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Frases de Maria da Penha Boina

276 frases

Amiga anaconda Encantei-me por uma anaconda Acabei por adotá-la
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Amiga anaconda Encantei-me por uma anaconda Acabei por adotá-la Alimentei-a com animais inofensivos Vivos. Com o tempo fui me aproximado Toquei-a, escamosa e fria, Grande, aconchegante, Era tudo que eu queria. Começamos as nos enroscar Eram toques suaves sem malícias. Nesses anos de convivência Encontrávamos sempre a luz do dia. Numa noite fria ela veio até a mim Como o remanso de um rio arrefecido Lento e vagaroso Esfregando sua textura Como um gato preguiçoso. Deixei-a enrolar em meu corpo, Que de mansinho sentia a suas carícias. Fui sentindo-a bem devagar E encontrei-me em ardilosa companhia. Seu abraço estava ficando cada vez mais apertado Meus pelos ficaram eriçados Os ossos com uma sensação desagradável. Ei! Amiga anaconda! Gritei! Foi um lapso, não te alimentei. E ela não perdoou O meu engano involuntário Pela falta de comida.

Estética Estás linda, estás magra e eu gorda! Estás linda, estás gorda e eu macérrima!
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Estética Estás linda, estás magra e eu gorda! Estás linda, estás gorda e eu macérrima! Então, quem é a mais linda, a mais atraente? A gorda infeliz por não ser magra? A magra com o mesmo presságio da gorda? O hipopótamo fêmea é feia por ser gorda? A libélula é horrenda por sua magreza? Não, ambas são lindas. Elas possuem o próprio palco para desfilar, Não vivem da ovação iniludível, Possuem originalidade.

Invídia Estou tão longe, Longe dos espíritos maus
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Invídia Estou tão longe, Longe dos espíritos maus Mas, que possuem uma fúria de bestas, Que ecoam sons a esgoelar. Esbravejam o meu nome Na esperança de secá-lo Com um amor de inveja Prestes a lhes trucidar. Não, não mereço tanto amor assim, Não mereço que vivam a mim, Não se degolem ainda A hora não se faz. Sei que sou este mal necessário Que suplanta os desejos Alimentando ódios Nas meninas dos olhos. É sofrimento que abunda Nos sorrateiros Que não possuem espírito próprio Desejando ser a mim, por inteiros. Ainda hão de se enganar, Competir com a minha valente alma Requer hercúleo esforço, e o meu espírito, Não lhes irão encarnar.

Plágio Dizem que Deus criou o Universo e tudo o que nele existe, inclusive o homem e a mulher, então, Deus é um grande cientista, mesmo estando Ele acima da ciência, logo, Ele é mais que a ciência, Ele é soberano na arte de criar. Os humanos apenas tentam fazer cópias do que El…
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Plágio Dizem que Deus criou o Universo e tudo o que nele existe, inclusive o homem e a mulher, então, Deus é um grande cientista, mesmo estando Ele acima da ciência, logo, Ele é mais que a ciência, Ele é soberano na arte de criar. Os humanos apenas tentam fazer cópias do que Ele criou, logo, eu sou uma imitação, os meus pais se apropriaram da criação de Deus, assim como todos os demais homens e mulheres do mundo, sem deixar de incluir toda fauna e flora, que Ele também criou. Tudo isso numa cadeia desde a criação do Universo. Desta maneira, posso então, afirmar, que tudo que existe e foi produzido depois Dele é puro plágio, eu sou plágio, o Planeta Terra se transformou em plágio, não existe nada no mundo conhecido pelo ser humano que seja original. Sendo assim, como posso compreender o conceito de plágio criado pelos homens? É também plágio? Partindo da premissa de que Deus é o criador de tudo, posso dizer que sim, tudo é plágio. As transformações ocorridas no Universo continuam tendo a mão de Deus? Será Ele, quem continua a fazer as coisas acontecerem, será Ele quem se preocupa com o Planeta Terra, um grão de areia neste Universo. Ele tem tempo para se preocupar com coisas tão ínfimas da sua criação? Tenho certeza que não. Mantenho a minha certeza, pensado que o homem, na sua imaginação mísera de criar, se apegou numa inominável parte da Sua obra, - que Ele não completou perfeitamente -, e vive aos sete cantos, cantando de galo, e na verdade, apresenta seus feitos sem mencioná-Lo? Isto é plágio. Deus está pouco preocupado como esta parte da Sua obra, se contrário fosse, Ele não deixaria que acontecesse plágios tão inferiores, como os que acontecem aqui em nosso astro. Posso agora citar algumas coisas que Deus não permitiria em Sua obra, criar pessoas defeituosas fisicamente, moralmente e sem almas. Não permitiria a criações de doutrinas /dogmas usando o seu nome na dominância dos menos favorecidos, o sofrimento, a falta de amor, as diferenças sociais e de etnias, não deixaria que destruíssem a natureza, não deixaria que mudassem a sexualidade dos homens da sua forma original, dentre infinitas outras coisas que não teria espaço neste texto sucinto. Se o que digo não for verdade, então Deus não existe e o plágio, não existe. Posso afirmar que, foi o homem quem criou um Deus para proteger-se de si mesmo, do seu próprio medo, do receito de enfrentar-se, uma forma de desculpar-se das suas vergonhas, de justificar as suas criações fracas e oprimidas, não reconhecer a própria insignificância. Mas, se Ele existe, Ele por muito abandou essa parte da Sua obra, e a deixou para os reles se preocuparem com ela, e a plagiarem da forma mais inferior que existe no Universo.

