Frase de Luis Mateus
O meu jardim Borboleta, que em tão negro jardim queres entrar, que me queres trazer flores ou espinhos, não tragas e não entres... Fica à porta, espreita o que está à tua frente. Consegues ver, porque lá dentro estão velas. As acesas, rezam por amores acabados, as apagadas, por calvários que nunca foram amores. Diante dos teus olhos estão mármores frios e negros. Se reparares com atenção, em cima desses mármores, estão fotografias. São fotografias de pessoas, a quem aos meus filhos direi, que eram amigos, porque foi com eles que passei os melhores anos da minha vida. À tua direita, a terra é estéril. As flores que vês, vestidas de negro, não são flores! São de pedra. Ali jazem fracassos em forma de mágoas, mentiras, traições e abandonos. À esquerda, ervas daninhas. Coroas de flores, por tudo o que foi em vão, por sorrisos e lágrimas, alegrias e tristezas, noites inesquecíveis, noites de espera agoniante, cartas e fotografias que se queimaram, ouro que se vendeu, bens que se perderam, recomeços extasiantes, tropeços estúpidos e sonhos que não se tornaram realidade. Ao fundo, está um pedaço de terra. Só tem uma linda flor. Só tenho essa. É para a trocar pelo resto da minha vida, por companheirismo, amor e amizade, tudo junto! Por tudo isto, borboleta, se vieres só de passagem, não abras a porta do meu jardim! Mas se vieres para ficar, se estrelas e constelações quiseres enfrentar, se tratares o meu jardim como eu tratarei o teu, entra, porque estive a vida inteira à tua espera!
No pensador.ai desde