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Frases de Múcio Bruck

263 frases

Pecados, Oração, Perdão e Encontro... Eu não rezo a Deus contando de meus problemas, pedindo milagres! Eu oro a Deus, como pecador que sou, como indigno de convidá-lo a entrar em minha morada, como um filho, que trás na alma defeitos e incapacidades, mas também como homem de fé…
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Pecados, Oração, Perdão e Encontro... Eu não rezo a Deus contando de meus problemas, pedindo milagres! Eu oro a Deus, como pecador que sou, como indigno de convidá-lo a entrar em minha morada, como um filho, que trás na alma defeitos e incapacidades, mas também como homem de fé, que cultua e professa o amor a Ele, ao Senhor Jesus Cristo, à nossa Mãe e amada Protetora! Tenho longos diálogos com meu protetor e tão presente Arcanjo Miguel, que, nos momentos de imensas dificuldades, jamais deixou de estar ao meu lado, sendo mais que um Interlocutor, mas, como um Anjo de Classe Superior, nada de mal permite que me alcance. Eu não rezo a Deus reclamando do mal que tentam fazer-me, nem do destino que Ele me reservou, sequer das chagas que rasgam, em verdade, meu corpo terreno, pois, não as sinto, dor ou desespero não me tocam, por mais profundas e imensas que sejam, pois me sei filho de um Deus bondoso, porém, vingativo, mas um Deus que perdoa e quando necessário, condena! Não rezo a Deus para que me livre de toda forma e maneira de abandono e angústia, pois esse é o destino que Ele traçou para mim. Oro a Deus para que perdoe todos os pecadores, os orgulhosos, mentirosos e infiéis, que em egoísmos velados, ou Dele se esquecem, ou somente se recordam nos momentos de desespero ou quando necessitam pedir por milagres, imploram somente para si mesmos, regalos e vantagens, sem escrúpulos de, se necessário for, usarem em vão o sagrado nome de nosso Pai Eterno, não se fazem de rogados, quando surge a oportunidade de fazerem do próximo uma espécie de “trampolim”, visando conquistas e benefícios na difícil escalada de “subir na vida”, “atropelando” a moral e o seu igual. Oro a Deus pelo bem e realização dos sonhos de cada irmão... Oro a Deus para que seu amor de Pai, seja doado e edifique, cada vez mais o homem, tocando-lhe forte, em fé verdadeira, acendendo quereres de doação, sentidos de emoção: que suas orações e pedidos vejam da alma ungida por vossa benção e que as dádivas alcançadas, O torne mais vivo e presente nas ações por vir, de todos os que por Ti, foram afortunados. Te sinto vivo, Óh Pai, em especial, nos dias de necessidades, de fome e tentações de cumprir meu destino e sei, meu destino é nosso encontro!

Alguns irmãos, são irmãos de ninguém... Via ele, com e desejos de bem e alegria Um arco-íris de mil cores atravessado no olhar
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Alguns irmãos, são irmãos de ninguém... Via ele, com e desejos de bem e alegria Um arco-íris de mil cores atravessado no olhar Dos irmãos que, naquele tempo, sabiam amar Os pais, cuidavam de entregas e bem cuidar Na dança dessa vivência, não cabiam verbos Como abandonar, silenciar, machucar, desamar Mas sim, doar, acolher, agasalhar, aprender, ensinar Exemplos de escrúpulos, bravuras e bem semear O tempo passante e implacável trouxe consigo Decretos àquela numerosa família, que unida era A opção de cada um construir seu território E no umbral, talhado gravou: “Não entres. Virtudes ausentes!”