Sublevação Não te espante Doutor Essa é só a minha dor,
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Sublevação Não te espante Doutor Essa é só a minha dor, Mas não toque o dedo na ferida São os ais... Da minha vida. Observa Doutor As minhas cordas vocais Não são como as cordas das harpas São pregas fenomenais. Os ais que grito e ouves São bem postos Não duvide, eu não gosto, São ais... De toda uma Nação. Não se engane Doutor Diagnosticando essa minha rouquidão. Terás de dar o mesmo diagnóstico A toda população. Admita doutor Que será muito difícil encontrar Este mesmo sintoma Em outros Doutores, discricionários. Encontro-me doente Doutor? Os meus ais não serão escutados? Não existe paliativo para essa dor? Ah! Doutor Se a dor vai continuar Vou subir no mais alto dos montes Serão tantos os meus gritos em ais Emitindo ondas sonoras Intensamente vibrantes Que perturbará as cordas das harpas Fazendo-as tocar Músicas infernais.

Desejas-me Desejas-me como quem deseja colher camélias em vasos de varanda Como quem sonha em surfar na mais alta das ondas
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Desejas-me Desejas-me como quem deseja colher camélias em vasos de varanda Como quem sonha em surfar na mais alta das ondas Ou escalar a mais íngreme montanha. Desejas-me como quem deseja chegar por teletransporte Como quem conta com a sorte Ou desconsidera a morte. Desejas-me pela ilusão do querer Pela fantasia do ego Ou imanência e transcendência de poder. Desejas-me sem as camélias Cingido pela epopeia Transmutado pelo épico.

Sem fim O que você está fazendo aí parado em pé? Para onde te levará essa fila?
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Sem fim O que você está fazendo aí parado em pé? Para onde te levará essa fila? Você tem certeza se ela terminará? Sabe o que irá encontrar? Sinto que você está bastante ansioso Observando e esticando o pescoço E é uma fila indiana Parece mais uma romaria. Suas mãos estão suadas? Porque o seu corpo se move constantemente? Será algo que você não poderá perder? Existe uma hora marcada para chegar ao fim da fila? Você está entorpecido por isso? Tem de alcançar? Você agora externa pela face certa raiva Seu semblante mudou muito, Foi pela certeza das vozes em sua mente, Que disseram que não mais chegaria? Agora você está agonizando na fila, E olha para trás Não existe mais ninguém? A fila anda lentamente e você é o último da fila? Não adianta se penalizar Nada mais fará diferença, Você se apossou da fila errada Ela não tem fim nem começo É uma fila em espiral, infinita.

