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Frases de Luciano Spagnol - Poeta mineiro do cerrado

757 frases

Minha terra, richiamo Ah! Quem há de gabar, recordação impotente e escrava O que o presente diz, o que a saudade escreve?
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Minha terra, richiamo Ah! Quem há de gabar, recordação impotente e escrava O que o presente diz, o que a saudade escreve? - Cutucas, sangras, pregadas nas lembranças, e, em breve Olhas, desfeito em espanto, o que te encantava... Passou, andou, e é num veloz turbilhão, a ilusão forjava; Ilusões. Um dia na inocência, hoje já não mais serve, A forma, e a realidade espessa, a lembrança leve, De pureza, canduras, numa quimera que voava... Quem a prosa achará pra poetar o conteúdo? Ai! Quem há de falar as saudades infinitas Do ontem? e as ruas que omitem e agiganta? E o suspiro muda! e o olhar surdo! o andar mudo! E as poesias de outrora que nunca foram ditas? Se calam nas recordações, e morrem na garganta... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 20 de janeiro, 2019 Araguari, Triângulo Mineiro. Paráfrase Olavo Bilac

IMMAGINAZIONE Eu queria uma sumarenta poesia Que as rimas dessem paladar e analogia
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IMMAGINAZIONE Eu queria uma sumarenta poesia Que as rimas dessem paladar e analogia Aos aromas do fruto maduro do amor Onde todos degustassem com prazer e sabor O universo do vário gosto de cada verso Do poema, carcomendo sentimento diverso © Luciano Spagnol poeta do cerrado Janeiro de 2016 Cerrado goiano

A RUA Não era itinerário nem outra nova direção Suspiros! Calor no cerrado. Lembrança
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A RUA Não era itinerário nem outra nova direção Suspiros! Calor no cerrado. Lembrança Aqui havia uma rua, casa em demolição O tempo era maior. A nostalgia uma lança Tantos são os mortos na minha indagação O tempo roendo a recordação, em dança! E nas casas, impregnada de tenra poesia A saudade, e não mais havia vizinhança Tudo em ruína, mais nada dizia... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, dezembro Cerrado mineiro

UMA ROSA Uma rosa é uma rosa De uma beleza caprichosa
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UMA ROSA Uma rosa é uma rosa De uma beleza caprichosa De um perfume em prosa É comunhão, é jóia preciosa Uma rosa faz sedução Em ramalhete e ou botão É fecho para o coração Dengosa, alicia a emoção Tão fugaz em sua real vida A rosa flor se faz em despedida Majestosa, torna-se flor despida Uma rosa sempre uma rosa. Garrida! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2014, fevereiro Cerrado goiano

ALVORADA CHUVOSA Fulge em nebuloso dia, o cerrado. O céu delira As nuvens rugem, chora chuva rojando ao chão
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ALVORADA CHUVOSA Fulge em nebuloso dia, o cerrado. O céu delira As nuvens rugem, chora chuva rojando ao chão Há torrentes de pujança, suprema é a renovação De gota em gota, banham as folhas da sucupira Bulcões pintam a paisagem na sua vastidão O sol miúdo no horizonte quer arder em pira O bem ti vi na carnaúba saúda com a sua lira A alvorada, raiando a vida em doce gratidão E o vento emborcando os galhos da paineira Rolam no ar, andorinhas, gritam as maritacas Clangorrando... - e avigora o sertão molhado Novembro, é o mês das chuvaradas primeira No tropel alinhado das barulhentas curicacas Em cinza, em glória, o céu chuvoso no cerrado... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Novembro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

