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Frases de Múcio Bruck

263 frases

Arco-íris em preto e branco... Não confunda tristeza com depressão Tristeza é motivada pelos avessos das alegrias
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Arco-íris em preto e branco... Não confunda tristeza com depressão Tristeza é motivada pelos avessos das alegrias Como perdas, decepções, desgostos, traições Então, não faça julgo daquele que se isolou de ti Ás vezes, nos isolamos até de nós mesmos E isso não quer dizer que deixamos de sentir amor De desejar a proximidades, companhia, presenças Mas é tudo passageiro, as motivações ficam adormecidas A depressão é diferente, impõe penares jamais sentidos É uma doença sem medida exata, sem remédio de cura Apraz a nos prestar à quietude, a nos entregar ao isolamento Faz de nosso peito o cárcere de todas as dores do mundo Ah, não confunda tristeza com depressão... Se não tens a capacidade de discernir tal diferença Jamais serás capaz de compreender o valor exato Da existência do outro e isso te tornas dispensável Não raro, o outro, dependente de seu bem querer Porém, em teu eu, ele é objeto, fácil de ser esquecido Porque o abandono que entregas a quem lhe foi útil Faz de ti, aquele ser de utilidade vã e dispensável Tristeza é sentimento que passa... pode até voltar Depressão não, ela impõe todo o sofrimento do mundo Não trás luz, não permite sorrir, é medo e tédio sem remédio Nela, morre-se sem valor, amando a vida em estado de dor

Viajar é Preciso... Minha profissão tem ofício simples: Juntar, em casamento, alegria e emoção
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Viajar é Preciso... Minha profissão tem ofício simples: Juntar, em casamento, alegria e emoção Mas, que de fácil nada tem... fio que não Nem todas as sandálias se calçam iguais Há de se fazer um arranjo aqui, outro ali Convencer que a não existe o tal desamor Que viver é compreender sentidos e sinais Colher aceitações, aceitar: a vida passa mar e amar Quereres inseguros no desapego cria força Porque nem tudo é um todo certo, exato E é no olhar inexato que exploramos o melhor Entendemos Machado e vendavais “Meirelirantes” Guimarães, aportou em minha vida, num raro acaso Trazendo latente, um coração valente, uma roça, batente batido Ao longo de finita vereda que levava à rangente porteira, odor de café Sentido já na entrada da casa humilde, num cantinho de Andrequicé Atravessei à nau, o Cabo da Boa Esperança Me detive, entre um mar e outro, ali, no Bojador De onde admirei o céu, a Ursa Maior, as Três Marias A lua, temente do olhar que dispara flechas de dor Fui viajante alado em olhos apaixonados E, não raro, aos avessos, nos mais irados Jamais disse adeus, porque todo dia um pé de vento Me leva de volta ao lar, vivo, quieto... em meu tempo

A culpa foi da desatenção... Madruguei não me sentindo em mim Não reconheci minhas mãos, meu corpo
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A culpa foi da desatenção... Madruguei não me sentindo em mim Não reconheci minhas mãos, meu corpo Meu olhar, pensamentos e ideias confusas Nada compunha o que conhecia ser meu eu Corri à varanda, debrucei-me no parapeito Olhei em direção do horizonte inda escuro Recebendo a alvorada e o céu aos poucos Coloria-se de furta-cor, trazendo o dia Memórias solapavam lembranças Cuidadosamente, cuidavam de me confundir Dos sentidos, sentimentos, emoções ao meu eu Nada se encaixava no conhecido amar-me Eras passadas, momentos repetidos se apossavam Desde meus quereres ao confuso ser que és... fostes Por instantes eternos, fui presente em desconstrução E o que ali importava era o início de meu resgate Demorei a compreender tal incompreensão Livre, me encontrava ao largo de sua prisão Tomei posse de meu eu, te encontrei em foto Sorriso largo, alegria sadia, captada, aprisionada Ao fundo imponentes, belos e elevados montes Se descortinavam imóveis, em cores vivas... mistas Aurora abrandada, distância para onde desejava ir E fui... em suspiro, alma alada, tomada da graça tua Deixei por conta da história, vigorar o assenso da euforia Desejando abraço vivente de um amor extinto, já ido Que se aceso, inda aflorado, exilado estaria, sem norte Sem ar, em vagido, ávido de ter havido melhor sorte

