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Frases de JOANA DE OVIEDO

341 frases

APRENDIZ DE SOLIDÃO Aprendi a ser só Aprendi seguir e ousar!
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APRENDIZ DE SOLIDÃO Aprendi a ser só Aprendi seguir e ousar! Percebi que para voar é deixar-me ser levado... Planar nos ventos sem suas asas. Vi o quanto posso... Eu, pássaro de rapina! Não perco na noite imensa ou curta. Aprendi a usar minha retina tal qual a azul luz da mira de um fuzil.

SEREIAS E PÉROLAS Foram as sereias que choraram as pérolas. Dentro das ostras tentou esconder seu pranto...
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SEREIAS E PÉROLAS Foram as sereias que choraram as pérolas. Dentro das ostras tentou esconder seu pranto... Musicando seu gemido em triste canto! E em cada ostra guardou segredos do fundo do mar. Foi de tanto chorar as sereias, que surgiram as pérolas: amarelas e negras, pequenas ou grandes... Talvez, somos sereias, construindo nossas pérolas em canto depois do desencanto.

VEM! Toca minha alma com os teus lábios ... e com os dedos perfura-me a epiderme,
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VEM! Toca minha alma com os teus lábios ... e com os dedos perfura-me a epiderme, e ultrapassa, fantasmagoricamente, a derme! Se não podes tocá-la nem com os olhos... Posso sentir os espinheiros, esses abrolhos. Sou a felina dos outeiros, que dança na selva e nos picadeiros, onde tudo se faz verdade. Até a ilusão da eterna felicidade. Vem! Toma meu corpo junto ao seu... Olha na janela já se faz breu! Por entre os montes os pingos regam a relva que nosso corpo um dia acolheu. Vem! Que o tempo passa... E se passa, não há como esticar o braço para, com sofreguidão, segurar, em desespero, o meu abraço. Vem alma minha, pois minha alma perde-se a calma, enquanto aninha-se em outros ninhos... Lembro-me o doce perfume, em agonia das longas noites sem seus carinhos. -Vem, toma meu corpo junto ao seu!

QUERO Quero ser o sonho que te faz bem... Que te faz dormir e sonhar.
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QUERO Quero ser o sonho que te faz bem... Que te faz dormir e sonhar. Eu quero ser sua poetisa a cantar as melodias mais profundas das sereias no fundo do mar. Deixa-me cantar! Sou também jardineira das flores E posso uma semente lançar... As sementes dos amores. E pintar um jardim tão perfeito Que não haverá outro jeito a não ser amar, amar, amar... Nas profundezas do mar, ou no mais simples leito.

CANÇÃO DO AMADO Era madrugada e ela dormia languidamente sobre o lençol de cetim.
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CANÇÃO DO AMADO Era madrugada e ela dormia languidamente sobre o lençol de cetim. Sonhou que havia alguém batendo à porta querendo entrar, havia barulhos de mãos na maçaneta. (Oh, quem seria àquela hora?!) Era o amado que a chamava para um passeio no jardim, e lhe trouxera cestas de figos, flores e perfumes... Mas ela estava cansada! A luminosidade do lençol de cetim a convidava, dizendo: - Não abra! É muito tarde! Eis que o amado saiu com frio e o corpo molhado d’orvalho, às ruas cobertas de folhagens e pétalas que a chuva fizera cair... Ao longe ainda ouviam-se os passos cansados do amado e um perfume de flor ficara na maçaneta. Sentiu saudades! Era dele o perfume. Saiu correndo descalça e com roupas de dormir. Havia homens maus nas ruas que a açoitara. Ela dizia: - Estou atrás do meu amado... Acaso não o vistes? Ainda há pouco quis estar comigo! Deixem-me ir! Mas os homens responderam com escárnio: - Você não tem amado algum! Se tivesse, o perfume dele estaria em seu corpo, porém, agora estará em nossas mãos, será prisioneira até que seu amado venha buscá-la! Pode dormir! Agora não mais sobre o lençol de cetim, mas na calçada suja, molhada. Corpo ferido, sonhando com o amado e com as flores que lhe deixara. (Reeleitura do Cap. 03 de Cantares de Salomão em forma de poesia.)

VERSO TRISTE Estou em luto, a poesia morreu. Morreu nas frágeis mãos de quem a escreveu.
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VERSO TRISTE Estou em luto, a poesia morreu. Morreu nas frágeis mãos de quem a escreveu. Porque o amor foi para longe, tais quais os monges que se fecham em antigas catedrais. E não voltará! Nunca! Nunca mais! É como a alma sem vestes na noite invernal... “Nu eu vim do pó e a ele regressarei.” Sem tema de amor, histórias de rainha ou rei. E partirei... Cantando ou chorando os versos que compus para o amor... O amor que se perdeu e amei tanto! Mas minha alma purificada, deixará no chão as folhas orvalhadas de versos tristes, rabiscadas.

