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Frases de JOANA DE OVIEDO

341 frases

LINHO FINO A poesia é um eterno bordar em linho fino. O linho são os papeis,e a caneta a agulha
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LINHO FINO A poesia é um eterno bordar em linho fino. O linho são os papeis,e a caneta a agulha e a tinta as palavras. E bordaremos e bordaremos... Até que um dia alguém nos tome a agulha e a linha e os sonhos e a inspiração. .

VIVER É FATAL O que és tu vida? Alguém há de perguntar. E alguém haverá de responder que é um
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VIVER É FATAL O que és tu vida? Alguém há de perguntar. E alguém haverá de responder que é um amontoado de borboletas sugando as últimas gotículas de sangue do seu cadáver, enquanto outros seres putrefadores da cadeia alimentar aguardam sua vez para degustar o corpo que ora habitava sua alma. Alguns preferirão logo seus olhos para interromper-lhe a visualização... Para que não sofra com a própria destruição... Da essência ora existente. E as fezes expelidas nos dias quentes, e também se for noite fria. Isso é a vida... Os poros se abrindo e deixando derramar, bem devagar o suor que outrora, umidificava o corpo para não desidratar e agora... tudo explodindo... Implodindo! Enfim, é a vida... Fezes futuras para adubar a terra onde plantinhas nascerão sobre sua cabeça e lhe taparão os ouvidos e cobrirão sua boca para esconder o desejo das palavras que você preferiu não dizer. Viver é estar sempre em estágio terminal! Viver é fatal!

Eu sou Sou a estrela -do -mar ou o mar das estrelas.... A moça da torre, na janela vendo o domingo passar.
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Eu sou Sou a estrela -do -mar ou o mar das estrelas.... A moça da torre, na janela vendo o domingo passar. E quem será ela? E o domingo passa com as donzelas nuas nas ruas e com as feias em trajes ultrajes. Eu sou. E o que sou nunca vais saber. Eu sou sua gota sorvida às margens, as margens da vida, do seu próprio morrer. Eu sou a estrela -do- mar ou o mar das estrelas.

VOU DAR UM TEMPO E quando eu chorar Vou dar um tempo
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VOU DAR UM TEMPO E quando eu chorar Vou dar um tempo Um tempo de as lágrimas Secarem. Mas se for inverno E a chuva cair E as lágrimas não fugirem A terra vai alagar. Pode ser que ninguém vê Porque talvez a terra Esteja dentro de mim, de você. Ou que o barro seja nós! Pode ser que alguém se afogue Nesse barro da infinitude. Vou dar um tempo Quando eu chorar E pode ser que a terra esteja A me habitar, ou aí dentro de você. Se eu não der meu tempo Vou me afogar.

AMOR NO ESPELHO Eu me busquei em ti mas não encontrei,
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AMOR NO ESPELHO Eu me busquei em ti mas não encontrei, Pobre amor! pobre de ti! E assim como se olha em um velho espelho guardado. Tornaste meu desconhecido nem mesmo nos olhos, vi, a sombra de uma saudade. Oh, tamanha dor vivi, por se tratar como estranho o tempo dos versos escondidos. Preterido, então, meu amor... (Que fatalidade!) Guardas para ti o velho espelho: o tempo, para contemplar e os teus desvelos e o retrato de teus lamentos!

Flores de hera Por ti, na primavera Caminhei na chuva
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Flores de hera Por ti, na primavera Caminhei na chuva Em busca das flores de hera. Mas sobre ti me enganei... Tal qual a hera, que não produziu flores Nem mesmo no fim da primavera. Esse amor infértil Também nunca me ofereceu nada A não ser anoiteceres e madrugadas. Nunca sozinho um ninho fez para sua amada. Nem derramou pétalas sobre nossa cama desarrumada. Porém, tal qual as flores de hera! Nem um ramo me oferecia. e nunca, nunca, a mim, tentou ser primavera.