Quando o temor rouba a razão... Demorei a compreender a razão De sairdes, de dando-me as costas
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Quando o temor rouba a razão... Demorei a compreender a razão De sairdes, de dando-me as costas Em meio à quase iniciada conversa Doeu entender desnecessária ação Me peguei estático às suas falas Ditas em tom alterado e exíguo Com jeito opoente de ser Já no início de uma conversa Observei seus passos largos Com intenção de abreviar a distância Entre minha chegada e seu desejo Claro, decidido, pouco amigo Em respeito a ti, fui à sua sala De imediato, saistes resmungando “Fique ai que não volto”... e partistes O tema da palra: retidão e doário O concílio desejado e precípuo Que de medular ganho era e é Foi abatido, antes do nascedouro Pelo seu temor do ditame superior Sobrou-lhe rispidez ao seu igual Conduta estouvada e insensata Pois, frente ao diretor que és Havia uma nomeada liderança símil

Amor sem fim... Sim, são para ti os versos que nascem Silenciosos, simples, quietos, atentos
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Amor sem fim... Sim, são para ti os versos que nascem Silenciosos, simples, quietos, atentos Sentidos, mas, cada vez mais desejados Versos não declamados, vindos amados Sim, é a ti, menina, estrela de meu céu A quem dedico cada letra, palavra, frase Que, mesmo no silêncio que me é avesso Em vontade de expô-los... coisas de apreço Sim, é a ti, jovem, feminina de sorriso pronto Cabelos negros, vestido em chita em remendo Alma sem males, coração e atitude de moça rica Em detalhes, em costumes, talhados pela vida Sim, é por ti que meu mundo ganhou cores, se abriu Não nego, meu jeito de homem a deseja pelo olhar Bem mais que além do abraço, num eterno querer Suporta a impaciência sã, nascida casta, velada Sim, te encontro morando em mim Olhos rasgados, corpo de menina mulher Voz em falas moderadamente suaves e pausadas Que sabe contar estrelas, sonhos, encantos que cria Sim, nada explica tamanho desatino e desejo De tê-la em meus braços, do nascer ao findar do dia Mas a mudez prevalece quando em sua presença Me acolhes, segura, amada em silente destino Sim, em mim pulsa a paz, jamais sabida Somente sinto, inquieto, aspiro sua atenção E de tudo, nada sabes, nada que sinto a alcança Quiçá, restou trazer em mim, um amor sem fim

O que restou de sua ausência... (Múcio Bruck) Professo a fé em um amor que sabe amar
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O que restou de sua ausência... (Múcio Bruck) Professo a fé em um amor que sabe amar Imploro, pela remissão de meus descuidos Agradeço aportar-me em sonhos desejados Alimentado de puros momentos passados Lá, naquele momento, estância de toda alegria Caminhei por sobre solos que esperança imprimia Minha emoção, intensa, quase feliz, ansiava-te Silente, olhar viúvo de ti, inda captava sua sintonia Meus passos se faziam curtos, afastando chegadas Temiam o rodar e o correr dos ponteiros, horas vazias Os segundos, ganhavam asas, pospunham a passada Apaixonado, ouvia-te, distante, com a alma embriagada Sentia-a viva em mim, tão plena, luminosa, sã e forte No calor, em suave odor, com certezas de sorte prescrita Julguei, perdido, meu seguro porto...meu norte Despido de certeza de querências, avidez e ode Sem desejos da partida, que breve se achegava Machucava o incerto por vir, sem sabores, sem quereres Restando de certo, desejos de beijos e abraços cobiçados Magias, em esscências do penhor de quistos reencontros