O AMANHECER Retornei-me ao mundo dos mortais, até revestir-me de imortalidade outra vez.
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O AMANHECER Retornei-me ao mundo dos mortais, até revestir-me de imortalidade outra vez. E caminhei por entre os prados e jardins para remarcar meus rastros, antes que ventos os apagassem. Dormi o sono dos justos ou dos injustos, e despertei-me como qualquer deles... Ouvindo a melodia dos pássaros. E o sol brilhava assim mesmo na minha janela.

DEVOLVA-ME Devolva-me as doces palavras e as mais puras gargalhadas
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DEVOLVA-ME Devolva-me as doces palavras e as mais puras gargalhadas que tocaram-lhe os ouvidos! Devolva-me ! Devolva-me os beijos que com sofreguidão lhe dei, e as carícias que só eu soube, ou não soube, mas que desenhei em seu corpo as marcas da felicidade efêmera. Devolva-me! E se quiser, devolverei os beijos e os abraços. Conceda-me uma noite, apenas! E daquela estrada, peço que me retorne de onde juntos seguimos, pois não sei mais voltar, estou perdida! Devolva-me! Devolva-me a direção do caminho!

LOUCURA DE AMOR Grita, grita! Oh, alma amargurada! Até acordar-te do teu pesadelo.
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LOUCURA DE AMOR Grita, grita! Oh, alma amargurada! Até acordar-te do teu pesadelo. O amor existe! Foi apenas um sonho ruim. Não fora embora seu amado! Nem há montanhas intransponíveis, ou, pássaros de mau presságio. Escuta! É a mesma canção do vento que o trouxe um dia! Ele ainda sopra! Podes sentir o perfume em tuas mãos. A fragrante essência dos deuses! Não as lave! Leve à tua boca e sentirás quão doce sabor! Acorda-te, desse pesadelo, Oh, alma amargurada! O amor ainda existe. Persiste! Não te enlouqueças na tua dor!

O VINHO DA JUVENTUDE ESCARLATE O vinho que eu bebi em sua boca me enlouqueceu. Era de uvas frescas colhidas em tempos da juventude escarlate.
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O VINHO DA JUVENTUDE ESCARLATE O vinho que eu bebi em sua boca me enlouqueceu. Era de uvas frescas colhidas em tempos da juventude escarlate. Em tempos que o trem apitava ao longe anunciando sua chegada. Eu na estação à procura... Não era mais o menino de alma singela e pura, mas o homem esbelto com seu paletó aos ombros, em busca da menina de tranças. E eu não mais a criança! Não mais o vestido floral. Era um tempo de estio, não mais um jardim estival. Jardim que juntos plantamos para selar nosso amor de criança... Hoje quando o trem apita, ouço da vida um prenúncio: Não mais o trem que chega, e sim, avisa sua partida. E bebo o vinho embriagante da sua boca, na lembrança.

ENVELHECER Envelheci o quanto pude e o quanto não queria também.
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ENVELHECER Envelheci o quanto pude e o quanto não queria também. Mas percebi que a cada cantar das brisas, uma nota fazia seu caminho musical. E todos os dias e madrugadas vividas, Desenhou-se em cicatrizes remontadas no meu rosto jovial... Tornando-se apenas sulcos sagrados. Por isso orgulho-me das rugas, e de quanto meus olhos se pintaram de roxas orquídeas a cada por de sol. Percebi que isso se chama eternidade e o meu próprio Eu recoberto desse tempo de sonhar! E é a vida esse sonhar, sem amarguras... Apenas com esboço de canto no canto da boca.

ASSIM É ESSE MEU AMOR Esse amor que é meu e me alimenta de versos, anelos e ternura.
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ASSIM É ESSE MEU AMOR Esse amor que é meu e me alimenta de versos, anelos e ternura. Que um dia saí a procurar, a chamar de alma minha... Há muito já habitava-me os sonhos. Sua voz macia e um sorriso terno... Mãos pequenas de pérolas! E os negros olhos a mirar os meus! Esse amor seria todo meu paraíso! E me amaria por tudo e também por nada. Assim é esse meu amor... Eu o amaria por tudo e também por nada.

