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Frases de João Batista do Lago

87 frases

DÉCIMO TERCEIRO HEXÁSTICO não bastais com incompetência até quando há de sangrar
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DÉCIMO TERCEIRO HEXÁSTICO não bastais com incompetência até quando há de sangrar a miserável paciência manada rum’ao precipício metadestino imanente glória do rei concupiscente

FILOSOFIA DO AMOR De João Batista do Lago O amor esse desdouro
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FILOSOFIA DO AMOR De João Batista do Lago O amor esse desdouro inquietante e avassalador banha o corpo de torpor e a alma sangra no matadouro e o sangue escorre pelo ralo das veias enrijecendo o corpo inteiro e grudando-o na cruz do madeiro O amor, meu amor, não é brincadeira Ele está sempre à frente e também na traseira, fica do lado direito, mas também no lado esquerdo muitas vezes ele chora outras tantas desespera muitas vezes vai embora outras tantas fica e implora Esse maldito do amor que ninguém sabe onde nasce nem quando trucida os amantes incautos enganando-os com a paixão e dos imprudentes brinca e troça faz quermesse na jugular das emoções onde leiloa beijos e carícias vãs Ah, esse sujeito vagabundo que faz juras em desmedida profusão prosta os amantes querelantes debilita a palavra sussurro derruba o abraço mais profundo humilha o beijo com o escarro e subjuga o gozo na raiva do presente Enfim, ó tu louco e eterno amor que vagueia sensações despudoradas és o príncipe do desconhecido a quem se busca em vidas desesperadas alcançar a sinfonia do perfeito verbo onde pretendemos abrigar os corações escarlates de vidas de humanos carentes

Eu e minh’alma De João Batista do Lago Aqui, diante um do outro,
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Eu e minh’alma De João Batista do Lago Aqui, diante um do outro, eu e minh'alma nos olhamos ‒ com olhares narcísicos. Acima de nós um espírito que nos contempla admirado e intrigado e esperando o primeiro verbo… Quem, diante de nós falará a palavra inicial – ou terminal! ‒ num afeto magistral de dois entes que se amam, mas se destroem ao mesmo tempo, na nave que nos segreda a milionésima parte dos nossos átomos que nos tornam unos e indiferenciados? A fogueira do tempo queima-nos diante da divinal espiral que nos empurra para cima fazendo com que dancemos os enigmáticos sons que nos saem dos mais profundos átomos que nos enfeixam de vida e morte, como se vida e morte existissem! Eu diante da minh'alma sou eu e minh'alma. Sou único… sou uno! Sou apenas alma. Sou apena eu. Somos o átomo universal na cadeia infinita do universo que nos produz como carnes e verbos oferecidos aos lobos que se nos desejam alimentar. Ó grande espírito que nos espreita, se nós – eu e minh'alma – tivermos que furtar o fogo para ajudar a toda humanidade a superar seus atributos infernais, assim o faremos. Em nós – eu e minh'alma – não há sentimentos de pudicas verdades… O universo é o espaço e o tempo que precisamos para gerar nos ventres cosmológicos os sãos sujeitos de nós mesmos: a trindade agora é perfeita… é única… é una – eu, minh'alma e tu, ó grande espírito! Entendido pois está o mistério: Somos tão somente o verbo atômico universal.

ABORTAMENTO De João Batista do Lago Quando eu morri, um deus qualquer me pariu!
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ABORTAMENTO De João Batista do Lago Quando eu morri, um deus qualquer me pariu! Na casa onde parido fui havia duas dimensões: primeira delas o ventre-rio solitário e escuro; na segunda parição tive por casa o mundo, e sem me cortarem o cordão umbilical vadiei pelos aposentos ‒ já ali sujeito obscuro! Na primeira casa naveguei todos os sonhos. Na segunda casa fui jogado para “Outros” monstros: qual casa, então, devera seguir!? Hoje percebo a casa que me é original: hei-me aqui parido como filho primogênito, expurgado para sempre para a mundidade do mundo. Nenhuma outra casa existira; fora tudo ilusão Sou-me de mim a única casa repleta de eus Todos os meus aposentos revelam-se: meu Corpo

