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Frases de Luis Mateus

57 frases

⁠O céu, o inferno e uma história Antigamente Éramos unha e carne;
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⁠O céu, o inferno e uma história Antigamente Éramos unha e carne; Bebíamos tudo do mesmo copo, Suores, lágrimas e um afável vinho; Eras a totalidade de todas as coisas, Eu era o teu universo E todas as gravidades Nos puxavam à nossa cama; Palavras eram plumas que voavam, Quando não se estavam a beijar; Éramos provação e teoremas E tu lias os meus poemas Que eram todos para ti; Rezávamos a Deus, que nos deu O infinito, um lar e asas, e assim Íamos em parelha à mercearia Flutuando como passarinhos; Era no tempo Em que Deus respondia a orações E prometia o céu e uma história. Anos escarpados depois… Somos garras que ferem carne; Cada um tem o seu copo Por onde bebe a retaliação do outro; A totalidade de tudo o que éramos, Esfumou-se no universo E todas as gravidades Nos afastam dos nossos centros; Palavras são agora De arremesso ou caladas; Desaprendemos o perdão, A paciência, a cumplicidade e a beijar; Somos pétalas caídas de uma flor De um poema que cheira a bafio; Já não há mercearias nem passarinhos, Só corvos, a depenarem-se uns aos outros, Como nós. Ainda rezamos, mas em vão! Deus desistiu, como nós, de ambos.

⁠Mentir o amor A mentira severa que dura Engana a boca que a profere!
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⁠Mentir o amor A mentira severa que dura Engana a boca que a profere! É lobo sem lei nem bravura! É cordeiro em pele de engodo Que a todos dor confere. Vai cavando a sua sepultura E conspurcando de mágoa, O algodão que tinha no princípio. A língua ensanguentada É limpa depois com tintura, Pra desinfetar culpas e aflição! E nas entrelinhas do seu errar, Vai pedindo ao amor, Perdão! Mentir, Quem não usou já dessa pomada? O problema da mentira É a sua incontinência! Quando já nada a segura! Quando ela vira gente E mente, mente, mente!

⁠Profetas Papaloni Certas tolas manadas de burlados credores Carregam profetas ilusionistas em andores
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⁠Profetas Papaloni Certas tolas manadas de burlados credores Carregam profetas ilusionistas em andores Que amestram uma tal curvada humanidade Num certo pasto d’uma reles fraternidade! Dizem cuidar d’um tal rebanho espremido, Da ovelha que lá foi e não devia ter ido, Como a que não sabe por onde tem andado: Se submissa, a pecar ou a roçar o pecado. Papaloni é ser um tal pastor engenheiro De questionável fé e duvidosa salvação, Que através de um tal medo aduaneiro, Cobra ao mundo uma certa contribuição, Porque uns dão um desatento dinheiro A uma irmandade atenta à desatenção.

⁠O primeiro amor Antes de tudo e todos, vem o primeiro Encanto, beijo, paixão, ou amor talvez,
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⁠O primeiro amor Antes de tudo e todos, vem o primeiro Encanto, beijo, paixão, ou amor talvez, Uma flor que se dá ou não por inteiro Ou o primeiro amor ou a primeira vez. Pousa a borboleta na flor de um jeito, Que no mel de seu ventre faz encosto, Como o tolo coração, que fora do peito Bate, antes de lhe bater um desgosto. O primeiro beijo é tépido e desajeitado, A prima paixão, tonta e sem medida E a primeira vez é um céu estrelado! Nada é eterno! Tudo é início e partida. E o primeiro amor dura só um bocado Até vir o primeiro desgosto da vida.

⁠Amo-te assim! Amo-te assim, como o fogo ama arder E arremessar calor e luz do seu ninho;
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⁠Amo-te assim! Amo-te assim, como o fogo ama arder E arremessar calor e luz do seu ninho; Quero assim como ele, amar-te e morrer Contigo e assim arder devagarinho. Amo-te assim meu amor, e lá mais adiante Quando formos pó, poeira e coisa nenhuma, Debaixo da terra, serei teu amigo e amante, Serei teu mundo, até que ele nos consuma. Amo-te assim, tão-só e simplesmente, Que tão certo é Deus ser fé e piedade Como a minha boca que não te mente Ou estrelas e astros terem gravidade! Perca eu a voz, o chão e tu e de repente, Se este soneto não é, todo ele verdade.