Sua existência Sua existência me conforta Não importando saber se você,
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Sua existência Sua existência me conforta Não importando saber se você, Está rico ou pobre Magro ou gordo Com a aparência mais jovem ou envelhecida Feliz ou infeliz Acompanhado ou só Viajando ou enclausurado Comendo ou minguando Nervoso ou apático Com saudade ou desprezando Drogado ou de cara Orando ou resmungando Sendo assim ou assado. Assando. O que mais me importa É você existir, Para que não desapareça Este ser inconsequente Que se tornou a minha fonte inspiradora Dos meus momentos mais sublimes Em que deslizo os meus dedos no teclado Criando poesias.

Da neurose à psicose Tens a neurose furtiva, Vives alucinado e em delírios.
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Da neurose à psicose Tens a neurose furtiva, Vives alucinado e em delírios. Na tua neura temos diálogos, Na tua psicose, espasmos. Nos diálogos rouba-me a distinção, Sente-te sobranceiro Denodado em seu valor. Quando entras na alma das sombras Veste-te de altivez, Dos teus delírios à empáfia Rebusca com apreensão Com esmero excessivo À sensação que precede o ataque, Que já na crise aflitiva Suga-me toda a energia, Abrindo sulcos na terra. Vejo pelos profundos rastros Deslizando abaixo O primor que fostes um dia. Entro em profundo desassossego De ver-te neste estágio iminente Indo ao encontro do desenlace fatal. Sinto-me rigorosamente impotente De controlar os teus propósitos Desde logo, subsistentes.

Paralelas Traço as retas Infinitas retas num papel
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Paralelas Traço as retas Infinitas retas num papel Branco infinito Retas que tendem ao infinito Nunca se fecham Não formam regiões Poligonais. Nas equações Mais retas, retas Para onde vão? Já nem as traço Com a régua Essas equações das retas O dia inteiro No cansaço Acompanhando as retas As paralelas Como no asfalto Feitas pelos pneus do carro Retas para onde? Onde me levarão? Para o infinito Lá no final O abismo Morrendo em meio ao vão.

Amigo Amigo, o que queres de mim? Todas as melhores pedras incrustadas no marfim?
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Amigo Amigo, o que queres de mim? Todas as melhores pedras incrustadas no marfim? Todas as minhas virtudes? Quantas cobranças que me faz! Pergunto ainda: O que tens para mim? Somente as loucuras dos seus lamentos? Nunca esquece as minhas conjecturas? Mas as suas, nunca haverás de lembrar? Amigo, esqueço sempre as nossas desavenças, Perdoo sempre, mas voltas a lesar. Em cada mau trato, uma pedra se desprende do marfim, A joia vai perdendo o seu valor Ficando somente uma nuance De uma amizade hesitante.

Falsa Filosofia Eu sou quem deseja compreender Essa sua doutrina de bem viver
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Falsa Filosofia Eu sou quem deseja compreender Essa sua doutrina de bem viver Que andas a defender Da literatura ficcional árabe e europeia Da Idade Média, Através dos sete mares, - Que se vive sem ordenado -. E se manifesta com veemência Exteriorizando os sentimentos e pensamentos Com ardor e entusiasmo, - O que alimenta a vida é viver do amor -. Estou a dar o devido apreço A essa ideia triunfal. Mas, como posso acreditar nisso, nessa sua espiritualidade? Nessa vã filosofia? E o vinho, o pão de onde virão? Pois acordo todos os dias, Vejo com transparência Famílias inteiras em penúrias Na míngua de víveres. Ah! Não sei se caio nessa cilada De um dia possuir A pedra filosofal.

Vaidade Beber para ter coragem de gritar O grito dos indecentes
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Vaidade Beber para ter coragem de gritar O grito dos indecentes Da inconsequência Da justificação que não convence. Viajar para fugir da própria verdade A verdade que está enraizada Que acompanha em toda a caminhada E da redoma não sairá. Pássaro negro camuflado de mil cores Para manter os milhares de amores, Mas a chuva cairá E as cores irão desbotar. Manter um tapete vermelho estendido Caminhar sobre ele desmilinguido Com a bebida, as viagens e as cores, Que causam dissabores. Que presunção mal fundada De quem mantém ostentação Para merecer admiração De uma qualidade do que é vão.