O ciclo da vida que vive em mim... Estou num momento da vida que me sinto mais completo, mais homem, no sentido de quase sentir palpável muitos dos sentimentos que estavam adormecidos... já tenho mais clareza e olho pra trás e vejo que meu eu não é o mesmo! Estou mais maduro, m…
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O ciclo da vida que vive em mim... Estou num momento da vida que me sinto mais completo, mais homem, no sentido de quase sentir palpável muitos dos sentimentos que estavam adormecidos... já tenho mais clareza e olho pra trás e vejo que meu eu não é o mesmo! Estou mais maduro, me sinto grande e palpavelmente humano, mais pessoa, mais gente, mais eu em meu eu! Sei e sinto que sou capaz de realizar coisas de sentimentos singulares e ter a palavra certa, pronta, em verbos, substantivos e advérbios para descrevê-los, se preciso for! A criança que fui, num repente, se fez adolescente e nesse ciclo, segui pela estrada optada, nos momentos em que minhas decisões deram muito certo... e outras que tomei poderiam, ter sido sido evitadas. Mas, foram exatamente essas últimas que me ajudaram a me edificar e a tornar-me quem sou. Acordei numa manhã, cuja data me foge à lembrança e viajei em mim! Me surpreendi com o inesperado, vasculhei minhas “gavetas”, meus “locais”, pouco visitados, passeei pelo jardim que há em mim, encontrei flores de todas as cores e formas, e também, algumas ervas daninhas e eu, jardineiro de mim mesmo, a tudo deixei da maneira que me apraz, apreciei cada desejo de bem que encontrei em meu eu e foi então que apercebi: “ah, quanto acertei em minha jornada até aqui!” Me peguei o homem que sou, que cresceu, em sentimento seguro, tal qual um anjo que acabou de ganhar asas e saiu a alçar voo em direção ao destino já reservado. Do alto de minha “construção”, pude ver e identificar meus verdadeiros amigos, esses que levamos, por desejo, pela vida afora. Me dei conta de quão mais confiante e seguro me sinto. Mais corajoso. Embora as decepções não deixaram de me visitar. Aprendi não mais agir por impulso, mas pela consciência. Meu ciclo de vida, conta que os amigos de ontem e nem os de hoje são eternos, como também não serei em meu amanhã! Aprendi que não há quem não erre e nem feridas que não se cicatrizeml Talvez, restem erros e marcas, mas não permanecem eternas. Certo é que, entre uma ou outra maneira, seja simples ou complicada, o guerreiro que me habita jamais abandonou as lutas necessárias, as batalhas confiantemente guerreadas e que depois de tudo, aqui estou, de pé, seguindo em frente, cumprindo esse ciclo meio complicado a que nomino vida! Ensinando, aprendendo, sorrindo, chorando, caindo, levando... pois a vida é bem mais.. é imensa em seu eterno limitado tempo de existir e minha “matemática”, me mostra que tenho tido mais vitórias, mais alegrias, mais chegadas que partidas, mais encontros que desencontros, mais paixão que dúvidas de amor... coisas de homens raros, destinados a serem vencedores!

Via Única... Vivo em mim, mas não sigo só e nem sem hora Mora em mim, em revolta, tua companhia andarilha
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Via Única... Vivo em mim, mas não sigo só e nem sem hora Mora em mim, em revolta, tua companhia andarilha Tão só, mas sigo, me deslocando como as ondas Frias, absolutas, desacolhidas, pura ciranda Sei amar-te, como solene sabe o ar Sobre todos os campos e rios passar Já tu, sabes amar, sem gestos, sem voz Lua real, passante silente, a seguir veloz A encontrei num livro, numa cor, num sonho Trocando de amores, de roupas... de vida Inventando um destino em revés desenfado Buscando mudar tudo o que não pode ou evita E nesse vai e vem de gostos e estranhezas Trancastes a palavra, geleira calada, língua morta E tornastes em mim, algo insano, quase demente Por não poder vazar-te, acolhe-se em minha mente O que fio saber é a certeza de sua frieza Nada me ofende, nada mais surpreende Tornei-me pedra, trilho férreo sem trem Estrada de quem vai, nunca de quem vem Sou ponto de partida, de ida e despedida E já não permito que tire-me a coragem da luta Nem que meu sangue se perca em eco sonoro Da voz cuja força nasceu de juras em palavra dada

O rio que te atravessa... Em seu coração passa um rio Metade coragem e sina de estima
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O rio que te atravessa... Em seu coração passa um rio Metade coragem e sina de estima Outra, que se assanha generosa Embalado pelo peito que domina Em seu coração navegam temores Do tempo passante cair no vão E levar pra longe o apego de viver Alegrias, curas e bem querer Em seu coração trilha um rio Veloz, de direção quase incerta Por vezes, difícil de navegar Mas capaz de salvar... não de afogar Em seu coração viaja um rio Sereno, imenso, manso, cristalino Vezes, de vontade própria em seu curso Curso de variantes desejos de destino Em seu coração mora um rio Que não seca e não se atrasa Que passa sonhos e intenções E não se nega afagar emoções Em seu coração corre um rio Que um dia errou seu curso E foi parar onde se ouve meu canto Ali, onde o amor é mais que encanto