⁠E lá tudo era perfeito… Lá, ninguém era cego ou mau olhado Porque eram todos Reis do Reinado;
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⁠E lá tudo era perfeito… Lá, ninguém era cego ou mau olhado Porque eram todos Reis do Reinado; Não havia roubos ou ladrões, Nem corretivos ou cem perdões; Eram amigas, a pressa e a perfeição; Quem caçava com gato, tinha cão; Havia galhos para todos os macacos E promessas não caiam em sacos; Águas nunca vinham em bicos, Os espertos não eram Chicos E todo o pecado era omisso! O feiticeiro era amigo do feitiço E este não se virava a ninguém; Não havia mentiras a beijar bem, Todas socavam com verdades; Casas não tinham portas e grades Pois não haviam almas gulosas. Lá dentro havia um mar de rosas Na carta fechada do casamento Porque todo o mar era bento. As rosas não tinham espinhos E gaviões não seduziam ninhos. As cercas não eram puladas Nem por bruxas nem por fadas; Maridos diabos eram santos; Não havia querelas pelos cantos; Judas era coisa que não havia Nem sequer no dicionário; O vinho não batia nas cabeças E a culpa casava-se sempre Quanto mais não seja Com o confessionário!

⁠Um mundo a arder... Sou de Marte! Sou Marciano!
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⁠Um mundo a arder... Sou de Marte! Sou Marciano! Vivo sem arte, Num mundo aparte, Num mundo insano Onde ser humano É engodo, é engano, É ser leviano! Pisam-se flores, Plantam-se dores, Matam-se amores, Cantam-se horrores, Namoram-se pudores E dão-se louvores A quem quer ver O mundo a arder!

Ser poeta: Deus dos enredos e do tempo Letras e palavras são anarquias, Que pintadas de cinzento,
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Ser poeta: Deus dos enredos e do tempo Letras e palavras são anarquias, Que pintadas de cinzento, Chamam por metáforas e analogias Ao sabor da inspiração do vento. Vento que tão bem assobias E tão longo é teu chamamento, Quanto mais a dor me afias Maior é de ti, o meu alimento! Desamores e dores que me envias Fazem-me Deus dos enredos e do tempo! Pinto infernos de lindas pradarias! Anjos visto de negro fardamento! Hoje sou rei de todas as bigamias, Amanhã servo do meu casamento! Ser da poesia escravo todos os dias, Mas o que quero a cada momento!

Amor Intemporal Amor verdadeiro é intemporal. É perdão, zelo e admiração!
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Amor Intemporal Amor verdadeiro é intemporal. É perdão, zelo e admiração! É juntos, adoçar quilos de sal, Porque a vida não é doce. É o “para sempre” Ser uma tela apenas De histórias pintadas e plenas De comunhão e liberdade pura Que não se esquece, perdura. Se árvores tiverem raízes, De tal maneira entrelaçadas, Que não hajam cicatrizes De ventanias sopradas; Se sorrisos conseguirem falar, Se olhares puderem ler Como o cego vê sem olhar Sem uma palavra dizer... Ele, o amor verdadeiro, Tê-lo-ás encontrado! Impossível esquecer! Conseguir apagar tais pinturas Era esquecer o verbo amar: Gestos únicos, sorrisos, ternuras, Abraços que fizeram acalmar, Preocupações genuínas e puras, Uniões de corpos difíceis de largar Em telas que foram só para ti! Não é possível, nunca vi! Não se esquece o amor intemporal. Aprendes sem ele, a estar só. Podes até sentir poesia conjugal Quem sabe até dar outro nó... Mas aquele raro vinho, O que bebes uma vez na vida, Ficará, quer queiras ou não, Na melhor prateleira do coração. Amor verdadeiro é imune ao tempo. Intemporal por isso...

⁠Mil dores por curar Já acumulei mil dores De mil feridas por curar,
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⁠Mil dores por curar Já acumulei mil dores De mil feridas por curar, Tantas quantas as cores Das que estão por fechar! Quais as curas ou remédios, Pra curar os mil tédios Que me fazem escrever Mil poemas sem querer? Mil perdões por pedir, Mil sorrisos por sorrir, Mil dores por curar E mil espinhos por aceitar Porque sou ser sem dono, Rei sem trono De uma vida por viver Sem sequer saber Qual dos mil destinos, Qual dos mil violinos Hei de tocar!