NATAL, CHEGOU! Ah! Natal, soam sinos na noite iluminada Ecoam cânticos vivos de cândida poesia
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NATAL, CHEGOU! Ah! Natal, soam sinos na noite iluminada Ecoam cânticos vivos de cândida poesia E toda a vida palpita em festa, em alegria Na modesta estrebaria, de divina morada Sobre a palha, sem rendas, ou dourada Seda, o Menino Deus, nasceu de Maria E dos pobres, oferendas, numa romaria Entre os animais, singeleza, mais nada! Não nasceu entre pombas reluzentes Presentes os humildes e a paz do luar Cheio de graça, nume dos diferentes Jesus nasceu! pra nós ensinar a amar Sobem os hinos de louvores torrentes Foi para os pobres seu primeiro olhar... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Novembro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

PAIXÕES Amores, latejo em ti, nas saudades, por onde Estive! e sou estórias, e rasto, e madrugadas
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PAIXÕES Amores, latejo em ti, nas saudades, por onde Estive! e sou estórias, e rasto, e madrugadas E, em recordações, o meu coração responde Num clamor tal ao vendaval e folhas levadas Daqui do cerrado, e teus cipós, e tua fronde Gorjeiam as melodias, e desenham estradas Na memória, onde, além, o passado esconde Da pressa, e as doces perfumadas alvoradas Recordo, choro em pranto, eram dias felizes No prazer, tal uma flor, de ti, pimpo e exulto E eu, suspirando, poeto loas com cicatrizes Tu golpeada e finda, - e eu fremirei sepulto: E o meu silêncio cravado, em vão, tal raízes Se estorcerão em dor, penando sem indulto. © Luciano Spagnol poeta do cerrado Novembro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

Nostalgia Como quisesse amado ser, deixando O coração sonhador, espaço em fora
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Nostalgia Como quisesse amado ser, deixando O coração sonhador, espaço em fora A paixão, sem olhares e sem demora Vestir tua quimera e partir em bando Excêntrico senso, tonto, malversando O tempo e a hora, sem valia: e, agora Que passou, sente a solidão, e chora E implora, a aura antiga recordando... E, o agrado rebelando compungido Atrás, volta carente de convivência Do abraço com calor e de amante E assim, nos versos andei perdido - Já! pranteio a dor em reverência Murmurando o amor daqui distante © Luciano Spagnol poeta do cerrado Novembro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

VERSOS TATUADOS Corpo do soneto, em versos tatuados A poesia em delírio, e a mão a poetar
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VERSOS TATUADOS Corpo do soneto, em versos tatuados A poesia em delírio, e a mão a poetar Impulso que pulsa, sonhos sonhados E vida, em cada estrofe o vário estar: Do beijo, do laço, desejos desejados A fé ao nosso lado ajoelhada no altar Ah! e o amor nos corações acordados Em perfumes que nos fazem embalar A inspiração: - messe e dádiva, tributo Pra alma, semeando e colhendo fruto Hóstia da ideia em purgação. Pensar! E assim, saudades: - dolorosa rama Que pelos versos, chora e derrama: Quimeras e sorte, na pele a versejar! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, novembro Cerrado goiano

QUEIRA Olha-me! O teu amor sincero, venerando Entra-me o peito, como uma doce razão
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QUEIRA Olha-me! O teu amor sincero, venerando Entra-me o peito, como uma doce razão De brando e suave, sentimento, entrando No meu viver, fazendo laços no coração Fale-me! Só de amor e de amor, quando Falas, deixando cálidos tino na emoção E aos toques, carícias, no tocar radiando O bem nobre que só traz pródiga afeição Olhe-me! Fale-me então! Multiplicando Sempre, sempre com ternura galanteia Agora, agora com o cuidado que cintila E enquanto me flamejas de ti, forjando Em seu fulgor, o sabor da carícia cheia Queira! o cortês amor que d’alma destila © Luciano Spagnol poeta do cerrado Novembro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