Proditório por Vocação... Lembro-me, com clareza e detalhes das façanhas do “Véi Severino”, em sua adolescência, jovem vivente, dado à intelectualidade naqueles tempos. Filho de Josevaldo Mulato e de Maria da “Cocada” (assim conhecida por seu ofício de doceira). Nos dias atuais…
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Proditório por Vocação... Lembro-me, com clareza e detalhes das façanhas do “Véi Severino”, em sua adolescência, jovem vivente, dado à intelectualidade naqueles tempos. Filho de Josevaldo Mulato e de Maria da “Cocada” (assim conhecida por seu ofício de doceira). Nos dias atuais, é ele já graduado, Doutor: Doutor Severino Antônio Mulato. Trás ainda em sua raiz, resquícios de um coração sertanejo como poucos e isso é como se fosse seu encanto particular. Se fez um homem culto, escorreito no vernáculo, pesando em seu corpo tatuadas cicatrizes: calos nos pés e nas palmas das mãos, restadas de algum momento entre a infância e os seus exatos e completos 17 anos... entre um desenfado e o cabo de uma enxada, na lida diária com a terra, que raramente recebia a visita das águas das chuvas. Severino, era o sétimo filho de uma família na qual seus irmãos eram dele, mais jovens, tendo herdado profundas sequelas pela lembrança do flagelo que ia da fome ao desalento de um amor acontecido num inesperado acaso. Motivo que o levou a deixar o sertão para ganhar o mundo e se dedicar ao que mais lhe apetecia: ler, conhecer, pesquisar, saciar curiosidades... e estudou... estudou muito! E se entregou por inteiro ao sonho de se formar Doutor. Seu elo com os hábitos e desejos da passada juventude restou tatuado no profundo e escuro poço de sua memória, mas não conseguiu aprisioná-las em suas reminiscências: coisas de sua de sua cultura e da alma lapidada pelo homem que trazia em si . Diziam muitos dos que o conheceram na mocidade, que “Véi Severino” era um outro homem, não esse que o passar dos anos, das horas idas, que nos trafega pela vida, o haviam mudado, mas não para melhor. “Véio Severino”, fosse pelas querências que não alcançou na passada de seu destino, fosse pelas necessidades que, não raro o socorriam, em costumeira frequência que, para disfarçar sua nula sensatez e ausência de desejos de reciprocidades, se enroupava em amnésia oportuna. Se deu numa manhã de primavera, que “Véi Severino” fiou ser merece-dor dos condões, por ser o Primogenítus superiorius, mas, esse ocorrido se lhe somou extemporaneamente, quando já lhe fugia a lucidez, no descanso dos delírios, que, benévolos, por vezes se lhe ausentavam. Em avançada idade, na espera do incerto por vir, se refugiou naquela tutela: ledo esperança quisto, advindo de uma decidida e optada distância, daqueles menos afortunados, em temor de ser solicitado a prestar algum tipo de ajuda, a ceder um prato de comida, que apenas servisse de companhia, fazendo moucos ouvidos até mesmo à voz enfraquecida de um irmão combalido, alicerçado sobre o esteio que, de tão constante e inflexível, por uma conveniência quase insana com seus pares, que gêmeos em intenções lhe eram, lhe dominava a mente e ações, guardava no coração a alegria e prazer de dizer não, para a expectativa do alimento daqueles a quem caloteava com promessas e desonra, sentindo-se feliz em poder ser parte da angústia e não da bem viver de quem, por vezes lhe serviu de “muleta”, quando necessitado estava, negando e solapando esperanças: destruindo confiança e se mostrando quem realmente se tornou, após alcançar pequeno poder, distribuindo falsas promessas e enganosas esperanças, comum aos farsantes, comportamento digno dos alcoviteiros e covardes. “Véi Severino”, jogava no colo de quem nele aguardava emergente auxílio, dolosos e frágeis azos, evocadas em suas falas que se davam a granjear um apoio, ornando de espúrias promessas tácitas, porém, quase palpáveis pela forma dita, fantasiadas de confiança, em tempos de inenarráveis expectativas de prestantes futuras ajuda a serem dispensadas, alimentando esperanças de fé, nos dias que ainda, viventes eram, na inocente confiança depositada em seus falsos discursos! Ali, naquele “lugarzin”, onde era por todos admirado, em verdade, os mais simplórios respiravam ares de confianças, sem se aperceberem, que, por trás da capa de bom homem, prevalecia desde a ausência da fidedignidade de se cumprir uma promessa à mesquinhez de atos falsídios!