⁠O meu jardim Borboleta, que em tão negro jardim queres entrar,
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⁠O meu jardim Borboleta, que em tão negro jardim queres entrar, que me queres trazer flores ou espinhos, não tragas e não entres... Fica à porta, espreita o que está à tua frente. Consegues ver, porque lá dentro estão velas. As acesas, rezam por amores acabados, as apagadas, por calvários que nunca foram amores. Diante dos teus olhos estão mármores frios e negros. Se reparares com atenção, em cima desses mármores, estão fotografias. São fotografias de pessoas, a quem aos meus filhos direi, que eram amigos, porque foi com eles que passei os melhores anos da minha vida. À tua direita, a terra é estéril. As flores que vês, vestidas de negro, não são flores! São de pedra. Ali jazem fracassos em forma de mágoas, mentiras, traições e abandonos. À esquerda, ervas daninhas. Coroas de flores, por tudo o que foi em vão, por sorrisos e lágrimas, alegrias e tristezas, noites inesquecíveis, noites de espera agoniante, cartas e fotografias que se queimaram, ouro que se vendeu, bens que se perderam, recomeços extasiantes, tropeços estúpidos e sonhos que não se tornaram realidade. Ao fundo, está um pedaço de terra. Só tem uma linda flor. Só tenho essa. É para a trocar pelo resto da minha vida, por companheirismo, amor e amizade, tudo junto! Por tudo isto, borboleta, se vieres só de passagem, não abras a porta do meu jardim! Mas se vieres para ficar, se estrelas e constelações quiseres enfrentar, se tratares o meu jardim como eu tratarei o teu, entra, porque estive a vida inteira à tua espera!

⁠Morte por entre dedos É ver areia fina escoar entre dedos E o relógio que não pára de andar!
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⁠Morte por entre dedos É ver areia fina escoar entre dedos E o relógio que não pára de andar! Apontam os ponteiros cruéis torpedos A horas que não páram de contar As areias finas dos meus medos Que a mão da esperança quer fechar! Será que mão fechada o tempo segura E a esperançosa vida nela perdura?

⁠Pobre passarinho Vem devagar, de mansinho, Em doces pezinhos de lã.
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⁠Pobre passarinho Vem devagar, de mansinho, Em doces pezinhos de lã. Sorrindo sobre o meu ninho, Traz-me no bico o passarinho Uma linda romã! Com tal engodo, a avezinha Fustiga-me sem piedade, E deixo a minha casinha À sua nova rainha Por minha ingenuidade! Da rosa não vi o espinho, Nem romã, nem maldade, E no entanto o pobrezinho Não sou eu, é o passarinho Que não tem dignidade!

⁠Marido itinerante Tenho mil caras nas algibeiras Que trouxe de mil países!
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⁠Marido itinerante Tenho mil caras nas algibeiras Que trouxe de mil países! Por lá, vi favos em figueiras Onde cometi mil deslizes Porque o mel dos figos Estava perto dos umbigos! Não há coração que eu plante, Nem flor que em mim floresça Porque sou marido itinerante, Sem remorso que me cresça! Oh senhores! A minha culpa, Que já não se sente culpada, Não sabe se trair é desculpa Ou se a esposa não é amada!

⁠Oh Clemência! Minha clemência acabou! Não sei amar assim!
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⁠Oh Clemência! Minha clemência acabou! Não sei amar assim! Não pedi mais do que dou! Pedi flores do teu jardim Que a tua alma beijou... Tuas rosas traiçoeiras Têm espinhos de cetim! Nunca se deram por inteiras! Nunca foram para mim! Tuas espinhosas roseiras Deram a flor que me enganou! Nunca foram verdadeiras Nunca amaram quem te amou!

⁠Afrodite Um quarto fechado, que tem: Uma Afrodite,
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⁠Afrodite Um quarto fechado, que tem: Uma Afrodite, Um silêncio perfeito, Um abraço quente e trancado, Um milagre, um tesouro que aconchego e venero Enquanto o tempo desvairado, corre, sangra e chora A agonia que vai e vem, como o amor que fazemos. Cheiras a poesia e orquídeas. Sabes a rubi doce e amargo! E quando ainda estás, sinto saudade Da Valquíria que vai e Afrodite que fica No meu pensamento... Valquíria, que me dóis onde a dor mais dói... No coração que te entreguei. Dóis-me porque amo as duas! E as duas és tu.

⁠Amor, solução de todos os conflitos Por quem tendes vós afinal Laços feitos, nós engasgados?
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⁠Amor, solução de todos os conflitos Por quem tendes vós afinal Laços feitos, nós engasgados? Das roseiras do vosso quintal Perdoais aos espinhos os pecados? Que passarinhos do vosso beiral Saciais de braços cruzados? O amor que se dá, é o que fica Do que se partilha e abdica. Tempo, esse devorador avarento Do amor baptizado de intemporal, Que os anos tingem de cinzento O que já foi da cor da cal. Para remediar tal desalento E a cor da neve ser a final, Candeias iluminem o que definha A branca neve, a vossa e a minha! Amor de mãe, pai ou conjugal, Do estranho ao parente, Amar o próximo é igual A concertar o gemido doente, A arrancar qualquer mal E a fortalecer a fraca gente. Solução de todos os conflitos, Dores, desamores e gritos!

