manhã, quem rebuscou, Do escuro que se perpetuava, suas entranhas,
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QUEM Quem projetou esta manhã, quem rebuscou, Do escuro que se perpetuava, suas entranhas, Quem criou esta manhã, a todos determinou, Seus nomes, e que se a chamem estranha. Os arroubos de alegria e gestos entre os homens, Se faz exato, pela beleza, de costume esperada, E o que se vê, um plasma apartado de sua cor, Um gesto de quem procedente, foi malogrado, E não trouxe ao espelho a ver o que se afigurava. Uma manhã por certo, destoa, do ocaso barrento, Se aproxima mais, no entanto não é fim, uma farra, Que só quem dela exauriu-se teve este tormento. Quem concebeu esta manhã, o fez por ver, Dos seus olhos opacos a visão mais distorcida, Do que pede o homem, clemente, a viver, E estampou-se o tempo errado já no seu começo.

BENS DO AMOR Sabes do amor com a paciência Ungido ele, conta, restaria
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BENS DO AMOR Sabes do amor com a paciência Ungido ele, conta, restaria E tudo, a salvo, que mandaria Em ser fiança, a profecia. Do que te deixa tonto penitência. Calculas o amor de quem querias Quando consegues desde a inocência E nem ele tem, nem tu farias. O coração no meio vem de afluente E o meio era o fim do amanhecia Os gestos meus, por sua ausência Por ver sinais de calmaria. Mesmo guardava por outros lugares Lembranças de como foi são deixadas Que ele encarnou, por ti andares Completa muda, a desejares. O amor do seu altar onde só cabe Oculta-se e ainda te provocas Ficando alheio, pela emboscada E aliançou em teu, porque te adoça.

QUEM DERA Quem dera a minha vida fosse, inteira, Como as manhãs previstas, seguras,
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QUEM DERA Quem dera a minha vida fosse, inteira, Como as manhãs previstas, seguras, Como as tardes que não passam ligeiras, Como as noites imprevisíveis, claras ou escuras. Quem dera que de mim se fizesse Uma lembrança que ninguém se esquece, Uma saudade guardada, uma prece, Que todos sabem e todos os dias rezam. Quem dera que do sofrimento meu, Nascesse orquídeas, e ela adubo fosse, Pra que o mundo infectado em cheiro, Se declinasse à beleza do que eu trouxe. Sabendo pois, que não sou manhã, Já ser a tarde me convencia que sou, Aviso certo que um dia teria à mão, A noite linda que minha vida anunciou.

PIANO Na sala principal da casa da direita, jaz um piano, Em quem ninguém toca,
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PIANO Na sala principal da casa da direita, jaz um piano, Em quem ninguém toca, Nem a displicente mariposa nele toca, Pra não dizer que nada, absoluto, lhe toca, Toca-lhe a flanela leve, até por seus teclados. Do que vale um piano inerte, fechado, Como se houvesse dentro alguém calado, No ponto já de seguir o cortejo. No meu quintal resistem dois ipês antigos, Que já nasceram como gêmeos, irmãos parecidos, Qando é noite que o vento afoito balança sua fronte, Eu ouço, do ranger dos galhos a mais suave melodia. Por isso não vejo a necessidade de um piano Em minha sala, as teclas se grudariam, Porque eu não toco, E pra que serve um piano que não toca.

MÃE Mãe os teus braços sempre se alargam Apenas na carência que meus olhos dão
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MÃE Mãe os teus braços sempre se alargam Apenas na carência que meus olhos dão Necessitados e prontos dos teus abraços. E não se esquece o beijo de mim Quando me retenho demorado Dentro dos meus sonhos Que quem me lembra é você. Mãe, querida do meu pai querido Que também me abraça e me segura. Passando dos ponteiros que o tempo conta Meu pai me conta histórias de que seriam Quem sabe a vida que a mim queria. Não por reencarnação que me pedia Dos remendados tiras de panos De seus caminhos. Mãe do meu pai, muito mais filho Mulher a minha, a mãe que é Minha mãe, que do meu pai exala-se amor Mãe que de mim, ternuras e receios Contai-me agora já que os meus Exauriram-se de acontecer. Será que a teu entusiasmo é medo Ou será que o teu medo é audácia Quando isto causa em nós temor que sai Sobre do mundo em blocos longos Sobre os meus ombros e do meu pai.

