Trespassado...
Já não conto os dias de sua ausência
Dou por certo que nada restou vazio
Sabemos nós que a saudade ainda é boa
E flutua leve, no eu da emoção...
Conta ela, em alegria prestante
Que fomos sim, namorados, não amantes!
Por isso brotam versos falantes
Que viventes, valem mais que diamantes
Olhe só
As lágrima ainda banham lembranças
Afinal, a perda foi por falta de coragem
Não de amor cessante...
1+1=1...
Roubaste-me de mim
Lento e desejosamente
Em fim de noite que abraça a madrugada
Quando as horas, aos poucos, dispersam estrelas
Ali, no quase raiar do dia
Já não sabíamos mais qual corpo
Era parte de mim ou a ti pertencia
A magia somou dois... em único amor
Nossa melhor amiga: gratidão!
Pela vida, pelo encontro... por nós
Pela cumplicidade das marcas
Mudas e ocultas, sãs em nossa paixão
Amor de vó...
Em minha meninice ouvia Vó Maria
Contar dos perigos que rondavam a estrada
Dizia que tinha lobo e até uma Fada Malvada
Em quase sussurro, afirmava que toda noite
Tinha festa do outro lado, onde nascia a floresta
Que tinha boto, saci, corrupião e até besta danada
Ouvia e via Vó Maria, atenta, quase heroína
Mas, quando a noite rondava meu dia
Corria eu, cego pro colo de minha covardia
Olho aqueles dias com o encanto de Lobato
Com um olho no Sítio e outro em mim
Mas ambos tomados de magia e alegria
Cresci e a estrada que passa ali já é outra
Não nego, os medos ficaram, só são outros
A covardia me corteja, mas não sou mais cego
Crescer é bom por isso
Os mistérios vão se desfazendo
E a realidade aproxima a razão
Penso que pra Vó Maria
A festa na floresta ainda aconteça
Mas já fia, não há lobo ou fada que me vença
Almas tantas...
Não são todas as minhas almas que conheço
Algumas, às vezes, me escapam ao peito
Outras, saem à brisa e voltam perfumadas
Trago em mim almas caseiras, dessas ficam
Vivo em paz com minhas almas e elas entre si
Tenho alma de poeta... alma de cantor
Tenho alma que alegra... tem uma só de dor
Tenho até alma que rir-se da alma que é
As almas que me habitam, me socorrem
Cada uma com sua cautela, com suas quimeras
Tocam meus sonhos como se delas fossem
Atravessam mais luzes por minhas janelas
Minhas almas cantam salmos e mistérios
Me doam da noite, um pouco de orvalho
Das flores que namoram, odor e cor
Se divertem almas nos jardins de meu eu
Amada Gi...
Meu amor
Me tire pra dançar
Me leve em seus braços
Vem findar meus ais
Me conte do luar
Alegre meus porões
Embarque em meu navio
Vem conhecer meu mar
Não sei dançar um tango
Sem perder o chão
Não sei ouvir um fado
Sem sangrar paixão
Nas tramas do destino
Fiz planos de amor
Teci em desatino
Mil rendas de ilusão
Ah, a noite
Não tardou
Guardar suas estrelas
A lua retirou
Colhi de meu cabelo
A rosa que sonhei
Te dar ao fim da dança
Jurando eterno amor
Arco-íris...
Havia em minha fantasia uma passagem perdida
Iniciada num desvio secreto na rua das Fadas
Passando em meio a terra batida e pedras deitadas
Ladeada por ramos rasteiros e lenda inventada
E foi nela adentrando que vi o céu se escurecer
E já me perdia da trilha de volta e medo sentia
Em não mais encontrar, na mata fechada
A vereda que queria sob o céu que gotejava
Segui em frente e fui encontrar guarida
Às margens de um rio claro, doce e lento
Que passava peixes e folhas de toda cor
E mesmo molhada, distraída me encantei
Me peguei perdida sem conhecer a volta
Que tanto queria e já não me havia
Mas pra minha alegria formou-se no céu
Um arco-íris de cores tão belas e amigas
Que veio dar seu começo aos meus pés
E sendo de luz a ponte nascida em milagre
Me convidara por ela seguir, mesmo sem asa
Numa jornada que findou à porta de minha casa
Minha fé...
É dessas raras, que se acende
Que tem tino, honra e esperança
É filha forte com vocação de mãe
Postada atenta à porta de meus dias
Minha fé flutua no mar que me atravessa
Viaja de meus poros ao sangue que me cora
E sempre volta sadia a sorrir de minh'alma
Por ser bem dita, dita todo bem que me quer
Minha fé respira desejos de paz
Nas contas gastas de meu antigo terço
Nas intenções das velas que queimo
Nos passos da procissão que a torna mais bela
Minha fé tem compromisso com o perdão
E o nomeia encanto a cada encontro
Me habita a salvo ao que chamo paixão
E sempre me entrega o céu, sem me tirar o chão
Minha fé tem vida, graça e destino
É meu puro e melhor momento
É meu colo, valia, alimento e luz
É onde converso com Cristo, descido da cruz
Amor de Infante...