Lugar comum... Orgulho-me de trazer em mim o vermelho, o azul, o amarelo A fé no imortal guardião das águas, do matagal, o frágil labelo
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Lugar comum... Orgulho-me de trazer em mim o vermelho, o azul, o amarelo A fé no imortal guardião das águas, do matagal, o frágil labelo O olhar ladrão, que rouba pra si todo belo que avista sem elo Em pinçar nos versos do poeta, o amor liberto, sem atropelo De chorar o mesmo choro do homem, da criança, da mulher Não importando a razão: só o explodir de cada emoção Brotada no reencontro da volta ou no lamento da partida Na decepção inesperada ou na surpresa sentida... agradecida Orgulho-me dos amigos que a vida escolheu para me presentar Permitindo que se apossassem de meus sim, de meu bem querer Da glória, da graça, do compromisso da entrega de um sorriso Do certo abraço, sem correr o risco de alterar o gosto, o traço De aprender o que o equívoco me convenceu fiar saber Do presente invisível e palpável do lumiar recíproco Das causas e coisas simples, como doar, compartilhar A felicidade e saber que o lugar de um é na festa do outro

Saber viver... Saber viver é muito simples: envolve sorrir, conhecer as próprias emoções, a saber amar e o quão alto se faz esse valor! É preservar a capacidade de se indignar diante de tudo o que não é certo, é redescobrir em si, sentimentos e emoções um dia sentidos e já perdi…
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Saber viver... Saber viver é muito simples: envolve sorrir, conhecer as próprias emoções, a saber amar e o quão alto se faz esse valor! É preservar a capacidade de se indignar diante de tudo o que não é certo, é redescobrir em si, sentimentos e emoções um dia sentidos e já perdidas na soma das muitas decepções... em especial, as já esquecidas. É preservar desejos de bem, é aceitar e respeitar diferenças e ir além, não caminhar na contramão, insistindo mudar o que não pode ser mudado, mesmo que isso custe feridas e desgostos. Saber viver passa por desaprender a dizer não, diante do sofrimento e necessidade do próximo, porque o que é urgente para um, pode não ser para o outro e ninguém prevê o porvir do próprio amanhã! Saber viver é muito simples: basta se olhar no espelho e buscar sinais do anjo que lhe habita, é ganhar abraçados agradecidos, é saber que uma despedida nunca traduz um adeus! Saber viver envolve agir pela acolhida de um pai, mesmo que o seja, é ser irmão, mesmo que nem sempre presente, é conhecer a bravura contida no encanto do lado certo da moeda cuja outra face é o avesso do que é certo, é ter a compreensão exata de cada ato e ação que destaca aqueles que passam pela vida, como expectadores de si mesmos e não como atores, é saborear os dias vividos com a consciência plena de que ser útil ao outro é alimentar a alma com ações simples e prestantes... dessas, que fazem o bem acontecer, mesmo quando a vida insiste, no “entendimento” de muitos, em fiar que dar as costas e ignorar que a realidade do outro e de muitos, não lhes diz respeito e justifica negações com o não se importar com aqueles que da vida incapacitou... É simples viver, difícil é não compreender, com o passar dos anos, quando se lhe tornou hábito, acumular enganos e se acostumar a mentir para justificar falas ditas àqueles por quem é amado, se soma às desnecessárias e rotineiras patranhas. É simples viver, difícil é ser levado pelos anos e, num repente, se dar conta de que, aos poucos, incautos ou não, esses seres que se dão por “espertos e vividos”, deixam de serem amados pelos próprios filhos, esposas, amigos e, ao final, só e sem ter com quem contar, não compreendem viver em abandono!

Atitude... Vivias em companhia de seu agressor O tempo, confuso, a fez fiar ser amor o temor
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Atitude... Vivias em companhia de seu agressor O tempo, confuso, a fez fiar ser amor o temor Relação conflituosa, fruto de dependência e aceitação A vida lhe dava sinais de enganos, cárcere e danos Apaixonada, achou ser emoção o peso da mão Iletrada, estabeleceu que viver assim era melhor que só Imperava lhe o silêncio, quando a voz era necessária Quiçá, por descuido ou por medo da perda A roda que gira a vida foi sua libertação Onde havia dor, faltava flor, alento... sobrava ausência O espelho foi seu melhor amigo... deu voz à sua alma Enfim, aprendestes: quem ama, também desama!