SAUDADE Arranca esta saudade que ela é tua Abriga a minha vida além da rua
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SAUDADE Arranca esta saudade que ela é tua Abriga a minha vida além da rua Dorme comigo, no teu lugar Que há inesperado além da lua. E a tua mão que vá chegue à altura A minha boca cabe a fruta crua. Rebate o sol, com minha sombra dura Me orienta nesta procura. Vais me levando na própria procura Não priva o meu amor esta doçura Invade a casa, águas da chuva E me concebe, de novo alvura. Responde os versos que eu te escrevi Da sombra que fostes por mim vivi Além de mim tu compactuas O meu vexame, minha amargura. E agora tomado de amor saí O amor louco que por ti aprendi A intensa minha, toda esta clara Que em ti achei que há pouco vi.

FERMENTO Redemoinha o vento, que ternura Se juntam sobre nós os seus comandos
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FERMENTO Redemoinha o vento, que ternura Se juntam sobre nós os seus comandos Molhar os brotos que chegam frutos Chover não molha por todo o ano. Do que nós precisamos a casa cheia O amo me faz perguntas sem respostas E a dor é isso que se aperreia O emplastro doce nas minhas costas. Será do tempo esta eternidade E do mundo será o sentimento Amor não espalha é só a verdade Que bota gosto, um condimento. E quando eu for daqui é para aí E quando em minha volta eu vou trazer Só frutas doces que dão aí Porque é de tudo ver e querer.

VERSEJADO Tenho falado mais de outras vezes O que dor do meu pranto todo o ano
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VERSEJADO Tenho falado mais de outras vezes O que dor do meu pranto todo o ano Por onde eu passe quem não só, você Calada a tua não um desengano. O amor pede a confirmação das horas Que tem tempo de andar e de sair Amando o tempo quem não me descora E fez comigo, tudo o que já vi. E esta dor me tem desanimada Por ti, me perde até varrendo o dia Não, que pareça não valer nada Tenho por ti a serventia. E de aí, quem sabe é só ventura E antes de chorar me faça a queixa. Que o amor conforte a cama lua E se deixe pronto na peneira.

CAMBALA Quando empuxarem a porta E com a carruagem avara
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CAMBALA Quando empuxarem a porta E com a carruagem avara Te levantares a chegar na maçaneta E quando a porta se abrir Tu estarás só Só como no mundo Todos do mundo Em números dos nascidos E que na lista revelada ao sol São as fadigas de Deus. Tu estarás somente Com a puxador na mão Disposto por desejar Olhar se ver A tua própria máscara As tuas esteiras Que te levam a diferir Neste detalhe apenas Talvez de quem Naquela oportunidade Rebate a tua porta Como querer de ti um abraço Da solidão submergida Ainda só, tu andas Como um moderno no mundo Como quem só conhece a si E de novo!

GERMINA Não deixa que o amor Em ti resvale
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GERMINA Não deixa que o amor Em ti resvale Amor a conta dele É simulada E a boca é tua E o beijo é dela Amor te entrego Ainda com garantia Amor que repetir sempre te dou Tanta esperança E o sol já levantou Amor tomas que cuide a sementeira A ti eu trouxe Flores vermelhas Tudo o que dou Meu colo aninha Germina em ti Como o que sou.

ENGASGADO Palavras eu já limitei Na egressão da boca
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ENGASGADO Palavras eu já limitei Na egressão da boca De coisas que poderiam avariar o mundo E fiquei como quem exita Tomar o remédio amargo. Se isto aqui não te dói Por seu lado, me tira o poder de contravir O que me vem de encontro. Todos os ventos se afunilam E para qualquer lado limitam a minha graça. Chorar não posso Seria a descontinuidade do sonho A mudança dos signos A obrigação dos ascensionários E dos descendentes luminares. E o que faz acreditarmos Em seus poderes binários O que não conto como papelões Porque são dois, não são três. Se fossem ímpares Contava sete os deslumbramentos do mundo E não regeria em meu relento Um césar sequer, que não fosse De um embaraço pelos caminhos fluviais.

GOTEIRA Da telha canelura Pingo a pingo de barulho
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GOTEIRA Da telha canelura Pingo a pingo de barulho E pela irregularidade da chuva Gotas caem, tonel se entope Ninguém comporta as águas dentro de si O que sobra pinga e respinga Que assim lava o chão Até o dia que se espera. O vento manso não trisca a telha sobrecéu Para que entre maravilhosamente E resfrie toda minha gente Confusa o canto da procela. O solo que há chuva Já por entrada, finca bebedeira Que não correrão nem subirão. Toda temporada é pega de surpresa E não há motivos Para que as flores contem Do tempo o que lhe faz abrolhar. De toda paciência, salve a clemência Que Deus nos mostra Quanto ao vento que a chuva chamega E lhe leve aonde se mais necessitar.