Vergel Meu querido Vergel, mesmo sendo de bits. Hoje me despeço, pois vou estar fora por uns dias,
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Vergel Meu querido Vergel, mesmo sendo de bits. Hoje me despeço, pois vou estar fora por uns dias, Vou buscar novas aventuras Para te alimentar de fantasias. Não fique com ciúmes, Será um tempo de passagem Mesmo longe posso te acompanhar Mas não prometo que será realidade. A liberdade que tenho Está em seu jardim mais florido Têm canteiros mais nobres E outros esmaecidos. Meu querido Vergel Desde que te adotei, mudei de essência, Vou criá-lo até a minha morte É o que constrói a minha vida.

Do meu amor ao ódio por Beth Beth, com a sua varanda cheia de pó, Suas chaves a darem nó
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Do meu amor ao ódio por Beth Beth, com a sua varanda cheia de pó, Suas chaves a darem nó Seu telefone é de dar dó Seu e-mail é um bagulho só. E eu aqui tão inútil Queria ter Beth para mim Talvez mais, ser Beth, Com a sua clássica elegância e sabedoria. Fico a penar Sonhando com seu baú Correndo atrás, com atitude ineficaz, Beth, rainha. Eu esqueci a minha alma. Estrago o meu amor, Não vejo mais as flores nem as Marias, Só vejo Beth, a todo vapor. Não sei mais o que é vida Viver é estar no encalço de Beth Quero molestar, importunar, fatigar, do amor ao ódio, Já que eu não tenho Beth, minha rainha. Como seria bom esquecer Beth, Gostar de uma mulher feia e sem vida Mas, o meu amor não tem bondade alguma, É fraco, como filhotes de passarinho. E Beth, nem aí para tudo isso. Parto da minha inveja à vigília e, vejo Beth, Indo e vindo, com seu andar de garça, Lindo! Lindo!

A ordem do silêncio Talvez seja tarde para ficar pensando Escrever e, cair em sufrágio o leitor.
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A ordem do silêncio Talvez seja tarde para ficar pensando Escrever e, cair em sufrágio o leitor. Então indago na proposição o silêncio A não procura da hipótese verdadeira. Predestinado ao nada fica alguém Quando o silêncio comanda a minha intuição. Em conflito eu entraria neste momento, E provaria do meu rancor. Essa repugnância logo lhe diria A montante o seu valor. Não! Não tenha então esse direito suposto Que de nada irá adiantar o seu esforço Sua vaidade não terá razão. O meu sentimento abortado Deixou o espaço ao meu lado desbotado Sem guardião para a minha base. O que faço agora neste cair da tarde? Abro a guarda à ocupação.

Egoísmo Queria você sempre aqui Do jeito que fosse eu queria
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Egoísmo Queria você sempre aqui Do jeito que fosse eu queria Que você continuasse aqui. Quanta teimosia a minha! Não compreender a sua dor A sua agonia, Só queria que você continuasse aqui Para que eu tivesse a sua companhia, Para que eu pudesse compartilhar as minhas palavras Mesmo que você não compreendesse mais, o que eu dizia. Eu queria que você ficasse aqui Só por mim, nem era por você. Só você sabia o que sentia E com toda a sua sabedoria Desafogou a sua dor Silenciou. Deixou-me e nem explicou. E eu egoísta que sou Ainda choro e grito a te procurar. Imagino você aí no paraíso O que deve estar a pensar? Deve ser sobre a minha insensatez A minha pouca compreensão Sobre tudo que você me passou, Que a vida é assim Um holocausto dentro do uno. E eu egoísta que sou Paralisei na angustia De não compreender que o lugar onde está É o mais aprazível E iremos nos encontrar.

Chá Bebo chá de todos os tipos Chás para ficar mais calma
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Chá Bebo chá de todos os tipos Chás para ficar mais calma Chás para as dores Chás para tudo, Mas sempre bastante cética Da certeza sobre os chás. Um belo dia resolvi beber um Xá A partir de então aprendi literalmente, Que chás são imprescindíveis Para aliviar todos os males Dos erros imprevisíveis.