A Bela de Minha Espera... Caminhavas em passadas lentas, leves Vestido de chita, estampas em flores
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A Bela de Minha Espera... Caminhavas em passadas lentas, leves Vestido de chita, estampas em flores Cabelos negros, soltos, contra o suave vento Um quase sorriso desenhado em toque perfeito Entraste em minha casa, sem cerimônia Queria, em meu desejo maior, ser nosso O lar simples, acolhedor, que não a tinha Ornava lhe o pescoço o crucifixo de sua fé Um raio de sol, atravessava a janela azul Em mira certeira em seus olhos amendoados Olhei-te com admiração, estagnado... sem voz Eras a surpresa bem vinda, bem quista, inesperada A pergunta de anos já idos se inquietava em mim Temia repeti-la, temia sua reação, temia seu não Já não me era necessário mais que sua presença Eras minha espera, ausência em eterna presença

Águas, Minério e Lágrimas... Eram ondas escuras, águas pesadas Correnteza que a tudo tomava em abraço
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Águas, Minério e Lágrimas... Eram ondas escuras, águas pesadas Correnteza que a tudo tomava em abraço Estagnado e impotente, o povo chorava Numa mistura de desencanto e dor Desenfreada, ocupava casas e ruas Sem pedir licença, levava o que havia Casas simples, sonhos feitos, vidas a viver Na passada, rolaram pedras, ferros, esperança e flor Mães correndo abraçadas aos filhos Homens simples, confusos, em desespero Perplexos, ante a desconstrução de um sonho De uma vida, erguida com suor, fé e devoção

Quem só sabe amar... Quem ama é capaz de desamar, com a mesma naturalidade! Mas, o desamar não lhe dá o direito de ferir o outro, seja com atos férreos... ferinos!
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Quem só sabe amar... Quem ama é capaz de desamar, com a mesma naturalidade! Mas, o desamar não lhe dá o direito de ferir o outro, seja com atos férreos... ferinos! Nem usar o silêncio como arma de ignorar a presença de quem amou ou o contrário, usar de suas falas para impor dizeres cruéis, nem fazer de sua impaciência um proposital descuido. Saber amar é sentir pulsar em si o bem, o querer da companhia, o alento de deitar no peito amado, se deliciar com o toque do outro, ter a compreensão incontida que rouba sentidos e a razão. Quem apenas ama, não necessita de grandes motivações para desamar, basta ínfimas discordâncias, compreensões incompreendidas ou que impere a ausência do desrespeito, o esquecer dos dias em que faltou a gratidão, é se deixar levar pelo desejo da partida do outro. Sem mais flores, cheiro, sabor, calor, somente o sentimento que errou ao amar. Mas, fiando que amou como soube amar e que nesse caminho, os "atalhos", as opções, o conviver, formaram, ao próprio desgosto, geleiras nos mais puros sentimentos, urgindo-lhe a pressa do adeus. No desamor, já não há dor na separação, naquela parte que desamou, mas sim, o afã da distância, o avesso do bem querer, o fiar que tudo findou Que, não sendo infindo tal sentimento, cabe somente a aceitação do findar a relação, pois essa, não lhe é eterna e jamais lhe será... Quem desama não se importa se haverá ou não a aceitação da outra parte, não mais! Mas, quase sempre, busca em si asas para voar em busca de novos horizontes... sem abrir mão de encontrar num novo amor motivos para sonhar e quem sabe, até poder sorrir! E assim, segue amando um, outro e outro e outro... Sem se dar conta que amar é diferente de saber amar!

