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Frase de Maria da Penha Boina

Homem de rua Depois de anos continuava ele ali sentado Sempre a observar o nada Ou a pedir uns trocados. Sujo, imundo e maltrapilho, Na sua liberdade ambulante De súbito viu distante Um brilho desconcertante. Levantou com certa preguiça dada pela fome, Caminhou lentamente, Abaixou e pegou o diamante. Ele não tinha por certo o que era, Mas a intensidade do brilho Fez guardar nos seus trapos. Assustou-se com o que ali perto ocorria, Aquietou-se nos seu espaço. Era uma batida policial por um assalto. Mandaram que se levantasse E acharam a pedra maldita. Perguntando quando a roubara Ele nem chegou a abrir os lábios, Colocaram nos seus pulsos e pés as algemas. E o levaram ao delegado. O desgraçado apanhara e fora preso, O pobre que nem sabia o quanto valia A pedra que achara ao acaso. Agora lá sentado a olhar para as paredes Que nunca tivera um dia, Por causa de uma estranha pedra brilhante Que para ele pouco valia. A pedra lhe tirou a vida de vagamundo A única liberdade que tinha.

Maria da Penha Boina

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Pensador.com

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Nirvana Sou meio abestada às artes manuais Engenho melhor as máquinas Introspectiva fico diante delas, fico imbecil e o silêncio enche o meu mundo, meio estúpido Vivo sossegada, descompromissada Diante de mim, uma parede acinzentada um varal com peças de roupas penduradas alguns sons que veem de fora, inidentificáveis Desenredo o meu silêncio em palavras turvas, mudas, inexatas Desprezo os clichês e as suas cópias desordenadas que quebram o fascínio poético daqueles que bem escrevem os seus nadas Assim, passo as minhas horas, encantada entre turbilhões de ideias vou afugentando as ditas realidades dessa sociedade cheia de crendices Desculpai. Mas não nasci para os afazeres banais para costurar as roupas rotas e almoçar ao meio dia e meia a minha didática de vida é outra Sei, desiludo, não sou de bom trato boa companhia Vou, conforme vai o vento lamento por causar desapontamento sou obtusa diante do compreensível.