Fim Faltam-me palavras para o adeus. Eu sei... Nunca fui prioridade.
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Fim Faltam-me palavras para o adeus. Eu sei... Nunca fui prioridade. Mas sei o qto te amei. E a cada vez se distanciando vai, longe dos sussurros meus, pedindo que fique, e olhe nos olhos e não se torne em saudade, esse amor que foi só seu. Ouça, por favor, os meus ais! Oh, quanto me ferem os Abrolhos, quando tenho milhas a caminhar, chorando. Que fatalidade! Ou então fechar a cortina para não enxergar a direção... Se é o caminho do Sempre ou o de volta, regressando.

Música silente Postas mãos... brancas, taciturnas,
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Música silente Postas mãos... brancas, taciturnas, alvas feito Jasmim na primavera... Noturnas! Nenhum toque de gaita, à boca se desenhou. Era o fim... Porque a canção se cansou. Nenhum sopro... Nem tom. Borboletas azuis pousam na tela, voando dos pincéis, outrora em suas mãos, e agora, voam pelos ares em procissão... Tudo silente, emudeceu A canção se cansou e dentro da gaita se recolheu.

Tristeza de criança Criança, eu queria estar contigo nas ruas da sua infância. Correr os campos e jardins com flores.
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Tristeza de criança Criança, eu queria estar contigo nas ruas da sua infância. Correr os campos e jardins com flores. E dar-te os olores que a vida te negou. Queria trocar nossos sapatos, talvez gostasse mais dos meus. As minhas roupas (das sobras também), te daria. Mentiria... Por um sorriso de quem ganha um novo presente... E você nunca saberia que eu houvera trocado meu riso pelo teus tristes olhos, contentes!

PRINCESA DO ACASO Quisera eu , oh princesa do acaso!
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PRINCESA DO ACASO Quisera eu , oh princesa do acaso! Coroar-te com os mais Finos diamantes, tua tiara enfeitada de rendas e véus por sobre a fronte. Quisera depois, depois, oh realeza! deixar em tua última cama, um nobre ramalhete de flores exuberantes, os brancos jasmins a perfumar essa partida! Nesse momento em que não se tem guarida... Tudo é belo, mas triste! É... esse dia existe: A noiva fora encontrar seu amado, enquanto a tudo assistimos, consternados.

Maldito amor Maldita a hora em que te fiz "meu amor...
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Maldito amor Maldita a hora em que te fiz "meu amor... " Que lancei-te "flor" e no firmamento um canto desesperado e te marquei "O sempre" da minha pobre vida, mas que tornou esse canto, gemido da minha dor. Maldito! Maldito pecado onde minha alma sufoquei e quase a matei por ter -te tanto amado. Por isso Maldito serás, e pela eternidade por sobre minhas lágrimas, caminharas. Teu riso jamais terás por paraíso. Por que se um dia me amaste, tua dor terás por teu único resgate. Maldito amor!

O porvir Um dia estará com Ele no paraíso. Em seu vestido luminoso tal qual o céu.
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O porvir Um dia estará com Ele no paraíso. Em seu vestido luminoso tal qual o céu. E a coroa que o Rei lhe coroar, a fará chorar por lembrar das promessas e do tempo da sua dor. Vai sentir ter valido a pena, tudo ter sofrido, tudo ter chorado. E na mansão celestial , finalmente e para sempre, pousaras tuas pegadas, passo a passo na caminhada. E não mais a morte, e não mais contar com a sorte... Não mais o fim e não mais a dor. Agora já está com o Senhor, aquele que te prometeu um belo porvir é fiel para cumprir. E não mais a morte e não mais contar com essa maldita sorte.

ESCREVI-LHE POEMAS Escrevi-lhe poemas de amor E eram como recém-colhida flor a te oferecer...
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ESCREVI-LHE POEMAS Escrevi-lhe poemas de amor E eram como recém-colhida flor a te oferecer... Mas sem cuidado para reviver, Murchou ao sol por. Também, aos ventos, Rasgou-se a fina folha de papel onde todo meu sentimento escrevi, E assim, esses olhos, à noite, cerrou-se sob um véu de tristeza coberto, tal qual o rosto de quem findou-se. Meu poema foi tudo que te dei: A pérola que recriei: Essência da alma que a ti guardava, ofereci-te nas palavras toda minha pena com tinta dourada! Mas tal qual a flor e o amor, os poemas também fenecem na telúrica raiz das pétalas recém colhidas.