Um sopro, onde o vento não passa... Há dias, em que a África mora aqui Em outros, fica logo ali, depois do jardim
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Um sopro, onde o vento não passa... Há dias, em que a África mora aqui Em outros, fica logo ali, depois do jardim É e foi sempre e sempre assim Seja sob a lua, sob o sol, sob a chuva Não é difícil de se aperceber ou encontrá-la Basta tirar do horizonte o olhar e mirar Nas crianças nordestinas: anjos sem asas! Nascidas guerreiras, já quase em partida Encolhidas em colos, sedentas de vida

Morando em ti... Conheço bem o afeto de seu coração Seu pensar, seus desejos e penares
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Morando em ti... Conheço bem o afeto de seu coração Seu pensar, seus desejos e penares Sua alva alma, que brinca com a minha Onde lhe reside a estrada de todo meu canto Em cada canto, semeio rimas, versos e pranto E versando, me toma cissura do sim e do não Tenho em mim um passarin, ânima de emoção Por isso, não importa, se sua construção É meu cativeiro, universo ou alçapão Nele, respiro e encontro a luz de seu encanto

Morando em ti... Conheço bem o afeto de seu coração Seu pensar, seus desejos e penares
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Morando em ti... Conheço bem o afeto de seu coração Seu pensar, seus desejos e penares Em sua alva alma, que brinca com a minha Reside-se-lhe a estrada de todo meu canto Nele, respiro e encontro a luz de seu encanto E em cada canto, semeio rimas e versos E versando, me toma cissura de seu sim e não Trago em mim um passarin, ânima de emoção Por isso, não importa, se sua construção É meu cativeiro, universo ou alçapão

É no jardim do desamor que floresce a dor... Lembra-se daquele tempo em que me fazias sorrir? Nunca se atrasava e, por vezes, trazia-me algo
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É no jardim do desamor que floresce a dor... Lembra-se daquele tempo em que me fazias sorrir? Nunca se atrasava e, por vezes, trazia-me algo Uma manuscrito em rima, um bombom, uma flor Mas, o principal, você se trazia inteiro, completo Lembro-me de seu olhar e perfume a cada chegada E durante o tempo passado juntos, de cada seu toque Fazias de mim, merecedora do paraíso havido em nós Sentia ser normal, viver a paz e a vida de bem querer Desapegos materiais me vieram naturalmente Cedi aqui, ali, abri mão de egos, nada que um dia Falta fizesse ao meu eu e me senti mais gente Mais bem vinda em mim mesma, mais mulher Por isso, já não me reconheço no espelho Essas marcas que deixaste em meu corpo Não são minhas, são resultado de incompreensões De esquecimento de quem somos e nos tornamos Meu sangue não deveria sair de minhas veias Me ser retirado pela insana e violenta ação sua Meus braços, acolhem o resultado de sua ira Que desejo insano é esse de admirar minhas lágrimas¿ O que ficou por ser dito? O que já não te alegra em nosso amor sonhado Se é que o amor sobreviveu à sua mão espalmada Sou frágil, sou aquela que te espera, que se entrega Vago assustada, só e ferida e não sei explicar Em qual momento de minha... nossa jornada Seu amar, carinho puro e fiel, se tornou gelo E a alquimia de minha alegria, virou pesadelo

Outros mares... A vida segue seu curso Ievada em frágiI nau Atravessa caImarias e, não raro, em águas agitadas
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Outros mares... A vida segue seu curso Ievada em frágiI nau Atravessa caImarias e, não raro, em águas agitadas Os destinos nem sempre são os mais desejados A nau se Iança, segue sem temores, viaja confiante O timoneiro tem seus mapas e estreIas como guia Vezes, desatento, erra de rumo e vai dar em perigos Encontra turbuIências e essas traduzem medos Quantos se perdem do desejado fadário Aportam em caís jamais sonhado ou conhecido Experimentam, sem cerimonia, o medo dos navegantes Não ter o domínio de assegurar o encontro ideado E se adaptam ao que encontram... terras ignotas O tempo viageiro, veIoz e incontido, desafia A nau estagnada no porto improvisado Guarda Iembranças, retratos, saudades E a vida, em sorte ao Ieo, jamais seria como antes