DUAS FACES DA POESIA Ontem vi a poesia. E era vestida de chita fina, enfeitada com colares. Ia por caminhos de flores,
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DUAS FACES DA POESIA Ontem vi a poesia. E era vestida de chita fina, enfeitada com colares. Ia por caminhos de flores, onde se viam os amores encantados, jovens enamorados, vestidos, alguns de linhos... E tinha risos no rosto a poesia. De mãos dadas por entre os pátios, entre os parques da cidade, até nas pontes se viam! E era a poesia tão jovem, pele de pêssego rosado, cheirando a jasmineiro em flor... Seu nome era amor. Hoje pelo mesmo caminho, ia novamente a poesia, tão linda, mas desencantada! Seu rosto triste e com lágrimas, faltavam-lhe flores nas mãos e também pelos caminhos. Usava um vestido surrado, não era mais um brocado, nem lhe compunham babados! Colares? Quebraram todos. Até as pérolas morreram ao virem a poesia tão triste! Faces já enrugadas... O corpo meio curvado! E ia a poesia de hoje, que era a poesia de ontem. Não mais na mesma euforia. Ser jovem! Oh, quem lhe dera! Naquele viver tão triste, acabara a primavera!

POR TUA ALMA É QUE ANELO As violetas passaram sobre o meu olhar, deixando sombras arroxeadas.
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POR TUA ALMA É QUE ANELO As violetas passaram sobre o meu olhar, deixando sombras arroxeadas. E os nardos cobriram a visão da tua passagem... Indas que ouvia a carruagem de um príncipe, não pude sentir o gosto por te ver passar... Mas os olhos da minha alma ferida sentiu tua sombra... - Podes passar-te, oh majestade! E sobre mim, essa sombra palpitará, como se meu corpo estivesse tocado! Será imenso esse amor que me abrigas. E nunca mais, nunca mais, haverá um estribilho, em meus versos onde te pousarás teu brilho! No encanto da alma, e por quem anelo. Então apenas os nardos e as violetas se passaram arroxeando meus olhos e cobrindo-me a visão da tua breve passagem. E meu corpo palpitará como se lhe houvesse tocado.

OS OLHOS DE MINHA MÃE Eram duas pérolas cravadas em um triste rosto. Havia algo marcado, a beleza e o desgosto.
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OS OLHOS DE MINHA MÃE Eram duas pérolas cravadas em um triste rosto. Havia algo marcado, a beleza e o desgosto. De dentro da água salgado, saltou-se a ostra à maresia, e suas partes separadas, banhou-se no sêmen d’areia molhada. E seu ventre carregou-se de encanto ou desencanto, a cada vez que amanhecia, por tantos e tantos dias, ouvindo a noite gemer para cobrir seu sofrer. Aflito o grito da alma, de uma alma sem calma... E aqueles olhos? Nunca lhes vira tão de perto! Nem sabia dos desertos que seu mundo oferecia, mas em seu rosto, desenhadas, duas pérolas, sim, havia!

A GRANDE PÉROLA Todo coração guarda um segredo qual pérola dentro da concha...
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A GRANDE PÉROLA Todo coração guarda um segredo qual pérola dentro da concha... Um amor proibido e um amor fracassado: Concha vazia! O mar é a vida que vai. Vai levando conchas vazias... Ondas vêm trazendo, talvez, à praia, a grande pérola. Mas, o que seria viver sem essa eterna busca, e por entre tantas conchas fazer o sonho valer a pena?

CACTOS FERIDOS Arrancaram-se os cactos onde era o nosso ninho.
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CACTOS FERIDOS Arrancaram-se os cactos onde era o nosso ninho. E cortaram-se os espinhos! Perdi meu diamante nas brumas de uma noite triste! Desfolharam a flor estranha, a mais bela do jardim! Talvez o tempo! O tempo! E, nossa casa tão sonhada, ao som de tristes ventos, em horas caladas se desmoronou... Não seremos o que sonhamos: “Pobrezinhos, de mãos dadas a andar pelos caminhos...” Bastavam-nos nossos cactos onde fizemos um ninho! Talvez o tempo... O tempo! Roubaram nossa morada e a arremessaram aos ventos! Talvez o tempo... O tempo!

PALÁCIO AZUL-TURQUESA Oh, palácio azul turquesa! Quanto tempo olharei para
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PALÁCIO AZUL-TURQUESA Oh, palácio azul turquesa! Quanto tempo olharei para Os teus vitrais Sonharei com tuas fartas mesas de banquetes ancestrais? Quando ouvirei ao longe, Schumann o menino que sonhava no jardim Eu, pianista solitário, em busca de um olhar a tocar em mim? E verei as meretrizes belas, Embaixo das suas marquises? E meus sonhos a voar Feito pássaros nas tuas janelas! Oh, palácio azul turquesa... Quando pintarei os teus vitrais? Quando sentarei a tua mesa?