Diálogo aos celulares a brasileira que ouço todos os dias e, é mais ou menos assim: Tô no culto falando cum pastô Cê num vem não?
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Diálogo aos celulares a brasileira que ouço todos os dias e, é mais ou menos assim: Tô no culto falando cum pastô Cê num vem não? Tem de vim, ora pra Jesus. Ai! Só Jesus, pra intender ocê. Mas se ocê vim, fecha a porta com treta chave Aí tem muito ladrão drogado. Dispois, meu namorado vem buscá nóis. Então nóis vai até ao shopem. Agente podemos olhá as vitrini. Dispois ele leva nóis imbora. Ispera, to ouvindo minha patroa. - Num sei não onde tá- Já que ce num sabe se vem Coloca a comida pra esquentá E o fango no fono. Tem cuidado num si quemá. Aí quando eu chegá Posso cumê Lá no shopem e é tudo caro E nóis num tem dinheiro pra gastá.

Metamorfose Abriste a caixa de Pandora E agora, o que será de mim?
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Metamorfose Abriste a caixa de Pandora E agora, o que será de mim? Faça algo que acalante esses males Que me está a consumir. Puseste-me neste desespero Nesta desconfiança bombástica Neste desconforto intolerável. Sou essa borboleta pequena De asas incontroláveis Incerta dos desejos. Caça-me com a tua rede entomológica Tira-me dessa dança louca A viver atrás de uma da lanterna iluminada. Quero acreditar na luz e não consigo Ela pode ser a minha maior inimiga Mesmo assim a sigo E na armadilha posso cair. Desafoga-me dessa desconfiança Sem arrogância Com palavras de esperança. Faça de mim os teus desejos Não disfarce as verdades com lampejos Para fazer-me acreditar. Saia do teu invólucro de lagarta Transforma-te em borboleta Venha me beijar.

E agora? O que devo fazer agora? Lutar pelo que foi perdido?
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E agora? O que devo fazer agora? Lutar pelo que foi perdido? Ficar mais pobre de espírito? Jogar um jogo de cartas? Empinar pipas na praça? Movimentar a pedra no xadrez? Olhar para a calopsita na gaiola? Ficar por mais tempo livre? Ler um livro em português? Dominar a fúria que me consome? Mirar o míssel para além do horizonte? Colocar mais dinheiro no cofre? Mandar flores por e-mail? Escrever cartas românticas? Ridicularizar as instâncias? Fazer mágicas? Beber uma bebida forte? Olhar para o teto sem concentração? Sentir aversão por tudo isso? Enfrentar a flecha do inimigo? Com muita coragem Ficar na forca de frente para a multidão Sem reverenciar os aplausos e risos à agonia Que estão a festejar Com o semblante mais brando Escutando os risos e aplausos silenciando Na minha mais sublime sensação O ápice que se agiganta para minha bem-aventuraça Que estou a desfrutar.

Prostração Os teus olhos estão vermelhos. E por que choras?
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Prostração Os teus olhos estão vermelhos. E por que choras? Perdeste o teu amor? Já refletiste porque perdeste? Achou que tiveste dado tudo de ti Mas não foi o suficiente? Agarraste no inútil pensamento Que o concebido Já era teu? Agora achas que ao trocar as fotografias dos porta-retratos Trará as forças para esquecer? Olhará para ele O quê verás? Não será a nova foto que irá entrar pelas retinas de teus olhos É a que já está registrada nos teus neurônios. E todo o enxoval que te acompanha Terás de queimar ou quebrar? Faça todas as tuas cenas por agora Destroçando tudo o que é material. Estás a te sentir mais leve? Mas não imaginas que em breve Tudo que colocares na tona Irás desaparecer nos rios de Goa Levados ao mar. Com o tempo e o oceano revolto Devolverá os pertences Devastados nas areias das praias. Em todas elas encontrarás os pedaços E toda a fantasia recomeçará. Não, não é bem assim que te livrarás. Acho que perdeste o senso Não poderás reduzir a cinzas as memórias De tudo o que te fez sonhar.