Quando acordares. . . Acreditarás mesmo que não te farei falta? Que minha presença em sua vida é dispensável?
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Quando acordares. . . Acreditarás mesmo que não te farei falta? Que minha presença em sua vida é dispensável? Que o que passamos juntos, um dia, esta sepultado? Que amor é objeto de troca ou tema de esquecimento? Diante de tudo que vivestes nas opções fizestes Há mea culpa do destino, que não te deu atenção Nos dias que um anjo não quis estar ao seu lado Por curvastes a sentimentos e ideias impostas a ti Mas isso não afetou o amor que lhe cabe Porque saber amar é e sentir o outro vivo Sadio e casto, na batida sã de um coração Você é amado, mesmo tendo perdido a emoção

Sinistro Amar... Lembro da camisa clara, já lavada Com um pequeno detalhe na gola:
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Sinistro Amar... Lembro da camisa clara, já lavada Com um pequeno detalhe na gola: Um furo, resultado da travessia de uma bala Um tiro dado à queima roupa, ferindo meu irmão Trago na memória que, mesmo muito criança Deixei de ado os brinquedos, brincadeiras, a alegria E a ele me dediquei: servi-lhe água, atenção e amor Fiquei a seu lado, escondi lágrimas e rezei cada dia Guardo na lembrança corpo já quase sem vida Fruto do engasgo com uma uva, da pequena menina E retirei a uva e a vida voltou-lhe a pulsar livremente Minha ação caiu no esquecimento, sem agradecimento Flui em mim, desejos de bem, de saber ouvir De observar, ajudar, me doar, plantar o bem Perdi as contas das noites que varei insone No CTI, vendo uma bebezinha vencer a morte Atravessei anos ajudando o sono chegar Nas noites de um irmão de vida sofrida Pela ausência da compreensão, do afeto Condenado à solidão emocional em seu lar E assim, presente em consultas e cirurgias De irmãos, sobrinhos, cunhados e amigos A recompensa se me desnudou nos anos vindos: A vida se esvai, em fome, abandono, sinistro amar

A vida ensina... (poema inspirado em fatos reais) Uma voz invadiu meus pensamentos
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A vida ensina... (poema inspirado em fatos reais) Uma voz invadiu meus pensamentos Fez em mim uma revolução confusa Não sabia de que lado meu eu venceria Nunca me apeteceu módicos contrários E tudo se deu por buscarem em mim um “sim” Um sim de esperança, de ajuda, por necessidades E se apossou de quem sou, como se apossam invasores Sem dada licença, se achegando decidido afixando-se... Veio de malas prontas, em firme e concreta querência Se instalou em meu querer, na voz de minha palavra Nas respostas a tudo e a todos, sem pestanejar Sem consultar minhas capacidades, impondo fiança Uma voz invadiu meus pensamentos lúcidos Os confusos, s exatos, inexatos, desafiadores Mudou o foco de meu olhar diante de dificuldades Na urgência do outro que findaria com meu sim E meu sim deu vaga em CTI àquele bebe Deu cirurgias há tantos que a morte cortejava Deu autoestima aos que o espelho causava ira Deixou dormir insones... alagou de paz lares sofridos Meu sim ajudou a tantos e nada ensinou Os agraciados jamais retornaram para agradecer As promessas de Fé e Orações se perderam A lembrança da gratidão se adormeceu em minha ilusão E tudo foi se dando, acontecendo, esquecido no após E eu, assisti vitórias, curas, variados enriquecimentos Assim, observei quão merecedores de um não são Os injustos, os egoístas, mentirosos que negam um sim

Viva Flor. . . Brotei na barranca, morada minha À beira das águas, contíguo à vereda
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Viva Flor. . . Brotei na barranca, morada minha À beira das águas, contíguo à vereda Guardo secretos segredos findas verdades Sou feita de brandura, atenta e avivada Me falta a voz, mas não sou mouca Assim, nada digo aos passantes Minha existência é breve em seu durar Exalo olor mágico, para sequestrar atenções Sou f lor frágil, aguerrida à beira rio Admiro águas que passam peixes Não conto horas corridas, nem as lentas Amo garoas, brisas e ventos leves Somo os minutos de minha eternidade Conto estrelas, umas, mais que outras Que flutuam acesas nas profundezas etéreas Quanta paixão ainda há na leveza dessa ação? Me arrepio ao beijo do beija-flor Meu corpo treme, se arrepia. . . e nada entende Sinto em cada curioso olhar, ser ternamente rara Vivamente incontida, explodindo em amor de flor