OPULÊNCIA DA VELHA SENHORA De João Batista do Lago São Luis – essa Velha Senhora! ‒
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OPULÊNCIA DA VELHA SENHORA De João Batista do Lago São Luis – essa Velha Senhora! ‒ Quanta opulência ainda te mora Segredada em teus casarios Nas tuas ruas estreitas… sombrias Em tuas pedras de cantarias Nos becos de todos os Desterros: Sombras que tatuam teu presente! Teus poetas sequer desconfiam Do mal luso em ti segredado Desconhecem as tuas patranhas Amam-te ‒ todos! ‒ enganados Porém ‒ eu ‒ sei das artimanhas: Teu altruismo de vãs veleidades É “Quimera” colonial Cantamos os teus azulejos Declamamos as tuas sacadas Nos extasiamos com telhados Pintamos de orgulho toda Ilha Porém não temos sentimento Para enxergar toda obviedade: Índios e negros marginais da cidade O ‘fausto’ da Velha Senhora Expande-se à Caxias e Alcântara Onde também se cantam versos Da nobiliarquia maranhense Onde suas gentes nobilíssimas São almas per se condenadas Por algozes do algodão e arroz Do estratagema dominante Monta-se a treta arrogante Miscigenam-se as nacionais Com filhos de comerciantes Garantia do futuro ufano De escravagistas sociais Casta de senhores feudais É dessa casta que aparece o Estupro da preta escrava Nos casarios e nas senzalas Sob o manto desses silêncios Relicários da velha igreja Estuprada pelo vintém Perdoará pecado senhorio É desse caráter social De fonte lusitana tosca o Genocídio do povo indígena Ainda hoje aqui perpetrado Pelo lusitano esquálido Que se imagina proprietário Da nação timbira sem terra A Velha Senhora impávida Desfilava só sua opulência Sobre as pedras de cantaria Sua carruagem sempre rangia No lombo negro que sofria A mesma desgraçada sorte De um Souzândrade ameríndio Atenas fez-se por encanto Pensando ser toda sua glória Esparta faz-se na história Ainda hoje na sua memória Retém os grilhões dos infantes Almas penadas que vergastam Ruas e becos da Velha Senhora Índios… negros ‒ sempre! ‒ excluídos Remetem a uma não Paideia Mesmo que a opulência planteia No imaginário dum só poeta Por certo haverá miséria na Opulenta Ática timbira Amo-te ‒ Ó Velha Senhora! ‒ E quanto mais amante sou Te quero livrar dos pecados Dar-te o fogo dos numinosos Ver-te livre das injustiças Saber-te mãe eterna: virtude Plena de toda alteridade

AS FLORES DO MAL De João Batista do Lago Vago-me como “Coisa” plena
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AS FLORES DO MAL De João Batista do Lago Vago-me como “Coisa” plena pelo labirindo que me cidadeia meus passos são versos inacabados há sempre uma pedra no meio do caminho: tropeços disruptivos que me quedam na dupla face das estradas espelhos imbricados na memória experencial dos meus tempos Vago-me como “Mercadoria” plena atuando no teatro citadino a comédia trágica dos atos que não findam um “Severino” ou um “Werther” autoassassinos transeuntes de suas identidades perdidas pelas ruas das cidades onde me junto e me moro nos antros cosmológicos de experiências e memórias Vago-me como o “Amor” sempre punido tonto e perdido no meio da sociedade donde me alimento do escarro possível onde “sujeitos” sem experiência e sem memória negociam os amores vendidos na fauna de “humanos” prostitutos segredados nos prostíbulos das igrejas: lavouras de todas as flores do mal

INFANTICÍDIO De João Batista do Lago Minha barriga está cheia!
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INFANTICÍDIO De João Batista do Lago Minha barriga está cheia! Preciso urgentemente defecar as tradições que degluti e que me foram impostas pelas tradições de todos poderes… Estou empanzinado! Necessito cagar velhos poemas não posso deixá-los crescer: se os parir como alimentos serei algoz; cometerei infanticídio

NECROFILIA De João Batista do Lago E esta carne que se me apodrece
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NECROFILIA De João Batista do Lago E esta carne que se me apodrece a alma, o espírito e os ossos, que fará de mim? ‒ Me danará pó na consciência de todos os condenados de miserável sorte!? ‒ Terei então dado a resposta do que sou: antropoema nascido da vagina do universo, sacrário que me guardará no ventre do meu eterno retorno do mesmo; Serei, então, o épico do humano na minha própria comsmogenia enterrado no sarcófago da minh’alma errante e vagabunda.

QUERENDO PELA VIDA TE QUERER De João Batista do Lago No meu coração
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QUERENDO PELA VIDA TE QUERER De João Batista do Lago No meu coração Há um mundo de paixão Guardado só pra você Querendo pela vida te querer Viajar contigo as emoções Entre versos e canções No meu coração Há um campo vasto de ternuras Sensato, sublime e puro Capaz de suportar todas as dores E assim alcançar teu porto seguro Contigo viver instantes de amores No meu coração Há um jardim de flores Pronto para o aconchego Ao raiar de cada dia Fazer do meu coração Tua eterna moradia