⁠Sereias apaixonadas! Já velejei os quatro pontos cardeais à procura de um porto seguro Daqueles que fazem amor impuro em todos os desembarcadouros e cais
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⁠Sereias apaixonadas! Já velejei os quatro pontos cardeais à procura de um porto seguro Daqueles que fazem amor impuro em todos os desembarcadouros e cais Ou dos que nos querem, mesmo salgados, tempestuosos e despenteados! Ó vento que me despenteias... Tanto me sopras a horas em que todas as sereias estão encalhadas Como nos dias em que tenho a sorte já prometida! Velejo pelas marés da vida onde sopram nortadas de ventos que beijam bem. Não são sereias beijoqueiras, são casamenteiras delas próprias! Oxalá não fossem comigo, essas perdas de tempo! Mas são! São pingos de sal que queria ser doce! São pele e escamas que vertem lágrimas E que me querem prendar com ouros, finas porcelanas e caxemira. Outras, São rajadas de ventos frios, que perseguem marujos peregrinos e fugidios! Mas quais são afinal, as rotas das sereias que não se apaixonam? Todo este sal, é doce fazedor de poesia! É vento que me faz vasculhar palavras e rimas dentro do mar salgado Onde lambo sílabas e versos P’ra lhes retirar o sal...

⁠Morrer em vida... Tu e eu tínhamos um sonho! Encontrar um lugar
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⁠Morrer em vida... Tu e eu tínhamos um sonho! Encontrar um lugar Onde nos pudéssemos esconder e amar Porque fomos feitos um para o outro Como a noite para o escorpião! Mas dizem astros que não! Que não haverá aqui ou acolá Nem um qualquer lugar... Morrer castigado em vida ou viver errado, Qual o maior fardo? Palavras tuas que apedrejei e devolvi ao vento, Maltratei borboletas que nasceram de nós, Fiz da flor dada, uma lembrança e da recebida, uma bola de trapos... Estou cansado de me cansar, Do pesar da consciência pesada, Dos porquês de um dia teres sido a mais incompreendida e a mais amada! Cansado... De ser floresta vazia de raízes e oxigénio, De te procurar, porque estás em toda a parte e em parte nenhuma! De não ouvir um sopro teu, nem ventos de mudança... Pudesse eu voltar atrás E não me poria na prateleira das coisas mortas e obsoletas... Perdoa-me o que não disse, fiz ou não dei e o pouco que amei Como eu te perdôo o mal que me fazes... Vertem-se-me lágrimas que não caem ao chão, Ficam todas presas nos porquês de não te poder ter Porque também em vida se pode morrer! Sonhava um casamento de almas em que nos imaginava num equilíbrio que selava ambas as polaridades... ...a tua e a minha! E tu estás tão linda... Ainda te amo... Ainda te choro e de vez em quando, ainda te soluço... E sempre te amarei... Ainda, tanta coisa... Ainda tanto por doer e dizer... Ainda me dóis onde a dor mais dói... Ainda me perco nos teus olhos castanhos... São relativos e estranhos! Quando me olham, sérios e perguntadores, não dizem nada! Convidam-me apenas a pedalar no lodo, sem pedais E obrigam-me a fumar cada vez mais! Oxalá me chamassem às fogueiras dos lençóis da tua cama, Onde faríamos amor todos os dias... Queria amar-te de mil maneiras e mais algumas que não esperasses, Queria que tivéssemos sido liberdade, glória e cumplicidade... Tenho saudades... Do teu sorriso, do teu olhar inclinado a namorar o meu, Das prosas de Julieta e Romeu Que me deixaram refém De “amo-tes” que diziamos e dos não ditos também... Saudades... De andar de mão dada Numa qualquer rua, esquina ou calçada... Dos nossos rebentos... Os que tivemos e ainda vejo A precisar de um beijo e tantos lhe demos! O amor, Se ele me sorrisse, Eu lá estaria para o receber e matar O que o matou um dia... Morrer em vida são pés no chão a cair por um telhado Que estava certo de amor, Mas errado, sem alicerces... A morte, A que me foi redigida Por um defensor dado à sorte, Nem proferida foi ou acusação teve, Nem fraca, nem forte! Seria hoje morto em vida Se me dissesses um “amo-te” aqui e agora, daqueles intemporais e sentidos. Depois nada. Lágrimas falariam por mim. Talvez o corpo tremesse por dentro e eu sorrisse por fora Antes de morrer... Está escrito nas linhas das mãos, nos corações Que será noutro amanhã, noutro lugar Quem sabe em Marte, num qualquer ano Porque o meu amor é marciano, Talvez verde e com antenas, Como eu, maturado... Apenas... Se um dia te vir por aí de mãos dadas, Que seja ao menos o teu conto de fadas, Porque o lugar que deixastes era o meu. Até depois... Uma flor com um “Amo-te” lá dentro... Toma. É para ti.