Travesseiro vazio... (Múcio Bruck) Busquei por ti em meus pensamentos, no mais profundo de minhas lembranças... nas "gavetas da memória", um único momento em que seu sorriso se fez presente e nada encontre!
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Travesseiro vazio... (Múcio Bruck) Busquei por ti em meus pensamentos, no mais profundo de minhas lembranças... nas "gavetas da memória", um único momento em que seu sorriso se fez presente e nada encontre! Você não estava mais lá, sequer escondida, residindo resignada ou em festa: havia partido, levando consigo de sua silhueta ao desenho de sua alva face, a reminiscência do som de sua voz, quase sempre ávida... o silêncio misterioso ao tocar-lhe a já decorada geografia de seu corpo, quantas vezes inerte no instante da entrega como se ao abatedouro estavas indo de encontro! Nos dias passantes, não me dei conta de que a distância e a ausência, cada vez mais frequente, ditada pela falta do diálogo, se deram a passos largos... em horas corridas... dias apressados, ou quiçá, foram os meus dias mais céleres que os seus e foi exatamente nesses idos que me esqueci de lembrar em olhar-lhe nos olhos e dar a necessária e devida, melhor, merecida atenção. Assim, já não mais cabia reconhecer-lhe os valores da mulher que eras, somente que esses "detalhes" que, passados desapercebidos, eram as jóias que me ofertavas... era tudo o que mais importava: e você partiu! Não mais cabe chorar havê-la perdido, até porque, conta meu coração que nunca a tive. Não cabe reclamar sua ausência, pois quando a tinha, não percebi quão valiosa me eras! Estar ao seu lado, ao alcance de meu abraço não tinha preço. Certo é que não partistes por falta de meu amor, mas porque não fui capaz de conquistar o seu!

Flor do sertão... Encontrei-a por destino, em meio ao caminho Plantinha pequenina, verde... tom de esperança
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Flor do sertão... Encontrei-a por destino, em meio ao caminho Plantinha pequenina, verde... tom de esperança Linda, teimosa, frágil, brotada em solo árido Única e gentil, com alma pura de criança Brotada em um desses mistérios da natureza Casta, corajosa, em imensa e terna beleza Sem reclames, olor mágico, enfeitiçante Pequenas folhas a saltar-lhe da forte raís Admirei-lhe o destemor e obstinação Me curvei ante ao seu afinco de viver Num lento crescer, vitoriosa, sem avidez Sem pressa, tênue, sem medo de flor ser Havia nela algo de santidade e força Um mistério como em poucas havia Sozinha, largada a observar a terra estéril Vida viva em chão batido... esperança servil

Busquei-a em meus pensamentos, no mais profundo de minhas lembranças... e não te encontre! Você não estava mais lá, havia partido, levando a silhueta de seu rosto, o som de sua voz, a geografia de seu corpo! Nos dias passantes, não me dei conta de que a distância e a ausência c…
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Busquei-a em meus pensamentos, no mais profundo de minhas lembranças... e não te encontre! Você não estava mais lá, havia partido, levando a silhueta de seu rosto, o som de sua voz, a geografia de seu corpo! Nos dias passantes, não me dei conta de que a distância e a ausência cada vez mais frequente do diálogo se deram a passos largos... em horas corridas... dias apressados, ou quiçá, foram os meus dias mais céleres que os seus e neles, me esqueci de lembrar em lhe dar a atenção e reconhecer-lhe os valores, e que eram esses os detalhes que mais importava: e você partiu! Não cabe chorar havê-la perdido, até porque, conta meu coração que nunca a tive. Não cabe reclamar sua ausência, pois quando a tinha, não percebi quão valiosa era! Estar ao seu lado, ao alcance de meu abraço não tinha preço. Certo é que não partistes por falta de meu amor, mas porque não fui capaz de conquistar o seu!

