Minha terra, richiamo Ah! Quem há de gabar, recordação impotente e escrava O que o presente diz, o que a saudade escreve?
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Minha terra, richiamo Ah! Quem há de gabar, recordação impotente e escrava O que o presente diz, o que a saudade escreve? - Cutucas, sangras, pregadas nas lembranças, e, em breve Olhas, desfeito em espanto, o que te encantava... Passou, andou, e é num veloz turbilhão, a ilusão forjava; Ilusões. Um dia na inocência, hoje já não mais serve, A forma, e a realidade espessa, a lembrança leve, De pureza, canduras, numa quimera que voava... Quem a prosa achará pra poetar o conteúdo? Ai! Quem há de falar as saudades infinitas Do ontem? e as ruas que omitem e agiganta? E o suspiro muda! e o olhar surdo! o andar mudo! E as poesias de outrora que nunca foram ditas? Se calam nas recordações, e morrem na garganta... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 20 de janeiro, 2019 Araguari, Triângulo Mineiro. Paráfrase Olavo Bilac