⁠Gotas de orvalho... Raiar do dia sem sol ou orvalho É como paixão caída por terra,
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⁠Gotas de orvalho... Raiar do dia sem sol ou orvalho É como paixão caída por terra, Que depois de solta do galho, É manhã que o amor encerra! Se gotas de orvalho são vãs Em raiares do dia que tens tido, É porque caem nas manhãs Às quais nada tens oferecido! Orvalho, que gorado estás, Matuta nas escolhas feitas, Se puxam gotas pra trás Ou se caem às direitas! Orvalho que à pétala não dá Nem uma gotícula de amor É como rosa onde não há Espinho que cause dor! Por folhas, galhos e intrigas, Por onde cai a tua mágoa, Gota de orvalho, não digas: “Nunca beberei desta água!” Terra ardida, sem cor Colorida por orvalho Faz renascer a flor, Faz do fogo, borralho!

⁠Ovelha branca... Ovelha que pastas a meu lado… Estou grato pelos encontrões, pelas pisadas e safanões que me destes…
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⁠Ovelha branca... Ovelha que pastas a meu lado… Estou grato pelos encontrões, pelas pisadas e safanões que me destes… Vêm de negras ovelhas Ou de lobos traiçoeiros, disfarçados de carneiros e armados com tesouras! Tesouras que cortam e ensinam... São as melhores professoras, as facas e tesouras! Cortam lã e agasalho, mas dão calo e sabedoria pra tosquiar o que escurece: As cinzentas ou negras, as que não dão leite ao pastor nem aconchego à ovelha do lado… E aprendi... A dar leite como o pastor ensinou e fugir da faca que o lobo espetou... Sou ovelha com lã de aço, cascos refinados, lábios mais calados… Quero pastar em campos de altos muros, Onde lobos ficam de fora, tesouras não cortam e facas não espetam... Sou ovelha solitária… Sangro onde as bandarilhas dos lobos toureiros espetaram... Mas não morri, renasci... Esperando pela ovelha branca Para lhe apontar o melhor pasto… Até este acabar...

⁠Casamento no trilho certo ou errado? Vós, unidos, ou por Cristo emparelhados, De membros inquietos, coxas tremidas,
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⁠Casamento no trilho certo ou errado? Vós, unidos, ou por Cristo emparelhados, De membros inquietos, coxas tremidas, Com sedes, febres, fomes de pecados, Em ganas e vontades enfurecidas, Quereis céus abertos ou enublados, Âncoras ou bonanças fingidas? Que legados, por que caminhos Ides vós, juntos ou sozinhos? Com ajuda escusada ou pedida, Gritando ou em amena cavaqueira, Lúcida conversa ou incontida, Como ides vós, de que maneira, Ganhar do casamento, a corrida? Salvar o que resta da fogueira, Se é que tal esforço vale a pena Por grande chama ou pequena. Que fado no altar foi entoado? Qual a sina, romaria ou destino? Ides vós no trilho certo ou errado, Bom ou mau rumo ao céu divino? Será o negro, verde ou dourado, O amanhã que dele imagino Ter a cor mais prudente, Do casamento, a transparente!

⁠Liberdade a pedir e nada poder! Da liberdade tão afastadas: Esmeraldas em fortes gaiolas;
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⁠Liberdade a pedir e nada poder! Da liberdade tão afastadas: Esmeraldas em fortes gaiolas; Zebras em jaulas pintadas; Caixas com caladas violas; Atrás de grades, mãos atadas E coelhos em apertadas cartolas... Querer voar, cantar, ter ou ser, Querer sorrir, pedir, e nada poder! Pequena ou grande liberdade, Pesada ou leve solidão? Agitado carrossel é calamidade, Sossegado passeio é servidão. Do desapego à saudade, Entre devaneio e razão, Qual o sabor da plenitude? Doce deserto ou multidão rude? Que venturas quereis colorir Do que não se vê ou espera? Cego que tudo vê florir, Que do Inverno vê Primavera, Que à liberdade pode sorrir, É, qual sol sorri à quimera, Partida para uma viagem De branca tela e bagagem!