ANDOU Como quisesse alegre ser, deixando O queixume rotativo, zunindo a hora
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ANDOU Como quisesse alegre ser, deixando O queixume rotativo, zunindo a hora O tédio, ao bafejo sequioso da aurora Do cerrado, dentro de ti, comandando Estranho querer, no peito te cortando: Melancolia, silêncio, a paz indo a fora Que te cala, maltrata e também chora E chora... saudades então recordando E logo, uma imaginação, compungida Te perseguindo, surge como senhora Dos teus sonhos, torturando a razão Assim queixosa minha alma perdida Andei largo instante, sem ir embora E agora, o tempo antigo, é oposição! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 11, novembro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

NO TEMPO Sou o eu que marcha, que andeja Princípio, sou fim, poesia agarrida
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NO TEMPO Sou o eu que marcha, que andeja Princípio, sou fim, poesia agarrida Levo o plural: a tristura e a peleja As vaidades, e os alardes da vida O tempo passa, repassa, ou seja Corre, e nesta ventura, a medida Pra cada hora: a fé, assim esteja Os anos no muito na sua torcida Vou levando acertos e os danos Vou levando o tudo e o instante O amanhã a extensão dos anos Ninguém pode evitar o talvez Assim, que tudo seja vibrante E o amor, o primordial da vez!!! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Novembro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

A MOCIDADE A mocidade é tal qual a flor do ipê Vigorosa, e na secura resplandece
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A MOCIDADE A mocidade é tal qual a flor do ipê Vigorosa, e na secura resplandece Tudo pode, é formosa, sonha e crê E suas inquietudes não lhe apetece É a idade da beleza a sua mercê: O presente não lhe traz estresse E o futuro pouco ou de nada vê O que lhe importa é a tua messe Ousada, domina e brilha ao vento Na desventura tem nenhum receio Pois, é facilmente o esquecimento Porém, o senhor tempo, tão voraz Qual a flor do ipê, de frágil esteio Cai ao chão, de um destino fugaz © Luciano Spagnol poeta do cerrado Novembro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

CONTRIÇÃO (soneto) Às vezes, uma saudade me silencia Nesta solidão e um vazio que ando.
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CONTRIÇÃO (soneto) Às vezes, uma saudade me silencia Nesta solidão e um vazio que ando. Sofro e cismo, no cerrado, quando As lembranças do mar são teimosia Dores e saudades sufoquei calando Desespera!... uma explosão, todavia Ah! Como eu quisera, uma outra via Porém, sorte, é fator não um mando Percebo que naufraguei na solitude Revolto, neste princípio de velhice Choro e rio, brado, farsa ou atitude As venturas que não tive por asnice Meu remorso, o que viver não pude E os amores, o amor que não disse! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, novembro Cerrado goiano Olavobilaquiando

OUVIR POESIA Ora (direis) ouvir poesias! Exato, Loucura! E vos direi, no entanto,
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OUVIR POESIA Ora (direis) ouvir poesias! Exato, Loucura! E vos direi, no entanto, Que, da alegria ou de um pranto Está lá, falante, no seu abstrato E dialogamos vário, sem espanto Porquanto, eu e ela um só retrato Cintilante. Cheio de enigma e fato Porém, em cada estrofe o encanto Direis agora: tresloucado caro! Que falas com poesia? Que razão Tem o que indaga, neste amparo? Aí vos direi: - amai pra entendê-las Pois só quem ama pode ter emoção E assim tagarelar-lhe sob as estrelas... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 08/11/2018, 05’30” Cerrado goiano Olavobilaquiando

ASSOMBRAÇÃO Tenho uma solidão, tapera sombria Assombrada, de sonhos penitentes
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ASSOMBRAÇÃO Tenho uma solidão, tapera sombria Assombrada, de sonhos penitentes Onde anda a ilusão tristonha e fria Na saudade, poetando os ausentes E no vazio, a alma sem doce poesia Tal paz duma sepultura, os poentes Sois, num entardecer de melancolia Tatalam as mãos, olhar e os dentes No silêncio o ranger da imaginação Pelos cantos os vultos em prantos Das lembranças, tal qual fiel serva Que invadem as órbitas da emoção Soturnos fantasmas e, quebrantos Segregando o espírito na tênia treva © Luciano Spagnol poeta do cerrado Novembro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