NOSSA CASA Nosso amor nasceu das notas do cantar da andorinha no galho seco da aroeira,
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NOSSA CASA Nosso amor nasceu das notas do cantar da andorinha no galho seco da aroeira, frente à casa velha... Era uma canção com notas qual fino linho e fita dourada nas mãos de uma criança. E daquela janela com nossos sonhos, olharíamos a chuva e a flor outonal nos campos a brotar, e o gado pastando, parecendo ruminar nossos pensamentos! E nós, as nossas memórias remoendo os sonhos envoltos em fino tecido, trazidos por um anjo: a andorinha que cantava no galho da aroeira defronte à casa velha! E nunca mais deixei de olhar pela janela, a flor do campo, tão amarela, e às vezes tão verde, e às vezes tão da cor da terra! Da cor do nada. 23/04/18

A SANIDADE DO AMOR São poemas... Nossas juras de amor,
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A SANIDADE DO AMOR São poemas... Nossas juras de amor, feitas no silêncio pelo olhar... São dilemas! As páginas ternas e eternas, marcados de um livro milenar. São poemas! A pena que desliza no papel, tentando compreender a saudade que paira no teu céu quando procuras nas estrelas, o meu olhar. São poemas... Essa insanidade das noites de insônias buscando a sanidade do amor.

O CALVÁRIO DE MARIA Não quero olhar... eu não vou olhar nos teus olhos agora.
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O CALVÁRIO DE MARIA Não quero olhar... eu não vou olhar nos teus olhos agora. Preciso me aquecer... É frio o vento lá fora! Aquecer a alma por não te esquecer. Eram tão ternos os olhos... Podia dizer-se olhos de Maria. E em ti como sombra de algo bem mais forte que luzia, Encantavas o próprio espelho que fitavas. Havia ternura... sonho... Sua luz própria! Centelha! Mas tudo na estrada se perdera, e em busca na caminhada... apenas e cada vez à frente, só mesmo o tempo fremente... a ternura, os sonhos e uma centelha a iluminar-te para o calvário.

Era ontem Ainda posso vê-la! Estava aqui agora há pouco...
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Era ontem Ainda posso vê-la! Estava aqui agora há pouco... Ainda ontem! Sumiu nas brumas. Ficou na lembrança tão próxima. Posso até estender as mãos e toca-la... Mas transformou-se em outra matéria que não se pode tocar com a minha. Era ontem... Eu ainda a vi tão perto! Mas houve uma tarde, noite, logo após. E, anoiteceu... Amanheceu... Anoiteceu!

AMOR NO PORÃO Se bem te conhecesse antes de te conhecer
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AMOR NO PORÃO Se bem te conhecesse antes de te conhecer Minha liberdade já estaria Presa no porão junto a ti. E tão logo adormecesses, Eu também estaria ali a te envolver E a envolver no sangue que te fiz sorver. Pagaria pela vida Mas não na vida. Ao amor que não me deu E que só te ofereci eu.

O RETRATO DA DOR Um marasmo foi o que restou. E o retrato da dor nos olhos arroxeados.
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O RETRATO DA DOR Um marasmo foi o que restou. E o retrato da dor nos olhos arroxeados. Tal qual um dia que não amanheceu E em seu breu trouxe à tona um corpo que tanto sonhou... Sonhou com o milagre da vida que nunca lhe dera tanto! Alem de prantos e feridas. E a cada dia que amanhecia Via no céu a poesia. E era tão linda de se ler! Mas nem mesmo interpretar podia. Sem tempo! Não podia! Seu tempo era pouco E a vida não esperaria, E se esperando tudo Passar... E passou. Até guardar seus sonhos como presente que não pudera usar naqueles olhos fechados, arroxeados.