Queria-me tanto teu
Que mesmo adormecido, ouvia-te
Verdadeiro, imaculado e ufano
Segredar em versos, a metade que sou
Se em minha utopia castelo havia
Era nela que a magia acontecia
E acontecendo, vivente era e sabia
Que a espera, um amor prestante valia
Queria-te tanto e tanto meu
Que coragem não faltaria
Prá conquistar todo um reino
E salvar da dor qualquer fantasia
Sonhava-me teu e tão desmedido
Vivendo-te em tempo passante
Que ainda infante, não me renderia
E por ti, amor de amar, até tombaria
E ao fim da cruzada, restada sorte errante
Por certo que fosse, salvar em ti a princesa
Por fé e direito ao destino que tinha
Romperia com o mundo e a tomaria rainha!
Amada...
Te convido a ficar em minha vida
Mas se quiser, pode deixá-la...
Não existem condições para ambas
Só seu querer, pura escolha...
Se desejar ficar um pouco mais
Te convido a falar de família
Mas pode ser de fé ou fantasia
Assuntar, de futebol a magia
Nas noites que seu sorriso faltar
Te convidarei a admirar estrelas
Se já não for capaz de ouvi-las
A gente canta e inventa poesias
Anjos...
Anjos me existem
Fio que os creio... e eles em mim
Os sei sábios, alados querubins
Milenares guerreiros infantis
Anjos me existem
Mas já houve dias em não sabê-los
Os mesmos que sóis, ventos e luares
Deitavam inglórios em meus jardins
Anjos me existem
Todos sorriem brincalhões
Me deixaram a porta da vida aberta
Me levaram a coragem de partir.
A vida é vivida em dias... não em meses ou anos! Cada dia vivido é uma página do livro de nossas próprias vidas que escrevemos e, tenho certeza que chegará o dia em que iremos reler cada uma dessas páginas escritas à pena de acertos e enganos, com tinta do livre arbítrio e saberemos que o enredo de nossa história sempre se tratou de fazer escolhas... mas, não podemos esquecer que cada escolha trás em seu bojo uma consequência!
Bichinho...
Saudade bem que podia ser flor
Mas com voz, perfume e cor
Flor de alegrar minuto e hora
Não dessas que deixam ir embora
Saudade bem que podia ser dia
Nos socorrer com sol e fantasia
Toda vez que a vida, por descuido
Se esquecer de adicionar magia
Saudade bem que podia ser doce
Qual melado ou marmelada
Pra gente se lambuzar inteiro
E se rir menino, farto e mineiro
Mas saudade não é flor
Não tem voz, nem cor, nem alegria
Saudade é só um bichinho
Que de tudo, vai e volta sozinho
Ó vós que conhece a paixão de nossa história
Íntimo do guerreiro vivente e pulsante em nós
Que bem sabe de nossa coragem nas batalhas
Travadas dignas, entre quatro linhas
Diga a todos por onde passares
Que um dia, vivos, saímos para honrar
Nossa camisa, nossa família, nosso povo
Em solo outro, num campo que nosso não era
E que lá não pudemos chegar à vitória sonhada
Porque tombamos antes do confronto esperado
Mas, mesmo mortos, ali, decididos permanecemos
Porque já não importava se disputa haveria
Nosso destino era outro: repousarmos heróis na eternidade!
Em nome de Deus...
Sou semente de milagre milenar
Brotada criança do ventre de mãe forte
Menino somado de verbo e esperança
Que a sorte desdenha e a dor já não alcança
Sou filho de muitas aldeias
E de todos os mundos
Trago no peito todas crenças
E no sangue frágil, um sonho que teima
Não tomo a fome por inimiga
Nem o sol, por castigo
Das defesas, que me são poucas
A tez é a de mais orgulho e valia
Meu melhor emana de meu olhar
É ele que fere de vida qualquer morte
É ele que leva o perdão que entrego
Aos dias da infância que não visitei
A Ver Estrelas...
Hoje, cumpro a sina
Deixo falar a poesia
Inspirada em olhos teus
Em céu amante que fascina
Pois era noite e em sua companhia
No terreiro de vó Sinhá
Chamei-a a ver estrelas
A Estrela que adormecida era
Mesmo em face de seu sono
Olvidara ela que era encanto
A magia, o desejo, o acalanto
De estar a sonhar em braços meus
O que diria ao seu coração?
Que jurei nunca deixá-lo em abandono
Nem mais e por nada entristecê-lo
Se preciso fosse, palhaço seria
E da vida, um picadeiro de magia faria
Embrulharia em Serenata
Toda boa alegria... e te daria!
Mas acho que já não posso...