Mar e Ana... Principiastes em meu abandono Ornada de amenas e sãs intenções
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Mar e Ana... Principiastes em meu abandono Ornada de amenas e sãs intenções Trazendo em si, um “tantin” de sonho Machadiano olhar e certezas de bem Viestes a mim, exercer seu grato ofício Capitã capaz, hábil a conduzir meu navegar Na frágil nau que acolhe o eu de meu ser Ás em desfazer amarras, nós, abrir porões Entre intentos e obrigações, fio eu Em suas sinceras falas, há um apelo Confiar na quilha que corta as ondas Que nos conduzirão ao norte, fulgor de sua fé Em parceria recíproca, confiança em alta dose Nos dias passantes, me peguei resoluto A flutuar em rota aludida, silenciosa mente Na crisma da cura, joia rara, luz de sua gnose

Sô Juca Num bóti reparu nu modi deu falá Sô hôme simples, caboclo sem enricá
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Sô Juca Num bóti reparu nu modi deu falá Sô hôme simples, caboclo sem enricá Pôcu letradu, mais tenhu vivênça E vô ti contá puque bateu essi querê De fazê ocê sabe de nossu cumpadi Num é qui Tião se enrosco Cum a fia de véia Fraviana¿ Nessa peleja, a minina pegô barriga Tãossi Guilermino sotô as tampa Tião juntô os trapo dele e ganhô mundo Cumpadi Guilermino fez o mermo Juntô os trapo da coitada E jogo a minina Jussinaria na estrada Ela vei batê aqui, sô Juca Quis fazê pousada nu meu barraco Mas aqui num dá, cê sabe Ocê sempri diz que qué tê fio E eu mandei a minina ai pro cê cuidá Inté

Paralelos... Havia em mim uma presença inquieta Uma criança alegre e sem limites
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Paralelos... Havia em mim uma presença inquieta Uma criança alegre e sem limites Sem fronteiras entre alegria e desejos Sem argumentos para justificar quereres Criança à moda de meu tempo de menino Boa de meia, pega-pega, esconde-esconde Sorriso largo, temente, obediente a meu pai Tinha meus castelos, meu alazão, um conde Não haviam temores e era eu meu herói Minha espada, salvadora, forjada em aço e fé Era temida por espadachins e arqueiros Guerreiros de outras cidades e muitos reinos No universo de minhas aventuras Haviam donzelas em perigo Alcateias a vagar pelas florestas Um lago a circundar meu alcácer Mas sempre a realidade bate à porta Me chama à razão e me trás de volta Abandono o sonhar da fantasia Volto a pisar em terras de gente adulta

Na beira da lua... Supero com a força de minha raça As cicatrizes e feridas que trago nas mãos
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Na beira da lua... Supero com a força de minha raça As cicatrizes e feridas que trago nas mãos Restadas da lida diária de meu destino Ais sofridos ecoam dos meus dias de menina Mas, meu sustento vem do canavial A paga é parca, mas é a que tenho Mas a noite sempre me socorre Me entrega a lua que semeei grama É nela onde solto minha imaginação Aqui, não cabem imites: corro e brinco Sorrio e admiro uma estrelinha a piscar Me ajeito na beira e descanso a pescar