Trilogia do que Importa... > Generosidade É um ato de amor
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Trilogia do que Importa... > Generosidade É um ato de amor Jamais acontece sem respeito e empatia A generosidade é a boa intenção doada Jamais anseia recompensa ou por ela enseja Generosidade é aquela fibra vibrante do coração Pulsante, arraigada no afeto que não entraja intrigas > Humildade É o que é... não o que foi Não se traduz em pobreza, mas em ser É ter um chão, um pão para dividir... ou não Humildade não tem a ver com aceitação Não faz da vida uma relação de rejeição Mas de sabedoria, ensino e preparação > Amar Nem sempre é concordar Mas que está atrelado ao sim, fora de hora Amar é saber que é preciso respeitar O momento do sentimento do outro É saber que o ontem jamais será o amanhã É morrer pelo outro, sem deixar de viver

Meu Ernesto Azul... Voltava eu daquelas paragens de Pirapora, dirigindo meu possante Gordini Delfini, carinhosamente tratado por Ernesto, já de cor não muito definida, trazia uns leves amassados em ambas as portas, umas ferrugens no piso, faltava-lhe o retrovisor esquerdo e o pa…
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Meu Ernesto Azul... Voltava eu daquelas paragens de Pirapora, dirigindo meu possante Gordini Delfini, carinhosamente tratado por Ernesto, já de cor não muito definida, trazia uns leves amassados em ambas as portas, umas ferrugens no piso, faltava-lhe o retrovisor esquerdo e o para-choque traseiro... nada demais! Mas aquele Gordini era meu xodó, até carreto o “bravo Ernesto” fazia: meio metro de brita ou de areia pra ele não era nada. Só não se dava bem com subidas, em compensação, nas descidas, ninguém e nem nada o segurava. Um detalhe que não podia de esquecer, no momento de passar a marcha, tinha de ir da primeira pra terceira... em algum momento ou lugar, ele perdeu a segunda marcha, porém, uma certeza eu tinha: um dia, mesmo que não parecesse, sua já havia sido cor foi azul, mas, não um azul qualquer, um de respeito, admirável e solenemente azul. Bem, mas isso se deu em tempos que eu ainda não havia vindo ao mundo. Dona Orsina, mãe de “Zé Goiaba”, me encomendou um carreto: levar 14 frangos até o sítio de João da Grelha. Em troca de “dois dedos” de pinga, Juvenal aceitou a incumbência de me ajudar nessa empreitada, mas, não deu muito certo, numa curva de chão batido, entre a porteira da Fazenda Craviola e a ponte do Manguezal, meu amigo Ernesto foi, literalmente, atropelado por um boi. Mas, não um boi qualquer! Foi um desses de grande porte, de passos firmes, grandes orelhas caídas, negro focinho, peitoral extenso, parecia ter sido “construído” de concreto e músculos, coberto por uma pele negra, com algumas manchas brancas e outras, em leves tons marrons, reluzentes. Estava selado o destino de Ernesto: faleceu ali, naquela curva e o boi, seguiu em frente... sequer olhou pra trás. Seguiu seu caminho, me deixando apenas com o que sobrou de meu companheiro, dores pelo corpo e vendo os frangos entrando no manguezal. Pensei até em fazer o velório e o enterro de Ernesto, mas o Padre Policarpo me aconselhou a não fazer, segundo palavras dele, “seria uma sandice”, na hora, entendi sanduiche, e rebati: “Não sô padre, vô fazê é o enterramento do Ernesto, num é um lanche não”, e o Padre nem respondeu, virou as costas e saiu resmungando: “é cada uma que parecem duas...”. Voltando àquela curva, onde jazia Ernesto, me deparei com Bento Carroceiro e, entre uma prosa e outra, contei a ele de meu luto e que não ia conseguir enterrar Ernesto. Foi quando Bento me disse: “mas ocê é bobo demais, sô! Hoje, ninguém enterra mais ninguém não, só toca fogo e pronto. Depois, pega as cinzas e joga no rio. Isso é que é coisa chique”. Pensei, matutei e decidi seguir o conselho de Bento. Toquei fogo em Ernesto ali mesmo e fiquei olhando ele queimar. Chorei muito, doeu fazer aquilo, mas o que mais me intrigou foi o caminhão de feno de Tião Matadô passar ali exatamente na hora que Ernesto queimava. Senti cheiro de mato queimando e, logo que olhei pro fim da curva, vi que o feno que o caminhão de Tião Matadô levava, queimava e a chama já subia pra mais de 10 metros...