SONETO EM MARCHA O tempo lá se vai, em debandada Por um tropel veloz e, tão diverso
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SONETO EM MARCHA O tempo lá se vai, em debandada Por um tropel veloz e, tão diverso Os segundos no minuto submerso E a hora em tanta década passada E no que parece um conto de fada O destino, tão acirrado e perverso Com o seu bronco verso e reverso Avança... com a inexorável jornada Sobra a saudade, de um momento Aquele que é o hercúleo ao poeta A quimera, lembrança, o contento Mas dentre tantas, varia é a meta No amor, e o amor um juramento Versando vida, e o saber profeta... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Novembro, 03, de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

RESPOSTAS NO AMOR Amo... vejo envasado em nobre sentimento Todo o meu ser em fulgor, a alma em união
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RESPOSTAS NO AMOR Amo... vejo envasado em nobre sentimento Todo o meu ser em fulgor, a alma em união Contempla-me a glória, inteireza na emoção Ame! - E deixe o mal com o seu sofrimento! Sofro... quando me encontro em desilusão De espinhos, arranhão, então fique atento O desdém que humilha, não há argumento Pois, o contento, se deixa levar pela paixão Se tem irrisão, perdoe, o perdão é prece Árduo é o caminho, e perverso a injúria E ter um bom alívio é o que se esquece Amor... amar... amo, trova dum profeta Ao coração enriquece, sem ser luxúria A eterna inspiração do ser, de ser poeta! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, outubro Cerrado goiano Olavobilaquiando

A ALVORADA DO DIA Vê-se no cerrado; e vê, pela janela A beleza diversa na vida vespertina
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A ALVORADA DO DIA Vê-se no cerrado; e vê, pela janela A beleza diversa na vida vespertina Casto, nasce o sol. A noite termina Outro raiar, luzidio, e a magia trela; Outro espanto, no apreciar revela Encanto feroz que a alma morfina Presenteia-lhe o dia, prova Divina Mais que seduçāo, ato de ser bela! Fios dourados... Ouro... composto Enche-a de luz, para despertá-la No surgir que aí vem... Só dá gosto A surpresa, na admiração enleada Altiva, e a cintilar, no atônito rosto Os primeiros raios da rútila alvorada... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Final outubro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

CREPÚSCULO NO CERRADO Na tarde do cerrado, rubra o horizonte Pulsa, nos arbustos de galhos tortuosos
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CREPÚSCULO NO CERRADO Na tarde do cerrado, rubra o horizonte Pulsa, nos arbustos de galhos tortuosos O fim do dia. Em cheiros tão saborosos No crepúsculo tropical, de poética fonte Tudo, entre rútilos, vermelhes fragosos Raspando a luz no seu total desmonte Gerando sombras e enigmática ponte No breu, vozeando coros lamentosos A lua, se apresenta com seu alvo manto Cercada no céu por um véu de casimira Desenhando o anoitecer com ternura... Dentre todas as criaturas, meu espanto Por tão dadivoso encanto, que se expira No fugaz beijo, inicia a noite, tão escura. © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

VELHO GOIÁS Olha os ipês no cerrado, mais belos Do que as da estação da chuvarada
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VELHO GOIÁS Olha os ipês no cerrado, mais belos Do que as da estação da chuvarada Tão antigos, tanto mais belos, nada mais magnificante... e tão singelos! Os brancos, os rosas e os amarelos Nos galhos, a cantiga da passarada E o frágil das flores no chão arriada É o velho Goiás nos seus paralelos Toca o berrante, boiadeiro e boiada Carro de boi, os seus causos e viola Assim, assim vão todos pela estrada No suor da terra a mão do capataz Cidade grande e também a aldeola É o espírito do chão do velho Goiás... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018 Cerrado goiano