Amor de mão única... Partistes e nas marcas de seus passos Um rio surgiu ante meus olhos
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Amor de mão única... Partistes e nas marcas de seus passos Um rio surgiu ante meus olhos Queria saber nadar para atravessá-lo Ou ter um saveiro para viajá-lo´ Quiçá, atar-me seguro a um sonho alado E procurar avistá-la à margem das águas Porque sem ti, que valia há de haver em mim O rio findou à porta de uma caverna Escura, gelada, poeira em terra seca Resgatei o sol que me deixaste apagado Retornei ao meu eu, já acordado Rasguei seu retrato, doei alianças Me livrei de lamentos e das lembranças Me dei conta de que se há saudade Não é dessas que trazem do passado Momentos que queimam o peito Antes, trás à tona a alegria do já desfeito

Por amor... Eu ando buscando maneira De encontrar sua paixão
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Por amor... Eu ando buscando maneira De encontrar sua paixão Que em fuga, se perdeu Após inglória decepção Eu ando buscando jeito De atravessar suas guardas Para abraçá-la, com efeito Dar guarida a seu corpo em meu peito Eu ando buscando desculpas Para aportar no cais os seus não’s Que navegam tristes em mim Em naus, num branco e preto sem fim Eu ando buscando por ti Que por medo, se perdeu em si Medo de aceitações, medo de amar De decifrar seus mistérios e aprender a voar

Uma lágrima... Invento entre nós uma ponte Que vai de meu coração ao seu
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Uma lágrima... Invento entre nós uma ponte Que vai de meu coração ao seu Feita dos carinhos por ti esquecidos Mas que juntos passamos: você e eu Não foram dias e nem meses, mas anos Sorrimos, choramos, brincamos, amamos Me coube a seriedade de ser varão E a ti, ser a flor, maternal paixão Deixaste, em algum momento Toda dor que reside na saudade Dentre tantas, saber que em nosso lar Eras eterna, terna em pureza, meu alento E na falta desse encontro diário Finda-me a festa de saldar sua presença Sua sensível beleza de ser fortemente frágil De ser luz, essência, minha querença

Me alimento de sentimentos Aro em mim a “terra” de meu plantar Semeio-os e os colho em mim
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Me alimento de sentimentos Aro em mim a “terra” de meu plantar Semeio-os e os colho em mim Nesse fazer, os dias parecem fáceis De se viverem, de serem vencidos Ledo engano, há dias de alegria e fé Há os de mistérios e descobertas Há de bem querer e decepções Assim, me vem e cabe em mim Toda forma de ser e acontecer Desde colher nos jardins de meu eu Sementes de bem, que nele tem E trocá-las por um sorriso seu

Amar é um ato... Sei exatamente onde desejo chegar Não conheço caminho outro
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Amar é um ato... Sei exatamente onde desejo chegar Não conheço caminho outro Que não seja o do respeito e paixão Numa jornada de Fé, Sacrifício e Doação Encontrarei pela jornada optada Agrados, desafios e muitos mistérios Amigos farei e nem todos serão presentes Pois o por vir é longo e terão os ausentes Caminharei por vales, avenidas e veredas Temerei inimigos, farei pactos com a alegria Me irmanarei com a coragem que me falta E usarei o bem querer que de mim salta Sei exatamente onde desejo chegar Quiçá, a última estação, e descerei Almas inquietas ali, à minha espera Entes, esquecidos em amor, verei Abraçarei cada Santo de minha Fé Serei fiel aos que de mim cuidaram Não esquecerei jamais de sê-los grato Pois amar não é escolha, é um ato