ACOLHE Não fale do amor a crueldade Pedaços do vestido dela acabem
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ACOLHE Não fale do amor a crueldade Pedaços do vestido dela acabem A que não fique só amizade. Que o amor rasteie o bem como seu guia Um acervo de bondade e mais carícias Que seja assim, que seja assim O teu lugar cabendo a mim. O meu lado direito que há da minha A terna boa, aquele passarinho Que junta palhas e faz um ninho. Carrega os gestos como quem foi Que todo movimento é de fazer Cair dos céus ou levar num balde Fermento, águas levar e trazer É bom pra tudo, que renascer. Acolhe as mãos da renascida O filho todo o tempo apetecido Que se repete toda alegria E faz aquilo, tão repetida

PASSEIO NO TEU MAPA Eu gosto quando o meu corpo roça o teu Corpo é um fio tenso exposto o cobre.
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PASSEIO NO TEU MAPA Eu gosto quando o meu corpo roça o teu Corpo é um fio tenso exposto o cobre. Tão bom as temperaturas repousadas Que queima e se presente Quando vem o tempo com outro renque De passistas. Eu admiro o teu corpo e em mim Se faz de dor quando te afastas E o que mais me diz do teu corpo São seus alcances, suas aduncas de ir e desandar. Pois de me proferir o teu corpo Ruboriza o meu, de conflagrar no fogo De todos os arrabaldes permeados Dos cuidados, que amor não contrasta. Gosto de apalpar o fundo do teu corpo De beijar-te aqui ali Ir voltar trazendo o gosto Dos teus jardins dourados. Gosto de afundir-me com meus olhos Nos pedaçosmoles Colinas brancasecoloridas Gosto de pacientemente alancear teus cortes Do seu dissimulo ínmã e o que der que freme Mitra teu corpo subdividido

IRREVERSÍVEL Contemplo o rio em seu percurso E tudo se parece no tempo
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IRREVERSÍVEL Contemplo o rio em seu percurso E tudo se parece no tempo O próprio momento Colho com as mãos o que cabe dele Mas não o retenho E na efusão da água fervente Tomo vôo como uma ave rebelde A tentativa de conter sua corrente É a mesma de manter A minha vida no controle Do meu olhar, da minha vontade. E memol ela se refugia de mim Ou segue o seu curso desde a nascente Como algo feito assim mesmo Que ninguém toca, não se retém E nem se revolve Para um reparo, que ajusta O que está incerto, O que a faz , muitas vezes doída.

DETALHE Detalhe... Era o brilho do teu olhar entre as pessoas
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DETALHE Detalhe... Era o brilho do teu olhar entre as pessoas A buscar-me sorridente em cada canto E a festa esverdeada do encontro. Detalhe... Era o teu vestido varrendo o chão Pelos caminhos para todos os lados E os teus cabelos naturalmente penteados Como um manto em que te envolvias. Detalhe... Era o teu rosto marcado de ansiedade De uma dor, da tristeza do passado. E o teu sorriso, que por isto eras a mais destacada. Detalhe... Era a tua mão pousada nos meus dedos no caminho Abraçada do beijo que trazias. Detalhe... Era o teu encanto impudente E o teu abraço no meu erro. Detalhe, para mim, não são detalhes São pequenos feixes de luz Compondo e enfeitando a nossa história Pirilampos brilhando na paisagem Mostrando os passos de onde passamos... Detalhe de eternidade na passagem O que já somos por constância.

RETRATO Rasguei o retrato Em que aparecíamos colados.
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RETRATO Rasguei o retrato Em que aparecíamos colados. Numa parte ficou menos de mim, Na outra ficou mais você. De um lado fiquei sozinho No outro você ficou sem ninguém. Num pedaço fiquei sem um braço No outro fiquei te abraçando Numa parte você focou sem pescoço Na outra ficou minha mão. Por esse avesso de coisas Eu me assombro Só de perceber Quão forte é a ligadura Que ainda nos une. Rasguei o retrato Tentando separar nossas vidas Mas a nossa dividida direção Cruzou-se em todas as frente E misturou-se por trás. Faces solitárias, Mãos resistentes Que não se separaram... Como um nó.

NEU POEMA Um dia farei um poema para mim Não qualquer lance rimada
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NEU POEMA Um dia farei um poema para mim Não qualquer lance rimada Ou coisa como tenho sido assim Menos que minha vida encarnada. Farei do nada, como me projetei Ao mundo de desvairo comovido Sem escalas, não ao que não sei A minha vida adulta, brilhos repetidos. As passagem alheias e minhas, que andei dizendo Tudo em meu poema será dissertado A adversidade que existir, ou vi alguém vivendo Em meu alento o que eu puder deixado. De guizos nas pastarias, pássaros ao léu Cantos recursivos nas mesmas horas leu O mundo, a falta de um beijo no teu véu Que me descobriu tão minha, a flor que amadureceu.