Olha, mesmo distante fio que faria
Te sinto ainda pulsante
E é ai que terás minha companhia
No bater de suas batidas
Nelas estarei sempre presente
Como voce nas minhas...
Jurei também lhe dar poesia
Será ela nosso laço e elo absoluto
Fique então tranquila
Pois mesmo distante... corpo ausente
Darei a ti, por cuidado e carinho
Mesmo que sem rima ou talento
Um verso verdadeiro para seu sentimento
Alma de mulher...
Tenho alma imensa... gigante
Feita de medo e coragem
De silêncio, amarras e voz
Amarras em laços, não em nós
Colorida, perfumada, bem cuidada
Dessas que sorri por bobagens
Que faz coro até pr'um bom desaforo
Que adora cartões, flores e mensagens
Minha alma caminha, salta, dança
É inquietantemente quieta
Mas só quando a noite parte
De dia, é quente... às vezes fria
É dada aos avessos e aos contras
Mas concorda com o que é certo
Tem hora que sai... vai embora
Mas não passa da porta e corre de volta
Minha alma nada entende
Além de ser só alma
Tá de bom tamanho assim
Porque quando ama, ama em mim
Depois de sua maior idade...
O tempo não nega minha primeira ida
Ao seu lugar secreto, escondido, quase prestante
Morada de suas falas, de desejos e segredos
Arraigados febris em cada sua entrega
Florescidas incontidas, em meses e anos ardis, infiéis
Como negar que tudo se deu de fato
Em casuais conversas em canto virtual
Imbuídas de pretensões prévias e desejadas... um ritual
Que vem vivaz desde a meninice à pós-faculdade
Ali, a "auto alforriada", se deleita... mentindo, por libido vil
Postando dizeres que cuidam de planos pré arquitetados:
Indo à caça de incautas desavisadas... visitantes passantes
Fomentando incontida, o que dá vida à própria natureza!
Eu estava lá...
Quando não haviam as modernidades de hoje
O computador de mesa, o notebook, o tablet
O aparelho celular, o avião embarcado do bem e do mal
Cruzando veloz os céus a levar gente e malote postal
Eu me descobri criança correndo atrás de pipas e sonhos
Sorria por bobagens puras e certezas que só eu fiava
Crendo ser verdade o que conhecia das escritas de um tal Lobato
Que da arte imaginária, nas verdades infantis tinha sempre final feliz
Eu estava mesmo lá
A ver, estupefato, o Joelma e muitos outros queimarem
Quando contaram que no Araguaia passava um rio que liberta
Levando águas e intenções dos homens de esperança certa
Conheci, sem alarde, amadurecendo na maturidade
Que era preciso guardar cada coisa em exato lugar
Do falante Pé de Laranja Lima, a chegada da mulher para amar
Encarregando o tempo de me ensinar em jamais deixar de lutar
Eu estava lá quando a televisão anunciou guerras insanas
Atos terroristas, matança de Judeus e de inocentes crianças
Recordo do alarde da aids e da descoberta da estrada lunar
Da repressão da liberdade e da festa na vitória da igualdade
Eu estava lá, assistindo perplexo e atento, como vigia
Como vagavam as criaturas da noite em busca do dia
Aprendendo sobre paciência, tolerância e ciência
Mas o que marcou, foi saber adulto, festejar a infância
É porque manda a Lei...
Raríssimos foram os homens
Que, dotados do Poder de representar a Lei
Em algum momento de sua orgulhosa carreira
Não sofreram um Processo ou Inquérito Policial
Assim, como foram raríssimos, esses homens
Serem apenados, ao final de cada um de seus processos
Com sentença severa ou que lhes fosse, ao final de tudo
Uma mancha inapagável escrita à pena em pasta funcional
O Ministério Público, fiscal da Lei e dado a opinar
No que se deve ou não fazer para o bom esclarecer
Dos fatos e crimes imputados como sendo de autoria
De homens que cumprindo a Lei, foram ao enfrentamento fatal
No calor dos momentos em que até um tijolo serve de abrigo
Barricada contra disparos dos projéteis de armas letais
Como potentes fuzis, escopetas, metralhadoras, granadas
É o homem da Lei que ali esta, na guerra do bem contra o mal
Quem ainda não viu o julgamento de um homem da Lei?
Nas barras de um tribunal isento, sabedor do que julga
Ciente é, que o réu presente é aquele que arrisca sua vida
Em prol do bem maior, anulando o sentido do mérito do julgo final
Porque sabem, testemunhas, promotores e juízes
Que o crime imputado ao agente da Lei que ali esta
Não é, em verdade, um crime, mas uma conduta
Que não tinha como ser evitada no combate mortal
E assim, decorre-se o tempo do ocorrido confronto
O entendimento do julgador e do fiscal da Lei
Claro como água límpida que brota da fonte
É necessário a incursão policial para o bem social