Zé Macambúzio... No auge de suas 78 primaveras Bem delineadas pelo nome a que faz jus
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Zé Macambúzio... No auge de suas 78 primaveras Bem delineadas pelo nome a que faz jus Zé Macambúzio, era homem de fé quebrantada Sitiante de parca leitura e boas prosas e tiradas Tinha em vida poucos desejos e paixões Cigarro de palha e uma rede na varanda Rosinha “roçadeira” era seu grande amor Mulher inculta, mas de fibra e imenso valor Zé Macambúzio, jamais se deu à lida Não se dava bem com ferramentas Arados, enxadas, foices e plantios Fez da languidez sua arte de viver Na chegada dos reveses da seca Decidiu deixar de se perdurar E toda a redondeza o visitou No intento de convencê-lo a reagir Zé Macambúzio estava decidido Encomendou sua urna e mortalha Agendou a data de seu funeral Convidou carpideiras e vizinhança Tentaram removê-lo dessa sandice Mas a ideia de passar a eternidade Na horizontal, sem infortúnios Sem incômodos, sem mendicidade Chegou enfim o dia da despedida Seguiu-se o cortejo e ouviu-se um a voz “Zé, desiste disso que te dou um saco de arroz” E Zé respondeu: “Com casca ou sem casca?” De pronto, ouviu-se a resposta: “É arroz com casca, Zé” Sem pestanejar, Zé Macambúzio ordenou “Meu povo, toca lá pro cemitério!”

Eis Amor... Quase fui amada pela mulher que sou Mas a ideia dele era outra, me usar
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Eis Amor... Quase fui amada pela mulher que sou Mas a ideia dele era outra, me usar Para outra esquecer... e mudei o ânimo E fiz dos verbos e rimas, serenas razões Dando voz às sãs e boas amigas palavras Quiçá, as mais próximas que se possam ter Assim, loteei meu coração, desarmei minh’alma Bem à beira de um cais, mar sem tormentas Nele fiz morada das iguais e abandonadas Juntas, vivemos a terna e finita eternidade Acendi fogueiras, qual calor, pouco a pouco Derreteram imensas e vagantes geleiras Que oprimiam as paixões mais verdadeiras

Ânima... Vera Cruz tem um horizonte singular Aldeia de gente que sai a semear
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Ânima... Vera Cruz tem um horizonte singular Aldeia de gente que sai a semear Que canta, que planta flor na janela De fuxicos em finais de tarde Vera Cruz é terra fincada no norte Tem parques, tem donzelas tímidas A espera de um amor de contos Que olham estrelas e fazem pedidos Vera Cruz é um tesouro, brilho de ouro Riqueza de sentimentos refletidos Nos olhos de Veras, Marília’s, Glaucia’s De Geralda’s e tantas outras mil almas Vera Cruz é onde tudo se inicia e se dá Passam estradas de terra, rios e sonhos Viajam bois, peixes, amados, amantes Seres simples, amiga, gente diamante Vera Cruz é o berço do bom da vida É a inspiração dos contistas e dos poetas É um celeiro a céu aberto nas Gerais Onde cabe o mundo e muito mais

Mais que demais... Quando o amor é mais que demais É forte, viril, chega bem chegado
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Mais que demais... Quando o amor é mais que demais É forte, viril, chega bem chegado Afaga o querer, acarinha a pele Não teme recusa e nem esforços mede Quando o amor é mais que demais Conversa abertamente com seu eu Habitante da alma, dono do desejo E transpira seu bom, em corpo inteiro Quando o amor é mais que demais Não conhece nem reconhece desrespeitos Não se dá a vícios de ditas distâncias De presença de nãos, vãos abertos Quando o amor é mais que demais Respira em compasso gêmeo Vivo, sadio e certo, dentro do outro Não veem se horas são poucas ou demais Porque, Quando o amor é mais que demais A gente ri, a gente chora, é mais gente Entrega sem ego, o coração latente

Macumbeira... Fostes na pedreira Levando meu nome
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Macumbeira... Fostes na pedreira Levando meu nome Num boneco de cera Em noite de lua cheia Macumbeira Fostes na encruzilhada Na sacola, ia pipoca, um prato e farofa Atrapalhada, fizestes a reza errada Macumbeira Vieste à minha porta Com vela, charuto e galinha morta Tome tento e vê se se comporta Macumbeira Deixe de besteira Arrume outro trabalho Esse seu funciona ao contrário Macumbeira Não vá pela cabeça daquela que te incumba De mal feitos, feldade, vildade e quizumba Pois, chuto tudo que é macumba!