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Frases de João Batista do Lago

87 frases

Se querem mesmo saber: eu estou cansado desses poetas ditos sagrados, em verdade são uns desgraçados da sorte; são o caldo cultural de uma indústria poético-literária, que têm nos seus livros a exploração póstuma desses escribas que deveriam está definitivamente enterrados.
JOÃO BATISTA DO LAGO Nasceu em 24 de junho de 1950, em Itapecuru Mirim, Maranhão. Se considera um poeta “surracionalista”
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JOÃO BATISTA DO LAGO Nasceu em 24 de junho de 1950, em Itapecuru Mirim, Maranhão. Se considera um poeta “surracionalista” (palavra cunhada pelo filósofo Gaston Bachelard), ou seja, “tal qual no surrealismo utilizo as palavras como objeto para alcançar o objetivo de uma ‘experienciação’ para uma nova realidade experimental, sacando-a do campo da simples epistemologia e introduzindo-a no campo daontologia pura; (...) isso sugere a desverbalização da palavra em si, de si e para si, o que significa a desconstrução do discurso da palavra ou do texto homófono, para constituí-lo e fixá-lo como ‘sujeito’ do discurso substancial, real e concreto”. Outra paixão: o jornalismo - profissão exercida há mais de 30 anos

Autocídio morro-me a cada instante da desesperada dor da fome
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Autocídio morro-me a cada instante da desesperada dor da fome morro-me em cada semblante que se consome no desesperado desabrigo morro-me nos olhos da criança abandonada morro-me na juventude drogada morro-me no pai sem trabalho morro-me no filho sem atalho morro-me na mãe que se morre na família morro-me na falta da floresta morro-me quando se morre o lago, o riacho, o rio e o mar morro-me, enfim, quando Pandora morre-se (...e de tanto me morrer a cada instante morro-me na palavra que se morre!)

FANTASIAS (Para uma amiga muito especial) Ó fantasias que escondem
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FANTASIAS (Para uma amiga muito especial) Ó fantasias que escondem minh'alma pura, que me revelam diante do meu eu-espelho, que me segredam toda impura no sacrário de um altar jamais revelado: hóstia de essência imaculada, refém da mandala sagrada. Sei! Sou fiel depositária do sonho desvelado, do gozo nunca sentido, da esperança macabra do falo que não fala a linguagem do meu corpo em brasa, corpo que se arrasta entre os lençóis da casa e que voa nas fantasias d’uma ave sem asas.

PENSAMENTOS HÍBRIDOS De João Batista do Lago *****
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PENSAMENTOS HÍBRIDOS De João Batista do Lago ***** A democracia, quando luta de todos, é expressão do absoluto político; mas, quando luta de partidos, é absoluta expressão da miséria humana (João Batista do Lago) Não preciso da tutela de quaisquer heróis da mundidade do mundo; meu herói é poema, nele está toda verdade (João Batista do Lago) Toda Alma sem Espírito é zumbi na seara das cidades sem alma; sem espírito (João Batista do Lago) Eleição é rota para união de todos; o eleito terá que ter todos em-si (João Batista do Lago) Imiscuir-se em Política não é intromissão; é missão do cidadão consciente que busca a verdade “sui” (João Batista do Lago) Necessário nascer-se a cada morte inconsciente: morra-se diariamente; nasça todos os dias – a morte nada mais é que o nascer-se consciente. (João Batista do Lago) Sê dono da tua vontade; ela é toda verdade que nasce em ti. Mas se tiveres dúvidas, para. Não continues para que não te enganes com falsos caminhos. A verdade é labirinto: nela há muitas trilhas e passagens, mas deves procurar a ponte para a saída, que é única (João Batista do Lago) Vês aquela Igreja… aquela escola… aquele palacete! Onde se encontram os seus construtores? Onde eles habitam agora? Por ventura conheces algum? Te ocorreu procurar por eles? Então não o tomes por ignorantes; tampouco o incomodes com a tua ignorância… (João Batista do Lago)

AUTORRETORNO Eis um póstumo chegando aos esgotos do paraíso para viver sua eternidade! “Recevez en retour cet être qui est votre création.” – assim falei para um barbudo
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AUTORRETORNO Eis um póstumo chegando aos esgotos do paraíso para viver sua eternidade! “Recevez en retour cet être qui est votre création.” – assim falei para um barbudo sisudo sentado sobre uma nuvem de merdas… Claro! Descarreguei minha raiva porque não queria estar ali naquela situação idiotizada, diante duma besta que me pretendia julgar pelos feitos – bons e maus – duma vida que só queria que fosse minha. O canalha divinizado ouviu-me impassível como se Deus fora! Olhou-me e descarregou uma gargalhada celestial – mas demoníaca! Pasmo fiquei diante daquela insanidade divinal, de miserável sabedoria. Afinal, quem pensara ele fosse para me dar – a mim – aquele tratamento!? Porventura, não sabia aquele idiota – que tudo sabe! – ser-me um poeta!? Imaginei-me estar diante do meu outro Demiurgo – tão criador!… tão criatura!… E logo percebi que aquele demônio era pura e tão somente uma ilusão! Merda suculenta nos esgotos das veias da Hybris de nossas criaturas.

POEMA É TODA LIBERDADE De João Batista do Lago Há novos sofistas por aí!...
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POEMA É TODA LIBERDADE De João Batista do Lago Há novos sofistas por aí!... Preceptores de falsas imagens Formando coros de aedos, Papagaios de falsas mensagens. Sujeitam o poema aos grilhões Dum isotropismo arcaico e rude, Forjando a palavra como ferradura, Ofertando ao intelecto como moldura. Aos tolos imprimem valor denotativo E cravam no coração do imaginário A mentira como princípio ativo: A metáfora como essência do poema! Ainda que prostrado no chão diz o poema: “‒ A essência que me há é toda liberdade de imaginação.”.

À BEIRA DO CAIS De João Batista do Lago O velhinho sentado à beira do cais
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À BEIRA DO CAIS De João Batista do Lago O velhinho sentado à beira do cais é silêncio puro num final de tarde febril no ocaso de um dia de abril onde o sol não sorriu para os cabelos brancos feito asas de gaivotas soltos na imobilidade do vento Sento-me ao seu lado vazio... e calado... e mudo na prenhez do tempo e do espaço… Os meus cabelos ainda estão viçosos alinhados e sem quaisquer querelas com o vento estão nervosos e bem mais sofridos que aqueles cabelos brancos sustentados de experiências capazes de tudo falarem sem uma palavra sussurrar E eu tão jovem querendo auscultar o lamento que somente as ondas do mar ouvem caladas e correm como loucas para... para guardar na profundidade do seu mar profundo e eterno as minhas queixas... as minhas querelas... e todas as minhas mágoas guardadas na plenitude daqueles cabelos brancos feito asas de gaivotas famintas do peixe De repente o velhinho sentado à beira do cais levanta-se e sem me dizer uma palavra sem um adeus sumiu na plenitude do tempo e do espaço Fiquei só sentado à beira do cais...